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Poesia popular nordestina fica órfão do talento e luta de “Zé Teles”

Zé Teles tinha 74 anos e sofria de câncer Foto: cedida)
Zé Teles tinha 74 anos e sofria de câncer Foto: cedida)

“Não chove no Maranhão,
Rio Grande e Ceará;
Tanta seca no Nordeste,
Tanta chuva no Pará,
Se Deus dividisse as águas
Dava pra nós e pra lá…”

Zé Teles

A arte popular nordestina perdeu um de seus braços fortes. Partiu o poeta repentista e promotor de cantorias José Teles de Almeida, 74, o “Zé Teles.”

Ele faleceu na segunda-feira (01) em Mossoró, vítima de câncer. Seu velório ocorreu no templo da Assembleia de Deus no bairro Santo Antônio, em Mossoró, com sepultamento nessa terça-feira (02).

Natural de Alexandria no Oeste do RN, Zé Teles residia à Rua Juvenal Lamartine, 1676, em Mossoró, onde promovia muitas cantorias ao lado de repentistas de vários estados.

Foi mestre de obras por profissão, associado da Casa do Cantador do Oeste Potiguar, pai de duas filhas e casado com Zoraide Maniçoba.

Sempre muito receptivo e bem relacionado, com sua arte contribuiu de forma expressiva para manter vivo a poesia e o repente, expressões da cultura nordestina.

“Fica uma saudade desse cidadão e poeta que sempre promoveu nossa cultura com amor e dedicação,” exalta Aldaci de França, poeta, professor e coordenador do Festival de Repentistas do Nordeste há mais de 20 anos, em Mossoró.

Nota do Blog – Descanse em paz, poeta.

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Obrigado, caros acadêmicos

Por Aldaci de França

Aldaci de França agradece escolha ao alado de membros da Amil (Foto: cedida)
Aldaci de França agradece escolha ao alado de membros da Amol (Foto: cedida)

Nesse 20 de novembro de 2024 ocorreu mais uma eleição na Academia Mossoroense de Letras (AMOL). Pleito escolheu através do voto direto um acadêmico para ocupar a cadeira 36, antes preenchida pelo intelectual, jornalista e imortal Canindé Queiroz.

Me inscrevi para concorrer no certame em que outras pessoas identificadas com a literatura manifestaram o mesmo desejo, mas desistiram de providenciar as suas inscrições, ou seja, tornei-me candidato único. E como tal, fiquei entusiasmado e apostando numa possível eleição.

Porém, nunca e jamais pensei que o meu nome como homem de cultura (atuante na poesia escrita e na poesia oral, através do difícil ofício de fazer repente) fosse tão expressamente reconhecido pelos que fazem a Amol.

É fato que, concluída a apuração dos votos, constatou-se que de 20 votantes, 19 sufragaram o meu nome, havendo somente uma abstenção, ou seja, faltou pouco para a unanimidade.

Confesso, que com tal resultado fiquei surpreso, e, ao mesmo tempo, consciente do peso da responsabilidade que passo a ter em corresponder às expectavas dos (as) que me elegeram acadêmico.

Indubitavelmente, a referida Academia é o ponto mais alto da nossa literatura, tendo em vista a qualificação cultural dos seus membros atuais e dos que já por essa instituição passaram e deixaram seu legado literário e cultural.

Daqui para a frente, cabe a mim entrar no ritmo desses intelectuais, aprender com eles e também colaborar para o crescimento cultural da Amol. Ao mesmo tempo, defender os valores culturais de nossa civilização, haja vista a importância dessa identidade.

Diante do exposto, manifesto minha GRATIDÃO aos integrantes da Amol, palavra que sintetiza e diz melhor o que sinto.

Aldaci de França é poeta repentista, escritor, cordelista e coordenador do Festival de Repentistas do Nordeste no Mossoró Cidade Junina (MCJ)