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Salinor pode perder na Justiça áreas ocupadas ilegalmente

Salinor produz mais de 2,5 milhões de toneladas/ano de sal (Foto: Site da empresa)
Salinor produz 2,5 milhões de toneladas/ano de sal (Foto: Site da empresa)

Do Diário do RN

Esse poderá ser um dos casos mais ruidosos dos últimos tempos na justiça do Rio Grande do Norte, pois envolve quase toda a área de produção da Salinas do Nordeste S/A – Salinor, em Macau, considerado o maior parque salineiro da América Latina.

A questão é movida pelos familiares de Feliciano Ferreira Tetéo, nascido em 12 de novembro de 1871, tendo ele ocupado funções na Guarda Nacional e também na condição de Intendente de Macau. Há cerca de 20 anos familiares de Feliciano Tetéo iniciaram questionamentos jurídicos sobres terras que comprovadamente em cartório se encontram em nome de seus ancestrais, que poderão representar o maior questionamento jurídico envolvendo área territorial no Estado.

Representam valores vultosos, mas ainda não definidos, por se tratar de áreas da empresa salineira que tem capacidade de produzir até 2,5 milhões de toneladas de sal por ano e que hoje abastece o mercado nacional e exporta parte de sua produção para os Estados Unidos.

Justiça

O processo nº 0000426-83.2005.8.20.0105 está tramitando na 1ª Vara da Comarca de Macau e segundo o advogado Érick Pereira, que defende os interesses dos herdeiros de Feliciano Tetéo, “esse processo lança luz sobre uma disputa que pode mexer com a história da exploração de salinas no Rio Grande do Norte. Trata-se de inventário dos bens deixados por Feliciano Ferreira Tetéo e Hermínia Dantas Tetéo, entre os quais se destacam valiosas salinas em Macau, patrimônio de grande importância para a economia local e para a memória da família”.

A empresa salineira Salinor, sucedânea das empresas Companhia Comercio e Navegação (CCN) e da Cirne, é considerada a maior produtora de sal do país, mas ainda não se pronunciou quanto aos questionamentos feitos na justiça pelos herdeiros de Feliciano Tetéo e Hermínia Dantas Tetéo, que por sua vez disponibilizam de documentos passados em cartório comprovando a compra das áreas de salinas.

Um dos documentos que atesta a propriedade dos imóveis é a Certidão Vintenária expedida em 02 de outubro de 2001, pela oficial Substituta do Registro Geral de Imóveis, Maria Neuza de Oliveira Carmo. De acordo com o documento, após revisão de arquivo existente no Primeiro Cartório Judiciário da Comarca de Macau, se constata a propriedade da Companhia Nacional de Salinas Mossoró pertencente a Feliciano Ferreira Tetéo, em registro de 23 de maio de 1898.

Além disso, em 14 de novembro de 2000, uma Certidão de Registro certifica as mesmas propriedades em nome de Feliciano Tetéo. Uma planta georefenciada, elaborada pela própria empresa de sal, revela os locais onde a Salinor explora o mineral. E é justamente essa planta que comprova que a empresa usa os mesmos locais que estão escriturados em nome de Feliciano Tetéo.

Uma outra certidão cartorial reforça que, apesar de não ter documentos que comprovem sua real propriedade, a Salinor nunca entrou com nenhum tipo de ação contra o espólio de Feliciano Tetéo, evidenciando que a propriedade das terras pertence a Feliciano, cujos documentos comprovam que essa situação nunca sofreu nenhum tipo de mudança. Ou seja: A empresa Salinor explora suas salinas em terras que nunca lhe pertenceram de forma legal. Ela se apossou de áreas gigantes da cidade sem nunca ter adquirido oficialmente nenhum lote de terra.

Posse indevida

Os herdeiros afirmam que as áreas ocupadas pela empresa teriam sido apossadas de maneira indevida, sem apresentar justo título que legitime a ocupação e o uso do bem. A denúncia de uso irregular das áreas legalmente passadas em cartório e pertencentes aos herdeiros de Feliciano Tetéo e Hermínia Tetéo apontam para anos de exploração sem autorização dos legítimos sucessores.

Reportagem especial de hoje no Diário do RN de Natal (Reprodução do BCS)
Reportagem especial de hoje no Diário do RN de Natal (Reprodução do BCS)

Para o advogado Érick Pereira, “Embora o processo trate da partilha dos bens deixados pelos falecidos, a constatação da exploração sem amparo jurídico pode desencadear efeitos relevantes para o setor salineiro local, além de abrir margem para novas medidas judiciais pelos herdeiros, como ações de perdas e danos”.

Sobre o desdobramento da ação judicial envolvendo o maior parque salineiro da América Latina, o advogado dos herdeiros sintetizou assim: “O caso segue em tramitação, cercado de expectativas tanto pelo valor econômico das terras quanto pela possibilidade de desdobramentos judiciais futuros que podem ganhar destaque regional e nacional”

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Consórcio Intersal assume controle do Porto-Ilha por 25 anos

A Companhia Docas do Rio Grande do Norte (CODERN) entregou nesta terça-feira, 01 de novembro de 2022, o Terminal Salineiro de Areia Branca – Luís Fausto de Medeiros (TERSAB), conhecido popularmente como Porto-Ilha. O diretor-presidente da Codern, Carlos Eduardo da Costa Almeida, passou a gestão desse equipamento ao Consórcio Intersal, formado pelas empresas Intermarítima e Salinor.

Passagem de comando aconteceu na própria estrutura do Porto-Ilha (Foto: divulgação)
Passagem de comando aconteceu na própria estrutura do Porto-Ilha (Foto: divulgação)

Os investimentos a serem aplicados no “Porto Ilha” serão de R$ 160 milhões, além de proporcionar mais desenvolvimento econômico e o aumento na geração de empregos. Contrato é por 25 anos.

Em cerimônia no Tersab, o diretor-presidente da Codern, Carlos Eduardo da Costa Almeida, assinou o Termo de Aceitação Provisória (TAP) com o diretor da Intersal, Valmir Castro de Araújo.

A Intermarítima e a Salinor estavam representadas, respectivamente, pelos diretores Ricardo Oliva e Rafael Mandarino.

O Diretor-Presidente da Codern enalteceu a importância da concretização do arrendamento: “É um dia muito importante e de vitória para a Codern, para o Rio Grande do Norte e para o Brasil. Os empregos foram não só preservados como ampliados. Estivemos sempre preocupados com as pessoas, ao mesmo tempo em que olhávamos para a economia e para o futuro. O Tersab tem um bonito horizonte pela frente”.

História

Esse era ainda o único Terminal do Brasil operado pelo Poder Público. Com o arrendamento, recebe uma série de  investimentos e modernização em sua infraestrutura.

Porto-ilha foi construído no início dos anos 70 do século passado (Foto: arquivo)
Porto-ilha foi construído no início dos anos 70 do século passado (Foto: arquivo)

O Tersab passa a se chamar Terminal Salineiro Intersal (TSI).

O Porto-ilha fica cerca de 26 quilômetros da costa de Areia Branca. Sua área física total é de 35.114m² e por ele passa cerca de 40% do sal potiguar, para consumo interno e exportação. Era administrado pela Codern e foi construído pelo governo federal nos anos 70. Sua inauguração ocorreu em 2 de setembro de 1974.

Foi arrendado na Bolsa de Valores de São Paulo no dia 5 de novembro de 2021 (veja AQUI).

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