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O protagonismo da “Síndrome do pânico judiciário”

A Comunicação da Prefeitura de Mossoró parece que fechou as portas. Só volta depois das eleições suplementares com mesma equipe ou novos ocupantes. É o que parece.

Há vários dias que sustou envio de release (matérias oficiais) à imprensa. Quase nada é divulgado. Vejo esse hiato como reflexo dos desdobramentos judiciais das eleições de 2012, quando os principais nomes concorrentes à prefeitura terminaram condenados judicialmente.

Por isso, que teremos eleições suplementares a prefeito e  vice no dia 4 de maio.

Particularmente, entendo que há excesso nessa prevenção e no nítido “patrulhamento”.

A Justiça e o Ministério Público não são donos da cidade e menos ainda da verdade. A sociedade precisa ser informada sobre atividades do poder público, com o devido freio à publicização personalista.

Eles cumpriram suas obrigações com zelo, denodo e muita coragem. A propósito, seu trabalho precisa ser visto como divisor de águas e marco no respeito ao livre direito/obrigação do voto, mas não como paradigma do pavor togado.

A Prefeitura não pode confundir, como sempre foi intencionalmente manipulado, propaganda institucional com propaganda pessoal. Uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa.

Estamos na cidade em que mosaico de praça foi colocado com símbolo da “Rosa” e Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) foi inaugurada para satisfazer a vaidade de uma prefeita, mesmo sabendo que não seria aberta e milhões foram despejados em meios de comunicação para inflar imagens de políticos. Sempre foi assim.

Tudo irregular, ilegal e acintoso, sob financiamento do dinheiro público.

Agora, o que se vê é um garroteamento absurdo. Algo diametralmente oposto, mas nem por isso justo. É antidemocrático e burlesco.

Prefeito se esconde de câmeras fotográficas e priva-se de falar sobre a própria gestão; secretários municipais marcham camuflados em meio à procissão de São José – temendo serem filmados. Até despachar com vereador no gabinete do Executivo, virou crime.

Não, por favor: mudem esse filme. Não nos devolvam às privações próprias de regimes cesaristas, a artifícios casuísticos da “lei” ou às trevas da obtusidade interpretativa dos fatos.

Esse medo – ou síndrome do pânico judiciário – não faz bem à sociedade. Os deslizes devem ser punidos, mas essa covardia já se caracteriza como uma punição – sem julgamento – ridícula.

Oposição e governo têm o dever de informar. O povo precisa ser informado.

O que não pode ser permitido é o escambo entre erário e imprensa, com uma enxurrada de recursos públicos irrigando o caixa de veículos de imprensa em nome de interesses cavilosos.

Para isso, como vimos na campanha passada, existem instrumentos de aferição e apuração, que identificam sem maiores dificuldades aumento em cotas publicitárias para certas mídias, em períodos eleitorais. A Justiça e o MP soube utilizá-los muito bem no último pleito.

Parem, por favor.

A virtude está na moderação, no bom senso, não no pavor e na supremacia da intimidação, em nome da Justiça.

“Reabram” a Comunicação, respeitem a lei. Pronto.

Ao trabalho.