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Águas do São Francisco chegam ao maior reservatório do Nordeste

Do jornal O Povo e Blog Carlos Santos

Após mais de uma década de espera, as águas do Rio São Francisco chegaram ao Açude Castanhão nesta quarta-feira, 10. O anúncio foi feito pelo governador Camilo Santana (PT), por meio de suas redes sociais.

“Momento histórico para o nosso Estado. As águas do São Francisco percorreram os 300 km, incluindo o Cinturão das Águas, e chegaram ao açude Castanhão na tarde desta quarta-feira. Cerca de 4,5 milhões de cearenses serão beneficiados com a garantia hídrica da RMF, Cariri e Baixo e Médio Jaguaribe”, disse Camilo.

O governador lembra que a Comporta do CAC para receber as águas do São Francisco foi aberta no último dia 1º, em Missão Velha, e a previsão inicial era de chegar ao Castanhão em 30 dias, mas as chuvas intensas aceleraram o processo de transferência das águas. Essa foi uma luta de todos os cearenses!”, completou.

Antes da chegada ao açude Castanhão as águas do Velho Chico, misturadas com as águas da chuva, passaram por Jati, Missão Velha, Icó, Aurora, Lavras da Mangabeira, Jaguaribe e Jaguaribara.

Técnicos da Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh) fizeram o monitoramento diário desde o dia 1º, onde foi aberta a comporta do Cinturão das Águas, e vão continuar com o monitoramento do nível do açude Castanhão para medir a vazão que vai entrando no reservatório.

Do Castanhão, a água do São Francisco percorre o Eixão das Águas até a Região Metropolitana de Fortaleza, onde abastece a Capital e o Complexo Industrial e Portuário do Pecém.

Capacidade do Castanhão

A capacidade de armazenamento do Castanhão é de 6.700.000.000 m³, o que o coloca como o maior açude para múltiplos usos da América Latina e o maior do Nordeste. Sozinho, ele tem 37% de toda a capacidade de armazenamento dos 8.000 reservatórios cearenses.

Antes do Castanhão a maior barragem cearense era o Orós, no município de mesmo nome, que também é uma represa no Rio Jaguaribe, mas que comporta pouco mais da metade da capacidade do Castanhão.

Dadas as suas grandes dimensões, o leito do açude compreende os limites geográficos de pelo menos quatro municípios cearenses: Jaguaribara, Alto Santo, Jaguaretama e Jaguaribe.

As obras foram iniciadas em 1995, durante o governo de Tasso Jereissati, e concluída em 23 de dezembro de 2002, durante o mandato do governador Beni Veras, numa parceria entre a Secretaria de Recursos Hídricos do Ceará e o Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS).

Vídeo do Governo do Estado do Ceará.

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As águas também são de Aluízio Alves

Por Joaquim Duarte Neto

Assistindo pelos noticiários televisivos a chegada das águas do rio São Francisco ao estado do Ceará, portanto podemos dizer que às portas do Rio Grande Do Norte, algumas recordações afloraram em minha memória, de muita coisa que vivi nos anos 90 ao lado do ministro Aluízio Alves.

Foi Aluízio quem resgatando um sonho antigo deu forma ao projeto de transposição que hoje é uma realidade. Foram muitas resistências ao projeto, uma luta grande que só um gigante como ele tinha coragem para enfrentar, mas sua capacidade de ação venceu todas as adversidades e no dia 21 de dezembro de 1994, em solenidade no Palácio do Planalto, ele entregava ao presidente Itamar Franco o projeto todo concluído, e o presidente assinou, tornando-o irreversível.

Aluízio Alves, no ministério de Itamar Franco, apresenta mapa com delineamento da transposição (Foto: arquivo JDN)

Lembro-me entre muitas autoridades presentes nesse momento, senadores, ministros, deputados, governadores, a presença do ex presidente José Sarney que ao terminar a solenidade veio até Aluízio, parabenizou-o e disse: “Sem você esse projeto durará mais 100 anos para se concretizar”.

Durou 26 anos para chegar até o dia de ontem no Ceará.

Quanto tempo mais irá durar para chegar ao RN ? Se não fossem os interesses contrariados e a pequenez política de grupos da Bahia e Pernambuco, que se posicionaram contra a obra, que certamente é um marco na história do Brasil, Aluízio teria deixado esta grande realização em pleno funcionamento, em apenas um ano.

Seu interesse e entusiasmo pelo projeto era tanto, que parecia um jovem enfrentando seu primeiro grande desafio de vida. Não desanimou um só minuto! Sua palavra de ordem para todos era tocar e vencer.

Aliás, não existia derrota em seu vocabulário, mesmo quando os ventos sopraram contrário, quando teve insucesso eleitoral, Aluízio sempre se saía vencedor. Lembro-me também que em seu discurso no Palácio do Planalto, ao entregar ao presidente o projeto concluído, ele sugeriu que fosse dado ao principal canal da transposição, o nome de Canal da Esperança.

Hoje, quase três décadas depois, e nas vésperas do seu centenário, eu na condição apenas de brasileiro, gostaria de sugerir que seja dado o nome dele ao menos ao braço que trará a água ao RN. A sua luta, a sua história, fazem jus a essa e a muitas outras homenagens que ele possa vim a ter.

Quero aqui também resgatar e homenagear o empresário Abelírio Vasconcelos da Rocha, carinhosamente chamado de “ Bira”, que foi por ele convocado para essa luta e não se negou. Ocupou a Secretaria Nacional de Irrigação e muito se doou pela causa. Bira, assim como Aluízio, era um incansável, dia e noite no ministério; ambos deram alma ao projeto.

Lembro dele em todas as viagens, a nascente do rio São Francisco, a Petrolina (PE), a Fortaleza(CE), sempre com uma palavra oportuna e uma opinião inteligente para contribuir. Juntamente com Bira, trabalharam também no projeto Rômulo Macedo e Alexandre Firmino. Também quero destacar para esse momento atual o trabalho do deputado Henrique Eduardo Alves, que com seu prestígio, sua atuação muito contribuiu para a continuidade do sonho que seu pai muito bem sonhou, ser realidade.

Presidiu a Comissão Extraordinária da Transpiração na Câmara dos Deputados, brilhou na condução dos trabalhos e sempre que o assunto no Congresso Nacional era transposição, lá estava Henrique contribuindo e procurando uma solução para que o projeto pudesse ter saído do papel.

Por tudo isso não poderia deixar passar esse momento sem minha humilde homenagem ao meu querido e saudoso mestre, que absorveu muito bem o provérbio chinês que diz: “ Não existe nenhuma tarefa impossível se existir persistência”.

Assim como a transposição, Aluizio foi um marco em nossa história. Sua falta é imensa, sua saudade não se define, mas sei que aí do céu você intercedeu e torceu para que as águas do São Francisco banhassem as secas terras do semi-árido nordestino e matassem a sede de muitos irmãos.

Joaquim Duarte Neto é ex-assessor executivo do então ministro Aluízio Alves