Agora à noite, por exemplo, a Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) do Belo Horizonte era para ter quatro médicos no plantão, mas no momento são três.
Já na UPA do São Manoel, a princípio seriam quatro, mas estão dois.
No Santo Antônio, a escala está completa.
Movimento de médicos que integram a Serviços de Assistência Médica e Ambulatorial Ltda (SAMA), empresa que atende as UPA´s de Mossoró, causa instabilidade no atendimento.
A Sama chegou a ofertar mais de 100 médicos para o serviço e hoje são cerca de 57.
Os insatisfeitos deverão lançar nota à população nesta semana, explicando a mobilização.
Venho através do seu prestigiado Blog informar à população de Mossoró algumas informações sobre a Saúde de Mossoró.
Vou expor algumas verdades que estão acontecendo nas Unidades de Pronto-Atendimento (UPA´s) de Mossoró.
No dia 28-2-2014 tivemos uma reunião com a secretária de Saúde (Leodise Cruz) e o prefeito Francisco José Júnior (PSD), a respeito da equiparação de salários e de quantidades de médicos no atendimentos nestas unidades – UPA Santo Antônio e Upa São Manoel com 2 médicos em 24h e a UPA do Belo Horizonte estava com 4 médicos em 24 horas.
O prefeito nos recebeu muito bem e prometeu equiparar a situação e nos solicitou que a equipe de médicos fizesse uma pessoa jurídica – PJ – no mesmo molde da UPA do BH, pois só assim seria possível reverter tal disparidade já que a prefeitura não poderia contratar diretamente ou aumentar o efetivo por ser período eleitoral. Urgentemente foi feito a Pessoa Jurídica e após um mês o prefeito não deu sequer uma posição.
Na UPA do Santo Antônio há sobrecarga que compromete atendimento (Foto: Blog do Magno César)
Nesse dia 1º de abril, mandamos um ofício ( também mandamos para o Ministério Público e o Conselho de Medicina) dando sete dias de prazo para a prefeitura nos dar uma posição a respeito e se nada for feito iremos paralisar o atendimento. Ficaremos apenas como obriga a lei, atendendo urgência e emergências com risco de morte com um profissional.
Antes de finalizar quero expor alguns dados da Upa do Santo Antônio para o público.
No mês de janeiro atendemos 10.414 pessoas e em fevereiro 9.767.
Sobrecarga médica
Se fizermos uma média da quantidade de paciente e dividir pelo tempo que cada médico tem para tender, teremos somente 8 minutos para escutar o paciente, prescrever a medicação, preencher a ficha com o que o paciente relata, ir ver o paciente no leito (caso precise), retorno do paciente e caso chegue alguma estabilização (caso mais grave) etc. E o tempo é só é esse se o médico não levantar-se nem por 1 segundo da cadeira.
Honestamente quase impossível dar um bom atendimento ao publico. Sei que o tempo não é tudo em uma consulta mas como fazer um bom atendimento sabendo que tem muitos do lado de fora esperando a horas para ser atendido?
Outro ponto: depois de 100-200 atendimentos, a fadiga mental já está afetando o raciocínio do médico. Sei que muitos devem perguntar por que aceitamos tal situação. Eu também me faço essa mesma pergunta e a resposta é que nascemos para ser médicos e não é por causa da situação ruim de trabalho que vamos deixar nossos pacientes jogados.
Bom senso
Pergunte ao professor, ao policial e a juiz de algumas varas porque eles também aceitam tal situação ruim de trabalho?
Para terminar, quero dizer quanto é o salario da UPA do Santo Antônio em um plantão de 12 horas interruptas: São R$ 760,00 e isso corresponde a 63 reais a hora trabalhada.
Muitos pensam que ganhamos rios de dinheiro.
A UPA do Belo Horizonte tem o dobro de profissional e paga-se R$ 803 líquidos.
Espero que o bom senso prevaleça e que seja feita a equiparação, principalmente de quantidade de profissional .
O bem maior será para a população de Mossoró.
Gledson Cavalcante, médico
Nota do Blog – Doutor Gledson, bom “ouvi-lo”. Precisamos nos reencontrar, depois, para botarmos a prosa em dia.
Seu relato corrobora com o que este Blog defendeu na postagem sob o título “UPA completa um mês de funcionamento no Belo Horizonte” (clique AQUI).
A partir de dados da própria prefeitura, defendemos que haja divulgação maciça de sua existência, funcionamento e serviços prestados, para que colabore para desafogar os serviços nas UPA´s do Santo Antônio e São Manoel, além do próprio Hospital Regional Tarcísio Maia (HRTM).
Após um ano e dois meses fechada, passando pelas mãos das prefeitas Fafá Rosado (PMDB) e Cláudia Regina (DEM), a UPA do BH foi aberta. Conheci-a. Fiquei encantado e impressionado com o que vi.
Mas é fundamental que Mossoró saiba de sua existência. Não houve absolutamente qualquer divulgação institucional e o conhecimento público se deu através de cobertura jornalística pontual, durante período que antecedeu o Carnaval.
Os números mostram, como o Blog advoga, que a UPA do BH está sendo subutilizada e precisa ser melhor aproveitada. Em seu primeiro mês, atendeu a pouco mais de 5.300 pessoas.
Enquanto isso, a do Santo Antônio atingiu quase “10 mil”.
A disparidade é notória.
Ministério Público Eleitoral e o juiz Eleitoral José Herval Sampaio Júnior, provocados, tendem a endossar essa divulgação.
Os números são tonitruantes, falam por si.
A divulgação visa o interesse público, é uma questão de utilidade e saúde públicas.