Arquivo da tag: Valdemar dos Pássaros

Valdemar dos Pássaros “In concert” e muitas histórias

Por Carlos Santos

Meu domingo (27) foi especialmente agradável. Além de ótimo papo, a companhia de um artista incomum. Falo sobre seu Valdemar Gomes da Silva, 75.

Esse paraibano que adotou Mossoró ainda em tenra idade, é um showman.

Recém-chegado da Espanha, onde encaminha estudos de doutorado, o advogado-professor David Leite proporcionou-nos tal presente. Levou-o para uma reunião recheada de múltiplas alegrias.

A apresentação de “Valdemar dos Pássaros” foi no apartamento do advogado André Luís de Oliveira/bióloga Patrícia, em Mossoró. “Entrada” para o almoço.

Causos, músicas, imitações e seu jeito simplório no manuseio de instrumentos de fabricação própria encantaram a adultos e crianças. Fizeram nosso domingo muito maior.

Deu margem ainda à narrativa do próprio David sobre o sucesso de Valdemar há 20 anos, na estreia do “Domingão do Faustão”, da Rede Globo de Televisão.

Os bastidores nos levaram ao riso incontido.

Diante da Xuxa, Valdemar permitiu-se a um comentário mordaz à época: “Ela não é essas coisas toda não”.

Abraçado pelo cantor-compositor Gilberto Gil, logo após aparecer diante das câmeras, recebeu elogios:

– O senhor é um grande artista! Meus parabéns.

Olhar desconfiado, incomodado pelo abraço caudaloso, perguntou a David – que o acompanhava:

– Quem é esse neguim?

E completou, depois de não associá-lo à condição de estrela da Música Popular Brasileira (MPB): “Ele devia é apanhar algodão lá no RN”.

Antes de aparecer ao vivo no Faustão, em 1999, Valdemar teve direito a conhecer o Cristo Redentor e Copacabana, sob os auspícios da própria Globo. Foram pedidos pessoais.

No calçadão da praia poética e cartão postal do Brasil, deparou-se com o ex-governador Tarcísio Maia em caminhada mansa:

– O que você está fazendo por aqui, Valdemar?

Peito estufado, voz rouca inconfundível, nosso personagem bradou: “Vim me apresentar na Globo”.

Valdemar em disco gravado no ano de 1991

Despedindo-se do nosso artista e do acompanhante, David Leite, Tarcísio não ouviu seu desabafo. “Pensei que ele fosse deixar algum dinheiro. Miserável”, protestou.

– Eu achava que Valdemar sequer tinha conhecido doutor Tarcísio, pois às vezes divaga mesmo. “Num é o  governador, homem!?”, esclareceu ao próprio David, antes de resmungar da munheca fechada do ex-governador.

Antes mesmo de voltar a Mossoró, em avião, Valdemar ainda teve tratamento de pop-star na aeronave. Foi reconhecido por passageiros e tripulantes. Tocou e fez imitações em meio às poltronas, sob aplauso intenso. De quebra visitou a cabine de comando.

– O que você achou, Valdemar?

– É buracão grande! – exclamou, depois de se deparar com o céu sem fim ao lado de piloto e co-piloto.

Ao chegar a Mossoró, interpelado de como tinha sido seu encontro com Fidel Castro, que visitava o Memorial da América Latina em São Paulo, onde ele também fez show, titubeou. Desconhecia-o.

Alertado quanto a detalhes físicos do comandante da revolução cubana, Valdemar despertou com vivacidade:

– Ah, sim! Sei quem é. É aquele soldadão grande, ?!

Carlos Santos é criador e editor desta página

* Texto originalmente publicado no Blog Carlos Santos no dia 28 de setembro de 2009, às 12h10. É nossa singela homenagem a esse artista, falecido no último dia 22 (veja AQUI) em Baraúna.

Só Rindo (Folclore Político)

Soldadão grande

Artista de rua, figura folclórica em Mossoró, “Valdemar dos Pássaros” vive em situação precária, apesar de seu valor no cenário da cultura popular. Mas em alguns momentos, ele teve seus mais de 15 minutos de fama.

Há alguns anos, Valdemar apresentou-se em rádios do eixo Rio/São Paulo e em TV´s, como a Rede Globo.

Teve até a primazia de fazer um show no “Memorial da América Latina” (SP), acompanhado pelo líder cubano Fidel Castro, que sempre manteve o fardão militar como sua indumentária perene. Foi aplaudido.

De volta a Mossoró, alguém o interpela: “E aí, Valdemar? Como foi que você se sentiu diante de Fidel Castro, lá em São Paulo?”

Simplório, minúsculo em seu físico de pintassilgo resfriado, Valdemar estica o braço acima do próprio corpo, na tentavia de reproduzir  a altura de quem ele imginava ser Fidel e responde à pergunta, em busca de confirmação:

– Sim, Fidel é aquele soldadão grande, de barba?!

Só Rindo (Folclore Político)

Soldadão grande

Artista de rua, figura folclórica em Mossoró, “Valdemar dos Pássaros” vive em situação precária, apesar de seu valor no cenário da cultura popular. Mas em alguns momentos, ele teve seus mais de 15 minutos de fama.

Há alguns anos, Valdemar apresentou-se em rádios do eixo Rio/São Paulo e em TV´s, como a Rede Globo.

Teve até a primazia de fazer um show no “Memorial da América Latina” (SP), acompanhado pelo líder cubano Fidel Castro, que sempre manteve o fardão militar como sua indumentária perene. Foi aplaudido.

De volta a Mossoró, alguém o interpela: “E aí, Valdemar? Como foi que você se sentiu diante de Fidel Castro, lá em São Paulo?”

Simplório, minúsculo em seu físico de pintassilgo resfriado, Valdemar estica o braço acima do próprio corpo, na tentavia de reproduzir  a altura de quem ele imginava ser Fidel e responde à pergunta, em busca de confirmação:

– Sim, Fidel é aquele soldadão grande, de barba?!