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Ainda há juízes no Brasil

Alexandre de Moraes e Dias Toffoli: STF novamente em cena (Foto: AFP)
Alexandre de Moraes e Dias Toffoli: STF vai para uma cruzada nos andares mais abaixo da magistratura (Foto: AFP)

Sou de um tempo, coisa aí de mais de 40 anos nesse ofício, que um juiz de direito ganhava remuneração incompatível com funções e o sobrepeso de ser cidadão e judicante. Creio: não deve ser fácil decidir – com fundamentação – e impactar a vida alheia em nossa sociedade.

Aplicar a lei para resolver conflitos e garantir direitos, como primado do magistratura, é missão nobilíssima.

Cá em Mossoró, onde nasci e estou, testemunhei juiz com vida austera, fazendo e refazendo contas para não extrapolar orçamento. Vi a cidade se mobilizar para montar uma casa digna para receber novo magistrado. Isso, até com direito a um telefone fixo, equipamento raro e difícil de se conseguir.

Um deles me contou episódio bem representativo desse tempo. Em diálogo com gerente amigo de um banco, gracejou: “Fique com meu salário e me dê o seu.” A troca improvável, na verdade, era apenas para sublinhar sua inferioridade remuneratória àquela época.

Os tempos são outros. Mudou e mudou muito. Para bem melhor, que se diga.

Porém, suspeito que essa cruzada do Supremo Tribunal Federal (STF) contra os “penduricalhos”, com ganhos na magistratura que são bem superiores ao teto constitucional, vai muito além do zelo pela Carta Magna e pela própria função jurisdicional. Há tempos o STF virou um corpo mais político do que judicial. Lá parece ter de tudo, menos o Direito como prioridade.

Essa luta acontece num momento em que o STF é sitiado por denúncias, críticas e desconfianças quanto à conduta de alguns de seus membros, como os ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, figurões que parecem não ter teto, em casa, para ganhos remuneratórios.

Se a estratégia é desviar a atenção da sociedade para as gravíssimas denúncias que tomamos conhecimento, enquanto cidadãos, pode-se dizer que a manobra é ousada e até aqui exitosa. Há dias esquecemos sobre camaradagem de Toffoli com o banqueiro Daniel Vorcaro; ninguém lembra aquele contrato milionário entre a advogada Viviane Barci de Moraes, mulher de Moraes, com o Banco Master.

A judicatura é necessária e imprescindível. Precisamos dela, mesmo que às vezes nos contrarie. A mim, várias vezes. E daí?

Es gibt noch Richter in Berlin” (Ainda há juízes em Berlim).

E no Brasil.

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Ministro do STF tentou socorrer banqueiro golpista no Banco Central

Alexandre e Gabriel: relações nada republicanas (Fotos: Rosinei Coutinho-STF, Raphael Ribeiro-BC)
Alexandre e Gabriel: relações nada republicanas (Fotos: Rosinei Coutinho-STF, Raphael Ribeiro-BC)

Do Canal Meio e outras fontes

Este fim de ano continua agitado em Brasília. Nesta segunda-feira, a jornalista Malu Gaspar revelou que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, procurou o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, ao menos quatro vezes para tratar do Banco Master. Três dos contatos ocorreram por telefone e um deles presencialmente, quando Moraes pediu avanço na operação de venda da instituição ao BRB. Moraes teria demonstrado simpatia por Daniel Vorcaro, controlador do Master, e repetiu o argumento de que o banco estaria sendo alvo de grandes concorrentes.

Ele também insistiu pela aprovação da venda anunciada em março, que aguardava aval do BC. Galípolo respondeu que técnicos haviam identificado fraudes no repasse de R$ 12,2 bilhões em créditos do Master ao BRB. O escritório de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, tinha contrato com o banco prevendo pagamentos mensais de R$ 3,6 milhões por três anos, totalizando cerca de R$ 130 milhões. (Globo)

O encontro não muito republicano entre um ministro do STF e o presidente do BC acerca de um banco privado encontrou ouvidos moucos nas duas instituições públicas. Alexandre de Moraes e o STF agiram como se nada tivesse acontecido. Já o Banco Central decidiu não emitir qualquer comunicado sobre o teor das conversas. A autarquia afirma que não comentará nem detalhará os contatos relatados. (Poder360)

Por enquanto, o único a fazer barulho em Brasília foi o líder do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), ele próprio enrolado em investigações sobre lavagem de dinheiro. O deputado afirmou que a Polícia Federal ignora o contrato milionário entre o Banco Master e o escritório de advocacia da esposa de Moraes. “Fico impressionado como a PF não quer investigar a esposa de um ministro do STF que tem um contrato com um banqueiro de R$ 129 milhões”, declarou o parlamentar. (CNN Brasil)

Merval Pereira: “O STF vira objeto de desconfiança do cidadão, à medida que o ministro Alexandre de Moraes não nega oficialmente que sua mulher tenha recebido milhões para trabalhar pelo banco Master”. (Globo)

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