Farsa ou café requentado?

Por François Silvestre

O MDB nasceu sob o signo da suspeita. Quando a Ditadura aboliu os partidos políticos da ordem constitucional de 1946, criou dois “partidos” para dar feição de normalidade política. Arena e MDB.

Os adversários mais consequentes do regime imposto torceram o nariz para os dois. Um declaradamente a ser “partido do governo” e o outro “partido de oposição”.

Oposição consentida, era o rótulo do MDB.

Passado o tempo, o partido da oposição consentida criou estatura de oposição respeitável. E muitos dos que não se filiavam a correntes ideológicas extremadas abrigaram-se no seu ninho.

E prestou um grande serviço na luta pelo retorno da Democracia.

Com o fim do bipartidarismo, a ditadura imaginou desfigurar o MDB. E legislou exigindo a palavra “partido” em todas as siglas partidárias.

Ao ganhar o “P”, o MDB prostituiu-se. E só piorou ao longo do tempo.

Agora, sem jeito de remendo querem retirar o “P”, como se o fim de uma letra fosse o fim da patifaria.

Não.

É apenas a farsa da tragédia originária.

Café requentado muito tardiamente.

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3 thoughts on “Farsa ou café requentado?”

  1. Já não bastou acabar – ou ajudar a acabar – com o Brasil, agora vamos acabar de desgraçar o nome/sigla que homens como Ulysses Guimarães, Franco Montoro, Tancredo Neves e Pedro Simon, entre outros, levantaram enfrentando suspeitas e perseguições.

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