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O “Paradoxo de Popper” e o palanque “moderado” de Álvaro Dias

Ex-prefeito deixa claro que não é bolsonarista, mas uma pessoa grata (Foto: Arquivo/2022)
Ex-prefeito deixa bem claro que não é bolsonarista, mas uma pessoa grata (Foto: Arquivo/2022)

Em entrevista à jornalista Carol Ribeiro para o jornal/portal Diário do RN desta quarta-feira (09), o ex-prefeito de Natal Álvaro Dias (Republicanos) disse que não se considera bolsonarista, mas “tem gratidão” pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Pré-candidato a governador do RN, Dias faz questão de ter o ex-presidente em seu palanque, numa coligação “bem ampla e moderada.” Em sua compreensão, “nem a extrema direita nem a extrema esquerda” serve à política e não terá utilidade à sua campanha, caso seja mesmo candidato. “Condeno os extremos,” grifou.

Na companhia de Jair Bolsonaro, o ex-prefeito reprova o extremismo. Justamente alguém que é notório defensor de ditadura militar e exalta torturador. Vá entender.

A posição de Álvaro Dias lembra o “Paradoxo de Popper.”

Esclareçamos: O Paradoxo de Popper é um problema filosófico relacionado à tolerância e ao pluralismo. Ele foi formulado pelo filósofo austríaco Karl Popper, autor de livros como “Conjecturas e refutações” e o impactante “A sociedade aberta e seus inimigos.”

O paradoxo surge quando consideramos a seguinte questão: “Devemos tolerar tudo, incluindo aqueles que são intolerantes?” Argumenta que a tolerância deve ter limites. Se uma sociedade tolera tudo e todos, incluindo aqueles que pregam a intolerância e a violência, essa sociedade acabará sendo dominada por esses.

Já o escritor italiano Umberto Eco foi ainda mais claro e direto: “Para ser tolerante, é preciso fixar os limites do intolerável.”

Bem, mas esse é um dilema, ou não, de Álvaro Dias.

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Sir Karl Raimund Popper

Por Honório de Medeiros

Karl Raimund Popper (Foto: Web)
Karl Raimund Popper (Foto: Web)

Sir Karl Raimund Popper (Viena, 28 de julho de 1902 — Londres, 17 de setembro de 1994) foi, na minha opinião, o maior filósofo do século XX. Levo em consideração, para pensar assim, a importância de sua obra.

Matemático, físico, lógico, filósofo da ciência e filósofo político, historiador, músico, tradutor, um polímata, enfim, provavelmente o último, dado o crescimento avassalador do conhecimento após o epifenômeno da computação, que lhe foi praticamente posterior.

É muito difícil aquilatar o tamanho de sua contribuição intelectual, construído no embate contra a metafísica, o marxismo, positivismo e a psicanálise, mas, também, no estudo da relação entre teoria da evolução e epistemologia.

Suas análises de Platão e Parmênides são, no mínimo, monumentais: para tal, dominou o grego arcaico.

De sua vasta obra, talvez os mais impactantes livros sejam The Logic of Scientific Discovery, A Sociedade Aberta e seus Inimigos, Conhecimento Objetivo: uma abordagem evolucionária, Lógica das Ciências Sociais, Conjecturas e Refutações (o progresso do conhecimento científico) e, post mortem, O Mundo de Parmênides: ensaios sobre o iluminismo pré-socrático.

Creio ter sido Sir Karl Popper o último dos grandes, e o maior de todos.

Honório de Medeiros é professor, escritor e ex-secretário da Prefeitura do Natal e do Governo do RN