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A reviravolta na vida de quem fez “A Escolha Errada’

Ele é originário de São Paulo-SP, filho de pais pernambucanos. Com formação em publicidade pela Universidade Santo Amaro (PE), em 2007, Newton Albuquerque, 43, tinha tudo para dar certo na vida pela ótima base que teve. Mas em determinado momento de sua trajetória, acabou fazendo “A Escolha Errada”.

'A escolha errada', de Newton Albuquerque, é um livro que mostra nuances do submundo e de superação (Foto: divulgação)

A propósito, esse é o título de um de seus cinco livros (um sexto, em manuscrito, acabou extraviado), que alcança considerável repercussão pelo conteúdo e pelo valor testemunhal da biografia do autor, que fala do submundo de drogas, do inferno em presídios federal e estadual, além do próprio desafio de vencer, se reinventando.

“Minha história sempre teve princípios, valores e educação”, define Albuquerque, o mais velho de três irmãos. “Fui criado com muito carinho e amor pela minha família. Sempre estudei e trabalhei até que aos 29 anos decido fazer uma escolha errada; entrar para o mundo do crime”, relembra em conversa com o Blog Carlos Santos.

No início deste mês, ele recebeu título de cidadão natalense por proposição do vereador Fúlvio Saulo (Solidariedade), parte de uma reviravolta em sua história.

Prisão, mortes e liberdade pela escrita

“Em outubro de 2008 eu fui preso no RN transportando a maior quantidade de drogas da história do estado até então. Minha vida no cárcere começou aí. Em 2010 sou enviado para A Penitenciária Federal de Mossoró, com a pecha de um dos presos mais perigosos do estado! Passo um ano no sistema federal e lá me apaixono pelos livros e pela terapia da escrita. Em 2012 já de volta à Penitenciária Estadual de Alcacuz (Nísia Floresta), começo escrever ‘A Escolha Errada’, com apoio e incentivo da já falecida Dinorá Simas (agente penitenciária já falecida, que dirigiu Alcaçuz), Guiomar Veras (advogada da pastoral carcerária) e do juiz Fábio Ataíde”, relata.

Ele foi testemunha ocular e sobrevivente da barbárie de Alcaçuz, quando em janeiro de 2017 um total de 26 presos foram trucidados por outros presidiários, numa rebelião de repercussão internacional.

Depois de dez anos preso, Newton libertou-se pela escrita, o saber. Atualmente é também palestrante, Master Coach formado pela Febracis (Coaching Integral Sistêmico) e tem projetos de expandir sua atuação “impactando jovens e adolescentes com uma história real, provando que o crime não compensa!

“Quero entrar firme nos presídios, onde a maioria não sabe ler mas vai saber identificar tudo através de versão do meu livro em quadrinhos”, planeja.

* Contato com o autor: escritoralbuquerque@gmail.com

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Quem manda em Alcaçuz é a bandidagem e ponto final!

Imprensa nacional (TV´s, rádios, portais e sites na Web) mostra: Governo do RN não tem controle de Alcaçuz.

Presos circulam livremente pela Penitenciária Estadual de Alcaçuz, no Rio Grande do Norte (Foto Andressa Anholete/AFP 16/01/2017)

– Governador do RN diz que não pode retirar presos do telhado de Alcaçuz sob o risco de haver mais mortes – afirma O Globo, por exemplo (veja AQUI).

Cai por terra desculpa do governo de ser vítima de boatos da oposição.

Conta outra, vai!

Quem manda em Alcaçuz é a bandidagem e ponto final.

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Alcaçuz é ocupada por polícia após carnificina entre presos

Do portal Agorarn

Por volta das 6h30 da manhã deste domingo (15), o Grupo de Operações Especiais (GOE) da Secretaria Estadual de Justiça e Cidadania (Sejuc) e a Polícia Militar, com equipes do BOPE e Choque, deram início à ocupação da Penitenciária Estadual de Alcaçuz, em rebelião desde as 16h de sábado (14) – veja AQUI.

Policiais ocuparam Alcaçuz somente na manhã de hoje. Desde ontem, presos se digladiavam (Foto: sem autoria identificada)

De acordo com a Secretaria de Estado da Segurança Pública e Defesa Social (Sesed), a operação foi um sucesso e o presídio está dominado pela equipe de segurança do Governo do RN. Não houve confronto entre presos e policiais durante a ocupação. O helicóptero da Sesed também foi utilizado no monitoramento da ocupação.

Itep se prepara para 30 corpos

Equipes do Instituto Técnico-Científico de Perícia (ITEP) estão desde as primeiras horas da manhã deste domingo (15) dentro dos pavilhões da Penitenciária Estadual de Alcaçuz para fazer a remoção dos corpos até a sede do órgão, onde passarão pelos procedimentos necessários até que sejam entregues às famílias.

O Instituto espera receber pelo menos trinta corpos oriundos da rebelião que ocorreu durante 14h na maior penitenciária do Estado e foi iniciada no final da tarde deste sábado (14).

Por contar apenas com duas câmaras frigoríficas que comportam entre 20 e 30 corpos, o ITEP solicitou a chegada de um caminhão frigorífico que virá de Fortaleza e deverá chegar em Natal ainda neste domingo para armazenar os corpos até que todos sejam devidamente liberados. Até o momento, nenhum foi identificado.

Repercussão internacional

A imprensa internacional já começa a repercutir a terceira grande rebelião no sistema prisional brasileiro de 2017. Veículos de grande influência no mundo já começam a noticiar ocupação da polícia.

The New York Times (EUA), El País (Espanha) e outros órgãos de imprensa influentes nos Estados Unidos e Europa mostram o nível de barbárie e perda de controle do sistema prisional  por parte do poder público brasileiro.

Michel Temer aciona ministro

Em mensagem publicada em sua conta no Twitter, o presidente Michel Temer determinou que o ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, preste “todo o auxílio necessário” ao governo do Rio Grande do Norte.

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Estado começa recuperação de unidades prisionais

Já começaram as obras de recuperação das 14 unidades prisionais que foram avariadas pelos motins dos presos entre os dias 11 e 18 de março. Hoje, 23, pela manhã já foram iniciadas obras em Alcaçuz e à tarde em Parnamirim e CDP de Potengi.

As informações foram dadas pelo secretário de Estado da Infraestrutura (SIN), Jáder Torres, durante coletiva de imprensa no Ciosp, na Escola de Governo.

Na ocasião, a titular da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (Sesed) e interina da Sejuc, Kalina Leite, enalteceu o trabalho técnico do Gabinete de Gestão Integrada (GGI) e o empenho das forças policiais do Estado e da Força Nacional.

Fantástico

Ontem (domingo, 22), o programa Fantástico da Rede Globo de Televisão teve reportagem especial sobre as rebeliões em presídios do estado.

Veja matéria na íntegra clicando AQUI.

“Época” diz que Alcaçuz pode ser um novo Maranhão

A revista Época focaliza em reportagem especial, um comparativo do sistema carcerário do Rio Grande do Norte com o do Maranhão. Deixa no ar, uma pergunta: “Um novo Maranhão?”  A matéria é contestada em nota oficial pelo Governo do Estado, considerando que a publicação distorce fatos e erra profundamente ao tentar fazer comparativos.

Veja abaixo, uma síntese do que diz a revista:

A afirmação de que o Rio Grande do Norte pode ser o novo Maranhão encontra base na comparação entre a situação carcerária nos dois Estados. Ambos também têm em comum governos poucos eficientes na aplicação de verbas no sistema penitenciário. Conforme dados da Justiça do Rio Grande do Norte, a governadora Rosalba Ciarlini (DEM) prometeu investir R$ 6 milhões em 2013 na reforma de estabelecimentos penais para abrir mais 500 vagas, mas aplicou apenas R$ 2 milhões.

Roseana Sarney precisou devolver R$ 22 milhões ao Ministério da Justiça porque deixou de apresentar projetos que atendiam às exigências técnicas para a construção de presídios. Na tarde da quinta-feira passada, a diretora do presídio de Alcaçuz, Dinora Sima Lima Deodato, apontou o dedo para um saco de cimento e alguns tijolos comprados para reformas no presídio e que estavam no pátio de entrada da penitenciária – onde 800 internos vivem num lugar onde caberiam, no máximo, 600. Essa é a providência mais visível da administração da governadora Rosalba Ciarlini contra o caos nos estabelecimentos penais e em resposta ao alerta do CNJ.

Veja abaixo a Nota de Esclarecimento do Governo do Estado:

Nota de Esclarecimento

Com relação à reportagem “A bárbarie no presídio de Alcaçuz, no Rio Grande do Norte. Um novo Maranhão?”, publicada na revista Época neste sábado (18), o Governo do Estado do Rio Grande do Norte, por meio da Secretaria de Justiça e Cidadania (Sejuc) esclarece que:

1) Não procede a comparação estatística entre os sistemas carcerários do Rio Grande do Norte e o do Maranhão feita pela revista. Enquanto ao longo do ano de 2013 aconteceram 66 mortes no presídio de Pedrinhas, em todo o sistema penitenciário do Rio Grande do Norte aconteceu apenas 1 (uma) morte na Penitenciária Estadual de Alcaçuz, que está há 16 (dezesseis) meses sem registar uma fuga.

2)   Enquanto o Maranhão tem uma média de 1 policial para cerca de 850 habitantes, o Rio Grande do Norte tem uma média de 1 para cerca de 350 habitantes;

3)   Não procede a informação de que houve uma “ordem política” para impedir a entrada da equipe de reportagem da revista Época no presídio de Alcaçuz. Acompanhado da assessoria de imprensa da Sejuc, o jornalista Hudson Correia, inclusive, almoçou no refeitório da referida unidade na última quinta-feira (16).

4)   Foi informado à revista Época, por meio de relatório entregue em cópia ao jornalista Hudson Correia, todas as medidas adotadas pelo Governo do Estado para melhoria do sistema prisional, principalmente a construção de dois novos presídios nos municípios de Ceará Mirim e Mossoró, (1.200 novas vagas), além do Centro de Detencão Provisória de Parelhas (80 vagas), a reforma e ampliação em curso da Penitenciária Estadual do Seridó, em Caicó (80 vagas), e a construção de um prédio em Natal, que vai gerar 300 novas vagas no regime semi-aberto. Também, em curso, estão a reforma da unidade de Pau dos Ferros e do Complexo João Chaves, em Natal (320 novas vagas).

5)   A revista deixou de registrar que, na construção da Arena das Dunas, foi determinado, pelo Governo do Estado, o emprego de mão de obra carcerária, o que resultou num reconhecimento público do Tribunal de Justiça do Estado à essa iniciativa do Executivo. Em todo o país, a construção da Arena das Dunas foi a obra, entre todas as doze arenas, que mais empregou apenados.

6)   O Estado reconhece que há problemas estruturais no seu sistema carcerário (necessita de 2 mil novas vagas, o que representam cerca de 1% do número de vagas necessárias em todo Brasil), mas ressalta que tem empregado todos os esforços junto ao Governo Federal para executar todos os projetos detalhados à reportagem da revista Época.

Veja matéria completa da Época AQUI.

O terror dentro do terror nos mundos virtual e real

A chamada blogosfera e a rede de microblogs denominada de Twitter, principalmente, viveu um dia de estresse e frisson ontem no Rio Grande do Norte, sobretudo em Natal.

Espalharam-se notícias falsas sobre dezenas de ataques a ônibus, empresas etc., com centenas e milhares de pessoas reproduzindo essa boataria sem qualquer critério de avaliação ou checagem. Só reproduzindo. Ninguém queria ficar de fora, sendo “furado”.

Criou-se um pandemônio. Superdimensionaram uma situação real; espalharam o pânico.

– Por enquanto a tuitelândia natalense exibe o trofeu “Espalha boato”, favorecendo a bandidagem. Lamentável! – comenta o jornalista Aluísio Lacerda, do Diário de Natal.

Assustador. A pressa em “dar furo” tem transformado as redes sociais num ambiente propício à boataria e à leviandade. Claro que em alguns casos a origem de tudo é mesmo a má-fé, em que estão incluídos incontáveis endereços falsos, os chamados “fakes”, ambiente próprio para calhordas, vermículos que se envergonham do próprio nome.

São pessoas, que de certo modo, são atormentadas por desvios psicossociais.

Com o advento da comunicação “online”, o furo deixou de ser o paroxismo do jornalismo, assim vejo. Importante é conteúdo. Entretanto, o que testemunho no Twitter (onde também tenho endereço), é a obsessão pelo “furo”.

Furo de segundos, minutos? Pra quê? Absurdo. Bobagem!

Muitos praticamente largam sua atividade laboral, seus afazeres comuns, suas obrigações elementares, para o exercício doentio do leva-e-traz de notas, notícias ou coisa nenhuma no Twitter.

Outros tantos apostam que estão revolucionando a humanidade no exercício do jornalismo. Twitter não é jornalismo e mesmo nele, exigências mínimas precisam ser obedecidas, para que evitemos o pior.

Esse episódio de Natal não é fato isolado. Infelizmente.

Acompanhe nosso Twitter também: www.twitter.com/bcarlossantos

Veja também AQUI, notícia apontando que 16 presos do Presídio de Alcaçuz são transferidos para o Presídio Federal de Mossoró, depois de suspeita de que alguns estejam ligados a vandalismos ocorridos em Natal e Parnamirim, ontem.