“A primeira condição para ser alguma coisa é não querer ser tudo ao mesmo tempo.”
Alceu Amoroso Lima
“A primeira condição para ser alguma coisa é não querer ser tudo ao mesmo tempo.”
Alceu Amoroso Lima
“O que cansa é a ociosidade.”
Alceu Amoroso Lima
Por Marcos Pinto
“O passado não é aquilo que passa, mas aquilo que fica do que passou”. (Alceu Amoroso Lima)
Nada mais agradável e instigante do que flagrarmos filigranas de nossos hábitos tão antigos quanto bons. Nesse desiderato, percebemos que somos reduto de observações notáveis, constitutivas de fomento para o descerrar das cortinas de um futuro promissor.
Entremeando, surge a incontestável certeza de que as distâncias da vida nos impõe saudades dos nossos entes, dimensionadas pelos sublimes liames do mais intrínseco e intenso bem-querer.
A sucinta abordagem dessas complexas distâncias do tempo revela lances de inéditas descobertas para solução dos temais mais variados. Oferece contribuições notáveis em problemas complexos ainda não resolvidos. Quando Deus criou o mundo, com certeza deixou o seu veemente DNA intrinsecamente vinculando às distâncias e as saudades.
Não adianta pegar morcego nas asas do tempo, sem bater a macega nos arredores da alma. Diante o terrível quadro de incerto futuro, resta um entalo na garganta, dominado por um certo sentimento de pavor. O inflexível distanciamento entre o passado dolente e o presente escurecido e estático impregna-se uma rubrica de incréu da pior espécie.
Entre a prevenção e a cautela há uma imensurável gama de circunstâncias extraordinárias, que nos arrebata para uma refrega entre as experiências insofismáveis do passado e as encrencas do presente. Nenhum de nós sairá dessa enruga sem levar inequívocos sinais da peleja. Esse caldeamento existente entre as distâncias e as saudades forjou em nossas individualidades uma espécie de heroico D´Atanam sertanejo, cheio de estranho e incontrolável sobresso.
A jornada empreendida entre as paralelas da distância do tempo e a saudade calma e silente deixa-nos enlouquecidos de esperança. É certo que esse perlustrar por atalhos muito fechados incute-nos um pavor que reclama a adoção de estratégias de prevenção. Pululam almas danadas em rincões que apontam saudades irrefreáveis.
As lutas da vida reclamam um intenso pastoreio dos rebanhos de nossas tentações materiais, norteando o azimute das avaliações. É nesse território do tempo que a escola da vida roteiriza um alicerce para a vida, impregnando qualidades da têmpora do caráter, que mais tarde configurará um legado como um grande patrimônio moral. Quando perambulamos por alegre ócio estamos validando o próprio retrato do nomadismo com DNA do dom da ubiquidade.
O território do tempo revela uma mobilidade espantosa, catapultando poetas das solidões noturnas e do abandono das horas esquecidas. Por que não reconhecer que, nesse contexto, somos como uma espécie de príncipes da saudade, sem amor e sem trono. Passamos indiferentemente pelas sombras de nossas recordações nada evocadoras.
Por que não entoar canções sentimentais, cheias de ternuras e de enamoradas esperanças? Assombra-me a certeza da noite sonolenta e fria do meu desfecho existencial. Lá pelos dias mais ou menos distantes, alguém há de lembrar de alguma minudência que fixou o meu nome antes do meu último sol se por.
Temos o majestoso senhor do Tempo empunhando a espada das nobres causas, enfileirando-nos marcialmente como fidalgos empobrecidos e orgulhosos, altivamente desocupados.
Somos insistentes na pobreza, apenas escapando a vida. Em momentos vários somos imaginosos, cheios de inventivas, cínicos para sobreviver à má sorte. Também sem a nossa hora, essa hora que nós próprios escamoteamos, burlamos, evitamos, enganamos, conspurcamos. Por isso que somos, ao mesmo tempo, patéticos e estoicos.
Inté.
Marcos Pinto é advogado e escritor
Por Marcos Pinto
“Para a nossa avareza o muito é pouco. Para a nossa necessidade, o pouco é muito”.(Sêneca)
Na amplitude assustadora do silêncio sepulcral oscilam os olhos da alma, filtrando na retentiva do desconhecido mistérios envoltos no além do infinito. Surge o espectro da interrogação, ampliando os horizontes do pensamento.
Busca-se, de forma incontida, algo transcendental, exorcizando fatos e pessoas que há muito já dobraram as esquinas do tempo, sumindo na ribanceira do esquecimento. As profecias ancestrais arreganham os dentes da realidade crucificante, evidenciando nos vincos da face atormentada um remorso adormecido, que já não pode fugir aos escrúpulos da consciência.
As garras de um pecado profundo sintomatiza um merencório e dolente peso de consciência. O destino imprevisível rasga-lhe as entranhas do passado, num lance de cobrança improrrogável, sem deixar espaços para evasivas e titubeios.
Não há como empreender fuga. A realidade quer se acobertar na senilidade assediante. O passar dos anos fez surgir um muro indevassável, sem saída, construído com a asquerosa argamassa dos mais profundos pecados.. A inflexível cobrança dos desiígnios do destino já não permite diminuir o atroz e mortificante peso da consciência.
Pulsa-lhe um coração tardiamente arrependido . obrigando-o a ver passar a procissão espectral de todas as injustiças, cometidas de forma vil e covarde contra indefesos semelhantes. A ânsia de acumular riqueza material impedira-lhe de ver e sentir as virtuosas manifestações cristãs., focando o bem comum. A sequidão da avareza impregnou-lhe na alma a aridez dos tormentos infindáveis. Deus mostrara-lhe o caminho farto e fértil, que a ganância e o egoísmo impediram-no de ver.
Dói-nos a constatação de que o TER tem se sobreposto ostensivamente sobre o SER, forjando espíritos ensandecidos, capazes da prática de todos os males, para atingir interesses os mais escusos e espúrios. Antigamente, predominavam pessoas profundamente virtuosas, que faleciam em odor de santidade.
Hoje, escasseiam os sentimentos nobres, pisoteados e garroteados pela ganância e egocentrismo. Vive-se o teatro da agonia, com protagonistas obrigados a dar os passos numa coreografia de tristeza e dor. O amor jaz no pano caído e surrado do teatro real. Sobejam as omissões cúmplices diante tantas injustiças, suscitando uma sucessão de tragédias aniquiladoras do bem estar coletivo.
De sorte, que resta-nos a certeza da existência de muitas almas nobres, detentoras de hábitos tão antigos quanto bons. Diante tantas interrogações, depara-se com a certeza de que a ingratidão traz consigo o gosto mais amargo da vida. De nada adianta dar o mel, para depois submeter ao gosto do fel.
Resta-nos protestar contra esse clima de apreensão e escassez de bom senso. O amigo e primo François Silvestre e o Alceu Amoroso Lima são dois grandes Pensadores que nos massageiam a alma com a plenitude dos seus ensinamentos.
O primeiro, enfatiza que “O tempo deixa perguntas, mostra respostas e traz verdades”. O segundo, sentencia que “O passado não é aquilo que passa, mas aquilo que fica do que passou”. Nesse mundo tão perverso e materialista, vivo minha solitude, adotando as palavras do grande Pensador Vicente Serejo: “Vivo de bem com a vida, sem culpá-la dos fracassos pessoais e do destino sem fortuna”.
Até mais ver.
Marcos Pinto é escritor e advogado