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O Atheneu do Rio Grande do Norte

Por Ivan Maciel de Andrade

Colégio Atheneu no prédio em que funciona até hoje foi inaugurado em 1954 (Foto: Jaecy/Fatos e Fotos de Natal Antiga)
Colégio Atheneu no prédio em que funciona até hoje foi inaugurado em 1954 (Foto: Jaecy/Fatos e Fotos de Natal Antiga)

Houve uma época em que o velho Atheneu Norte-rio-grandense tinha um quadro de professores formado por vários de nossos melhores intelectuais. Mas os professores do Atheneu não eram apenas intelectuais, embora esse referencial já fosse inesperada e surpreendentemente valioso para um colégio público de ensino médio. Eram professores acima de tudo brilhantes e cultos. Com projeção limitada à província mas com talento e conhecimentos que mereciam ser reconhecidos e valorizados numa exigente perspectiva nacional.

Cito nomes que me chegam de imediato à memória: Antônio Pinto de Medeiros, Esmeraldo Siqueira, João Medeiros Filho, Alvamar Furtado e Floriano Cavalcanti.

Lembro-me de Antônio Pinto em meio a grupos reunidos no Grande Ponto que o ouviam com silenciosa admiração. Um silêncio que era entrecortado por frequentes e boas risadas. Porque Antônio Pinto era um “causeur” irreverente e espirituoso. Características que ele transpunha para a coluna de crítica literária semanal que mantinha em um de nossos jornais. Seu carisma lhe garantia uma posição de liderança intelectual no Estado. Que somente cessou com a sua mudança para o Rio de Janeiro.

Fui aluno de Esmeraldo Siqueira. Suas aulas eram vibrantes e com muito sarcasmo: brandia com engenho e arte o afiado gume da crítica literária, social e política. Tinha cultura abrangente e diversificada. E usava a sua poderosa capacidade argumentativa para desmi(s)tificar “verdades” consagradas pela desinformação, intolerância e má-fé dos interesses dominantes. Apesar de manter uma distância asséptica da mediocridade e maledicência provincianas, não vivia isolado num claustro livresco. Posicionava-se com ardor e veemência diante dos problemas de sua época e de seu meio.

João Medeiros Filho não era propriamente um filólogo, porém dominava o nosso idioma, quer para utilizá-lo com grande força de convencimento, quer para ensinar em classe o seu uso correto. Ou seja, o vernáculo atualizado historicamente pela vivência popular. Qualidades que, associadas a extraordinários conhecimentos jurídicos, o situariam entre os maiores tribunos do Júri de nosso país.

Havia um grande conhecedor da História Universal, mas que era sobretudo um incrível contador de histórias: Alvamar Furtado. Com um raro dom de descobrir o tempero de humor oculto nas circunstâncias mais comuns ou mais insólitas. Capaz de reter com sua exuberante fluência verbal um círculo extasiado de espectadores.

Sua dicção escandida, que se impostava nas horas certas, era um recurso valorizador das saborosas digressões sobre os mais variados assuntos, inclusive o cotidiano das estripulias políticas. Copio o gosto dele por hipérboles: as suas narrativas eram cinematográficas!

Tivemos no país e particularmente em nosso Estado pouquíssimas vocações de estudiosos ou cultores da filosofia. Floriano Cavalcanti foi magistrado, professor do Atheneu e da Faculdade de Direito da UFRN. Tinha o gosto pelo estudo e aprofundamento dos temas filosóficos. Quando discorria em aula sobre filosofia do Direito assumia um tom eloquente, de esfuziante oratória que arrancava calorosos aplausos de alunos e até de professores que iam ouvir as suas belas preleções.

Ivan Maciel de Andrade é professor, advogado, escritor

*Crônica extraída de página do autor no Facebook

Ivan Lira é eleito para Academia Norte-rio-grandense de Letras

Lira: novo acadêmico (Foto: arquivo)

Em uma das mais movimentadas eleições dos últimos anos, a Academia Norte-Rio-Grandense de Letras (ANL) elegeu nesta terça-feira ( 01 de outubro) o escritor Ivan Lira de Carvalho para ocupar a cadeira 34, que tem como patrono José da Penha e foi ocupada por Alvamar Furtado e Lenine Pinto.

O novo imortal conseguiu 30 votos. Em segundo lugar ficou o teatrólogo Racine Santos com 6  votos e em terceiro a escritora Naide Gouveia não foi votada. A  ANL, presidida por Diógenes da Cunha Lima, foi fundada em 1936 e tem 40 cadeiras.

Entre os vários livros Ivan Lira escreveu destaque para “De longe e de Perto”, “A dignidade como patrimônio” e “Brevidades”. Ele integra o Conselho Estadual de Cultura e do Instituto Histórico e Geográfico do RN.

Professor, juiz, cronista

Amante das letras, ele é  cronista e colaborador sistemático dos jornais do Rio Grande do Norte e de Pernambuco.

O novo imortal é juiz federal de Direito, professor de Direito Penal da Universidade Federal no Rio Grande do Norte (UFRN) e de Direito Ambiental da pós-graduação da mesma instituição. O magistrado é mestre em Direito pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e doutor em Direito também pela UFPE com a tese “Proteção penal do ambiente: eficácia, efetividade e eficiência do conjunto normativo”.

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