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Segmento médico/hospitalar reconhece que caos pode piorar

Um fracasso de público, mas um êxito quanto ao nível de discussão. É assim que pode ser medida a reunião ampliada para discussão sobre problemas da Saúde em Mossoró, ocorrida no auditório da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Subseccional de Mossoró, à noite dessa quarta-feira (24).

A iniciativa foi promovida por um elenco de entidades e instituições privadas, públicas e filantrópicas que compõem parte do sistema de Saúde em Mossoró. Ao final, ficou a disposição de se produzir uma “Carta de Mossoró” à apresentação a representantes da classe política, Estado, Município e União, além de concorrentes ao Governo do Estado.  Um ponto de convergência: ou todos se unem, ou Mossoró terá saúde pública/privada inviabilizada completamente.

Poucas pessoas prestigiaram a reunião, como os vereadores Tomaz Neto e Genivan Vale (Foto: extraída do Twitter)

Tudo pode ficar ainda pior, se é que isso é possível.

A reunião ofertou aos participantes a prerrogativa da intervenção quanto a aspectos diversos da Saúde, em Mossoró.

“”Nunca vi político, deputado, deputada, aparecendo para ser atendido no Hospital Regional Tarcísio Maia (HRTM)”, ironizou o anestesiologista Ronaldo Fixina, da Clínica de Anestesiologia de Mossoró (CAM). Para ele, como esse estamento de poder tem meios financeiros e estrutura privada fora de Mossoró, não consegue medir realmente o drama vivido por pacientes, profissionais da Saúde e familiares. A “preocupação” deles com a Saúde é mera peça de retórica.

Passividade do povo

O hematologista Cure de Medeiros, do Hospital do Câncer e Centro de Oncologia e Hematologia de Mossoró (COHM), disse estar assustado com “o silêncio dos bons” e a passividade da própria população, que parece ter começado a considerar natural morte de bebês, falta de assistência mínima e tantos outros sofrimentos. “Um dia essas pessoas vão precisar e talvez não tenham atendimento”, previu ele em relação às elites de Mossoró, mas asseverando que a união de todos pode minimizar o caos. “Eu não vou desistir”, declarou.

A médica Jandira Arlete de Freitas, com atuação no Programa Saúde da Família (PSF) desde 1999, criticou a prioridade na construção de UPA´s (Unidades de Pronto-Atendimento), quando o investimento prioritário deveria ser na prevenção, “onde 805 dos problemas podem ser resolvidos”.  Para ela, Mossoró perdeu o rumo desse investimento, desperdiçando milhões e concorrendo para essa “vergonha”.

O vereador Genivan Vale (PROS), que é bioquímico-farmacêutico e servidor de carreira da Prefeitura, cobrou da classe médica-hospitalar participação nas discussões orçamentárias do município. Segundo ele, endossando palavras de Jandira Arlete, o investimento em UPA´s “é um equívoco” e de grande custo (cerca de R$ 8 milhões/ano). A prevenção é o caminho, para desafogar hospitais.

Gastos supérfluos

O mesmo vereador lembrou, que a Prefeitura de Mossoró despeja mais de R$ 4 ou 5 milhões por ano em festas, de R$ 5 a 7 milhões em propaganda, numa inversão de prioridade. Também lembrou que o próprio prefeito Francisco José Júnior (PSD) admitiu ter encontrado rombo de mais de R$ 46 milhões, superfaturamento em insulina e gás hospitalar, mas isso não gerou nenhum desdobramento. “Tem dinheiro”, identificou.

Outro raro político presente foi o vereador Tomaz Neto (PDT). Para ele, a crise na Saúde é indisfarçável, mas é também “uma crise moral”, que precisa ser discutida como fonte de boa parte dos problemas.

DIRETOR do Hospital Wilson Rosado (HWR), o cardiologista Bernardo Rosado previu que poderá fechar o atendimento ao sistema SUS no início do próximo ano. Em sua visão, a questão é política e torna-se imprescindível reajuste na tabela desse serviço público. “Está praticamente impossível”, definiu ele.

Representando o Grupo de Ortopedia e Traumatologia de Mossoró, o ortopedista Manoel Fernandes lembrou que há uma relação de favorecimento à Saúde da capital, em detrimento do interior. Procedimentos pagos na capital, pelo Estado, são acima do que é ofertado a Mossoró. E os serviços são os mesmos. Os governadores até aqui, incluindo a mossoroense e pediatra Rosalba Ciarlini (DEM), desprezaram o interior.

Em Natal, o Estado garante 60% do pagamento em “plus” e a Prefeitura suplementa com 40%. Em Mossoró, isto não existe. É como se Mossoró não fizesse parte do Rio Grande do Norte.

Fechamento

O farmacêutico André Néo, representando a Associação Proteção e Assistência à Maternidade e Infância de Mossoró (APAMIM), disse que a crise hospitalar é nacional, atingindo hospitais privados e até os filantrópicos. Vários fecharam em Mossoró e estão encerrando atividades pelo país. Mas também apontou que em Natal, por exemplo, o que é pago por uma UTI é o triplo do que a Casa de Saúde Dix-sept Rosado (CSDR) recebia.

A reunião contou com a escassa cobertura da imprensa de Mossoró. Por lá, apenas o editor deste Blog e o jornalista Cézar Alves. Nem TV, nem rádio, nem jornal impresso. Dos cerca de 320 médicos que atuam em Mossoró, cerca de 12 presentes. Da classe política, tão-somente os vereadores Tomaz Neto e Genivan Vale.

A secretária da Saúde do Município, Leodise Cruz, compareceu. Mas evitou falar. Apenas ouviu, ouviu, ouviu…

Do outro lado da cidade, no Expocenter, estava ocorrendo abertura da Feira de Fruticultura (Expofruit), com maciça presença de políticos, imprensa, além dos mais variados segmentos da sociedade.

O encontro foi promovido pela Associação Proteção e Assistência à Maternidade e Infância de Mossoró (APAMIM), Centro de Oncologia e Hematologia de Mossoró (COHM), Clínica de Anestesiologia de Mossoró (CAM), Clínica de Cirurgia de Mossoró, Grupo de Oftalmologia de Mossoró, Grupo de Ortopedia e Traumatologia de Mossoró, Grupo de Pediatria de Mossoró, Hospital Wilson Rosado (HWR) e Núcleo de Ginecologia e Obstetrícia de Mossoró.

Justiça acaba intervenção da Casa de Saúde Dix-sept Rosado

O Mossoroense

Decisão liminar proferida pelo desembargador do Tribunal Regional do Trabalho do Rio Grande do Norte (TRT-RN), José Barbosa Filho, suspense a intervenção na Casa de Saúde Dix-sept Rosado (CSDR), decretada na semana passada pelo juiz da 2º Vara do Trabalho de Mossoró, Magno Kleiber, e determina o retorno da antiga diretoria da unidade.

“Vamos tentar retornar os serviços o quanto antes, na verdade fazer uma mobilização de todos os funcionários e reorganizar o hospital, porque nesse período de intervenção vários serviços foram desativados, vários equipamentos foram retirados de seus setores e colocados em outros lugares”, informa André Neo, diretor administrativo da CSDR.

Mudanças

Durante uma semana em que a Casa de Saúde passou a ser gerenciada pelos interventores indicados pela Prefeitura Municipal de Mossoró (PMM), diversas mudanças foram implementadas na estrutura do hospital, dificultando agora a retomada dos atendimentos.

“Há setores, como a UTI Neonatal, que ficaram quase que praticamente como um ‘depósito de equipamentos’. A parte de convênios e particulares foi destinada ao SUS, tudo isso tem que retornar aos seus lugares. É um trabalho muito mais de movimentação a partir de agora”, explica André Neo.

Circulando pelo hospital, é possível identificar objetos e equipamentos utilizados no atendimento à população espalhados em corredores, próximos até de banheiros.

“Além dessa questão da retirada de aparelhos, mudanças de locais, houve desentendimentos dos médicos com a diretoria de intervenção, e não se chegou a um acordo, tanto que até agora os serviços não foram retomados. Os médicos, inclusive, ficaram mais distantes, serviços foram desativados, foi uma desassistência. O hospital está todo parado, não houve nenhum atendimento nos últimos dias”, enfatiza André Neo.

Prefeita eleita evita intermediários e dialoga com Saúde

A prefeita eleita de Mossoró, Cláudia Regina(DEM), reuniu na manhã desta terça-feira (11), representantes dos serviços especializados de saúde para discutir meios de assegurar a continuidade dos atendimentos de saúde no início da nova gestão, a partir do dia primeiro de janeiro de 2013.

Prefeita eleita (centro, blusa escura) fez reunião hoje pela manhã (Carlos Costa)

Cada um dos representantes falou das necessidades de cada área e, junto com a prefeita eleita, definiram procedimentos necessários à garantia dos atendimentos, sobretudo, na média e alta complexidade.

O diretor da Casa de Saúde Dix-sept Rosado, André Néo, elogiou a postura da prefeita eleita em convidar os representantes das entidades ligadas à saúde. “Temos algumas dificuldades, mas o caminho do diálogo é acertado. Que consigamos melhorar o atendimento prestado à população”, destacou André Neo.

Também compareceram ao encontro os profissionais Dennys Fowlert (Mastologia); Renato Filgueira (Urologia); Tarcísio Lucena (Urologia); Ronaldo Fixina (anestesiologia) e Manoel Fernandes (ortopedia) representando os demais profissionais da especialidade.

Promotoria

O promotor de Justiça Flávio Corte, responsável pelas questões da Saúde na Comarca de Mossoró, também fez parte do encontro.

Também estiveram à mesa, discutindo a continuidade do serviço, os médicos Eider Barreto, diretor do Hospital Regional Tarcísio Maia (HRTM) e Cure de Medeiros, do Centro de Oncologia; Jaqueline Amaral, Secretária da Cidadania; Haroldo Duarte, diretor da Clínica de Cirurgiões de Mossoró; Bernardo Rosado, diretor do Hospital Wilson Rosado; Marcos Antônio, do Instituto do Coração e Geison Freire, da Liga Mossoroense de Combate ao Câncer.

Com informações da Assessoria de Imprensa de Cláudia Regina.

Nota do Blog – A iniciativa da prefeita eleita produz um impacto demolidor no próprio governo que ela apóia e que sustentou sua eleição.

Cláudia, com a postura proativa de não aceitar intermediários e agir diretamente no cerne da questão, é um contraponto ao estilo da atual prefeita de direito Fafá Rosado (DEM), que passou boa parte de quase oito anos de administração num papel nulo e omisso.

Fafá foi mera peça decorativa, quase sem voz. Transformou o irmão e chefe de Gabinete, o agitador cultural Gustavo Rosado (PV), no prefeito de fato.

Saúde vira boletim em Delegacia de Polícia

O tempo fechou hoje pela manhã na Casa de Saúde Dix-sept Rosado, que faz parte do complexo Associação de Proteção e Assistência à Maternidade e à Infância (APAMIM), em Mossoró.

O diretor-geral André Néo conduzia reunião com servidores, repassando informações sobre condições financeiras e formas de pagamento de compromissos salariais, quando surgiu delicado incidente.

O sindicalista Luís Avelino teria assacado palavras de baixo calão contra Néo e lhe feito ameaças de violência física.

O caso, que era administrativo, no ambiente de saúde, virou boletim de ocorrência na 2ª Delegacia de Polícia Civil, bairro Nova Betânia. O registro foi feito às 10h30 de hoje, relatando em seu conteúdo que o quiproquó fora por volta de 9h30

Nota do Blog – Na verdade, há muito que a saúde em Mossoró virou assunto para a editoria policial.

O sindicato da categoria prega greve e, até o momento, a posição tomada pelos trabalhadores é de se manter negociação com a diretoria, dentro do mínimo de civilidade.

Pobre Mossoró!