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As águas também são de Aluízio Alves

Por Joaquim Duarte Neto

Assistindo pelos noticiários televisivos a chegada das águas do rio São Francisco ao estado do Ceará, portanto podemos dizer que às portas do Rio Grande Do Norte, algumas recordações afloraram em minha memória, de muita coisa que vivi nos anos 90 ao lado do ministro Aluízio Alves.

Foi Aluízio quem resgatando um sonho antigo deu forma ao projeto de transposição que hoje é uma realidade. Foram muitas resistências ao projeto, uma luta grande que só um gigante como ele tinha coragem para enfrentar, mas sua capacidade de ação venceu todas as adversidades e no dia 21 de dezembro de 1994, em solenidade no Palácio do Planalto, ele entregava ao presidente Itamar Franco o projeto todo concluído, e o presidente assinou, tornando-o irreversível.

Aluízio Alves, no ministério de Itamar Franco, apresenta mapa com delineamento da transposição (Foto: arquivo JDN)

Lembro-me entre muitas autoridades presentes nesse momento, senadores, ministros, deputados, governadores, a presença do ex presidente José Sarney que ao terminar a solenidade veio até Aluízio, parabenizou-o e disse: “Sem você esse projeto durará mais 100 anos para se concretizar”.

Durou 26 anos para chegar até o dia de ontem no Ceará.

Quanto tempo mais irá durar para chegar ao RN ? Se não fossem os interesses contrariados e a pequenez política de grupos da Bahia e Pernambuco, que se posicionaram contra a obra, que certamente é um marco na história do Brasil, Aluízio teria deixado esta grande realização em pleno funcionamento, em apenas um ano.

Seu interesse e entusiasmo pelo projeto era tanto, que parecia um jovem enfrentando seu primeiro grande desafio de vida. Não desanimou um só minuto! Sua palavra de ordem para todos era tocar e vencer.

Aliás, não existia derrota em seu vocabulário, mesmo quando os ventos sopraram contrário, quando teve insucesso eleitoral, Aluízio sempre se saía vencedor. Lembro-me também que em seu discurso no Palácio do Planalto, ao entregar ao presidente o projeto concluído, ele sugeriu que fosse dado ao principal canal da transposição, o nome de Canal da Esperança.

Hoje, quase três décadas depois, e nas vésperas do seu centenário, eu na condição apenas de brasileiro, gostaria de sugerir que seja dado o nome dele ao menos ao braço que trará a água ao RN. A sua luta, a sua história, fazem jus a essa e a muitas outras homenagens que ele possa vim a ter.

Quero aqui também resgatar e homenagear o empresário Abelírio Vasconcelos da Rocha, carinhosamente chamado de “ Bira”, que foi por ele convocado para essa luta e não se negou. Ocupou a Secretaria Nacional de Irrigação e muito se doou pela causa. Bira, assim como Aluízio, era um incansável, dia e noite no ministério; ambos deram alma ao projeto.

Lembro dele em todas as viagens, a nascente do rio São Francisco, a Petrolina (PE), a Fortaleza(CE), sempre com uma palavra oportuna e uma opinião inteligente para contribuir. Juntamente com Bira, trabalharam também no projeto Rômulo Macedo e Alexandre Firmino. Também quero destacar para esse momento atual o trabalho do deputado Henrique Eduardo Alves, que com seu prestígio, sua atuação muito contribuiu para a continuidade do sonho que seu pai muito bem sonhou, ser realidade.

Presidiu a Comissão Extraordinária da Transpiração na Câmara dos Deputados, brilhou na condução dos trabalhos e sempre que o assunto no Congresso Nacional era transposição, lá estava Henrique contribuindo e procurando uma solução para que o projeto pudesse ter saído do papel.

Por tudo isso não poderia deixar passar esse momento sem minha humilde homenagem ao meu querido e saudoso mestre, que absorveu muito bem o provérbio chinês que diz: “ Não existe nenhuma tarefa impossível se existir persistência”.

Assim como a transposição, Aluizio foi um marco em nossa história. Sua falta é imensa, sua saudade não se define, mas sei que aí do céu você intercedeu e torceu para que as águas do São Francisco banhassem as secas terras do semi-árido nordestino e matassem a sede de muitos irmãos.

Joaquim Duarte Neto é ex-assessor executivo do então ministro Aluízio Alves

Ex-secretário diz que TCE não pode servir de escambo

Do Blog Visor Político (Alex Viana)

O empresário, ex-secretário de Estado e ex-presidente da Federação das Indústrias do Rio Grande do Norte (FIERN), Aberílio “Bira” Rocha, concedeu entrevista que será publicada na edição deste sábado de O Jornal de Hoje. Imperdível sua avaliação desapegada da capital, do Estado e do Brasil, nos campos políticos, administrativos, econômicos e sociais.

Indagado sobre a negociação do cargo de conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE), Bira respondeu:

– Isso aí precisa primeiro acontecer para a gente poder fazer uma avaliação melhor. Eu acho que os cargos do Tribunal de Contas não podem servir de escambo. Não sei se vai fazer, mas não pode servir de escambo sob pena de cada vez o TCE ficar mais e mais e mais sem credibilidade.

Nota do Blog do Carlos Santos – Bira sabe que o TCE sempre serviu para escambo político. A única diferença, caso se concretize a arrumação de renúncia da prefeita mossoroense Fátima Rosado (DEM), a “Fafá”, para ser içada ao TCE, é que a manobra estará chegando – talvez – ao ápice da negociata.

A própria Fafá disse à imprensa, inadvertidamente, que estava conversando para deixar o governo e possivelmente ganhar essa compensação.