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Uma estrada longe demais

Por Josivan Barbosa

Durante a semana tivemos a oportunidade de mais uma vez trafegar pela famosa Estrada do Cajueiro (BR 437 – projeto encaminhado pelo deputado Betinho Rosado). Diferente das outras vezes, iniciamos o percurso a partir do novo entroncamento com a RN 015 (terceira etapa da Estrada do Melão), à altura da comunidade de Boa Sorte.

O trecho até a divisa com o Ceará (Comunidade de Baixa Branca) está em péssimas condições de tráfego, apesar da pouquíssima chuva que caiu na Chapada do Apodi no último período de chuvas.

Encontro da Estrada do Melão etapa III com a BR 437 - Estrada do Cajueiro na comunidade rural de Boa Sorte (Foto: Josivan Barbosa)
Encontro da Estrada do Melão (etapa III) com a BR 437, Estrada do Cajueiro em Boa Sorte (Foto: Josivan Barbosa)

Não temos condições de falar sobre o trecho compreendido entre o Distrito de Jucuri e o entroncamento com a RN 015, mas não deve estar em boas condições, pois, é uma região de solos rasos e, assim, há muitas pedras na superfície.

A parte do Rio Grande do Norte da BR 437 tem extensão de apenas 32 km e se continuarmos com essa capacidade de articulação da Bancada Federal em Brasília, é provável que passaremos mais uma década sem a sua pavimentação.

O trecho que se inicia no Km zero (parte da estrada no estado do Ceará) na comunidade de Baixa Branca e que tem uma extensão de 52 km até a BR 116, após o município de Tabuleiro do Norte (sentido Sul), está em ótimas condições de trafegabilidade até o DIJA (Distrito Irrigado Jaguaribe – Apodi).

Inclusive, há um trecho que já foi pavimentado que se inicia na comunidade do Km 60, onde está instalada a Calcário do Brasil, uma grande fábrica de cal do grupo Carbomil.

Em toda a extensão da Estrada do Cajueiro é visível os sinais de êxodo rural. Há inúmeras casas abandonadas, mesmo sendo de boa qualidade para a região. O isolamento e a dificuldade de transportes coletivos provocaram a saída de inúmeras famílias ao longo da Estrada do Cajueiro.

Apesar de ser uma região com poucas possibilidades de desenvolvimento da agricultura irrigada em função da limitação de água, mas os poucos produtores sempre tiveram muita dificuldade de escoar a produção, o que tornou a Estrada do Cajueiro um deserto de projetos.

Estrada do melão

Tivemos também a oportunidade de conhecer a terceira etapa da Estrada do Melão que é um prolongamento da RN 015 a partir do eixo viário de Baraúna e que tem uma extensão de 18 km. Fiquei surpreso com a quantidade de produtores da agricultura irrigada que estão se instalando ao longo daquele trecho, o que mostra que estrada sempre implica em desenvolvimento de novos projetos. São produtores de banana (principal cultura instalada), melão, melancia, mamão formosa, maracujá, entre outros.

Há logo no início da estrada uma área com maracujá que com certeza é a maior já instalada nos últimos anos na região compreendida pelo Polo de Agricultura Irrigada RN – CE que vai de Touros – RN até Limoeiro do Norte, numa extensão de cerca de 400 km.

O Governo do Estado do RN está de parabéns pela conclusão da terceira etapa da Estrada do Melão e agora é partir para concluir a segunda etapa que vai da BR 304 (altura da comunidade rural do Km 31) após a sede da antiga Maisa até a sede do município de Baraúna. No trecho da segunda etapa há várias comunidades rurais tradicionais e inúmeros assentamentos que serão beneficiados com o projeto. É um trecho que tem muitos produtores rurais de pequeno e médio porte.

A gestão política para a construção da Estrada do Melão iniciou-se em 2005 no Governo de Wilma de Faria. Já são 16 anos de luta pela Estrada do Melão. Até o momento foram feitos menos de 40 km, faltando ainda cerca de 32 km.

O município mais beneficiado com a Estrada do Melão é, sem dúvidas, Baraúna. Mas, por incrível que pareça, é o município que menos tem feito gestão política para a conclusão da estrada.

Exportação do melão e melancia

Iniciou-se na semana passada a temporada de exportação de melão e melancia da safra 2021/22 para a Europa e outros continentes.  A exportação sempre se inicia entre as semanas 33 e 34, o que novamente se repetiu em 2021.

Os primeiros embarques foram marcados por atraso de navios e os três portos (Pecém, Mucuripe e Natal) estão sendo utilizados pelos exportadores, conforme a frequência de navios. A concentração de frete marítimo na mão de poucas empresas multinacionais é o grande problema enfrentado pelo produtor por ocasião de negociação dos contratos de frete.

Rio Jaguaribe

O volume de água disponibilizado no Rio Jaguaribe para atender os produtores da agricultura irrigada dos perímetros irrigados como o DIJA e o DISTAB (Distrito Irrigado Tabuleiro de Russas) está colocando em dificuldade os novos projetos de agricultura irrigada da região da Chapada do Apodi e Vale do Jaguaribe.

Durante a semana estivemos na Barragem das Pedrinhas (Limoeiro do Norte) e na Barragem de Quixeré. Em ambas, a vazão é mínima e não atende a necessidade do produtor. Não acreditamos que a integração da bacia do Rio Jaguaribe com a bacia do São Francisco mude a situação. Já será de bom tamanho se a água do São Francisco (Velho Chico) atender a demanda de Fortaleza e entorno.

Josivan Barbosa é professor e ex-reitor da Ufersa

A cadeia produtiva do calcário na Chapada do Apodi

Por Josivan Barbosa

A Chapada do Apodi pelo lado cearense localiza-se na porção leste do Estado do Ceará, na fronteira com o Rio Grande do Norte. Os municípios cearenses que possuem áreas de destaque na Chapada do Apodi são: Tabuleiro do Norte, Limoeiro do Norte, Quixeré, Russas e Jaguaruana.

A Chapada do Apodi pelo lado do Rio Grande do Norte apresenta muitos municípios com áreas de destaque, dentre eles: Assu, Mossoró, Upanema, Caraúbas, Felipe Guerra, Apodi, Governador Dix-Sept Rosado e Baraúna. Estes municípios estão situados entre dois grandes vales: o Vale do Rio Açu no Rio Grande do Norte e o Vale do Rio Jaguaribe no Ceará.

Entre estes dois grandes vales situa-se o Vale do Rio Apodi-Mossoró. Estas duas porções de municípios, apesar de, geograficamente, pertencerem a duas unidades da Federação, do ponto de vista econômico apresentam muitas similaridades.

Uma das riquezas econômicas da Chapada do Apodi é a presença do calcário. A indústria do calcário na Chapada do Apodi é um grande consumidor de matérias-primas minerais. Seus diferentes segmentos consomem uma diversidade de substâncias minerais in natura ou beneficiadas, cuja variedade empregada depende dos tipos de produtos e da localização da unidade fabril.

Neste setor verifica-se a convivência de diferentes tipos de estabelecimentos, com características distintas quanto aos níveis de produção, consumo de energia, qualidade dos produtos, índices de produtividade e grau de mecanização.

Dentre os municípios da Chapada do Apodi, Baraúna apresenta hoje a localização mais privilegiada em relação à geração de emprego e renda na indústria do calcário. Além de possuir a mina de calcário da Fábrica de Cimento Mizu (Cimento Mizu), o município de Baraúna encontra-se muito próximo (cerca de 20 km) da Fábrica de Cimento Itapetinga (Cimento Nassau) instalada há quase 40 anos em Mossoró e vizinho à fábrica de Cimento Apodi em processo de instalação no município de Quixeré.

Há, também, previsão de que a Fábrica de Cimento Mizu instale no município de Baraúna uma grande fábrica de argamassa com capacidade para atender à região. A indústria de cal ICAL é outra grande empresa que encontra-se em processo de instalação no município de Baraúna, cujos equipamentos foram importados da China.

A meta é produzir 1200 toneladas de cal diária, utilizando dois fornos com capacidade de estocagem de 5600 toneladas em 14 silos.

A previsão é que a indústria de cal ICAL gere 180 postos de trabalho direto e 800 indiretos.

Outra grande empresa da indústria do calcário que está sendo instalada no município de Baraúna é a Cal Norte e Nordeste (CNN).

Outro fator importante que justifica a situação favorável do município de Baraúna em relação aos postos de trabalho na indústria do calcário é a sua proximidade com várias outras empresas de porte médio já instaladas na Chapada do Apodi ou em processo de instalação, tais como a Okyta Mineração e a Mineração Santa Maria (Quixeré), Calcário do Brasil e Carbomil (Limoeiro do Norte) e Mineração Miliane (Jaguaruana).

Josivan Barbosa é professor e ex-reitor da Universidade Federal Rural do Semi-árido (UFERSA)

* A convite do Blog, o professor Josivan foi provocado a escrever sobre perspectivas econômicas para a região de Mossoró e Rio Grande do Norte, fomentando debate e apontando caminhos reais para crescimento econômico e desenvolvimento humano.

Outros estudiosos e conhecedores do tema, gente interessada numa discussão elevada, têm igual espaço.

O Blog é um fórum de debates permanentes, em defesa da livre iniciativa, da liberdade de expressão e de um Estado menos perdulário e mais eficiente no atendimento às reais demandas sociais.