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Vladimir Carvalho, um sertanejo do mundo

Por François Silvestre

Conhecer pessoalmente o cineasta e escultor Vladimir Carvalho foi de uma alegria inescondível, como diria o erudito “seu” Valdomiro. Vlado, como é tratado pelos amigos, é daquelas pessoas que você, ao conhecê-la, imagina ser amigo de infância. De uma simplicidade cativante, sem qualquer pose que o currículo e a história de vida naturalmente autorizariam.

Vem à memória a figura de outro amigo também possuidor do dom da simplicidade. Dominguinhos.

Vladimir Carvalho é um sertanejo do mundo, que não por acaso nasceu no Nordeste (Foto: Sérgio Amaral)

Vladimir teve vida difícil, típica de nordestinos retirantes. Seu pai, Mestre Luís, faleceu muito jovem. Sua mãe, Dona Mazé, ficou viúva com um filho de colo. Walter, que é uma espécie de irmão-filho de Vladimir. Também artista igual ao pai e ao irmão. Família de arte e genialidade.

O filme “No país de São Saruê” foi censurado e preso. Vladimir viveu a clandestinidade, com o apelido de Zé dos Santos, viveu de esculpir esculturas sacras.

Foi ele quem deu guarida e conseguiu evitar a prisão da viúva de João Pedro, Dona Elizabete, cuja morte do marido motivou o filme “Cabra Marcado para Morrer”.  Vladimir participou da elaboração do filme.

Sua obra é vastíssima. E a convivência também. Com Glauber Rocha, Arnaldo Jabor, Caetano Veloso, Ruy Guerra e muitos outros. “O homem de Areia”, sobre José Américo de Almeida. “O Evangelho segundo Teotônio”, sobre Teotônio Vilela. O “Engenho de Zé Lins” e vários outros filmes.

Dentre obras curtas e longas, é reconhecido, por colegas e críticos, um craque da cinematografia de roteiros. Além de ser, herança do pai, um excelente escultor.

Vladimir Carvalho é um sertanejo do mundo, que não por acaso nasceu no Nordeste. Um paraíba da Paraíba, que orgulha a cultura do Brasil.

François Silvestre é escritor

Mulher e feminicídio

Por Raíssa Tâmisa

Acho lindo quando um homem diz: mas eu não sou machista! Meu amor, eu sou mulher, feminista, e vez ou outra me pego sendo machista.

Presta atenção rapidinho numa coisa aqui: a gente cresceu e ainda vive numa cultura machista. Você homem não morre, nem sofre violência pelo fato de ser homem. O nome disso é cultura do estupro.Estamos mergulhados, todos, num cenário de inferiorização da mulher. O fato de você precisar pensar que poderia ser sua mãe, irmã ou vó, pra rever o modo como age com mulheres, também é cultura do estupro.

O que você faz é vincular seu comportamento a uma experiência pessoal e afetiva, e isso tá longe de ser igualdade. Pressupõe que todo homem precisa dessa experiência pra não ser um escroto. Isso tá longe de ser empatia.

A necessidade é de se reeducar hoje pra reverter o cenário o máximo que a gente puder. E isso é um trabalho meu e seu. As próximas gerações é que poderão dizer que não são machistas se a gente cuidar disso logo. O que não deixa de ser um processo longo, lento e constantemente diminuído.

E é como vem sendo tratadas todas as pautas que nos dizem respeito, com desdém. Procure saber o quanto de violência contra a mulher foi cometida nesse oito de março. É ou não é um deboche simbólico, um recado para diminuir a causa?

Dizer pra uma mulher, como quem merece ganhar uma medalha, que não é machista, pasme, é ser. Esse feito não está consolidado nem na gente ainda, imagina em vocês homens.

Com licença que ainda não deu pra engolir… 130 registros de feminicídios em 2019 até agora, março, abafados pela única palavra de ordem do momento. Como se não houvesse pauta. E se há, tem menos importância. Ah, mas Zé de Abreu… Foda-se Zé de Abreu.

O que ele tinha que fazer ali era aproveitar qualquer espaço de fala, seja de pergunta ou ovação, pra passar a bola pro ato. Repetir que o assunto é elas e delas, e que veio só pra prestigiar e assistir. O mínimo, era o mínimo!

O que o homem faz? Palanque.

É ser grossa pedir pra baixar um pouco a bola?

]Então, reduza com parcimônia a circunferência.

Beijo.

Raíssa Tâmisa é cineasta de origem potiguar

Filme mossoroense terá exposição e pré-venda hoje no Partage

Com formação acadêmica na Universidade do Estado do RN (UERN) e passagem pelos quadros da TV Cabo Mossoró (TCM), a jornalista, fotógrafa e jovem cineasta mossoroense Wigna Ribeiro prepara lançamento de novo longa-metragem. “Era uma vez… Lalo” estará em cartaz no Partage Shopping Mossoró.

A película totalmente produzida pelo coletivo cinematográfico “Buraco Filmes”, com elenco e retaguarda técnica toda local, vai para a telona no próximo dia 22. Terá sua sala no Multicine do próprio Partage.

Cena do trabalho que estreará dia 22, com produção integralmente mossoroense do coletivo "Buraco Filmes" (Foto: divulgação)

Mas hoje (terça-feira, 4), às 18h, haverá exposição fotográfica e pré-venda dos ingressos no Partage Shopping, numa mostra do que será o filme. Oportunidade também pro público conhecer adereços, figurinos e outros aspectos da produção.

A ambientação estará na ala próxima à loja Ri Happy.

A jovem cineasta Wigna Ribeiro, diretora do filme, vai estar na exposição ao lado de outros componentes do coletivo cinematográfico. Receberá o público para conversar sobre a produção, a chamada “sétima arte”.

O filme

O pitoresco reino de Lutheria passa por disputa de poder, e é palco de cenas de inveja e ganância. As três princesas evitam falar sobre o irmão desaparecido, e temem perder as terras e todas as garantias do reinado.

Longe dali, a ganância e a desonestidade são motivos da decadência do circo que tem como estrela principal o mágico Lalo.

Ele usa sua perspicácia para sonhar com o trono de Lutheria, mas vai ter que fazer muito mais do que mágica para chegar lá.

Nota do Blog – Wigna é um prodígio. Meninos, eu sei!

Wigna: olho nas lentes (Foto: Web)

Talentosa, perfeccionista. Obstinada. Eis um traço comum aos que teimam em não seguir o curso natural e repressor do rio.

Ela faz seu próprio destino, rabisca sua própria história.

O atalho não é escapismo nem rodeio. É seu caminho diferente.

Nele, sua identidade no mundo.

Luz! Câmera! Ação!

Aplausos!

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