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O surto de vaias no futebol, na política e redes sociais

O Seleção do Brasil de futebol foi campeã da Copa América versão 2019, em jogo nesse domingo (7) no Estádio Maracanã (RJ).

Impôs placar de 3 x 1 no Peru (veja AQUI).

Mas nas redes sociais, boa parte das postagens, neurônios e tempo foi consumida com um lengalenga sobre vaias sofridas pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL) – em meio também a aplausos.

Bolsonaro enfrentou vaias, mas recebeu também aplausos, com tempo para posar ao lado de jogadores e taça (Foto: Z1)

Quanta perda de tempo, gente.

Torcida de futebol vaia até o próprio time de paixão e sua Seleção, imagine presidente da República, figura episódica lá por Brasília.

Há poucos dias, nessa mesma Copa América, o selecionado brasileiro saiu de campo sob vaias uníssonas.

Ontem, aplaudido.

Dilma Rousseff (PT) foi vaiada ruidosamente no mesmo Maracanã no final da Copa do Mundo de 2014 e no início, no Estádio de Itaquera (SP).

Lula (PT) – maior estrela da política nacional nas últimas décadas – enfrentou igual sentimento da massa nos Jogos Panamericanos de 2007. Ficou de tal modo abalado, que desistiu de fazer a declaração formal de abertura. Onde? No Maracanã.

– “É reação do ser humano”, julgou Lula ao falar sobre o assunto, minimizando o mal-estar.

Juscelino Kubitschek foi coberto por vaias em um evento oficial na condição de presidente da República. Saiu-se do embaraço com maestria:

– “Feliz do país que pode vaiar seu presidente”.

O jornalista e dramaturgo Nelson Rodrigues falava que “os admiradores corrompem”. Tratava a vaia com reverência, bem ao seu estilo controverso.

Vamos cuidar de coisas mais importantes e sérias para o país. O tempo urge e ruge. Copa América já passou. O Governo Jair Bolsonaro está só começando – com ou sem vaias.

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Turismo em queda mostra engodo da Copa do Mundo

Segundo estudos do Ministério do Turismo, revelado pelo Tribuna do Norte no fim de semana, o RN perdeu 59,35% de turistas internacionais nos últimos dez anos.

Paralelamente, estados como Pernambuco e Ceará tiveram crescimento de 8,95% e 48,28% – respectivamente.

Importante ser assinalado que essa queda abissal em relação ao RN ocorre mesmo com o ufanismo da Copa do Mundo de 2014, que chegou ao estado com o Arena das Dunas.

Propagava-se que haveria um enorme fluxo turístico a partido daí.

A Copa do Mundo e outros eventos desse porte serviram muito bem à indústria da corrupção multipartidária instalada em Brasília, bem como a uma horda de empreiteiras.

O “legado da Copa” para o RN é um trambolho que custará a ser pago pelo povo potiguar.

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O necessário, o dispensável e a farsa do Arena das Dunas

Durante meses e meses, anos e  anos, políticos, muitos jornalistas e uma turba de maria-vai-com-as-outras impuseram a ideia de que o Arena das Dunas era imprescindível ao Rio Grande do Norte.

A tese é de que teríamos um importante “legado” da Copa do Mundo de 2014.

No rol dessa farsa, o argumento acessório para não perdermos a ‘oportunidade’, era de que várias obras de mobilidade para Natal só seriam possíveis se o Arena das Dunas fosse viabilizado.

Imagine só que chantagem: uma obra necessária só estaria aprovada se a dispensável fosse garantida.

Um estádio bilionário e dispensável seria imprescindível à vida dos natelenses; obras à melhoria do seu trânsito, nem tanto.

Aos poucos a gente vai descobrindo o óbvio: o Arena das Dunas serviu e continuará servindo a uma súcia, espertalhões que podem até se dividir e arengar nos palanques, mas sempre andam unidos no rateio do butim.

Nós pagamos a conta.

A verdade é (uma virtude) um hábito…

Por Francisco Edilson Leite Pinto Júnior

“Em mundo que se fez deserto temos sede de encontrar companheiros” (Saint-Exupéry)

A Copa passou, deixando várias lições, sendo esta a mais importante: fora do trabalho em equipe, não há salvação. Guimarães Rosa entendia tanto disso que colocou no seu Grande Sertão – Veredas: “O capinar é sozinho… a colheita é comum”. O danado é como criar o hábito de trabalhar em equipe, se desde o início da nossa formação educacional somos treinados a trabalhar sozinhos? E um hábito não se muda da noite para o dia…

Vejam o que um hábito é capaz de fazer. Inicio da Copa. Todos aqui em casa decidimos: assistiríamos aos jogos do Brasil, mas nada de camisa, de estresse, de torcida apaixonada, afinal, os desmantelos no pré-copa, onde a nação foi terrivelmente subtraída em tenebrosas transações, estava (e ainda está) doendo muito na alma, e no bolso, de todos nós. No entanto, a cada jogo, acontecia algo interessante.

Bastava a seleção entrar, e o hino começar a soar em nossos ouvidos que tudo mudava. E de torcedor indiferente, passávamos a torcedor apaixonado. Dizem que a alma é uma música: a melodia do hino nacional trazia a lembrança do passado, onde éramos acostumados a torcer, sem colocar a política entre nós e a seleção… a música trazia o velho hábito e “quando um hábito surge, o cérebro para de participar das decisões”.

Quem assumia a função de pensar, naquele momento, era o coração…

Então, se Shakespeare fosse vivo, com certeza ele mudaria a frase: somos feitos dos nossos sonhos; para: somos feitos dos nossos hábitos. E hábitos esses que nem sempre são saudáveis, por isso que o escritor Fernando Teixeira tem razão ao pedir:

“Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo de travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos”.

Os viciados em jogos, drogas, sexo, etc., etc. deveriam utilizar esse texto como um mantra diário…

Existem artigos científicos – acho até modestos esses números-, mostrando que mais de 40% das nossas ações diárias não são decisões de fato, mas sim de hábitos. Eu tenho um conhecido que vive um relacionamento bem estranho com a sua namorada: a cada três meses, eles pegam uma grande briga e passam 15 dias sem se falarem.

Outro dia, ele me confidenciou: “faltavam 12 horas para completarem os 90 dias. E nada de briga. Era uma paz que chegava a incomodar. Então, peguei o telefone e, sem mais nem menos, disse que ela não era a mulher da minha vida. E desliguei. Amanhã, será o décimo quinto dia sem nos falarmos. E eu já ensaiei o discurso de desculpas, para ela”…

O fato é que mudar um hábito não é fácil! “Os hábitos nunca desaparecem. Estão codificados nas estruturas do nosso cérebro, e essa é uma enorme vantagem para nós, pois seria terrível se tivéssemos que reaprender a dirigir depois de cada viagem de férias”.

Entretanto, tem o outro lado da moeda. O que pode parecer uma vantagem, pode transformar-se em um perigo enorme. Os nazistas tanto sabiam disso que basearam toda a sua política em: “uma mentira dita 100 vezes, torna-se verdade”. A Verdade – que deveria ser uma virtude-, é de fato um hábito… Acreditamos no que nos acostumamos a acreditar…

E para um mundo cheio de mentiras é assim que se caminha a humanidade. E engana-se quem pensa que, no mundo globalizado, temos as informações verdadeiramente verdadeiras… Lemos não a verdade, mas sim a verdade que alguém quer nos vender… É terrível admitir que Mark Zuckerberg (Fundador do Facebook) tenha razão ao dizer: “A morte de um esquilo na frente da sua casa pode ser mais relevante para os seus interesses imediatos do que a morte de pessoas na África”…

E, hoje, baseado nos nossos hábitos, as empresas direcionam o seu marketing para o indivíduo e não para o coletivo. É o marketing geneticamente induzido. Assim, se eu colocar a palavra vinho no Google, terei como resposta uma série de sites bem diferentes da mesma busca realizada por outra pessoa.

Desde 2009, o Google faz busca PERSONALIZADAS para todos. Cada um já tem o seu Google individual. “Um mundo construído a partir do que é familiar é um mundo no qual não temos nada a aprender”…

Dizem que “a democracia exige que os cidadãos enxerguem as coisas pelo ponto de vista dos outros; em vez disso, estamos cada vez mais fechados em nossas próprias bolhas”. Criamos links, que são pontes invisíveis e, mesmo assim, elas estão se desmoronando… O WhatsApp que o diga, afinal, estamos tão perto dos distantes; tão longe dos que estão próximos…

É preciso, portanto, que algumas questões sejam imediatamente respondidas: se continuaremos com cada um por si, Deus será por quem? Se ficarmos cada um no seu mundo – sem haver necessidade do trabalho em equipe, mas sim de “times” dependentes de um único individuo-, quantos 7×1 ainda teremos que enfrentar?!

Francisco Edilson Leite Pinto Júnior é professor, médico e escritor

 

Depois de tudo, pra frente – Brasil!

Por Carlos Santos

A Seleção do Felipão levou outra sova. Parece mulher de malandro. Apanha um dia, outro também.

Foi 3 x 0 para a Holanda, que nem precisou jogar tudo o que sabe e suar a camisa. Ficou com o terceiro lugar. Poderia ter ido à final. Tem futebol para isso.

Com menos de 20 minutos, o time brasileiro já perdia por 2 x 0 no Mané Garrincha, em Brasília.

“Apagão” 2? Depois dos 7 x 1 da Alemanha, o técnico afirmou que houve um “apagão” em pouco mais de seis minutos, que destroçou a equipe. A Holanda provou o que já sabíamos: não houve apagão algum, mas um blecaute continuado.

Time desarrumado. Sem criação. Perdido.

Time de Felipão parece que se reuniu minutos antes do jogo. Ele próprio não orientava mais.

As câmeras das TV´s mostravam jogadores reservas amontoados à beira do gramado, em alguns momentos do jogo paralisado, ontem, dando pitaco para os colegas que jogavam. Felipão, no meio do “bolo”, atordoado, tentando “colaborar”.

Lembrei-me de jogos estudantis, com toda a turma aglomerada à margem da quadra, dizendo o que os amigos deveriam fazer dentro dela.

Só vi o Brasil jogar bem o primeiro tempo contra a Colômbia. No segundo, desmoronou. Num lance isolado venceu com gol de falta. Pouco.

A culpa é da Alemanha, que começou a produzir “arianos”, a fina flor do futebol como Kroos, Muller e Schweinsteiger. Times como um Audi. Brincadeirinha.

Continuamos produzindo bons e excelentes jogadores, alguns craques. A “fábrica” é permanente.

O que o Brasil mostrou em campo reflete o atraso como conjunto. Maior prova disso é que levamos dez gols nas últimas duas partidas, tendo sem sombra de dúvidas uma das melhores defesas do mundo.

Se adiante repetirmos a fórmula, os resultados tendem a ser daí para pior.

Pra frente, Brasil!

A saudável distância das organizadas

A Copa do Mundo vai chegando ao seu final, no Brasil, deixando uma verdade insofismável: o futebol brasileiro não precisa de torcidas organizadas.

Os grandes clubes nacionais mantêm torcidas com diversos mimos, para que elas possam estar nos estádios incentivando seus respectivos times. Isso, em tese. Na prática, não.

Por todo o Brasil, inclusive em clubes/times médios e pequenos, a maioria das organizadas é marcada muito mais pela intolerância, violência e hábitos à margem da lei, do que pela paixão esportiva.

Durante todos os jogos da Copa do Mundo, poucos incidentes aconteceram dentro e fora dos estádios, envolvendo torcedores.

Bebida (talvez drogas ilícitas também) e rivalidades histórico-culturais produziram algumas escaramuças, mas nada parecido com confrontos e massacres promovidos por torcidas organizadas.

A experiência revela como essa turba é dispensável. De boa parte da Europa já foi banida há tempos, em nome da ordem e da profissionalização do esporte.

Estádio é para torcedor de futebol: adultos, crianças, mulheres, homens, idosos e famílias que torcem por seus times. Querem se divertir, traduzir sentimentos superiores e buscam entretenimento.

A turba das organizadas, apenas utiliza o futebol à demonstração de força, negócios escusos, poder e imposição do terror, transferência do que ocorre em seu universo social fora dos estádios.

São dispensáveis, portanto.

O futebol brasileiro não pode ser representado por essa minoria.

Queremos o padrão Fifa de torcidas nos estádios.

Argentina e Alemanha farão decisão de final imprevisível

Argentina está na final da Copa do Mundo do Brasil, com a Alemanha. Venceu a Holanda nos pênaltis, agora à tarde no Itaquerão, em São Paulo-SP.

Uma decisão de peso para uma Copa do Mundo realmente muito interessante e com resultados incomuns.

Argentina e Alemanha é a final previsível de resultado imprevisível.

Alemanha favorita, pelo estrago que fez no Brasil e pelo desempenho em toda a Copa. A Argentina capaz de surpreender, por crescer dentro da competição e ser sempre dura na queda.

Brasil pega Holanda no sábado (12), na disputa pelo terceiro lugar. Dois times emocionalmente abalados. O Brasil, um caco. A Holanda, teoricamente menos dilacerada.

Veremos.

Num dia em que Messi não jogou bulhufas, valeram as velhas raça e disciplina tática da Argentina. Virou time de Mascherano, mesmo com Messi em campo.

Setor mais criticado da Argentina, sua defesa segurou a Holanda.

Mais uma prova de que a defesa começa no ataque. É tarefa de conjunto e não só de goleiro e zagueiros.

Argentina e Alemanha; Brasil e Holanda.

Vamos aos jogos.

Até o Brasil pode ser campeão, veja só!

Como tenho dito e repetido: Copa do Mundo do Brasil não tem qualquer supertime. Está nivelada, com oscilações e decepções de favoritas (vejas caso da Espanha) e surgimento de algumas surpresas, como Costa Rica.

Até o Brasil pode ser campeão, veja só.

A Seleção Brasileira tem o melhor miolo de zaga do mundo, um craque que desequilibra (Neymar Júnior) e não possui um único homem de criação em campo ou no banco.

E aí?

Faz-me lembrar de 94, time tetracampeão, com Romário e um amontoado de gente lá atrás.

Ganhamos nos pênaltis da Itália.

Baixo nível da Copa levou time de Parreira ao título àquele ano. O “Baixinho” fez o resto.

Em 2014, vinte anos depois, vejo um Brasil com lapsos de competência em alguns momentos da partida com Croácia e Camarões, relativo entusiasmo nos primeiros minutos contra o Chile.

Mas a grosso modo, não compensa roer minhas unhas ou qualquer sobressalto cardíaco.

Pecamos um pouco antes, na convocação, quando o autossuficiente Felipão deixou de chamar nomes que podiam oferecer maior experiência, maturidade e técnica, como alternativas à pobreza criativa, à falta de equilíbrio emocional e à prioridade à marcação tosca.

Aposta todas suas fichas no anêmico Oscar, em momentos de explosão de Hulk e no talento solitário de Neymar Júnior são escolhas de alto risco.

Do lado de cá, a gente fica na torcida. Futebol é realmente “uma caixinha de surpresa”.

Até o Brasil pode ser campeão, veja só!

Vitória com as chuteiras no chão

O Brasil não encantou na estreia da Copa do Mundo 2014. É pouco provável que encante. Mas deu pro gasto, venceu e já pensa no próximo jogo contra o México, em Fortaleza-CE, terça-feira (17)..

O placar de 3 x 1 contra a Croácia, com um pênalti “Mandrake” cavado pelo atacante Fred, espelhou maior volume de jogo, mas escassa capacidade de criação e ofensividade da Canarinho.

Neymar, ou “Neymar Júnior”, como ele quer ser chamado e espelha na camisa 10, fez dois gols, mas eu vi mesmo Oscar suplantá-lo em brilhantismo. Além do que eu esperava, mas cobrava.

Continuamos dependente de Neymar, o Neymar Júnior, mas Oscar foi um alento, que pode estimular Huck, Paulinho e outros a aparecerem também.

Teremos sérios problemas até o título, nos seis jogos que precisamos até lá.

A Croácia, repetindo um sistema de marcação que virou mania mundo afora, com duas linhas de quatro jogadores à frente do goleiro e quase todos os onze sempre atrás da linha da bola, bloqueou o avanço dos laterais e obrigou o Brasil a seguidos erros de passe e perda de bola. A partir daí, produzia perigosos contra-ataques.

Contra seleções mais qualificadas, o Brasil terá que jogar muito mais e depender menos de Neymar Júnior. Quase sempre ele resolve, mas se não resolver, será que teremos Oscar e outros inspirados?

Vale a torcida, sempre. Porém sem encantamentos.

Torcida com as chuteiras no chão, que se diga.

Não temos mais Pelé, Jairzinho, Tostão, Gérson e Rivelino num só time.

Brasil conhece seleções que vai enfrentar em Copa de 2014

O Brasil conheceu nesta sexta-feira seus primeiros adversários na busca pelo sexto título mundial. Em sorteio realizado na Costa do Sauipe, Croácia, Camarões e México foram selecionados para enfrentar a seleção brasileira na fase de grupos da Copa do Mundo de 2014. Livre de um ‘grupo da morte’ no início da competição, os anfitriões podem encarar Espanha ou Holanda, integrantes do grupo B, logo nas oitavas de final.

Por ser país-sede do Mundial, o time comandado por Luiz Felipe Scolari era o único cabeça de chave que já tinha lugar definido antes do sorteio, integrando o grupo A, e fará o jogo de abertura da Copa contra os croatas no dia 12 de junho, às 17h (horário de Brasília), no Itaquerão, em São Paulo. Os demais confrontos da primeira fase serão em Fortaleza (17/06, às 16h), diante dos mexicanos, e em Brasília (23/06, às 17h), contra os camaroneses.

Os dois primeiros colocados da chave brasileira enfrentarão nas oitavas de final as equipes classificadas do grupo B, que conta com Espanha, Holanda, Chile e Austrália. A estreia dos espanhóis será contra os holandeses, em reedição da última final da Copa do Mundo. A grande probabilidade das duas seleções avançarem às oitavas deixa o Brasil como favorito com projeção mais difícil para o início do mata-mata.

O tão temido ‘grupo da morte’ acabou formado na chave D. Cabeça de chave, o Uruguai ganhou a companhia de Itália e Inglaterra, além da Costa Rica. Em contrapartida, o grupo H, integrado por Bélgica, Rússia, Argélia e Coreia do Sul, foi considerado o mais fraco.

Dentre as cidades-sedes da Copa, quem se deu bem foram São Paulo e Salvador. Além da estreia do Brasil, a capital paulista receberá o duelo entre os campeões mundiais Inglaterra e Uruguai. Já a cidade baiana será palco da partida entre Espanha e Holanda e do jogo entre Alemanha e Portugal.

Na questão do deslocamento pelo Brasil, quem mais viajará serão os Estados Unidos, que percorrerão 5.609 quilômetros em dez dias por jogar em Natal, Manaus e Recife. Já a Bélgica será a seleção que se deslocará menos durante a primeira fase do Mundial.

Saiba mais AQUI.

2014, a Copa que o Brasil já perdeu

Por Thiago Arantes

O Brasil será o grande derrotado na Copa do Mundo de 2014. Esqueçam esquemas táticos, análises técnicas, convocações, gols ou arbitragem. A derrota não virá numa zebra nas oitavas de final contra a Bélgica, num duelo épico de quartas contra a Itália, numa semifinal angustiante contra a Espanha ou num Maracanazzo reloaded contra a Argentina.

A derrota já veio. O Brasil perdeu a Copa de 2014.

O Brasil perdeu, leiam bem. O que vai acontecer com a seleção brasileira é outra história. Uma história que muda pouco o que realmente importa. O Brasil perdeu a Copa de 2014.

Um evento como a Copa é a chance de um país mudar, se redescobrir, sanar problemas e construir soluções, mesmo que seja sob a fajutíssima desculpa de “o que o mundo vai pensar da gente se não estiver tudo dando certo?”. Que seja, dane-se a pequenez da desculpa, desde que sejam construídas estradas, linhas de metrô, corredores de ônibus, elevadores, hotéis, e, vá lá, até um ou outro estádio.

A Copa do Mundo é, para os tempos de hoje, o que foram as tais “Exposições Mundiais” no século 19. Era preciso se arrumar para receber visitas em casa.

Mas o Brasil hoje corre para retocar a maquiagem, empurra a vassouradas a sujeira para debaixo do tapete, tranca os cachorros pulguentos na despensa e manda a criançada dormir mais cedo, porque sabe como é criança quando chega visita, desanda a falar cada coisa…

Faltam pouco menos de dois meses para a Copa das Confederações, e o estádio da final não está pronto. Aquele estádio na Zona Norte do Rio, que foi erguido no lugar do Maracanã ao preço mirabolante de 1 bilhão de reais; e que terá de ser reformado para a Olimpíada.

(Aqui, um parêntese: todas as reportagens sobre estádios da Copa têm a obrigação de falar quanto custou e quem financiou a obra; isso é utilidade pública, antes de mais nada).

Faltam menos de dois meses para a Copa das Confederações e nenhum aeroporto teve reformas significativas concluídas. Pouco mais de um ano para a Copa do Mundo e os taxistas que falam inglês continuam a ser uma raridade, as placas de trânsito seguem indecifráveis para estrangeiros, os hotéis e vias públicas não vão dar conta do recado, obras de mobilidade urbana de Manaus, Brasília e São Paulo não ficarão prontas – umas foram canceladas, outras postergadas, todas custaram irreversíveis milhões e não é difícil adivinhar quem pagou a conta.

A um ano e dois meses do começo da Copa, o presidente do Comitê Organizador Local está cercado por denúncias, e não é para menos. José Maria Marin, o homem que gere a operação Copa do Mundo no Brasil, passou seus mandatos de deputado bajulando delegados ligados às torturas da ditadura, superfaturou a sede da CBF, negociou apoio na aprovação de contas da confederação dando cheques a seus eleitores.

Enquanto isso, o secretário-geral da Fifa, Jerome Valcke, diz que a organização da Copa do Mundo no Brasil seria mais fácil se o país fosse menos democrático e tivesse menos esferas de governo, legal é a Rússia, que tem um poder centralizado e menos palpiteiros.

A organização da Copa do Mundo seria mais fácil, monsieur Valcke, se ela estivesse nas mãos de gente diferente.

De gente que não estivesse interessada apenas em sugar dinheiro do país com o benefício de isenção de impostos. A organização da Copa do Mundo seria mais fácil se ela fosse feita para, de fato, deixar o país com algumas pequenas vitórias em áreas que vão muito além do campo de jogo.

O Brasil de Felipão, de Neymar, de Ronaldinho ou Kaká, o Brasil pentacampeão, seja com volantes classudos ou brucutus, pode ganhar ou perder a Copa de 2014.

O Brasil de 200 milhões de pessoas, aquele que acordará no dia 14 de julho de 2014 para trabalhar, este sairá da Copa derrotado. Qualquer que seja o resultado da final.

Thiago Arantes é colunista do site da ESPN Brasil

Blog é selecionado e avalia trabalho à Copa do Mundo

O Ministério dos Esporte, através do Instituto FSB Pesquisa (veja AQUI), entrou em contato com o editor do Blog Carlos Santos.

Fomos incluídos entre formadores de opinião de todo o país, em sondagem de avaliação quanto a investimentos e desdobramentos da Copa do Mundo de 2014 no país.

Há poucos minutos conversamos por quase 10 minutos com representante do FSB, emitindo opiniões relativas à comunicação, infra-estrutura, turismo, esporte, inclusão social, economia, estádios, “legado da Copa” etc.

“A pesquisa vai ajudar a aprimorar o trabalho de Comunicação e Assessoria de Imprensa do Ministério do Esporte e aproximar esse trabalho de profissionais líderes de opinião como você”, justificou a representante do FSB, que tem escritórios em Brasília, Belo Horizonte, Rio de Janeiro e São Paulo.

Nota do Blog – O Blog sente-se lisonjeado em fazer parte dessa seleção, o que ratifica mais ainda a importância de nossa página em seu contexto de alcance social.

RN marcha para um “apartheid” com Copa do Mundo-2014

A Copa do Mundo de 2014 vai produzir, de vez, o apartheid do RN. Teremos dois estados.

Haverá a consolidação do “estado da Grande Natal” e o esvaziamento do “estado do Rio Grande do Norte”, que tem como ponto imaginário de divisa, a Reta Tabajara, na BR-304.

Anote, por favor.

Todos os olhos e recursos públicos estão sendo priorizados ao pleno funcionamento de Natal e seu entorno como sede desse mega-evento mundial.

O interior, há muito vivendo de migalhas, favores, obras de fachada e arranjos eleitoreiros, continuará nesse seu destino de “primo pobre”, até que tenhamos um governo ou um período revolucionário de gestão pública, capaz de alterar tamanho desprezo.

Nos últimos 40 anos ou mais, quase nenhum político trabalhou para reduzir a distância entre capital e interior. Agora, o fosso deve aumentar.

Pobre Rio Grande do Norte e “sem sorte”.

A grande sucessão em Natal

A eleição do próximo ano, em Natal, traz um componente que praticamente ninguém está abordando até aqui, na mídia convencional – ou mesmo no webjornalismo: a importância que o eleito terá em plena Copa do Mundo de 2014.

Ser prefeito de Natal será tão ou mais importante do que ser governador do Estado. A cidade terá uma projeção internacional em termos de imagem, além de receber recursos públicos e privados incomuns em sua história.

Portanto, a sucessão da prefeita Micarla de Sousa (PV) não é uma sucessão qualquer. É a sucessão. A grande sucessão.

Uma obra a mais, uma política pública a menos

Por Honório de Medeiros

Há uma lógica perversa, induzindo a opção por privilegiar obras físicas em detrimento de políticas públicas, nos governos brasileiros, sejam estes quais sejam: municipais, estaduais, ou mesmo federal.

Tal lógica é ainda mais perversa por praticamente excluir a opção pelas políticas públicas, entendidas estas “como as várias funções sociais possíveis de serem exercidas pelo Estado, tais como saúde, educação, previdência, moradia, saneamento básico, entre outras”, no dizer de Antônio Sérgio Araújo Fernandes, Doutor em Ciência Política pela USP e professor de Políticas Públicas da UNESP/Campus Araraquara, em “Políticas Públicas: Definição, Evolução e o Caso Brasileiro”.

Em primeiro lugar, a opção por obras físicas, quando resultado dessa indução, é conseqüência de uma demanda específica: a das grandes empresas de construção civil e de serviços – e suas agregadas – que precisam recuperar o montante investido nos candidatos por elas apoiados e, também, convenhamos, como conseqüência do fato de seus proprietários, o mais das vezes, serem integrantes, através de laços familiares ou de compadrio, da elite política, quando não são o que comumente chamamos, no Brasil, de “laranjas”, ou seja, títeres dos próprios políticos.

Em segundo lugar, a opção por obras físicas é, também, conseqüência de outra demanda específica: a necessidade de encher os cofres vazios da elite política vencedora dos pleitos eleitorais aos quais se candidataram, e construir reserva para as futuras demandas político-partidárias.

Em terceiro lugar, a opção por obras físicas é, ainda, conseqüência de outra demanda específica: a de gerar condições de manutenção ou aquinhoamento financeiro dos quadros responsáveis pela gestão pública, sob a alegação (interna) de que não suportariam sobreviver com a remuneração miserável que lhes paga o serviço público (o chamado “por fora”).

Esse círculo vicioso – a elite política ser financiada pelas obras e serviços e, como conseqüência, por intermédio do Tesouro, financiá-las – consome o que sobra, no orçamento, quando pagos o custeio da máquina e a folha de pessoal, na maioria das vezes com manipulação orçamentária, sem praticamente nada deixar para a efetivação de políticas públicas.

A manipulação, persistente, o gerenciamento estrutural e dolosamente equivocado das finanças públicas, se mantém com a conivência dos Órgãos fiscalizadores, seja por desídia, seja por incompetência. Ano após ano a Constituição Federal é desrespeitada e seus princípios norteadores, no que diz respeito à Educação e Saúde, entre outros, adquirem o perfil de “letras mortas”.

O círculo vicioso engendra uma custosa publicidade com o objetivo de persuadir a sociedade acerca dos bons propósitos de toda obra e qualquer serviço que estejam sendo feitos. Assim, toda e qualquer obra surge, na publicidade, como decorrência de uma “demanda social” e se destina ao “desenvolvimento sustentado”.

Obras e serviços por intermédio dos quais circula o capital financeiro da elite política, para perpetuar a expropriação da força de trabalho da classe média, que é quem paga, na verdade, os tributos nossos de cada dia. E as políticas públicas, tais como a luta pela erradicação do analfabetismo, a luta contra a mortalidade infantil, a luta pela qualidade do ensino em todos os graus, a luta pela queda dos índices de homicídios, latrocínios, furto, que não dão retorno financeiro – embora dêem retorno eleitoral (e como dão) – são deixadas de lado e nosso Brasil, este imenso Brasil que sobrevive às vezes milagrosamente, apesar do Estado, continua um dos líderes mundiais da exclusão social.

Vejamos o que nos dizem, por exemplo, Admir Antonio Betarelli Junior, Edson Paulo Domingues e Aline Souza Magalhães em seu estudo “QUANTO VALE O SHOW? IMPACTOS ECONÔMICOS REGIONAIS DA COPA DO MUNDO 2014 NO BRASIL”, encontrável no Google, sob o título acima.

Leiam com atenção:

“Os resultados analisados neste trabalho dizem respeito aos impactos dos investimentos em infra-instrutora urbana e estádios programados para a Copa-2014 anunciados pelo Ministério do Esporte no início de 2010. A literatura de economia dos esportes costuma elencar outros impactos advindos dos eventos esportivos, como por exemplo: ampliação dos setores de serviços e hotelaria; fluxo adicional de turistas no evento e pós-evento; e exposição internacional do país, com atração de investimento externo. Entretanto, tais impactos, se existem, são de difícil mensuração e projeção. Por exemplo, diversos especialistas em economia do turismo (e.g. Matheson, 2002) consideram que um mega-evento como a Copa do Mundo apenas substitui turistas usuais no país-sede por “turistas-copa”, e mesmo estes podem efetuar um dispêndio no país significativamente menor, tendo em vista os gastos com ingressos e deslocamentos para o evento. O principal resultado da Copa-2014 parece ser a melhoria da infra-instrutora urbana nas cidades-sede, o que representa efetivamente impacto de longo prazo na eficiência econômica de diversas cidades. Além disso, este trabalho destacou as opções de financiamento dos investimentos da Copa-2014, e sinalizou que o impacto econômico tende a diminuir com o financiamento público para as obras de estádios de futebol, uma vez que implicam ou no crescimento da dívida pública ou na redução do gasto das diferentes esferas de governo envolvidas. Embora no Brasil o futebol seja a “paixão nacional”, não se vislumbra uma forma de avaliar o ganho de bem-estar das famílias com a reforma e construção de estádios de futebol, de uso essencialmente dos clubes de futebol ou eventos comerciais. Provavelmente, um ganho mais importante de bem-estar ocorrerá com a vitória brasileira na Copa-2014.”

Ou seja, os impactos econômicos favoráveis são como miragens no deserto. E estão os autores abordando única e exclusivamente o viés econômico do evento. Não está sendo abordado o dano incalculável em termos de políticas públicas não gestadas e implementadas pela falta de financiamento governamental.

Obviamente que há toda uma plêiade de estatísticas justificando os investimentos do Governo. Não é nada difícil manipular estatísticas. Difícil é admitir que fazer calçamento possa ser melhor que educar as crianças, melhorar o atendimento médico-hospitalar ou diminuir as estatísticas da violência urbana e rural.

Honório de Medeiros é professor, escritor e ex-secretário da Prefeitura do Natal e do Estado do RN

Um aeroporto de milhões e de interrogações

A União já investiu cerca de250 milhões de reais só na pista de pouso e decolagem do Aeroporto de São Gonçalo do Amarante, já objeto de questionamento quanto à lisura de recursos, por parte de órgãos fiscalizadores.

O lance de R$ 170 milhões, vencedor da disputa para obra, manutenção e uso desse equipamento aeroportuário, deve ainda ser municiado pelos cofres públicos. É só aguardar.

A previsão de investimento é da ordem de mais de R$ 600 milhões de reais, nesses vinte e cinco anos de gerenciamento pelo consórcio privado vencedor, o Inframerica.

Os vencedores querem que o BNDES banque 70% desses investimentos.

Interessante é que gigantes como Andrade Guttierez, Odebrecht e Camargo Correia não participaram do leilão na Bovespa.

A transnacional alemã Fraport, que tem experiência no mundo em regimes de privatização de aeroportos, evitou de longe a disputa.

Informações que correm na Grande Imprensa apontam que ela justificou o desinteresse, alegando que não haveria retorno financeiro.

Nota do Blog – Esta é uma obra extremamente estratégica em termos econômicos para o Rio Grande do Norte, mas não tem nenhuma relação direta com o sucesso ou não da Copa do Mundo de 2014 em Natal. Seu foco será cargas, desde bens duráveis às chamadas comodities.