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Tibau, sempre Tibau

Por Odemirton Filho

“Só para olhar. Só para ver. Só para sentir. 

Só para viver”. (Clarice Lispector)             

Dia desses me bateu uma vontade danada de quebrar o isolamento social. Queria ir à cidade-praia de Tibau. Estava entediado de tanto ficar em casa.  

Há vários lugares que poderia ir. Areia Branca, na bela Ponta do Mel. À serra de Martins, curtir um frio gostoso. Quem sabe, Canoa Quebrada. Mas, por que Tibau? 

Porque Tibau faz parte de um passado que insiste em voltar à lembrança. Saudade de tomar banho de mar, às vezes sob a chuva. De atravessar a pedra do chapéu com o mar “cheio”. De nadar até os barcos ancorados. De brincar com os primos no morro do “labirinto”.

Saudade das festas do Creda e do Álibi. Das escadarias de Zé Félix. Do bar “de propósito”. Do campeonato de surf de “Bitonho”. Aliás, momentos que já relatei em outras oportunidades, mas que, volta e meia, visita-me a alma.

E mais: descer a ladeira da praia do Ceará, visualizando a bela paisagem dos coqueirais. Caminhar um pouco na areia. Sentir a água do mar bater nos meus pés e, no rosto, o carinho da brisa.

Depois, ir lá pelas bandas das praias das Emanuelas e de Gado Bravo, bem como a Barra, em Grossos. Na volta para casa, se não tiver fila, comprar pão na Padaria Jéssica.

Tentaria evitar, é claro, contato com as pessoas, pois nessa época de pandemia, temos que manter o distanciamento social. São tempos Difíceis.

Entretanto, queria apenas andar. Respirar o ar puro. E, em harmonia com a natureza, rogar a Deus que tenhamos dias melhores.

Não, não fui. O sentimento de responsabilidade social falou mais alto. Acredito que não me custa ficar um pouco mais em casa, em respeito à vida e à saúde das pessoas.

Vou esperar mais. Por mim e por todos. Vai passar.

Enfim, todos têm aquele lugar que nos faz bem. O meu é Tibau, sempre Tibau.

Odemirton Filho é bacharel em Direito e oficial de Justiça