Arquivo da tag: Daniel Vorcaro

Alexandre de Moraes teria visitado endereços de Daniel Vorcaro

Arte ilustrativa com recursos de Inteligência Artificial para o BCS
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Do Diário do Poder

Entre as mensagens apontando intrigante proximidade entre o banqueiro Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes, uma não escapou a políticos de oposição porque indica que o ministro do Supremo Tribunal Federeal (STF) era visitante habitual em endereços do dono do Banco Master.

Em troca de mensagens com a namorada Martha Graeff, em 29 de abril de 2024, Vorcaro diz estar recebendo Moraes em sua nova casa em Campos (do Jordão) e que o ministro havia gostado do que viu, observando:

– “E ele adorava (o) apto”.

Para a oposição, esse trecho mostra que Moraes costumava visitar o investigado Vorcaro, cliente do escritório de advocacia da esposa.

Impeachment

A ligação de Vorcaro a Moraes está entre as alegações do governador de Minas, Romeu Zema, para pedir impeachment do ministro do STF.

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Ligações entre Alexandre de Moraes e banqueiro são delicadas

Vorcaro e Moraes relações próximas (Fotos Reprodução do Youtube e Rosinei Coutinho do STF)
Vorcaro e Moraes relações próximas (Fotos Reprodução do Youtube e Rosinei Coutinho do STF)

Do Canal Meio e outras fontes para o BCS

O acesso pela Polícia Federal ao conteúdo do celular do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, revelou uma intensa troca de mensagens com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, conta Malu Gaspar. “Fiz uma correria aqui para tentar salvar. Alguma novidade? Conseguiu ter notícia ou bloquear?”, indagou Vorcaro pouco antes de ser detido por agentes da PF no aeroporto de Guarulhos na noite de 17 de novembro do ano passado.

Em seguida, Moraes teria respondido com três mensagens de visualização única, cujo conteúdo não pôde ser recuperado.

Ao longo daquele dia, segundo as mensagens, Vorcaro atualizou o ministro sobre as negociações para a venda do banco e o inquérito que o levaria à prisão. O escritório de advocacia da esposa de Moraes tinha um contrato de quase R$ 130 milhões com o Master. Por meio de sua assessoria, o ministro negou ter recebido as mensagens e classificou a informação como “ilação mentirosa” destinada a atacar o Supremo. (Globo)

Proximidade suspeita

Mas as conversas interceptadas pela PF mostram proximidade entre os dois. Em uma mensagem, Vorcaro diz que Moraes vetou a participação do empresário Joesley Batista, controlador da J&F, em um evento patrocinado pelo Master. O veto teria sido motivado pela presença do ex-presidente Michel Temer, que indicou o ministro ao STF e foi alvo de uma gravação comprometedora feita por Batista. (Folha)

Nos bastidores da investigação que levou Vorcaro de volta à prisão, há quem diga que cresce a possibilidade de um acordo de colaboração premiada, conta Andréia Sadi. A hipótese ganhou força após dois sinais observados nos bastidores: a movimentação em torno da reorganização da defesa e a recusa de alguns advogados consultados em assumir uma estratégia baseada em delação. (g1)

As investigações da PF também indicam a atuação do ex-diretor de Fiscalização do Banco Central Paulo Sérgio Neves de Souza em favor de Vorcaro. Em fevereiro de 2019, o banqueiro pediu ajuda a Souza para assumir o controle do Banco Máxima, que depois mudaria de nome para Master. O BC negou inicialmente a transferência, mas voltou atrás em outubro daquele ano. Souza e o ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária Belline Santana foram alvo esta semana de mandados de busca e apreensão, acusados de receberem propina de Vorcaro para atuarem como “consultores” dele dentro do BC. (Estadão)

O ministro André Mendonça determinou a transferência de Daniel Vorcaro para a Penitenciária Federal de Brasília. A decisão atende a um pedido da PF, que alegou necessidade imediata de proteção à integridade física do investigado. O banqueiro havia sido transferido para a Penitenciária 2 de Potim, no interior de São Paulo. (g1)

Eliane Cantanhêde: “Se o ministro Alexandre de Moraes já devia explicações sobre os R$ 130 milhões do Master, ele passa a ser cobrado sobre qual era o seu papel, ou a expectativa de Daniel Vorcaro sobre ele, nesse contrato.” (Estadão)

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Investigação mergulha no submundo do banqueiro Daniel Vorcaro

Vorcaro diz ter se encontrado com Alexandre de Moraes (Foto: Banco Master)
Vorcaro diz ter se encontrado com Alexandre de Moraes (Foto: Banco Master)

Do Canal Meio e outras fontes para o BCS

Crimes financeiros, corrupção de agentes públicos, obstrução de Justiça, violência contra adversários, ex-funcionários e até jornalistas. A extensão das atividades criminosas do banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, reveladas pela Polícia Federal, provocaram uma onda de choque nessa quarta-feira (04). Vorcaro foi preso novamente pela manhã (veja AQUI) em São Paulo por ordem do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, com base em mensagens extraídas do celular do banqueiro.

Segundo a investigação, Vorcaro teria comandado uma estrutura paralela conhecida como “A Turma”, descrita pelos investigadores como uma milícia privada usada para proteger interesses do banco e pressionar adversários. Além de Vorcaro, foram presos o empresário e pastor Fabiano Zettel, cunhado e braço-direito do banqueiro; Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, o Sicário, descrito como líder operacional de uma estrutura clandestina; e Marilson Roseno da Silva, policial federal aposentado suspeito de atuar em ações de vigilância e intimidação.

De acordo com a PF, o grupo realizava monitoramento de jornalistas, autoridades, concorrentes e ex-funcionários, além de obstruir investigações. Mensagens apreendidas pela polícia indicam ordens de intimidação e planos de agressão contra o jornalista do Globo, Lauro Jardim (veja AQUI). Vorcaro sugeriu forjar um assalto contra Jardim para “quebrar seus dentes” e amedrontá-lo. (g1)

Horas depois de ser preso, Sicário tentou suicídio em uma cela na sede da Polícia Federal em Belo Horizonte. Ele passou por procedimento de reanimação e foi levado para um hospital da cidade com vida. No final da noite desta quarta, Luiz Phillipi Mourão teve a morte cerebral confirmada. (Estadão)

Vorcaro e Alexandre de Moraes

Outras mensagens interceptadas pela Polícia Federal indicam que Vorcaro afirmou ter se encontrado com o ministro do STF Alexandre Moraes em abril de 2025. Em uma das mensagens à sua esposa, Martha Graeff, ele escreveu: “Tô indo encontrar Alexandre Moraes aqui perto de casa”. A esposa do ministro, a advogada Viviane Barci de Moraes, manteve um contrato de cerca de R$ 129 milhões com o Banco Master. Moraes, até o momento, não se manifestou sobre a menção de seu nome. (Metrópoles)

A PF investiga possíveis pagamentos feitos por Vorcaro para o site Diário do Centro do Mundo (DCM), com o objetivo de evitar notícias negativas e fazer publicações positivas ao Master. Em outra mensagem, porém, o banqueiro mostra irritação com reportagens publicadas pelo site.

Vorcaro também tratou diretamente com o jornalista Diego Escosteguy, dono do site O Bastidor, o pagamento de quantias que, de acordo com a PF, serviam para a publicação de informações “de interesse do banqueiro”. O DCM nega ter recebido dinheiro de Vorcaro, e Escosteguy alega que a verba se referia a ações de publicidade, “prática regular no mercado de comunicação”. (Folha e Globo)

Os tentáculos da máfia de Vorcaro se estendiam ao Banco Central. Segundo a PF, o banqueiro mantinha contato constante o ex-diretor de fiscalização Paulo Sérgio de Souza e o ex-chefe de departamento da área de supervisão bancária Bellini Santana e recebia deles orientações estratégicas sobre a atuação do BC em casos sobre o banco. Os dois receberiam “uma mesada” pelos serviços. (CNN Brasil)

Julia Duailibi: “O que Dias Toffoli parecia se esforçar para manter longe da luz do dia foi escancarado por André Mendonça em poucas semanas.” (Globo)

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Banqueiro preso encomendava agressão contra jornalista de O Globo

Reprodução de nota de O Globo
Reprodução de nota de O Globo

Mensagens encontradas pela Polícia Federal (PF) no celular do banqueiro Daniel Vorcaro (Banco Master), preso nesta quarta-feira (04), revelam que ele tencionava atacar o jornalista Lauro Jardim de O Globo.

Vorcaro participava de um grupo de WhatsApp no qual foi discutida estratégia para simular um assalto e “quebrar os dentes” do jornalista.

O GLOBO emitiu nota em que repudia veementemente as iniciativas criminosas planejadas contra o colunista.

Jardim tem publicado diversas notas sobre o escândalo bilionário do Banco Master.

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Federal prende Daniel Vorcaro, do escândalo do Banco Master

Daniel Vorcaro deixa membros do STF em situação embaraçosa (Foto: Arquivo pessoal)
Daniel Vorcaro teve decisão desfavorável do ministro André Mendonça (Foto: Arquivo)

G1

Por Isabela Leite, Márcio Falcão, Isabela Camargo, Bruno Tavares, GloboNews e TV Globo

O banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, voltou a ser preso nesta quarta-feira (4) pela Polícia Federal em São Paulo em uma investigação que apura um esquema bilionário de fraudes financeiras.

O cunhado dele, Fabiano Zettel, também é alvo de mandado de prisão, mas ainda não foi localizado pelos agentes.

A reportagem tenta localizar a defesa deles.

A prisão de Vorcaro aconteceu na terceira fase Operação Compliance Zero, que, segundo a PF, tem o objetivo de investigar a “possível prática dos crimes de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos, praticados por organização criminosa”.

A medida foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), em sua primeira ação como relator do caso, que assumiu no mês passado.

Segundo a PF, o esquema financeiro envolve a venda de títulos de crédito falsos pelo Banco Master. O nome da operação é uma referência à falta de controles internos nas instituições envolvidas para evitar crimes de gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro e manipulação de mercado.

Vorcaro já havia sido preso em novembro do ano passado ao tentar embarcar para a Europa em um avião particular que sairia do aeroporto de Guarulhos, na Grande SP. Para a PF, não havia dúvidas de que ele iria fugir do país.

Havia um mandado de prisão preventiva contra Vorcaro, que já foi levado para a Superintendência da PF na capital paulista.

Além de Vorcaro e Zettel, também há outros dois mandados de prisão preventiva e 15 de busca e apreensão, expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em São Paulo e Minas Gerais. As investigações contaram com o apoio do Banco Central do Brasil.

Também foram determinadas ordens de afastamento de cargos públicos e sequestro e bloqueio de bens, no montante de até R$ 22 bilhões, com o objetivo de interromper a movimentação de ativos vinculados ao grupo investigado e preservar valores potencialmente relacionados às práticas ilícitas apuradas.

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Toffoli não abre mão de cuidar do caso Banco Master

Toffoli topa pressão para continuar cuidando do Master (Foto: Gustavo Moreno/STF)
Toffoli topa pressão para continuar cuidando do Master (Foto: Gustavo Moreno/STF)

Do Canal Meio para o BCS

A despeito da saraivada de críticas por sua atuação no caso das fraudes no Banco Master, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli não tem qualquer intenção de deixar a relatoria do processo ou devolvê-lo à primeira instância. Como conta Daniela Lima, Toffoli disse a colegas que vai “apanhar o que tiver que apanhar” e “conduzir o caso regularmente, com tranquilidade”.

Ele também divulgou uma nota elogiando a decisão do procurador-geral da República, Paulo Gonet, de arquivar um pedido de deputados para afastá-lo da relatoria do caso Master, dizendo que isso “reafirma a regularidade da condução”. (UOL)

Mais cedo, o presidente do STF, Edson Fachin, divulgou uma nota (íntegra) para defender a atuação da Corte e do ministro. No texto, ele afirma que cabe ao Supremo atuar “na regular supervisão judicial, como vem sendo feito pelo ministro relator, DIAS TOFFOLI” [em maiúsculas no original]. Toffoli vem sendo criticado desde que levou todo o caso Master para o STF e decretou sigilo máximo, seguido de decisões como mandar lacrar provas apreendidas e criticar a atuação da Polícia Federal. A revelação de negócios de seus irmãos envolvendo um resort com o cunhado e braço direito de Daniel Vorcaro, dono do Master, elevaram os questionamentos à atuação do ministro. Fachin, porém, reafirmou a autoridade de Toffoli para atuar no recesso e disse que “eventuais vícios ou irregularidades alegados” serão examinados depois pelo colegiado. (g1)

Funcionários destacados para atender ministros do STF permaneceram por ao menos 150 dias em Ribeirão Claro (PR), onde fica o resort Tayayá, associado ao ministro Dias Toffoli. Desde dezembro de 2022, o pagamento de diárias a esses agentes ultrapassou R$ 454 mil. Dados do TRT-2 indicam deslocamentos frequentes de equipes de segurança para a cidade, com a justificativa de prestar apoio e transporte a uma autoridade do Supremo. Os registros não identificam o ministro atendido, e o STF não comentou o caso. As viagens se concentraram em períodos de férias, recesso do Judiciário, Carnaval, julho e fim de ano. No último Ano-Novo, agentes também estiveram no local, reforçando relatos de que Toffoli segue frequentando o resort. (Folha)

A defesa de Daniel Vorcaro negou que exista qualquer proposta ou negociação de delação premiada em curso. A declaração foi feita após a saída do advogado Walfrido Warde do caso, movimento que alimentou especulações sobre uma possível colaboração. Warde, conhecido por criticar esse tipo de acordo, teria deixado a defesa justamente por discordar da estratégia. Apesar dos rumores, a atual equipe jurídica afirma que não há tratativas com a Polícia Federal e que manterá a linha técnica da defesa. (CNN Brasil)

Mesmo sem delação, os depoimentos de Vorcaro agitam o meio político. Segundo Aguirre Talento, da coluna de Fausto Macedo, o dono do Master afirmou à PF que tratou da abortada venda de seu banco ao Banco Regional de Brasília (BRB) diretamente com o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB). Rocha admitiu ter ido uma vez à casa do banqueiro, mas negou ter discutido o negócio. “Estive uma vez a convite para um almoço, quando conheci ele. Entrei mudo e saí calado”, afirmou. (Estadão)

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Cunhado de Vorcaro comprou resort da família de Toffoli

Do Canal Meio para o BCS

Zettel e Toffoli: apenas negócio de família (Reprodução/Linkedin e Rosinei Coutinho/SCO STF)
Zettel e Toffoli: apenas negócio de família (Fotos: Reprodução/Linkedin e Rosinei Coutinho/SCO STF)

O pastor evangélico e empresário Fabiano Zettel, cunhado e homem de confiança de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, comprou parte do resort que pertencia a parentes do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli, relator do caso sobre as supostas fraudes que levaram à liquidação do Master. Detido pela Polícia Federal na quarta-feira e liberado em seguida, Zettel era o único cotista do fundo Leal, por sua vez único cotista do fundo Arleem, que comprou por R$ 6,6 milhões parte do Tayayá Resort, de dois irmãos e um primo de Toffoli.

Os dois fundos eram administrados pela Reag Trust, investigada tanto pela participação nas supostas fraudes do Master quanto por lavagem de dinheiro do PCC. Zettel diz ter deixado o investimento em 2022; Toffoli e seus irmãos não se manifestaram. (Estadão)

Na quinta-feira, o Banco Central decretou a liquidação da Reag Trust por “graves violações às normas” do sistema financeiro. João Carlos Mansur, ex-dono da Reag, foi um dos alvos da operação da PF esta semana no caso Master. Ele deixou a corretora em setembro do ano passado, para tentar conter a perda de credibilidade da empresa após a operação contra o esquema de lavagem de dinheiro do tráfico de drogas. (Folha)

E Dias Toffoli fez mais um recuo parcial na polêmica decisão de tirar da PF as provas apreendidas na quarta-feira. Inicialmente, elas deveriam ficar lacradas no próprio STF, mas, após a repercussão negativa da medida, foram encaminhadas à Procuradoria-Geral da República (PGR). Na quinta-feira, Toffoli autorizou quatro especialistas da PF a periciarem os celulares apreendidos na operação do caso Banco Master sob supervisão da PGR. (g1)

Lauro Jardim: “A controvertida decisão de Dias Toffoli de determinar que a PF entregasse ‘lacrados e acautelados’ ao STF todos os bens e materiais apreendidos na segunda fase da Operação Compliance Zero foi entendida como parte de um movimento de desestabilização das instituições que estão investigando o escândalo”. (Globo)

Hélio Schwartsman: “O caso Master virou uma batata quentepara o STF. O melhor caminho para a corte se livrar da encrenca seria devolver o inquérito para a primeira instância.” (Folha)

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O contraste entre o discurso e a realidade no mundo do STF

Fachi e Moraes compõem o STF, centro de muita polêmica, um mundo próprio sem controle (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)
Fachi e Moraes compõem o STF, centro de muita polêmica, um mundo próprio sem controle (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

Por Breno Pires (Revista Piauí)

Desde que assumiu a presidência do Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Edson Fachin passou a trabalhar pela adoção de um código de conduta para os ministros da Corte, de modo a estabelecer parâmetros claros, explícitos e próprios de comportamento.

Inspirado no código de conduta do equivalente ao STF na Alemanha, Fachin fez a sua defesa mais explícita à proposta no discurso de encerramento do Ano Judiciário de 2025, em 19 de dezembro. Na ocasião, a reputação institucional do STF passara a ser questionada no caso do Banco Master. Fachin disse que a corte, para 2026, tem um “encontro marcado” com temas entre os quais estão as “diretrizes e normas de conduta para os tribunais superiores, a magistratura em todas as instâncias e no Supremo Tribunal Federal”.

“Cabe-nos exercer nossas atribuições com rigor técnico, sobriedade e consciência histórica. Não poderia, nessa direção, deixar de fazer referência à proposta, ainda em gestação, de debatermos um conjunto de diretrizes éticas para a magistratura. Considerando o corpo expressivo que vem espontaneamente tomando o tema no debate”, disse o presidente do STF, cuja proposta tem um único aliado público até agora entre os membros da corte: a ministra Cármen Lúcia.

A reação foi imediata. Oito ex-presidentes do STF defendem a adoção do código de conduta. Em outubro, o ex-ministro Cezar Peluso foi um dos subscritores de um documento da Fundação FHC com propostas para o aprimoramento do judiciário, incluindo, entre os pontos, um manual de conduta para o STF. Em 22 de dezembro, Ayres Britto, Carlos Velloso, Celso de Mello, Marco Aurélio Mello e Rosa Weber expressaram apoio à ideia, em reportagem de Rafael Moraes Moura, no jornal O Globo.

O ex-ministro Joaquim Barbosa, relator da ação penal do mensalão, afirmou à piauí que “apoia 100%” a criação do código, e que o caso Master reforça a necessidade de fazê-lo. “As duas coisas estão entrelaçadas. Código de conduta é o mínimo que se pode fazer neste momento”, disse Barbosa, em sua primeira declaração sobre o assunto.

Além deles, o antecessor de Fachin na presidência, Luís Roberto Barroso, apoia a iniciativa, mas ainda não se pronunciou publicamente. “Não é difícil imaginar o que eu penso. Mas desde que saí do Supremo, estou procurando ficar abaixo do radar e evitando declarações”, disse à piauí.

Internamente no STF, os demais ministros têm evitado falar do assunto, mas por outro motivo. “O silêncio da bancada desconfortável com o código de conduta é o sinal mais gritante da sua conveniência, para não dizer necessidade”, escreveu o colunista Elio Gaspari, dos jornais O Globo e Folha de S.Paulo.

Gilmar acha tudo “bobagem”

O principal – e até agora único – porta-voz da resistência é o decano do tribunal, Gilmar Mendes, que falou sobre a proposta de Fachin em conversa com jornalistas de diversos veículos, na segunda-feira, 22. O ministro sustentou que já existem regras suficientes para regular a conduta de magistrados no Brasil, o que torna desnecessário adotar um código próprio para o STF.

Na conversa com os jornalistas, o decano chamou de “bobagem” as cobranças da imprensa sobre participações de magistrados em eventos e expressou seu desacordo em relação à ideia de moderação nas manifestações públicas de ministros, inclusive sobre processos em julgamento. “Eu travei toda aquela batalha contra a Lava Jato falando, denunciando. Se eu não tivesse falado, certamente nada teria mudado”, afirmou.

No mesmo dia, o gabinete de Gilmar Mendes divulgou aos jornalistas um levantamento comparativo para demonstrar que tudo aquilo que o código alemão exige de seus juízes — independência, imparcialidade, cuidado com a vida privada, recusa de benefícios, moderação na comunicação pública, quarentena depois da aposentadoria — já está contemplado, de uma forma ou de outra, no ordenamento jurídico brasileiro.

O levantamento divulgado por Mendes  cita a Constituição brasileira, a Lei Orgânica da Magistratura e o Código de Ética da Magistratura Nacional do Conselho Nacional de Justiça, além das regras previstas no Código de Processo Civil e no Código de Processo Penal. “Não há vácuo no ordenamento jurídico brasileiro quanto à disciplina da conduta, independência e imparcialidade dos juízes”, conclui o texto.

Entre os críticos da falta de contenção no comportamento de alguns magistrados, há aqueles que concordam que talvez não haja “vácuo” nas leis brasileiras. O problema, na verdade, está em outro lugar: o descumprimento das normas existentes, que vem sendo justificado por uma interpretação cada vez mais elástica das próprias normas.

Afinal, o próprio comparativo divulgado por  Gilmar afirma que o código de conduta alemão recomenda que os magistrados divulguem os rendimentos obtidos por palestras e eventos. Até hoje não se sabe quanto cada ministro recebeu ao participar de eventos como os fóruns do Lead, Esfera, grupos econômicos do setor dos bancos, planos de saúde e mesmo em eventos como o bancado pela Refit em Nova York neste ano. Neste ponto, o vácuo é explícito: nenhuma norma brasileira exige a divulgação de remuneração.

O código da Alemanha também veda que os juízes se envolvam em eventos que provoquem “dúvidas sobre independência, imparcialidade e integridade”. Mesmo assim , aqui no Brasil, Dias Toffoli pegou carona no jatinho do advogado do Master para ver a final da Libertadores em Lima, no Peru. E, ao desembarcar de volta, puxou para si o caso do Master e decretou sigilo sobre o assunto. Solicitado a explicar sua atitude, Toffoli disse que só recebeu o processo do Master depois da viagem e que não conversa sobre processos em ocasiões como essa. No entanto, o ministro já estava na capital do Peru quando foi sorteado relator do caso.

Ocaso que tornou o debate sobre código de conduta mais urgente envolve o ministro Alexandre de Moraes e, mais uma vez, o Banco Master. Primeiro, a jornalista Malu Gaspar*, de O Globo, revelou que o escritório de advocacia da mulher do ministro, Viviane, tinha um contrato milionário com o Master. Ganhava 3,6 milhões de reais por mês. Se o contrato não tivesse sido rompido depois do escândalo do Master, renderia um total de 129 milhões — um valor fora do padrão do mercado .

O escopo do contrato do Master com o escritório da mulher do ministro era amplo: representar os interesses do banco nos Três Poderes,  em órgãos como o Banco Central, a Receita Federal e o Conselho Administrativo de Defesa Econômica. Mensagens apreendidas pela Polícia Federal indicavam que os pagamentos ao escritório eram tratados internamente pelo Master como prioridade absoluta. Até agora não surgiram registros formais de atuação do escritório da mulher de Moraes junto ao Banco Central ou ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica em favor do Master. O ministro Alexandre de Moraes e o escritório foram procurados pela imprensa, mas não responderam aos questionamentos.

Depois do contrato, a repórter Malu Gaspar revelou que o ministro manteve ao menos quatro contatos (três telefônicos e um pessoal) com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, durante o período mais sensível da crise do Master. Segundo a reportagem, o ministro Moraes buscou informações sobre o andamento da compra do Master pelo Banco de Brasília (BRB). Ouviu do regulador que havia indícios de fraude que inviabilizavam a transferência de mais de 12 bilhões de reais de crédito do Master para o BRB.

Moraes lançou duas notas em menos de 24 horas. Na primeira, afirmou que as reuniões com dirigentes do sistema financeiro ocorreram “exclusivamente” para tratar dos impactos da Lei Magnitsky – e não fez nenhuma menção ao Master. A jornalista Daniela Lima, do UOL, antecipou a versão de Moraes, mas divergiu em um ponto da nota: afirmou que, sim, houve menção ao Master em conversa com Galípolo.

Na segunda nota, Moraes foi mais explícito e disse que “em nenhuma das reuniões jamais foi tratado qualquer assunto ou realizada qualquer pressão referente à aquisição do BRB pelo Banco Master”. Admitiu dois encontros com Galípolo, em seu próprio gabinete no STF, em 14 de agosto e 30 de setembro. Disse também que “jamais esteve no Banco Central e que inexistiu qualquer ligação telefônica entre ambos, para esse ou qualquer outro assunto” e que “o escritório de advocacia de sua esposa jamais atuou na operação de aquisição BRB-Master perante o Banco Central”. Sobre este último ponto, ninguém havia dito o contrário.

Segundo uma nova reportagem, agora do jornal O Estado de S. Paulo, Moraes chegou a ligar seis vezes em um único dia para Galípolo. Em sua resposta, o Banco Central não mencionou números, mas afirmou que todas as interações foram documentadas e que a instituição está à disposição para prestar esclarecimentos. Em coletiva de imprensa, em 18 de dezembro, Galípolo declarou publicamente que o BC registrou reuniões, telefonemas e trocas de mensagens relacionadas ao caso.

Daniel Vorcaro deixa membros do STF em situação embaraçosa (Foto: Arquivo pessoal)
Daniel Vorcaro deixa membros do STF em situação embaraçosa (Foto: Arquivo pessoal)

A única nota à imprensa divulgada pelo Banco Central, em 23 de dezembro, diz“O Banco Central confirma que manteve reuniões com o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, para tratar dos efeitos da aplicação da Lei Magnitsky”Nada do que se discute no caso Banco Master desmerece ou contamina os julgamentos dos envolvidos na tentativa de golpe de 8 de janeiro, conduzidos pelo ministro Alexandre de Moraes com base em um conjunto robusto e incontroverso de provas.

Confundir esses planos significa politizar as suspeitas, criando uma equivalência inexistente entre investigações sem relação entre si — algo distinto do que ocorreu em episódios como o da Lava Jato, em que a condução dos processos por Sérgio Moro violou os próprios princípios da operação.

Paradoxalmente, quem caiu na armadilha de criar a falsa equivalência entre o caso Master e o julgamento dos golpistas foi a própria esquerda, que invadiu as redes sociais atacando Malu Gaspar, como se suas revelações fizessem parte de um complô para desmoralizar o ministro que condenou Bolsonaro e seus militares.

A onda chegou a tal ponto que a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (ABRAJI) lançou uma nota em defesa da jornalista. “Infelizmente, nos últimos anos, se tornaram comuns os ataques misóginos a mulheres jornalistas que fazem reportagens sobre pessoas que ocupam importantes espaços de poder”, diz a nota. “Quando qualquer jornalista sofre intimidação por exercer o seu ofício, perde a sociedade como um todo.”

STF sem controle

Nenhuma norma de conduta foi capaz de evitar todos esses acontecimentos. “Do ponto de vista institucional, não é tanto sobre a qualidade ou efetividade das normas”, diz o professor Rubens Glezer, da FGV-SP, “mas sobre a forma como o Supremo se organiza para controlar a atuação cotidiana de seus próprios ministros”. Glezer destaca que, ao reconhecer a constitucionalidade do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o próprio STF estabeleceu que seus ministros não estariam sujeitos a controle externo regular, e em razão disso o STF não tem uma instância institucional de controle sobre equívocos, atitudes abusivas, excessos e violações éticas de seus ministros.

“O controle existente é basicamente entre os próprios ministros e, no limite, o impeachment pelo Senado. E não é um bom instrumento”, afirma Glezer. Nesse contexto, de acordo com o professor, a proposta de um código de ética é uma tentativa de estruturar esse controle interno e preservar a autonomia do tribunal, evitando que a única resposta possível a crises recorrentes seja a intervenção externa ou soluções excepcionais.

Além disso, em 2023, o STF derrubou um dispositivo do Código de Processo Civil que ampliava as hipóteses de impedimento de juízes quando escritórios de seus parentes advogassem junto à corte. A decisão reduziu restrições criadas para prevenir conflitos indiretos de interesse e reforçou a aposta na autocontenção individual dos magistrados. Hoje, Brasília está tomada por parentes de ministros com escritórios de advocacia. De alguma forma, tornou-se comum que familiares de ministros do STF que já advogaram ou advoguem na corte – entre eles, as mulheres de Moraes, Toffoli e Cristiano Zanin, a ex-mulher de Gilmar Mendes, o filho do ministro Luiz Fux e a irmã do ministro Kassio Nunes Marques.

Um dos pontos que o caso Master evidencia é o despautério da presença frequente de ministros do STF em eventos patrocinados por empresas com causas bilionárias na corte. Antes disso tudo, entre 2022 e 2024, o Banco Master bancou ao menos cinco eventos — dos quais quatro no exterior: Nova York, Paris, Londres e Roma –, que contaram com a presença de ministros do STF, como Moraes, Gilmar, Toffoli, Luís Roberto Barroso e Ricardo Lewandowski, segundo levantamento do Poder360.

Um dos episódios mais citados ocorreu em 2022, durante a Brazil Conference, quando o controlador do Master, Daniel Vorcaro, ofereceu um jantar em Nova York que reuniu ministros do STF. No Fórum Jurídico Brasil de Ideias, realizado em Londres em abril de 2024, Moraes, Gilmar e Toffoli compareceram, assim como o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o advogado-geral da União, Jorge Messias, que foi indicado recentemente por Lula para o STF e aguarda sabatina e votação de seu nome no Senado.

Nestes eventos, não há registro de encontros ou reuniões paralelas, não há divulgação de agendas, nem comunicação prévia de potenciais conflitos. A resistência a transformar esses escrúpulos em norma obrigatória revela mais do que divergências técnicas ou jurídicas, segundo o professor Davi Tangerino, da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ). Ela reflete um traço estrutural da vida pública brasileira: o patrimonialismo. “Muitos agentes públicos se sentem donos do cargo”, afirma Tangerino. Segundo ele, isso se manifesta em decisões moldadas por visões pessoais, na construção de posições de poder em relação a outros Poderes e, em casos extremos, há risco de corrupção.

Editoriais

A leitura dos editoriais publicados nos últimos dias por O GloboFolha de S.Paulo e O Estado de S. Paulo revela enfoques distintos, mas convergentes. O Estadão afirmou que conexões pessoais mal explicadas de ministros do Supremo com o Banco Master “arriscam a credibilidade do STF” e colocam a Corte em “terreno pantanoso”, ao converter episódios individuais em um problema institucional. A Folha enquadrou o episódio como expressão de um déficit mais amplo de controles, advertindo que a ausência de freios institucionais favorece excessos e reforça a percepção de que “poderosos se protegem”.

Já o Globo, em editorial intitulado STF fracassa em transparência e prestação de contas, destacou que a corte demorou duas semanas para se manifestar sobre o vínculo entre Moraes e o Master. O jornal carioca classificou como “inaceitável” a continuidade do segredo imposto por Toffoli e defendeu explicitamente a adoção de um código de conduta para os ministros do Supremo, como forma de “dirimir todas as situações que gerem conflito de interesse” e preservar a integridade institucional da Corte.

No centro do debate não está um banco, nem um contrato, nem um voo, nem um telefonema. Está uma questão mais ampla: se um tribunal que cobra transparência dos demais poderes está disposto a submeter a si mesmo a regras capazes de transformar princípios éticos em procedimentos objetivos. Enquanto essa resposta não vier na forma de normas claras, casos como o do Master continuarão a explicitar que confiança pública é uma construção permanente.

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Banco Central e STF batem de frente em nome do Banco Master

Toffoli determinou acareação estranha (Foto: Tom Molina/STF)
Toffoli determinou acareação estranha (Foto: Tom Molina/STF)

Do The News para o BCS

2025 tem sido um ano de tensão constante em Brasília. Teve disputa Congresso vs. Planalto, Congresso vs. Supremo Tribunal Federal (STF) e por aí vai. Agora, já aos 48’ do segundo tempo, surgiu mais um “climão” para fechar o ano: Supremo vs. Banco Central. No fim da última semana, o BC pediu esclarecimentos a Dias Toffoli sobre o pedido feito pelo ministro para uma acareação do Master. O procedimento coloca pessoas com depoimentos contraditórios cara a cara para esclarecer divergências.

Quem também havia se manifestado foi o procurador-geral Paulo Gonet, solicitando ao STF a suspensão da audiência.

Toffoli, no entanto, rejeitou os recursos e manteve a decisão de realizar uma acareação em pleno recesso judicial. Assim, a audiência — marcada para amanhã — vai colocar frente a frente o dono do Master, Daniel Vorcaro, o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) e o diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino.

A reação foi imediata

Entidades que representam cerca de 90% do sistema financeiro brasileiro divulgaram uma nota em defesa da independência técnica do BC.

Auditores do Banco Central também falaram em indignação, argumentando que o movimento expõe servidores antes da conclusão das investigações.

Como resposta, o Banco Central deve entrar com recurso no STF contra a participação de um diretor da instituição na acareação, já que Aquino e o BC não são investigados no caso.

Pano de fundo

Além disso, a razão de tanta preocupação por parte do mercado financeiro é sobre a possibilidade de que Toffoli possa reverter a liquidação do Master, o que poderia enfraquecer a imagem do BC.

Vale lembrar que o ministro, que é relator do caso no STF, viajou a Lima para assistir à final da Libertadores no mesmo jatinho em que estava o advogado do Master.

No fundo, o embate vai além do Master. Ele toca num ponto sensível: até onde vai o poder de interferência do Judiciário sobre decisões técnicas do regulador financeiro.

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Ministro do STF tentou socorrer banqueiro golpista no Banco Central

Alexandre e Gabriel: relações nada republicanas (Fotos: Rosinei Coutinho-STF, Raphael Ribeiro-BC)
Alexandre e Gabriel: relações nada republicanas (Fotos: Rosinei Coutinho-STF, Raphael Ribeiro-BC)

Do Canal Meio e outras fontes

Este fim de ano continua agitado em Brasília. Nesta segunda-feira, a jornalista Malu Gaspar revelou que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, procurou o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, ao menos quatro vezes para tratar do Banco Master. Três dos contatos ocorreram por telefone e um deles presencialmente, quando Moraes pediu avanço na operação de venda da instituição ao BRB. Moraes teria demonstrado simpatia por Daniel Vorcaro, controlador do Master, e repetiu o argumento de que o banco estaria sendo alvo de grandes concorrentes.

Ele também insistiu pela aprovação da venda anunciada em março, que aguardava aval do BC. Galípolo respondeu que técnicos haviam identificado fraudes no repasse de R$ 12,2 bilhões em créditos do Master ao BRB. O escritório de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, tinha contrato com o banco prevendo pagamentos mensais de R$ 3,6 milhões por três anos, totalizando cerca de R$ 130 milhões. (Globo)

O encontro não muito republicano entre um ministro do STF e o presidente do BC acerca de um banco privado encontrou ouvidos moucos nas duas instituições públicas. Alexandre de Moraes e o STF agiram como se nada tivesse acontecido. Já o Banco Central decidiu não emitir qualquer comunicado sobre o teor das conversas. A autarquia afirma que não comentará nem detalhará os contatos relatados. (Poder360)

Por enquanto, o único a fazer barulho em Brasília foi o líder do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), ele próprio enrolado em investigações sobre lavagem de dinheiro. O deputado afirmou que a Polícia Federal ignora o contrato milionário entre o Banco Master e o escritório de advocacia da esposa de Moraes. “Fico impressionado como a PF não quer investigar a esposa de um ministro do STF que tem um contrato com um banqueiro de R$ 129 milhões”, declarou o parlamentar. (CNN Brasil)

Merval Pereira: “O STF vira objeto de desconfiança do cidadão, à medida que o ministro Alexandre de Moraes não nega oficialmente que sua mulher tenha recebido milhões para trabalhar pelo banco Master”. (Globo)

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