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Município e Estado ignoram potencial do Vale do Apodi

Por Josivan Barbosa

Infelizmente o município de Apodi não está sabendo aproveitar o seu potencial para atrair empresas de agricultura irrigada. Até o momento já se instalaram na região mais de uma dezena de empresas, entretanto, não conseguem apoio nem do município e nem do Governo do Estado.

Uma boa participação do município poderia ser na manutenção das vias de acesso às empresas rurais, as quais só recebem algum serviço quando os próprios empresários resolvem fazer a recuperação e a manutenção.

A participação do Estado do RN poderia já ter sido na articulação com a Bancada Federal para construir a Estrada do Arenito ligando o Distrito de Soledade à divisa com o Ceará (Tabuleiro do Norte). A pavimentação da Estrada do Arenito iria favorecer o escoamento da produção de frutas para a BR 405 e dessa para o Porto de Natal (mercado externo) ou para o Sudeste do país (mercado interno).

Outra grande importância da Estrada do Arenito seria a ligação com a BR 116 via o Distrito de Olho Dágua da Bica (Tabuleiro do Norte) e desta com os portos do Pecém e Mucuripe (mercado externo).Água atrai investimentos

O município de Apodi foi o principal destino das empresas de agricultura irrigada durante as dificuldades do uso da água na última grande seca. Algumas empresas de porte médio e grande, seguindo exemplos de outras que já haviam se instalado no início da década passada, ocuparam áreas por arrendamento ou aquisição, na região compreendida entre as divisas dos municípios de Apodi – RN, Severiano Melo – RN e Tabuleiro do Norte – CE, entre as estradas carroçáveis Transchapadão (ligando Apodi ao Distrito de Olho D`água da Bica) e a Estrada do Arenito (ligando os municípios de Apodi e Severiano melo ao Distrito de Olho D`água da Bica), via comunidades rurais tradicionais de Campos Velhos e Campos Novos.

Nessa região, as empresas estão perfurando poços no aquífero Arenito-Açu em baixa profundidade (cerca de 150 a 300 m). Este é o principal atrativo, ou seja, água de boa qualidade em baixa profundidade. Nessa região há solos mais argilosos, em cima da Chapada do Apodi e solos mais arenosos na região do entorno da Chapada do Apodi.

A previsão é de que na safra 2019/20 a área plantada com fruteiras (principalmente melão e melancia, banana e mamão) ultrapasse 5000 ha, o que representa, cerca de 25% da área cultivada na Grande Região Jaguaribe-Apodi.

A principal dificuldade enfrentada pelas empresas nessa região é a falta de infraestrutura (estradas e rede de alta tensão de energia), além da necessidade de investimentos em infraestrutura de galpões de embalagens, cercas, instalações fixas de campo, pavimentação no entorno dos galpões de embalagens e áreas de acesso, depósitos e demais instalações fixas de campo.

Cultivo de tilápia ganha espaço

Outra atividade econômica que o município de Apodi está ignorando é o cultivo de tilápia. A piscicultura, especialmente o cultivo de tilápia, vem ganhando espaço entre os consumidores e a integração do peixe garante maior rendimento ao produtor, que tem a comercialização garantida no fim do processo.

Uma das grandes vantagens do Vale do Apodi é a disponibilidade de água ao longo da várzea do Rio Apodi-Mossoró.

Uma articulação do município com o Governo do Estado poderia facilitar a instalação de cooperativas integrando pequenos produtores com foco na mão de obra, ficando a parte de investimentos na responsabilidade das cooperativas.

Bovinocultura leiteira precisa de apoio

Em função da característica rural do município de Apodi, outra atividade que precisaria receber atenção especial dos governos municipal e estadual é a bovinocultura leiteira. O município não precisa inventar a roda. Basta seguir os exemplos do Sertão Central do Ceará (bacia leiteira de Quixeramobim) e região do Seridó (Bacia leiteira de Jucurutu).

O desenvolvimento dessa cadeia produtiva atrai investimentos de laticínios que gera muito emprego e renda e conecta o pequeno produtor ao negócio rural competitivo.

UNP

Os grupos Ser Educacional e Cruzeiro do Sul têm interesse na operação brasileira da Laureate, empresa americana de ensino superior que colocou à venda todos os ativos no mundo.

No Brasil, a Laureate é dona de 11 instituições de ensino em várias regiões do país. Entre elas, estão a Anhembi-Morumbi e FMU, ambas de São Paulo; a UnP, no RN; o IBMR, no Rio, a UniRitter, em Porto Alegre, entre outras.

Inicialmente, a intenção da Laureate era se desfazer de todo o grupo ou em grandes blocos como, por exemplo, os negócios de Brasil e Chile juntos, mas esse projeto foi descartado diante da complexidade desse tipo de transação e optou-se por uma venda por país.

RN na Codevasf

O Rio Grande do Norte poderá ter apoio da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (CODEVASF).

Graças à articulação do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), a Câmara dos Deputados aprovou a inclusão de mais três Estados na área de atuação da Codevasf. O texto, que ainda será mais discutido, determina que o órgão poderá fazer obras no Rio Grande do Norte, Paraíba e no Amapá.

A Codevasf está ligada ao Ministério do Desenvolvimento Regional, com Sede em Brasília e oito Superintendências Regionais na sua área de atuação, além de escritórios de representação e de apoio técnico e unidades de produção e pesquisa.

Josivan Barbosa é professor e ex-reitor da Universidade Federal Rural do Semiárido (YFERSA)

Estradas avançam e abrem caminho para salto na economia

Por Josivan Barbosa

Os assessores de Fátima Bezerra (PT) estão batendo cabeça e não atentam para a mudança de discurso da gestão. Está na hora de mostrar serviço e nada melhor do que aproveitar para inaugurar a primeira etapa da Estrada da Serra do Mel que liga a BR 110 ao Vale do Açu. A Estrada é de excelente padrão e já está no ponto de ser inaugurada.

Falta apenas o acabamento de uma pequena ponte antes do município de Carnaubais. As pessoas que usam a estrada têm verificado a facilidade de deslocamento de Mossoró para a região de Macau e municípios vizinhos. A nova estrada passou a ser uma via preferencial para o transporte de sal das salinas de Macau e região para as empresas de moagem que estão localizadas no Distrito Industrial de Mossoró e em outras regiões da cidade.

Estradas na região têm enorme importância (Foto: arquivo)

Estrada da Serra do Mel II

Uma segunda estrada dentro do município da Serra do Mel foi construída ligando a Vila Brasília à BR 110 (antes da comunidade de Casqueira). Ela precisa ainda ser concluída, mas como está aproveitando um trecho antigo de pavimentação feito pela Petrobrás, o acesso já funciona muito bem para quem deseja se deslocar da Serra do Mel para a região das praias de Morro Pintado, Upanema, Redonda, Cristovão e Ponta do Mel (Areia Branca).

Essa estrada facilita, também, o deslocamento da população de Areia Branca para o Vale do Açu. Nestas épocas de vacas magras, também, já poderia ser inaugurada, pois já está prestando um grande serviço à população da Serra do Mel e de Areia Branca.

Estrada da Serra do Mel III

Uma terceira estrada que liga a sede da Serra do Mel à BR 304, na altura dos assentamentos Quixaba, Cordão de Sombra I e II; também está muito perto de ser concluída. Falta menos de 10 km de pavimentação. Esta estrada tem importância fundamental para escoar a produção de caju da Serra do Mel para os estados vizinhos da Paraíba e Pernambuco. A via é uma reivindicação antiga dos moradores da Serra do Mel que remonta aos tempos da instalação do projeto original de reforma agrária nos anos 70. A estrada é plana, sem curvas e em poucos minutos o cidadão da Serra do Mel se desloca para a BR 304, umas das mais movimentadas do interior do Rio Grande do Norte.

Uma boa alternativa de renda com essa nova estrada pode ser a venda de castanha-de-caju e seus derivados às margens da BR 304, o que pode se transformar numa fonte de emprego e renda para a população local que explora a cultura do caju.

Estrada da Serra do Mel IV

A Estrada da Serra do Mel que liga a BR 110 à BR 406 facilitará o acesso ao Aeroporto de São Gonçalo e se tornará numa opção de escoamento da produção de frutas da região de Jandaíra e Afonso Bezerra para os portos do Ceará. Dependendo da frequência de navios e da época do ano, há necessidade do uso desses portos pelos exportadores de frutas.

Estrada do Arenito

A Bancada Estadual da Agricultura Familiar precisa defender a construção da Estrada do Arenito que liga a comunidade de Soledade em Apodi ao Distrito de Olho D`água da Bica em Tabuleiro do Norte – CE. O trecho do Rio Grande do Norte mede cerca de apenas 20 km. Já há uma articulação para que o Governo do Ceará construa a sua parte. A Estrada do Arenito representaria a principal via de acesso do Vale do Apodi, principal região produtora de frutos tropicais do Rio Grande do Norte, à BR 116 e, por consequência, aos Portos do Pecém e do Mucuripe.

Tanto a Bancada precisa se articular com o Governo do Estado quanto os produtores de frutas precisam mostrar a necessidade da estrada.

Estrada do Arenito II

A Estrada do Arenito servirá, também, para escoar a produção de água mineral e outras águas congêneres do Vale do Apodi para a região Jaguaribana, pois já há várias indústrias de água mineral instaladas nas proximidades dessa estrada.

Outra grande importância econômica da Estrada do Arenito é a facilidade para o transporte de polpa de caju concentrada da região de Apodi e Severiano Melo para as indústrias que estão localizadas no vizinho Ceará e que são os principais clientes dos produtores de caju. Apenas na região de Severiano Melo, a revitalização da cultura do caju já trouxe como resultado mais de 10 mil hectares da cultura em produção ou em fase de instalação.

Estrada do Arenito III

A Estrada do Arenito servirá, também, para escoar a futura produção do Perímetro de Agricultura Irrigada da Chapada do Apodi (PISCA), cujo projeto aguarda uma ação mais protagonista da Bancada Federal desde o ano de 2015. Os investimentos realizados na construção do projeto são volumosos e não se justifica tamanho prejuízo com os recursos públicos.

O projeto do PISCA poderia ser redirecionado para a produção de frutos agroecológicos com ênfase na produção orgânica, em função da grande aceitação desses produtos nos mercados externos da Europa, Estados Unidos e Ásia. Isto anularia o argumento de que o PISCA pode ser uma ameaça ao equilíbrio ambiental da Chapada do Apodi e regiões circunvizinhas.

Josivan Barbosa é professor e ex-reitor da Universidade Federal Rural do Semiárido (UFERSA)

Nova fronteira agrícola para a economia do RN

Por Josivan Barbosa

Nos últimos três anos a região compreendida entre os municípios de Felipe Guerra, Apodi e Severiano Melo têm atraído os principais grupos que trabalham com a produção e exportação de frutos tropicais do Polo de Agricultura Irrigada RN-CE.

O grupo da Agrícola Famosa (Complexo de várias empresas) se instalou na divisa de Apodi – Tabuleiro do Norte e produz melão, melancia e mamão em várias fazendas que foram adquiridas ou arrendadas. As principais áreas adquiridas pelo Grupo Agrícola Famosa foram as fazendas Baixa Verde e São Sabino.

Essa região do Polo de Agricultura Irrigada RN-CE já havia sido descoberta por produtores do Grupo Real (conhecido como grupo dos japoneses) antes do início do período de seca 2011-2017.

A exploração dessa região por outros grupos de empresas tornou-se mais intenso e a partir de 2017 dois outros grupos adquiram terras. O grupo Melão Mossoró, tendo como principal empresa a Mata Fresca Produção e Distribuição de Frutas Ltda, adquiriu novas áreas nos municípios de Felipe Guerra ao lado da Rodovia BR 405 e na comunidade de Sítio do Góis. Mais recentemente, o grupo Brazil Melon estabeleceu importante parceria empresarial com os proprietários da Fazenda Bela Fonte na divisa de Severiano Melo com Apodi.

Outras empresas como a Bessa Produção e Distribuição de Frutas Ltda e UGBP se instalaram na divisa do RN-CE na comunidade dos Campos estão produzindo banana  e mamão. Todas essas empresas foram atraídas pela disponibilidade de água do arenito-assu a baixa profundidade.

O grupo de empresas como um todo são unânimes que o grande desafio para produzir frutas nessa região é a logística, com destaque para a construção de rodovias pavimentadas e a retomada da construção do Projeto de Irrigação Santa Cruz do Apodi, que oferecerá uma segunda oportunidade de uso de água na Chapada proveniente da Barragem de Santa Cruz.

Estrada do Arenito

O governador do Estado do Rio Grande do Norte poderia deixar uma pequena, mas, importante obra para a Chapada do Apodi. Trata-se da Estrada do Arenito que contorna a Chapada do Apodi, a partir do Distrito de Soledade e vai até a divisa com o município de Tabuleiro do Norte (CE). Esta rodovia é fundamental para o escoamento da produção de frutas dos municípios de Felipe Guerra, Apodi e Severiano Melo para o Porto do Pecém. Os deputados estaduais do Ceará já estão atentos para trabalhar em sinergia com o prefeito de Tabuleiro do Norte e apresentarem a demanda do projeto que complementa o trecho do lado do Ceará, ligando o Distrito de Olho Dágua da Bica à divisa do CE-RN, na comunidade de Baixa do Juazeiro.

Rio São Francisco

Pela primeira vez em cinco anos, a Agência Nacional de Águas (ANA) vai aumentar a vazão no rio São Francisco. Com melhora na situação dos reservatórios de Sobradinho, Três Marias e Itaparica, por conta das chuvas no período de fevereiro a abril e da acumulação nos anos que água foi poupada, a vazão será aumentada de 550 metros cúbicos por segundo para 600 metros cúbicos por segundo, a partir do dia 1º de maio.

O ajuste será possibilitado pela melhora na situação hídrica da região. Dados do ONS mostram aumento significativo no nível dos reservatórios na bacia do São Francisco, especialmente Sobradinho, que representa 58,26% do subsistema Nordeste. Hoje, Sobradinho tem 38,08% de seu volume útil, Três Marias tem 48,11% da capacidade total, e Itaparica, 21,22%. Com isso, o subsistema Nordeste chegou a 40,53% de capacidade.

O Nordeste enfrentou estiagem severa desde 2012 e, apesar das chuvas, não é possível dizer que a seca acabou. Isso só será possível de avaliar depois de acabar o período chuvoso, em junho. Mas tudo indica que ele não será suficiente para recuperar completamente a baixa dos reservatórios dos últimos anos. Reservatórios importantes como o Castanhão, no Ceará, ainda está com apenas 8% da capacidade.

Novas ligações das BRs 405 com 116

Na semana passada o nosso conterrâneo, economiário Ismar Morais nos repassou importante notícia vindo lá da fronteira do Alto Oeste do RN com o vizinho Ceará. O governador Camilo Santana anunciou o início da construção da rodovia ligando os municípios de Encanto e Pau dos Ferros ao município de Ererê no outro lado da fronteira com o Ceará. Neste trecho, apesar de ser  muito curto, até hoje nenhum homem público dos dois estados havia concretamente feito alguma coisa. A nova ligação será importante para o deslocamento da população do Alto Oeste para o Vale do Jaguaribe e para Fortaleza e, também, muito útil para os estudantes dos municípios de Potiretama, Alto Santo e Iracema que se deslocam diariamente para as universidades públicas de Pau dos Ferros (UFERSA e UERN). O novo trecho representa a segunda ligação pavimentada da BR 405 com a BR 116, e consequentemente, do Vale do Apodi-Mossoró com o Vale do Jaguaribe.

Outro trecho que foi anunciado na ocasião foi a construção da ligação do município de Potiretama com o município de Rodolfo Fernandes. Neste caso teríamos uma terceira rodovia pavimentada ligando os dois vales e as duas BRs.

Em ambos os casos, há necessidade da complementação por parte do governo do RN. Esperamos que haja sintonia da equipe do governador para acelerar a licitação dos dois trechos que são muitos curtos.

Da Serra de São Miguel para o mundo

A Santa Clara nasceu na Serra de São Miguel  e se transformou na maior empresa de café do Brasil, a 3corações – joint venture entre a São Miguel Holding e a israelense Strauss – também atua nos segmentos de refresco em pó, achocolatados, temperos e derivados de milho. O Grupo 3corações teve lucro líquido de R$ 256 milhões no ano passado, uma alta de 35,6% em relação a 2016. Conforme informou a empresa em balanço publicado na semana passada, a receita líquida avançou 19,1% no ano passado, para R$ 3,71 bilhões.

O empresário Pedro Lima disse que a companhia ampliou as vendas de cafés torrado e moído, solúvel e em cápsulas no ano passado. As vendas de máquinas para cápsulas de café e outras bebidas do sistema TRES também aumentaram. Segundo Lima, a empresa previa um crescimento de 10% no volume de cápsulas comercializadas em 2017, mas a alta chegou a 34%. No caso das máquinas, as vendas somaram 280 mil unidades em 2017 – a previsão eram 200 mil. A 3corações é dona das marcas de café Santa Clara, Kimimo, Três Corações, Pimpinela, Principal, Fino Grão, entre outras.

Nenhum avanço para uma PPP

O município de Mossoró não avança no estabelecimento de uma PPP (Parceria Público Privada). Mossoró está ao lado de um terço dos municípios brasileiros com mais de 200 mil habitantes em que ainda não se iniciou nenhum projeto de concessão ou parceria público-privada (PPP). Mesmo diante do interesse manifestado pelos prefeitos na última campanha eleitoral e da necessidade de encontrar alternativas de investimento, 49 das 149 cidades de grande ou médio porte do país não deram nem sequer o primeiro passo para alguma parceria com a iniciativa privada. No caso específico de Mossoró, até parece que a prefeitura dispõe de muitos recursos para investimentos.

Há uma grande oportunidade sendo perdida. Muitas necessidades dos municípios podem ser satisfeitas, principalmente em um cenário de tantas restrições orçamentárias, por meio de parcerias público-privadas.

Três áreas com maior potencial de novos contratos: iluminação pública, resíduos sólidos (como a construção de aterros sanitários), água e esgoto (nas localidades não atendidas pelas companhias estaduais de saneamento). Outros campos férteis para PPPs estão em mobilidade urbana, educação e saúde. Até mesmo a revitalização de parques e jardins pode ser objeto de parcerias.

Josivan Barbosa é professor e ex-reitor da Universidade Federal Rural do Semiárido (UFERSA)