Arquivo da tag: fábula

A fábula do cachorro ‘mijador’ e a Cosern

Arte: ajustes do Canal BCS
Arte: ajustes do Canal BCS

Há muitos e muitos séculos, no distante Reino dos Potiguares, era comum que a cada neblina ou mesmo chuva mais intensa, seus habitantes ficassem sem energia elétrica. Também somavam prejuízos com queima de equipamentos eletrodomésticos.

Nesse tempo, até se tinha a crença de que a empresa pública concessionária do serviço, conhecida por Cosern, não era responsável por tudo ou, pelo menos, em relação à maior parte dos problemas.

A culpa era do cachorro mijador, um ser de quatro patas que mesmo inocentemente, apenas seguindo seus instintos e levado por necessidade fisiológica, acabava por causar tantos transtornos à população

Virou lenda a crença de que o mijador ao levantar uma das patas e urinar em qualquer poste de iluminação, imediatamente causava blecaute.

Nos dias atuais, com o retorno do mesmo problema no distante Reino dos Potiguares, o comentário entre os súditos é de que o doguinho está de volta também. Agora, com outra pelagem e nome: Neoenergia Cosern.

Acompanhe o Canal BCS (Blog Carlos Santos) pelo Twitter AQUI, Instagram AQUI, Facebook AQUI e YouTube AQUI.

Reminiscências

Por Inácio Augusto de Almeida

Tinha o Papai Noel, isto até ter a certeza de que tudo não passava de uma tapeação cheia de boas intenções dos seus pais. Mas nem por isso esta descoberta deixou de se constituir na sua primeira decepção.

Depois foi a visita que fez a uma tia.

Deitada dentro daquele caixão, cercada de flores, ela lhe pareceu muito gorda e amarela. Seu pai tentou lhe explicar que ela tinha morrido e que todos morrem um dia. Ficou muito chocado e achou aquilo um absurdo.

Depois veio a época dos super-heróis.Tinha o Capitão Marvel, o Superman, o Capitão América. Deste não gostava. Aquela enorme estrela no peito e aquela sua roupa listrada não ficavam bem para um super-herói.

Lembrava mais um palhaço que vira num circo sem lona. Uma coisa não entendia em todos aqueles super-heróis. Sendo dotados de tantos poderes, como aceitavam submeterem-se às ordens daqueles homens engravatados, gordos e carecas.

Não, ainda não entendia todo o poder do dinheiro. Não podia compreender que entre parar trem em alta velocidade com o peito, voar mais rápido do que uma bala e ter dinheiro havia uma diferença enorme. Tudo aquilo frente às cédulas virava fichinha, como até hoje vira…

Depois veio a época que seu pai só falava numa tal de guerra. E era uma guerra muito grande, enorme mesmo. Até nas revistas em quadrinhos, da Xuxa e do Triguinho, apareciam aquelas estórias que o seu pai contava em casa.

O americano era o mocinho, o alemão o bandido. Quando seu pai lhe trouxe muitos ioiôs que o Brasil recebera dos americanos, ficou mais certo ainda de que aqueles alemães eram mesmo uns bandidos.

Só muitos anos depois soube que aqueles brinquedos foram recebidos como indenização pelas perdas de guerra. E começou a duvidar quem era o mocinho e quem era o bandido. Mas isto já é coisa de quando grande e nós ainda estamos na fase em que o nosso herói era um rapazinho imberbe.

Veio a época de servir a Pátria.

Seu pai lhe disse que agora ia aprender a ser homem. Estranhou aquela expressão do “velho”. Não entendia como alguém pudesse aprender a ser homem em algum lugar. Quando voltou à vida de antes não se sentiu nem mais nem menos homem. Continuava o mesmo.

Chegou o tempo da faculdade e se dedicou inteiramente aos estudos. Depois de formado foi vencendo, com muito sacrifício, as barreiras. Vendo colegas seus filhos de gente importante disparando na vida, lamentou não ser filho de um Ministro ou de um Senador. Se fosse, pensou, não existiriam tantas barreiras.

Já homem feito viu a instalação do governo militar e percebeu como a corrupção acontecia, mesmo que de forma acanhada.

Sentiu todo o peso da censura e por não concordar com determinados comportamentos, sofreu perseguições e teve prejuízo na sua vida profissional.

Depois, com a chamada redemocratização, viu a corrupção agigantar-se de maneira tal que sentiu saudades do que era chamada ditadura.

Conheceu muitos “amigos” e poucos amigos. Pouco-a-pouco foi se convencendo que aquela fábula da raposa e das uvas era o que de mais perfeito existe em matéria de lição de vida. Viu o quanto os homens são sensíveis aos seus interesses imediatos e abandonam facilmente os seus ideais em troca de lentilhas.

Mais uma vez se lembrou da força do dinheiro. E concordou que a burguesia tem os seus encantos.

Avô, como todo avô que se preza, sentado na sua cadeira de balanço observa o netinho lendo uma revistinha de estórias de quadrinhos. E disse só para si o quanto seria bom se os heróis realmente existissem e surgissem para combater os bandidos.

Quando fechava os, olhos pensando em sonhar com o Capitão Marvel, ouviu do seu netinho:

– Adianta não, vô. Não tá vendo que eles recebem ordens dos que têm dinheiro?

Riu, riu e procurou dormir…

Inácio Augusto de Almeida é jornalista e escritor

STF garante imunidade para deputados estaduais

Do G1

Com a mudança do voto do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Dias Toffoli, nesta quarta-feira (8), o plenário da Corte decidiu por maioria estender a possibilidade de imunidade de prisão a deputados estaduais. Segundo a maioria, as assembleias estaduais podem reverter ordem de prisão dada pelo Judiciário contra parlamentares estaduais.

Toffoli teve outro entendimento em caso bastante polêmico que protege deputados (Foto: STF)

Pela decisão, deputados estaduais seguirão a mesma regra prevista na Constituição para deputados federais e senadores: só poderão ser presos em flagrante e em casos de crimes inafiançáveis (como estupro e tortura).

O entendimento vale automaticamente para os três estados que já tinham a regra: Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte e Mato Grosso. Outros estados podem aprovar textos semelhantes e, caso haja prisões preventivas de deputados em outros estados, sem ser em flagrante, eles também poderão pedir a aplicação da decisão.

Até o início do julgamento, havia maioria de votos no sentido de que as assembleias não poderiam reverter a ordem de prisão dada contra deputado estadual. Seis ministros votaram neste sentido. Porém, com a mudança de entendimento do presidente da Corte, o placar virou.

Votaram a favor de assembleias revogarem prisões:

  • Marco Aurélio Mello
  • Alexandre de Moraes
  • Gilmar Mendes
  • Celso de Mello
  • Ricardo Lewandowski
  • Dias Toffoli

Votaram contra possibilidade de assembleias reverterem prisões:

  • Luiz Edson Fachin
  • Rosa Weber
  • Luiz Fux
  • Cármen Lúcia
  • Luís Roberto Barroso

O julgamento tem como alvo as constituições estaduais do Rio Grande do Norte, de Mato Grosso e do Rio de Janeiro, que replicaram norma prevista na Constituição Federal e que estabelece que deputados federais e senadores só podem ser presos em flagrante. E que o Congresso deve decidir, após ser avisado pela Justiça em 24 horas, se mantém ou não a prisão.

No caso das regras estaduais, cabe às assembleias reverem as prisões. Foram julgadas três ações apresentadas pela Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), que se posicionou contra a possibilidade de as regras serem estendidas.

Saiba mais detalhes clicando AQUI.

Nota do Blog – Aí você pega aquele livrinho de fábulas conhecido como Constituição do Brasil, no seu artigo 5º, e lê: “Todos são iguais perante a lei (…)”.

Voltemos à realidade.

Acompanhe o Blog Carlos Santos pelo  TwitteAQUIInstagram AQUIFacebook AQUIYoutube AQUI.