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Luz que me ajuda a seguir…

Fotomontagem do BCS
Fotomontagem do BCS

A melhor mensagem que posso passar nesta data de reverência da cristandade, é formada por uma colcha de retalhos fotográficos. É o ganho de uma vida abençoada.

Escolhi ser ponte. Ser parte. Ser.

Um ser com todas as minhas forças e emoção. Feito, desfeito, refeito. Alguém que chega a essa quadra da vida sem muito a pedir, pois talvez tenha demais e além do merecido.

Luz que me ilumina o caminho/E que me ajuda a seguir…

Seja bem-vindo, Menino!

A Casa é sua.

Feliz Natal!

Feliz Navidad!

Por Paulo Pinto

O dia que eu fui “bater” em Cuba

Era o tempo dos generais

Peguei carona na “importância” e na necessidade da família de um desses generais

O general tinha duas filhas

Uma funcionária do BB, morando no Rio

A outra “subversiva”, casada com um cubano, morando em Cuba

A filha daqui podia ir,

A filha de lá não podia vir

E fomos nós “passar” dois dias no Caribe

Rio-Fortaleza-Belém-Havana

A bordo cientistas, artistas, nós e outras duas famílias

Na mala jeans, leite moça e creme dental

Apartamento grande, mal conservado, geladeira vazia

Na rua, acompanhados

Duas horas por cada período

Manhã, tarde e noite

Centro histórico, escola de governo e tome salsa

Na área de serviço do apto vizinho

Uma família cubana puro sangue

Criava um porco

Por que criar um porco em um apartamento?

Perguntei curioso

Pra vender e ter

Um FELIZ NATAL

Ah! Fidel Castro morreu.

Paulo Pinto é repórter social de “O Mossoroense”

Mesmo que eu não o conheça, Feliz Natal

O que eu desejo para o Natal?

Respondo-lhe:

– Tudo que é comum a outros dias, em minhas manifestações. Bastam saúde e paz.

Não sei quem você é? Talvez não lembre do seu rosto, menos ainda do seu nome. És um estranho, provavelmente.

Sem problema. Nada me impede de continuar lhe desejando saúde e paz.

O caso não é um arroubo próprio do que costuma ser definido como “espírito natalino”. É até mais simples. Diria que é um mantra, resposta pacífica aos que resmungam, vomitam impropérios e que acabam o mundo em sua volta a cada amanhecer, sendo Natal ou não.

O Natal tem uma atmosfera ambivalente. É misto de alegria e melancolia, caldeirão de sentimentos. Soma e perda, um pouco do que quero e tenho; a certeza do que perdi e me falta.

Como resistir à criança com olhos cintilantes, que ronda a árvore enfeitada de sonhos?

Impossível não ser tocado pelo sorriso dos que nada possuem e que são lembrados hoje, mesmo que esquecidos logo amanhã, pela ‘caridade sazonal’ de alguns mais afortunados.

Os sabores e aromas mexem com nossos paladar e olfato. Atiçam todos os nossos sentidos.

Eis as luzes, o colorido, a mesa posta…

O presépio continua na minha infância nos arrabaldes da Capela de São Vicente e Igreja do Coração de Jesus, em Mossoró. A casa de dona Maria de Uriel transformada em Belém, nossa Galileia em miniatura, ao alcance da mão traquina.

A espera de Papai Noel está atualíssima, mesmo que agora sem mistério. Causava insônia. Dali nascia a tentativa de simular o sono para flagrá-lo exatamente àquela hora em que deixaria meu brinquedo embaixo da rede.

Ele, o bom velhinho, enfim descoberto. Um espectro na escuridão, de silhueta conhecida, cometia o inafiançável crime da perpetuação da felicidade.

Eu, cúmplice, prometi a mim mesmo nunca entregar sua real identidade.

Crescido, com a vida indo bem além do Cabo das Tormentas, não é o lúdico que me instiga nesta data. Entre o profano e o sagrado, tento ser indiferente ou pelo menos cumprir o ritual exigido para o bom convívio social.

Oscilo entre a alegria da atmosfera dos festejos e a própria deprê que paradoxalmente esse período provoca.

Bom, me conheço. Um velho amigo, Diassis Linhares, até emendaria com sapiência: “Algumas pessoas amadurecem, outras apodrecem”.

Amadurecer é estar pronto no tempo certo, uma forma de sempre nascer. Aí o Natal se encaixa perfeitamente. Palavra de origem latina, Natal vem de “nativitas”, que significa “nascimento”.

De algum modo renasço e sobrevivo às minhas perdas nos olhos daquela criança boquiaberta e encantada, diante do presépio de Maria de Uriel e à espera do Papai Noel. Meu presente – hoje – é ter passado.

O brinquedo embaixo da rede é apenas um detalhe. O que vale é o vulto dos meus bons velhos diante de mim, a cada amanhecer. A cada dia, outro nativitas.

Saúde e paz.