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Festival de Repentistas, uma árdua luta à preservação da cultura

Por Aldaci de França

Ilustração do Repente/Voz de Cordel
Ilustração do Repente/Voz de Cordel

Em 2001, propomos inserir na programação do Mossoró Junina, o I Festival de Repentistas do Nordeste, o que foi acatado pelo presidente da Fundação Municipal de Cultura, de então, professor Antônio Gonzaga Chimbinho (in memoriam). Ele levou a proposta à chefe da municipalidade, Dra. Rosalba Ciarlini, que acatou a ideia.

Daí, dar-se o ponto de partida de uma maratona nossa para que o projeto fosse se tornando uma tradição cultural no Mossoró Cidade Junina (MCJ), representada pelo que temos de melhor no contexto do repente. Com a configuração do evento em tradição cultural, chegamos nesse 2024 à sua 22ª edição.  Mais uma vez, ele está na programação do MCJ – dias 21 e 22 deste mês.

Não tem sido fácil a continuidade do nosso evento no Cidade Junina ao longo desse tempo, mesmo sendo justificado como tradição cultural de raiz, que indubitavelmente coaduna-se aos festejos juninos. Quem esteve à frente da pasta da cultura em 2015 (Governo Francisco José Júnior) e 2018 (Governo Rosalba Ciarlini). Em 2015, o projeto aconteceu, mas fomos  prejudicados pelo total desprezo por parte da Secretaria de Cultura, ao nosso evento, inclusive, até hoje os cachês estão adormecidos, não sei por onde.

Em 2018, o certame foi inicialmente retirado da programação do MCJ, mas a prefeita Rosalba Ciarlini, acabou o recolocando na referida programação. Se voltarmos ao tempo, identificaremos bem quem estava à frente da pasta da cultura, nos anos acima citados.

Apesar disso, estamos nos fortalecendo aos poucos, por superarmos obstáculos e barreiras encontradas nos nossos caminhos. As injeções de desestímulos têm surtido efeitos contrários, por nos sentirmos muito inspirados a sempre lutar em defesa da cultura, e acrescentamos: isso já está bem definido em nossos objetivos, como defensores da cultura popular, e no caso, em tela, com mais ênfase, a difusão do repente.

Seriamos injustos, se não registrássemos o compromisso da gestão atual do prefeito Allyson Bezerra com o Projeto Festival de Repentistas no Mossoró Cidade Junina. O tratamento dado as “grandes bandas”, “cantores renomados” etc., em termos de cumprimento de cachês, é o mesmo em relação a nós e outros artistas locais. Só temos o que agradecer pela atitude justa. Somos tratados igualmente, claro, com diferenciação nos valores.

O que justifica os nossos esforços para colocar a cantoria no patamar que merece, é a certeza de que a cada dia a nossa produção poética ganha mais qualidade, tanto  poeticamente quanto ao aspecto estético, o que  não pode ser considerado como “cultura de baixo valor”, conforme Aurélio Buarque, equivocadamente conceitua o cordel, em seu dicionário. Assim como Buarque, alguns chamados de “intelectuais” cometem o mesmo engano, quando fazem alguma referência à cantoria, ao repente, e da mesma forma ao cordel.

Para resolver esses problemas, o caminho é a pesquisa séria que poderá oportunizar um conhecimento mais embasado no contexto da poesia popular nordestina.

Diante do exposto, nos cabe agora, como sempre, cuidar bem do nosso Festival, que sem dúvidas mais uma vez vai somar no sucesso do Mossoró Cidade Junina/2024,  onde grandes nomes da cantoria como Geraldo Amâncio, Antônio Lisboa, Edmilson Ferreira, Daniel Olímpio, Edvaldo Zuzú, Felipe Pereira, Acrísio de França, André Santos, Miro Pereira, e demais repentistas de quilate similar, estarão se desafiando no Polo Poeta Antônio Francisco, 21 e 22 de junho de 2024.

Não perca.

Aldaci de França é repentista, escritor e coordenador do Festival dos Repentistas do Nordeste no MCJ

Ex-reitor é homenageado com título de cidadania

Presidente da Câmara Municipal do Natal, o médico Franklin Capistrano aportou hoje em Mossoró.

Ele participou de encontro regional de vereadores, promovido no auditório do Hotel Villaoeste. O evento foi realizado pela Federação das Câmaras Municipais do RN (FECAM).

Entregou à família do ex-reitor da Universidade do Estado do RN (UERN) e ex-presidente da então Fundação de Cultura – Gonzaga Chimbinho -, o título “in memoriam” de cidadão natalense.

A proposição foi do próprio Franklin.

Chimbinho era natural de Assu e faleceu em março de 2013.

Só Rindo – (Folclore Político)

Chumbinho e Cachimbinho

Presidente da Fundação de Cultura de Mossoró, órgão da Prefeitura de Mossoró, o empresário do setor livreiro e ex-reitor da Universidade do Estado do RN (UERN) Gonzaga Chimbinho conversa com amigos à porta de sua loja, no centro da cidade.

Como sempre, entabula aquela prosa arrastada, sem pressa…

Aos poucos, um homem maltrapilho se aproxima do grupo e o escolhe como alvo. Atento e envolvido com a conversa com os demais interlocutores, Chimbinho não lhe dá atenção de imediato, mas depois abre pausa para ouvi-lo:

– Pois não, meu amigo! O senhor quer o quê?

– Seu Chumbinho, eu quero que o senhor me dê uma esmola…

Gonzaga sorrir, relevando o deslize quanto ao seu sobrenome. Mas um amigo intervém, na ânsia de reparar o equívoco:

– Olha, o nome não é Chumbinho. É Gonzaga Chimbinho

Compenetrado, o esmoleiro agradece a retificação, mas retoma a carga. Mantém a reverência à “vítima” com corpo arqueado e cabeça baixa, para solenemente voltar a  pedir:

– Seu Gonzaga Cachimbinho, me dê uma esmolinha…

 

Morre o ex-reitor da Uern Gonzaga Chimbinho

Gonzaga: um moderado

Notícia muito ruim para esta noite de sábado.

Morreu, em Natal, o ex-reitor da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), Gonzaga Chimbinho. Estava em tratamento contra o câncer, doença que há anos o incomodava.

A informação sobre sua morte foi passada ao Blog por volta de 21h de hoje. Estava internado no Hospital Natal Center.

O seu velório vai acontecer no Teatro Municipal Dix-huit Rosado (Mossoró) e o sepultamento ainda não tem horário definido. O mais provável é que aconteça nesse domingo (3), às 16h.

Chimbinho era empresário do setor de livros e materiais didáticos (Livraria Independência), bem como equipamentos para escritório (loja Escrita).

Foi reitor por dois mandatos e também se destacou na Fundação de Cultura, órgão da Prefeitura de Mossoró, convocado para a segunda gestão Rosalba Ciarlini (DEM).

Ficou cerca de 12 anos no cargo

Homem de perfil moderado, diplomático e de fino trato interpessoal, deixa um leque de amigos e admiradores.

Que descanse em paz!

Saúde de Gonzaga Chimbinho é preocupante

O quadro de saúde do professor, ex-reitor da Universidade do Estado do RN (UERN) e ex-dirigente da pasta da Cultura da Prefeitura de Mossoró – Gonzaga Chimbinho, é preocupante.

O Blog recebe informações de que ele está em tratamento contra câncer em Natal. O problema o incomoda há anos e, agora, outra recidiva mina suas forças.

Torçamos por nova superação, mesmo diante de dificuldades aflitivas.

Padre Sátiro pede que reitor e ex-reitores descruzem braços

Um dos baluartes na luta para sobrevivência e estadualização da Universidade do Estado do RN (UERN), o professor e ex-reitor padre Sátiro Cavalcanti Dantas parece medir as palavras. Contém-se.

Mas está prestes a explodir.

Indignação e zelo pela Uern movem Sátiro Dantas (Ricardo Lopes)

Os mais de 100 dias de greve na instituição e o comportamento solerte do Governo do Estado, em relação à Uern, não o agradam.

–  Hoje não comento o andamento da Uern, apenas pergunto, por ordem: Gonzaga Chimbinho, Antônio Capistrano, Nevinha Gurgel, Walter Fonseca, doutor Milton Marques (atual reitor) ficaremos calados?

E prossegue açulando: “Será que as cinzas de João Batista Cascudo (um dos criadores da instituição), Laplace Coelho (ex-reitor já falecido) e outros pioneiros não nos falam?”

Ele não se dá por satisfeito. Adiante, ainda fala, usando seu endereço no Twitter: “Voltarei ao assunto após decisões finais”.

Sátiro até se pergunta, com ar perplexo diante da situação vivida pela Uern: “Será que estou caducando? Uma instituição construída por tantos, com amor e renúncia, merece apenas o silêncio, Lúcio Ney (ex-vice-reitor)?”

Nota do Blog – Meu caro Sátiro, sejamos justos: nem todos silenciaram. Porém ficar de “bico calado” não é uma situação incomum na “metrópole do futuro”. Faz parte do ritual da dominação.

Tenho dito há tempos e repito: a Uern é a maior obra humana já edificada em Mossoró e quem não luta por ela é ignorante ou completamente alienado, preso a interesses mesquinhos e acostumado à vassalagem.

Todos são facilmente reconhecidos. Basta olharmos para seus joelhos, sempre encardidos de tanto prestarem reverência a seus algozes.

Pobre Mossoró!