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No vazio de uma tarde chuvosa

Por Inácio A. Almeida

Pela janela vejo os grossos pingos da chuva que cai na tarde cinzenta e triste. Não faz frio, apenas o vento que corre traz consigo um refrigério próprio da umidade em níveis altos.

Vem uma sensação de tristeza, de ausência, de solidão, de falta de tudo e de nada.

A tarde teima em ir-se lentamente, bem devagar, com preguiça, num nunca acabar. É como se os ponteiros do tempo estivessem presos e se agarrassem desesperadamente ao agora, pedindo para não irem.

Olho pela janela e vejo nuvens mais negras ainda a prenunciarem que a chuva vai continuar. E fico a pensar que a minha tristeza não é causada pela chuva, mas sim pela diminuição da luz. Alguma herança atávica causa em mim esta sensação.

Lembranças de infância começam a chegar. Um fim de tarde, um quarto escuro, a chuva muito forte, de dentro da rede vejo um coqueiro a balançar suas folhas violentamente.

Estou só, tenho medo, chamo e ninguém me responde. Fecho os olhos e tudo se torna mais escuro ainda. Trovões me assustam, os relâmpagos jogam uma luz muito forte dentro da grande casa. Tenho muito medo, mas aos poucos vou me habituando e já consigo não chorar.

Estou só.

Volto a olhar pela janela, as nuvens estão passando de negras a cinzentas. O vento continua forte, mas a chuva está afinando.

E fico a me perguntar o quanto a natureza tem influência sobre os nossos sentimentos.

A alegria que nos domina numa manhã de sol, o prazer que nos causa o zoar de uma cachoeira, a satisfação ao ouvir o canto dos pássaros. Ah, como é bom pisar na relva ainda molhada pelos pingos do orvalho da madrugada que se foi.

Por que será preciso um tarde triste, escura, que nos traz recordações amargas, para reavivar em nós a beleza que é a natureza com todos os seus contrastes?

Por que será que sempre precisamos do escuro para dar valor ao claro? Por que insistimos em procurar fora o que só pode ser encontrado dentro de nós mesmos? Por que sempre tendemos a desprezar o que dispomos e a valorizar o que não temos? De onde vem este fascínio que o desconhecido nos causa?

Ah, natureza humana, que nos torna sempre dependentes dos outros. Não conseguimos perceber que só precisamos de um corpo sadio e de uma alma tranqüila para sermos felizes. Um dia descobriremos que o valor das coisas não está na coisa em si, mas em quem as possui. De nada adianta ter o que não se sabe utilizar, pois as coisas só são boas para quem as sabe empregar bem.

Existe fardo maior do que o dinheiro para um avarento?

Vou ter que fechar a janela. As nuvens estão ficando negras novamente e a chuva começa a ficar muito forte. Certamente será uma noite sem estrelas.

Existe coisa mais bonita do que um céu estrelado numa noite de verão?

Engraçado. À minha mente veio o pensamento de que tudo o que é bom não custa nada. Ou alguém paga para admirar um céu estrelado, um zoar de uma cachoeira, o pisar na relva molhada ou a beleza que é ver o lindo nascer de um dia?

Lá longe, em algum rádio ligado, a voz do Cauby a dizer que a tarde é fria, que o vento sopra frio, gelando…

Penso em como a sorte é inconstante. Inconstante e necessária. Sem ela não se chega a lugar nenhum. Ou não foi por um rasgo de sorte que nascemos? Ou as grandes e bruscas mudanças que nossas vidas sofrem no seu longo decorrer não dependem do acaso, da sorte?

Um dia aprenderemos que não nascemos para a nossa própria satisfação. Um dia descobriremos que fazemos parte de um grande conjunto e que vivemos para a realização plena de todos. E quando tivermos consciência do que realmente somos, quando então não nos prenderemos a nada a ponto de prejudicar a nossa felicidade, conseguiremos viver.

Viver sem medo, em toda a plenitude, com amor, com felicidade. E neste dia acharemos até mesmo uma tarde chuvosa uma linda manifestação da natureza, pois em tudo há beleza, já que a beleza está em nós.

Olho pela janela. Já não chove e o sol, de uma maneira tímida, começa a ensaiar a sua volta rasgando algumas nuvens ainda carrancudas que trocam a negritude pelo lindo vermelho, formando um quadro mais do que belo.

No rádio que toca lá longe, um cantor com uma voz belíssima canta uma canção do Nonato Buzar. Interessante, não sei o nome deste cantor. Talvez a ele tenha faltado o acaso acontecer e a vida continue a brincar de fazer da vida deste talentoso artista um brinquedo. Um brinquedo a espera que o acaso aconteça.

Inácio A. Almeida é jornalista e escritor

Secretária faz esclarecimento sobre fardamento

A secretário municipal da Educação, de Mossoró, professora Ieda Chaves, pronuncia-se sobre cobrança do webleitor Inácio Almeida, quanto à necessidade de fardamento à rede de ensino municipal no municípios.

Veja abaixo o que a professora tem a esclarecer a todos nós:

Secretária diz que segue sistema que respeita alunado (De Saboya.com)

De fato Mossoró ainda distribuiu uniformes escolares por algumas razoes que passo a esclarecer:

A) as matriculas oficialmente só concluem quando iniciam as aulas, e termos informações precisas sobre o número de alunos por respectiva faixa etária e uma condição, no mínimo, responsável, pois utilizamos recursos públicos;

B) nao sei realmente qual a prioridade estabelecida por outros municípios, pois a gestão de cada município deve ser pautada por uma política definida a partir de um diagnostico e planejamento estratégico, no caso da Rede Municipal de Ensino a prioridade e a melhoria continua da qualidade da educação e os principais eixos sao os relativos ao apoio pedagógicos, entre outros, a formação continuada dos professores, a melhoria continua das condições de infraestrutura de apoio pedagógico, acervo bibliográfico atualizado, por isso a melhoria de nossos resultados: evasão a taxa de 0,6%; aumento de matricula, taxa de aprovação de 92%, taxa de alfabetização de 87%, IDEB de 5.1, e participação em olimpíades de matemática, Língua Portuguesa, História em que os alunos da Rede municipal tem obtido avanços e destaque em nível nacional;

C) o processo de Registro de Preços dos Uniformes está em tramitação como deve ser os processos no sistema publico;

D) só estão sem uniformes os alunos que ingressaram na Rede este ano, o equivalente a mais de 700 novos alunos, pois no ano de 2012 todos os 21 mil e 400 alunos receberam, e hoje (19 de março de 2013) mesmo somei visitas ao longo dos ultimo dias a 15 escola e tenho o prazer de encontrar escolas organizadas, aulas com qualidade e alunos uniformizados, merenda com qualidade, alunos felizes.

Aconselho voc~e fazer visitas as seguintes escolas: Rotary (Santo Antônio); Manoel Assis (Boa Vista); Paulo Cavalcante (Sumaré); Marineide Pereira ( Santa Delmira); Celina Guimarães e Antônio da Graca Machado (Barrocas); só como exemplo das 99 unidades Educacionais, certamente nessa você vera boas práticas de educação, principalmente pelo compromisso dos profissionais da educação municipal.

E) o senhor sabe informar qual a fonte de recursos do fardamento escolar? Eu sei, assim como sei também sobre os usos e destinos dos recursos da Educação pública, temos Conselhos de Controle Social que acompanham e Ministério publico também.

A propósito o senhor sabe qual foi o Ideb da cidade que o senhor utilizou como referência? Fiz uma pesquisa e fiquei triste, pois em 2011 a nota foi 3,6, e li uma reportagem que em 2011 os alunos não comeram uma bolacha, mesmo o município tendo recebido mais de R$120 mil para merenda escolar, qual sua opinião?

Fiz uma pesquisa e fiquei certa que a nossa política educacional é mais consistente e coerente com a responsabilidade que devemos ter com os recursos públicos, notadamente os destinados a educação. A Educação e responsabilidade de todos, vamos contribuir com ações concretas, nossas crianças e jovens agradecem.

Profa Ieda Chaves – Secretaria

“Marcha por Mossoró” será no próximo sábado

Será neste sábado (9), 9 horas, a partir da Praça Rodolfo Fernandes (Praça do Pax), o evento popular denominado de “Marcha por Mossoró”.

A mobilização “nasceu da necessidade dos mossoroenses de levar até aos administradores os reclamos de toda sociedade. Temas como Saúde, Educação, Segurança, Preço do Combustível e muitos outros serão abordados pelos próprios participantes durante esta manifestação totalmente isenta de qualquer influência político-partidária”, afirma Inácio Almeida, que deflagrou movimento através deste Blog.

– É uma manifestação feita pelos cidadãos para defesa dos interesses dos cidadãos. Conta com recursos dos próprios organizadores e será transformada num evento que certamente entrará para o calendário da cidade – acrescenta.

Ele comenta que qualquer pessoa pode participar e usar da palavra do evento.

Movimento faz protesto contra preço alto de combustíveis

Em Mossoró (RN), ontem, manifestantes protestaram contra o absurdo preço do combustível de uma maneira bem inteligente: lotaram alguns postos de combustíveis e abasteceram 0,50 centavos de gasolina (ou álcool), pagando com cédulas altas, como 50 reais, ou com cartão de crédito ou débito e também com moedas de pequenos valores, além de exigirem nota fiscal.

 

Mobilização ganhou muitos adeptos em seu percurso

A mobilização ocorreu a partir da revolta dos consumidores, que através da Internet, em páginas sociais – como Facebook e este Blog – levantaram a ideia de um protesto civilizado, bem humorado e contundente.

O movimento denominado de “Na mesma moeda” copia o que ocorreu há poucos anos em João Pessoa-PB, em que havia um cartel do empresariado do setor e a população reagiu dessa forma, além de acionar órgãos de defesa do consumidor.

Camisetas padronizadas, adesivos, bottons e bandeirolas foram utilizados à padronização do movimento.

– Para aqueles que não puderam comparecer ao protesto, se sintam convidados para o próximo, que se dará no dia 9 de março às 9hs da manhã, na Praça Rodolfo Fernandes (Praça do Pax), para conscientização da população. A batalha apenas começou – afirma a odontóloga Yonara Carrilho, uma das articuladores do protesto.

– O movimento de ontem começou tímido, depois ganhou muita força, porque no percurso, outros que não sabiam o porquê do motim, motivaram-se aderindo. Vestiram a camisa, colocaram a bandeirinha no carro e seguiram conosco para o posto seguinte. E sempre bom lembrar, fomos muito bem-atendidos pelos frentistas, demos muito trabalho a eles, com notas altas e cartão de crédito para abastecer R$ 0,50 no e exigindo notas fiscais – acrescenta ela.

Nota e adesivo documentam protesto

O “Na mesma moeda” tem  uma página no Facebook. É esta: //www.facebook.com/NaMesmaMoedaMossoro

Quanto à movimentação do dia 9 de março, ela foi provocada através do jornalista e webleitor Inácio Almeida, utilizando espaço de debates do Blog Carlos Santos.

Ele a denomina de “A marcha por Mossoró”, colocando em pauta temas do interesse público e de forma suprapartidária.

Nota do Blog – É por aí. A sociedade tem que descruzar os braços e parar de utilizar o complexo de transferência de culpa em sua defesa.

À semana passada rodei por vários municípios do Ceará, da capital ao interior, não encontrando nada parecido em termos de preço de gasolina, com os praticados em Mossoró, que oscila entre R$ 2,97 e R$ 2,99 por litro.

Um absurdo continuado, que perdura há mais de uma década.

‘Marcha por Mossoró’ foca em preço de combustíveis

Ficou decidido na reunião preparatória para a “Marcha por Mossoró, ocorrida às 10h desse domingo (17), na Praça Rodolfo Fernandes, centro de Mossoró, que essa mobilização pública vai ocorrer no próximo dia 9 de março, às 9h.

A Marcha por Mossoró é um movimento apartidário e nascido a partir de convocação do webleitor e jornalista Inácio Almeida, utilizando espaço neste Blog.

A  reunião de ontem serviu para que pessoas que sequer se conheciam pessoalmente pudessem trocar ideias, avaliar a conjuntura local e discutissem temas do interesse público.

– A campanha do combustível melhor preço será logo deflagrada – adiantou Inácio ao Blog.

Segundo ele, atualmente existe levantamento quanto aos postos que apresentam o menor preço nos combustíveis, outra vez se utilizando a Internet e suas redes sociais como ambiente de informação e debate.

– Tão logo um posto de outra bandeira passe a oferecer a gasolina por um preço menor, passaremos a orientar todos a mudar de bandeira. Simples, sem filas, sem confusões, sem judiciário para acusar ninguém de cartel. Apenas o povo exercendo o seu direito de comprar onde for mais barato – comenta.

Nota do Blog – O Blog sente-se outra vez lisonjeado por poder detonar esse movimento nascido nas bases sociais, a partir do bom e respeitoso debate.

Ao mesmo tempo, entende que essa luta em defesa de temas como a cartelização de combustíveis, saúde, segurança pública, abastecimento de água, trânsito, habitação etc. não é um monopólio desta página, mas questionamento de todos, para todos e em favor da sociedade.

Gládio à mão; à luta.

Produção de petróleo cai e Mossoró não discute futuro

Caro Inácio Almeida (jornalista e webleitor) e Carlos Santos,

A Petrobrás investe sim em Mossoró, é ela quem mantém toda infraestrutura e toda atividade de produção na região desde 1979 quando de um poço perfurado para abastecer as piscinas do Hotel Termas jorrou também petróleo.

O fato é que o petróleo, como o gás, não é um produto renovável e ele um dia vai acabar. Em comparação com as bacias de Campos, Espírito Santo e Solimões, a bacia Potiguar é de pequeno porte, equiparada a do Recôncavo e Sergipe Alagoas, daí sua capacidade de produção ser limitada.

Além disso, a queda na produção e a descoberta de novas jazidas tende a cair com o tempo de exploração de uma a bacia, quando maior parte das áreas promissoras foram pesquisadas e a maioria dos seus poços já atingiram seus picos de produção, logo declínio na produção é algo natural numa bacia pequena e explorada a mais de 30 anos.

Entre 2000 e 2011 o volume de óleo produzido recuou em 33%, baixando de 31,8 milhões de barris em 2000 para os 21,4 milhões em 2011, logo uma queda de 10 milhões de barris em 11 anos (1 milhão/ano). E isto aconteceu mesmo com pesados investimentos (cerca de 1 bilhão) em recuperação secundária de poços (quando o poço não tem mais pressão suficiente para expulsar o petróleo, são usados métodos alternativos como injeção de gás, água e/ou vapor, ácidos, fraturamento, etc.).

Logo, como são poucas as chances de novas descobertas em na parte terrestre da bacia, devemos torcer por novas descobertas na parte marítima, mas esta só responde por 12,8% da nossa produção atual.

Então é hora de se buscar novas alternativas econômicas para a região e não ficar esperando que a Petrobrás, e outras empresas do setor, fiquem eternamente investindo na região, pois são empresas como todas as outras e visam o lucro.

É bom os oestanos arregaçarem as mangas e procurarem novas alternativas econômicas como a fruticultura, psicultura, energias eólica e solar, que dispõem em abundência e são inesgotáveis.

Ari Jr – Webleitor

“A marcha por Mossoró” e os ecos da cidade

Uma mobilização iniciada pelo jornalista e webleitor Inácio Almeida, através do fórum de debates deste Blog, organiza reunião preparatória para o que é denominado de “A marcha por Mossoró”.

Essa reunião, segundo Almeida, vai acontecer no próximo domingo (17), às 10h, na Praça Rodolfo Fernandes, a conhecida “Praça do Pax”.

– A indignação dos mossoroenses precisa ecoar por todas as ruas, becos e praças desta linda cidade – proclama o organizador.

Advoga que mossoroenses dos mais diversos matizes se reúnam, sem cores partidárias, definindo uma pauta de temas para movimento em defesa dos interesses maiores da coletividade, que vão da saúde pública à segurança, por exemplo.

Nota do Blog – O Blog continua aberto à divulgação da iniciativa e lembra que a mídia convencional e páginas do webjornalismo devem estar atentas a esse gesto de cidadania.

Parcialidade no Judiciário, uma realidade comum

Carlos Santos,

Infelizmente não é só a imprensa que é parcial.

Leiam parte da entrevista dada pela Corregedora do Conselho Nacional de Justiça, Eliana Calmon:

“Por que nos últimos anos pipocaram tantas denúncias de corrupção no Judiciário? Durante anos, ninguém tomou conta dos juízes, pouco se fiscalizou. A corrupção começa embaixo. Não é incomum um desembargador corrupto usar o juiz de primeira instância como escudo para suas ações. Ele telefona para o juiz e lhe pede uma liminar, um habeas corpus ou uma sentença. Os juízes que se sujeitam a isso são candidatos naturais a futuras promoções.  Os que se negam a fazer esse tipo de coisa, os corretos, ficam onde estão.”

Em qualquer outro país do mundo isto causaria estarrecimento. No Brasil isto passou em brancas nuvens.

Atentem para o final da resposta da Eliana Calmon: ” Os juízes que se sujeitam a isso são candidatos naturais a futuras promoções. Os que se negam a fazer esse tipo de coisa, os corretos, ficam onde estão.”

Os que se negam a fazer esse tipo de coisa, os corretos, ficam onde estão.

Pergunto eu:

– Isto acontece só no judiciário?

– Isto acontece só na imprensa?

– Isto acontece só no serviço público?

– Isto acontece em todos os setores desta nossa sociedade apodrecida.

Eu sei que isto acontece.

Aconteceu comigo!

Inácio Almeida é webleitor e jornalista

* O texto de Inácio é uma réplica à postagem “juiz diz que imprensa se posta com nítida parcialidade” AQUI.