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Procuradora vê indícios de incêndios criminosos na floresta

Dodge: indícios (Foto: Web)

A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, deu ordens para que se abra inquérito — ela afirma ter elementos suficientes para suspeitar de ação orquestrada nas queimadas na Amazônia. A Polícia Federal entrará no caso.

“Queremos sincronizar a atuação do Ministério Público brasileiro para que as queimadas e os incêndios cessem e aqueles estão cometendo crimes gravíssimos de pôr fogo na floresta sejam identificados e punidos”, afirmou.

O Ministério Público dos Estados e o Federal agirão em conjunto. (G1).

O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (IBAMA) foi informado com antecedência pelo Ministério Público Federal (MPF) do Pará de que um grupo combinava, via WhatsApp, uma queimada à beira da BR-163. De acordo com o Ibama, nada foi feito por falta de apoio da PM local. Um pedido de ajuda ainda foi dirigido à Força Nacional de Segurança — que não respondeu.

O grupo de WhatsApp, formado este ano especificamente para combinar o que batizaram “Dia do Fogo”, tinha 80 membros e nasceu de outro grupo, que existe desde 2016 e tem 246 participantes, todos na cidade de Novo Progresso. (Globo Rural).

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Um filme queimado e o cabo de guerra à brasileira

Por Odemirton Filho

No Brasil contemporâneo não é fácil filtrar as informações que chegam pelas redes sociais e outros veículos de comunicação.

A sociedade é bombardeada, diuturnamente, com notícias de todos os tipos, violência, carência de serviços públicos, o fraco desempenho da economia, o desemprego, a política do país e os fatos do cotidiano.

O ambiente político, sobretudo, é useiro e vezeiro em produzir notícias, muitas vezes destituídas de verdade, as chamadas fake news.

O que se almeja, na maioria dos casos, é construir ou destruir reputações de algumas pessoas ou esconder a realidade. Tudo para defender ou achacar esse ou aquele político.

Assim, a sociedade fica à mercê de notícias infundadas, que escondem a verossimilhança dos fatos.

Desde a campanha passada, ou, talvez, desde sempre, o brasileiro se ver em uma guerra de informações de todo o tipo.

Atualmente, na era da internet, muitos compartilham notícias falsas, não se dando ao trabalho de verificar a sua autenticidade.

No Brasil existem notícias para todos os gostos e desgostos. Se há um alinhamento à direita, defende-se, com fervor, as ações do seu político de estimação.

Ao contrário, se o viés é à esquerda, de igual modo, incensa-se as atitudes dos seus ídolos.

Nesse fogo cruzado, se o cidadão não coaduna com nenhuma tendência político-partidária fica órfão da verdade.

É certo que não se pode cobrar isenção de quem escreve ou ler algum texto, pois, como dizia o filósofo, “não há fatos, apenas interpretações”, haja vista todos terem o seu ponto de vista ou tendência ideológica.

Todavia, é imprescindível que o cidadão comprove a veracidade da informação fazendo consulta a várias mídias, além de analisar o contexto dos fatos.

Nos últimos dias as informações sobre o que está acontecendo na Amazônia viraram um cabo de guerra.

Dados, estatísticas, fotos de animais, da devastação, das queimadas, enfim, tudo que possa subsidiar a opinião daqueles que vivem a se digladiar nas redes sociais.

Para agravar, o presidente da República insiste em colocar lenha na fogueira, no intuito de tornar o ambiente político-eleitoral cada vez mais beligerante e polarizado.

E, o pior, seja verdade ou não a extensão dos danos causados à floresta o mundo inteiro presencia esse espetáculo deprimente.

Por fim, não é novidade, o filme do Brasil, junto com a fauna e a flora, anda queimado há tempos.

Odemirton Filho é bacharel em Direito e oficial de Justiça