Por Ney Lopes
Em toda a minha militância política, a divulgação de pesquisa na eleição foi sempre momento de tormento. Tema complexo é a regulamentação legal das pesquisas nas democracias.
Qualquer ponderação corre o risco de ser rotulada como lesão ao princípio da livre expressão do pensamento. Ressalvo, que há institutos e empresas idôneas. Porém, os inocentes pagam pelos pecadores.
No Brasil, a lei eleitoral exige das empresas que realizam pesquisas de opinião pública, o registro junto à justiça eleitoral, com informações relativas à metodologia, período de realização da consulta, plano das amostras, sistema usado para controle, verificação e questionário aplicado.
A controvérsia gira em torno da indagação: as pesquisas influem ou não no voto popular?
Não hesito em dizer que influem e muito.
Aplica-se pesquisa em várias áreas, com a finalidade de conhecer tendências específicas da sociedade.
Até aí, nenhuma objeção.
Quando se trata de pesquisa eleitoral, a visão é outra.
O “momento eleitoral” tem características especiais e atípicas.
Por exemplo: a rigor caracteriza restrição à liberdade de imprensa proibir que os meios de comunicação, durante a eleição, divulguem e promovam determinado candidato.
Todavia, a lei proíbe tal divulgação, com base no princípio de que nenhum direito ou garantia constitucional pode ser exercido, em detrimento da ordem pública, ou em desrespeito aos direitos e garantias de terceiros.
A pesquisa eleitoral deve ser analisada sob esta mesma perspectiva legal.
Se existem institutos idôneos – e ninguém nega tal constatação –, de outro lado prospera a “indústria da pesquisa”, como instrumento de disseminação de dúvidas e alavancagem de candidaturas, sob encomenda.
Na cultura nacional, prevalece à regra do eleitor não apoiar candidato fraco para “não perder” o voto.
Na hipótese de prevalecerem manipulações e o candidato estatisticamente ser colocado em posição inferiorizada, dificilmente haverá crescimento eleitoral.
Prejuízo irreparável!
Na atual eleição do RN existem pesquisas para todos os gostos.
Por experiência conheço os institutos locais e reservadamente dou o peso de credibilidade apenas aqueles que merecem. Muitos políticos já foram iludidos por alguns deles e outros podem estar sendo.
Em 2004, como candidato a prefeito de Natal, senti na pele as “chantagens” de certas pesquisas. Cheguei a ser abordado para “contratar” uma empresa, que dizia ter constatado índices maiores favoráveis ao meu nome. Mas, como havia no “mercado” acordo de não mudar o quadro, seria necessária “negociação especial ($$) ”. Não aceitei.
Em consequência, até deputado “correligionário no meu partido” apoiou publicamente o adversário, alegando não haver crescimento da minha candidatura. E não poderia haver…
Atualmente, as pesquisas são verdadeiros festivais de “danças”, alternando voltas e contravoltas, com quedas e “subidas inexplicáveis”. A posição de liderança da governadora Fátima Bezerra é a mais estável. Mas, já começam a preparar o terreno para súbita ascensão do senador Styvenson Valentim.
Para o senado, o ex-prefeito Carlos Eduardo mantem-se na liderança. Porém, sofre o impacto da candidatura de Rafael Motta, até agora inexplicável, considerando dizer-se lulista, embora tenha “decapitado” Dilma Rousseff, votando a favor do impeachment da petista.
Rafael está sendo bolsonarista, na medida em que abertamente ajuda o candidato Rogério Marinho, cujo único espaço para crescer será a divisão de votos entre ele e Carlos.
A identidade absoluta de Rogério com Bolsonaro limita o seu crescimento, pois teria que atrair petistas, ou indecisos. Petistas, praticamente impossível. Quanto aos indecisos, por que não há sinais dessa tendência? Numa campanha radicalizada, o bloco do presidente já se definiu. A esperança de Rogério é Rafael.
Há outro elemento “oculto” que é a indignação popular, só percebida na urna. Por isto, tinha razão Ananias, zagueiro do Santa Cruz de Recife, quando dizia: “prognóstico, eu só dou depois do jogo”. É o caso de afirmar: “pesquisa verdadeira, só depois da eleição”.
Ney Lopes é jornalista, advogado e ex-deputado federal