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Nogueirão volta a ser interditado; promessa de obra faz 8 anos

Do Blog Larissa Maciel

Estádio Nogueirão segue maltratado e mantido pela paixão e abnegação de quem ama o esporte (Foto: Bruno Andrade)

A Liga Desportiva Mossoroense (LDM) até tentou. Fez algumas mudanças externas e internas no Nogueirão. Contou, por sinal, com a colaboração do Potiguar recentemente para isso. Mas, o Ministério Público do RN (MPRN) quer que as outras exigências quanto à acessibilidade sejam feitas. Sem isso, a interdição está decidida judicialmente.

Falta dinheiro e, com os recursos esgotados, só o tempo resolverá. O advogado da LDM, José Carlos de Brito, explicou ao blog Larissa Maciel.

“Essa é uma ação que já vem de três há quatro anos. O Ministério Público determinou que a LDM fizesse essas benfeitorias para proteger as pessoas deficiências físicas. A liga fez as construções mais simples e a parte mais cara não conseguiu fazer. Por conta disso, o MP não aceitou a defesa da Liga e a  Justiça manteve a interdição do campo. Não pode haver jogo com público”, explica o advogado da LDM.

Futuro incerto

O advogado também disse que as instâncias do caso estão esgotadas. Cabe agora à próxima gestão a responsabilidade de liberar a presença de torcidas no estádio.

“A interdição do campo ocorreu porque não se teve condição de realizar os pedidos do MP. Não pode ter jogo com público. No caso dos jogos de portão fechado, não há problema. É a minha opinião. Cabe agora a tentativa para a próxima gestão, já que a liga terá eleição em novembro”, finalizou.

Nota do Blog Carlos Santos – O ano é eleitoral, gente. Esqueceram da campanha municipal de 2012? Faz 8 anos. Àquele tempo, a então governadora Rosalba Ciarlini (DEM) pousou (uma das 57 aterrissagens em 30 dias finais na disputa eleitoral) na cidade, com a promessa de reformar e ampliar o Estádio Manoel Leonardo Nogueira (Nogueirão). Obra sairia por quase R$ 40 milhões.

Rosalba, sorridente, mostra aos torcedores babaquaras o que prometia, mas sabia que não cumpriria (Foto: arquivo)

Botou até uma maquete vistosa para exemplificar como ele ficaria. Depois do resultado das urnas, não jogou sequer uma pá de cal para demarcar as linhas do campo.

Essa manobra sustou inclusive negociações avançadas com a iniciativa privada. As conversas se encaminhavam para uma permuta da área onde está o Nogueirão à construção de outro estádio – nos moldes do que ocorreu com o ABC e seu Estádio Frasqueirão, em Natal.

O jogo de cena sobre a reforma e ampliação incluiu um projeto, visita ao estádio, muita propaganda e... nada (Foto: arquivo)

A politicalha, com apoio de setores a imprensa, frustrou o novo estádio, em troca de uma patifaria eleitoreira, um estelionato já bastante conhecido, mas que sempre deu certo.

Que povo babaquara!

Como gosta de ser enganado!

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As lições que a gente não aprende

Por Carlos Santos

Diante de tragédias recorrentes que testemunho no país, com gente soterrada por lama em Minas Gerais, outras tantas vitimas de chuvas no Rio de Janeiro e adolescentes queimados vivos também em solo carioca, logo vem à minha memória um episódio ocorrido em Mossoró em 2004.

Lá se vão 15 anos.

Potiguar e América decidiriam o Campeonato Estadual de Futebol daquele ano. A primeira partida do confronto seria no Estádio Manoel Leonardo Nogueira (Nogueirão), que acaba interditado pela Justiça.

Condições de segurança precárias colocariam em risco milhares de vidas, no estádio, segundo denúncia que foi fartamente sustentada pelo Ministério Público e acatada pelo Judiciário.

O jornalista Cézar Alves fez ampla cobertura do assunto e puxou questionamentos, atestando necessidade de prevenção para se evitar a perda de vidas humanas.

Com ânimos exaltados, paixão aflorada, torcedores revoltados passaram a ver em seu trabalho profissional uma forma camuflada de prejudicar o clube local, favorecendo paralelamente o América.

Alves chegou a temer pela própria integridade física. Com razão.

Decisão liminar garantiu a realização do jogo, com vitória de goleada do Potiguar por 4 x 0. Dias depois, o título seria confirmado no então Estádio Machadão em Natal, quando o alvirrubro mossoroense perdeu por 0 x 1, levando a taça no critério de saldo de gols do duelo.

De lá para cá, mesmo depois de tanto tempo, o Nogueirão continua sob interdição de boa parte de sua área de arquibancadas. Até hoje, laudos técnicos e inspeções regulares vetam o pleno uso de toda sua estrutura para acomodação de torcedores e profissionais diversos que trabalham numa partida de futebol.

Nesse ínterim, surgiram inúmeras promessas político-eleitorais, como reforma e ampliação do estádio pela então governadora Rosalba Ciarlini em 2011, “obra” que entrou pro folclore político-esportivo, pois nunca saiu do papel e da propaganda oficial.

As lições daquele tempo nunca foram aprendidas. Como outras tantas que envolvem seres humanos país afora.

De verdade, não temos a cultura da prevenção. Isso ocorre desde o desleixo de muitos de nós com manutenção do próprio carro à naturalidade com que encaramos eventos festivos em áreas sem condições mínimas para aglomeração humana.

Há quase um ano (veja AQUI), camarote caiu em plena festa do Mossoró Cidade Junina, ferindo algumas pessoas. No episódio, a própria prefeita Rosalba Ciarlini escapou por muito pouco de ser uma das vítimas.

Quem foi punido? Ninguém! Quem o será? Provavelmente ninguém, ou algum borra-botas para parecer que existe lei e ordem numa cidade sem lei e sem ordem.

Quando um dia o Nogueirão for completamente recuperado (se isso acontecer), é bom não esquecermos desse caso. Melhor não. Pior seria termos que prantear mortos, como acontece hoje em Brumadinho-MG, Rio de Janeiro e em tantas partes do Brasil, porque não aprendemos a lição.

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