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Riscos da aproximação de Irã e Arábia Saudita

Por Ney Lopes

Na política internacional um dos acontecimentos de maior relevância foi o restabelecimento de relações entre Irã e Arábia Saudita, através de uma mediação da China.

Ilustração Globo News
Ilustração Globo News

Aliás, a assinatura do acordo ocorreu no mesmo dia em que Xi Jinping foi oficializado para um terceiro mandato à frente do gigante asiático. O fato terá influência, inclusive no Brasil.

Irã e Arábia Saudita  envolveram-se em uma luta feroz pelo domínio regional e essa disputa de décadas é agravada por diferenças religiosas. O Irã é majoritariamente xiita, enquanto a Arábia Saudita tem os sunitas como principal vertente.

Quem são os sunitas? Entre 86% a 90% dos muçulmanos são sunitas. O nome vem da expressão “Ahl al-Sunna”: “povo da tradição”.

No caso, a tradição se refere a práticas derivadas das ações do profeta Maomé. Para eles, líderes muçulmanos subsequentes são figuras temporárias.

Quem são os xiitas? Os xiitas começaram como facção política: “Shiat Ali”, ou partido de Ali.

O Ali era genro de Maomé, e os xiitas reivindicam o direito dele e dos descendentes de liderar muçulmanos.

Xiitas são a maioria da população no Irã, Iraque, Bahrein, Azerbaijão e, segundo algumas estimativas, também do Iêmen.

Mas também existem comunidades xiitas importantes no Afeganistão, Índia, Kuwait, Líbano, Paquistão, Catar, Síria, Turquia, Arábia Saudita e Emirados Árabes

O distanciamento ocorreu em 1980, ao final de uma década turbulenta, após a Revolução Iraniana de 1979 e a guerra entre Irã e Iraque, entre 1980 e 1988.

Um grupo militante apoiado pelo Irã, chamado Hezbollah al-Hejaz, foi formado como uma organização clerical semelhante ao Hezbollah libanês – com a intenção de realizar operações militares dentro da Arábia Saudita.

Esses conflitos dividiram o Oriente Médio entre xiitas e sunitas e alimentou uma atmosfera de grande desconfiança entre o Irã e seus vizinhos ao longo do Golfo (de maioria sunita).

O fato novo é o restabelecimento dos laços diplomáticos na última sexta feira, após uma ruptura que havia escalado as tensões no Golfo e contribuído para a instabilidade do Oriente Médio.

Um aspecto a ser analisado é a vitória da China nessa reaproximação entre Irã e Arábia Saudita.

Pequim tem interesses em ambos os países. Mantém parceria estratégica com Teerã e é um dos principais compradores do petróleo saudita.

As primeiras consequências foram os dois países concordando em reativar um acordo de cooperação na área de segurança assinado em 2001, além de um tratado anterior do campo comercial.

Não se pode negar que o episódio signifique uma mudança de paradigma para contra-atacar o domínio dos Estados Unidos no Oriente Médio.

Mesmo com os avanços diplomáticos, muitos problemas surgirão pela frente.

As duas potências reaproximadas  apoiam grupos rivais nas guerras civis do Iêmen e da Síria, além de outros conflitos.

Segundo analistas, Israel é o maior derrotado do acordo.

Perde o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, que apostava suas fichas no restabelecimento de relações diplomáticas com os sauditas para ampliar uma frente contra o Irã.

O problema é que, a partir de agora, os sauditas não integrariam uma coalizão contra Teerã.

Os sauditas já vinham dialogando com os iranianos e calcularam que simplesmente teriam mais benefícios tendo relações diplomáticas do que sendo inimigos.

A balança do poder mudou no Oriente Médio.

Não deixa de ser uma dor de cabeça para Washington, principalmente o fortalecimento da China.

Isso fará com os americanos intensifiquem esforços para proteger o seu grande aliado que é Israel, atualmente numa situação política caótica.

Há quem diga, que de agora por diante ficou mais fácil a China recuperar Taiwan.

Veremos!

Ney Lopes é jornalista, advogado e ex-deputado federal

Alvos provisórios

Pelos próximos dias alguns jogadores da Seleção do Brasil ainda serão alvos preferenciais da intolerância e da ira nacionais.

Depois voltaremos à normalidade daquela luta psicótica entre embutidos e salgados, ou seja, “mortadelas” e “coxinhas”.

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“Meu sentimento não é de ira, mas de compreensão”

“Meu sentimento não é de ira, mas de compreensão”. A frase foi emitida há poucos minutos em contato telefônico com o Blog Carlos Santos, pela secretária-chefe do Gabinete Civil do RN, Tatiana Mendes Cunha.

Ela reagiu assim à postagem sob o título “Ocupação de secretaria complica situação de greve“.

“Sinceramente, fiquei surpresa com esse tipo de mobilização. Não tenho problema de dialogar, mas agi para tentar preservar patrimônio, as pessoas e equipamentos importantes à gestão”, comentou.

Servidores do Estado do RN ocupam Secretaria do Planejamento (Foto: Gilton Sampaio de Souza)

“A radicalização é desnecessária”, afirmou a secretária, mas sem saber quando e em que circunstância o diálogo poderá ser retomado.

“Parei a reunião para tomar algumas iniciativas e a polícia não agiu para promover repressão”, justificou Tatiana, em referência à suspensão da reunião em andamento à tarde passada no Centro Administrativo, entre representantes do Governo do Estado e comando de greve da Saúde e do professorado da Universidade do Estado do RN (UERN).

“A reunião ocorria na maior tranquilidade, na hora que Gustavo Nogueira (Secretário de Estado do Planejamento e Finanças-SEPLAN) estava fazendo exposição da situação e teríamos sequência com intervenção dos demais participantes”, acrescentou.

“Sinceramente não entendi por que invadiram a Seplan naquele momento, no meio da negociação”, reiterou.

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Ela disse que não tem problema de conversar com os grevistas. Na reunião de ontem estavam os secretários da Administração, Controladoria, Planejamento, Procuradoria Geral e outros representantes do governo.

Membros da Frente Parlamentar em Defesa da Uern também estiveram com ela à tarde passada.

A ocupação da Seplan continua no dia de hoje.

Leia também: Greve de servidores tem confronto e decisão de acampamento AQUI.

Letra e Música – 208

Há tempos o Blog não publica essa seção, o Letra e Música. Não é por falta do que postar, mas um certo desapontamento com os rumos da música que se faz hoje por aí.

Quase nada escapa.

E, por favor, não veja nessas palavras a gênese de um hipotético manifesto preconceituoso.

Particularmente, ouço de tudo ou quase tudo.

Mas estamos realmente empobrecidos e vítimas de uma avalanche lixomusical como nunca antes na história desse país.

Mas de volta, recorro à Ira! Ao Ira!, como queira

Essa banda paulistana nos oferta “Poço de sensibilidade“.

É uma gravação no projeto acústico da MTV.

Vale curtir.

Por entre ruas, entre carros e placas
Luzes, cheiros e toques

Eu sou um poço de sensibilidade
te buscando na cidade
Eu sou um poço de sensibilidade

Entre veludos e cetins
Fantasias e brinquedos
Desejos e um certo medo
Cheiros e toques

Eu sou um poço de sensibilidade
Te buscando na cidade
Eu sou um poço de sensibilidade

O seu sorriso no meu dia-a-dia
A sua palavra em meu vocabulário
Minha professora, eu aprendi tudo errado
Te buscando na cidade
Eu sou um poço de felicidade

Com seu nariz furando o vento
Com um certo ar de autoridade
Eu fico louco, louco de saudade
Sou um cara afortunado
perto de ti eu sou um poço de sensibilidade.