Vargas, no traço de William Jeovah de Medeiros, desenhista e chargista paraibano
Como entender o camaleônico Getúlio Vargas?
No volume 1 do excepcional “GETÚLIO” (1882-1930), de Lira Neto, parece estar a resposta.
Borges de Medeiros, que andara às rusgas com os Vargas, voltara a cortejá-los.
São os idos de 1913-1915. Faz, então, o convite a Getúlio para ocupar o importantíssimo, na época, cargo que ele mesmo ocupara, de Chefe da Polícia Estadual.
Getúlio analisou e recusou o convite.
“Mesmo rejeitando o convite”, conta-nos Lira Neto, (Getúlio) “tomou os cuidados necessários para que seu gesto não fosse interpretado por Borges de Medeiros como um acinte”.
Instado, pelos amigos, a se explicar, Getúlio Vargas o fez:
“Na luta, vencer é adaptar-se, isto é, condicionando-se ao meio, apreender as forças dominantes, para dominá-lo”, esclareceu ao amigo Telmo Monteiro.
“Para Getúlio”, prossegue Lira neto, “aquela frase, de clara inspiração darwinista, passara a funcionar como uma espécie de mantra. Faria questão de repassá-la aos filhos, como uma fórmula explicativa da vida e do mundo”.
“Vencer não é esmagar ou abater pela força todos os obstáculos que encontramos – vencer é adaptar-se”, repetiria certo dia Getúlio Vargas ao filho mais velho, Lutero.
Como o garoto ficasse em dúvida a respeito do verdadeiro significado da sentença, o pai detalharia: “Adaptar-se não é o conformismo, o servilismo ou a humilhação; adaptar-se quer dizer tomar a coloração do ambiente para melhor lutar”.
Essa informação, essencial para entender Getúlio Vargas, o escritor Lira Neto colheu no “DIÁRIOS” (2 volumes; São Paulo: Siciliano; Rio de Janeiro: Fundação Getúlio Vargas; 1995), e soube compreender sua importância.
Quanto a essa importância, muito embora a informação, por si somente, a assegure, convém observar que dada sua relação com o pensamento de Lamarck, não propriamente com o de Darwin, pode ensejar rios de tinta enquanto dissertações de mestrado e/ou teses de doutoramento.
Principalmente se a cotejarmos com as consequências teórico-políticas da existência de uma Lei da Evolução, qual seja o pensamento de Maquiavel ou de Gaetano Mosca, ou se a cotejarmos com a vida de notórios manipuladores, tais quais Talleyrand ou Fouché, sobreviventes históricos de sua própria época política.
O certo é que Lira Neto, de forma brilhante, apreendeu a medula do aparentemente proteiforme Getúlio Vargas e a expôs no primeiro volume de sua biografia, uma obra seminal.
Nesse pequeno trecho lemos, oculto por uma vida intensa, complexa, onipresente ainda hoje, como pensava e agia o mais importante político brasileiro do século XX.
Honório de Medeiros é professor, escritor e ex-secretário da Prefeitura de Natal e do Governo do RN
8ª Feira do Livro de Mossoró no dia 11 de agosto de 2012, há quase 13 anos, o editor do BCS e Lira Neto (Foto: Arquivo)
O jornalista e escritor cearense, Lira Neto, anunciou neste domingo (23):
“Estou trabalhando no livro que, acredito, será o melhor e mais importante de minha carreira como autor de não ficção. A biografia de Luiz Gonzaga, que já tem contrato assinado com a Companhia das Letras.”
Lira tem mais de dez livros publicados e venceu quatro vezes o Prêmio Jabuti de Literatura (2007, 2010, 2013 e 2014).
Na lista de livros, esses, por exemplo:
Padre Cícero: Poder, Fé e Guerra no Sertão;
Castello: A marcha para a ditadura;
O Inimigo do Rei: Uma biografia de José de Alencar;
Maysa: Só numa multidão de amores;
Trilogia sobre o presidente e ditador Getúlio Vargas;
Oswald de Andrade – O mau selvagem.
Vem à minha memória, uma oportunidade especial de intermediar bate-papo dele com plateia, na 8ª Feira do Livro de Mossoró, dia 11 de agosto de 2012.
Observações que li agora à tarde nas redes sociais, do jornalista e escritor (autor da série biográfica “Vargas”, por exemplo), o cearense Lira Neto, vão ao encontro do que penso.
Lira Neto e o editor desta página na Feira do Livro de Mossoró em 2012 (Foto: arquivo)
Por estar trabalhando em novo material, admitiu que tem navegado pouco na Internet, mas resolveu se pronunciar nesta sexta-feira (4).
Leia esse trecho:
Detesto o fla-flu ideológico, a irracionalidade partidária, as pregações de profetas arrebatados para convertidos de ouvido seletivo.
Tenho sentido imensa falta de vozes ponderadas, de opiniões equilibradas, de algum apelo à sensatez. Assusta-me esta polarização excessiva, a histeria coletiva de parte a parte, a impossibilidade do diálogo, a prevalência do xingamento sobre o argumento, do panelaço sobre a escuta.
Nota do Blog – Exatamente isso, sem tirar nem colocar nada, meu caro.
Há muito pouco a se aproveitar dessa arenga entre militantes de lado a lado.
Nenhum, com raras exceções, está interessado no combate à corrupção, mas na punição ao adversário (estando ele errado ou não).
Acompanhe o Blog Carlos Santos pelo Twitter com notas em primeira mão clicando AQUI.
O empresário Vilmar Pereira deverá lançar novo empreendimento em breve. Será um condomínio diferenciado em Tibau, Praia de Manoelas, em ampla área com vista para o mar. Sucesso, “Vilmar da Vasp“.
Vilmar: condomínio em Tibau (Foto: Web)
Tibau terá novamente carnaval no próximo ano. A empresa Gondim & Garcia vai apostar de novo em fórmula vitoriosa, potencializando o período de veraneio ainda com festas com nomes de grande aceitação popular.
Começaram nessa segunda-feira (01/12) e seguem até dia 23/12 as inscrições para a “Brincando nas Férias”, colônia de férias do Serviço Social do Comércio do Rio Grande do Norte (Sesc RN). Crianças na faixa etária de 04 a 12 anos podem aproveitar a programação promovida pela instituição do Sistema Fecomércio, que acontece no mês de janeiro e conta com atividades recreativas, jogos pré-desportivos, recreação aquática, passeio recreativo, piquenique, contação de história, sessão de cinema e oficinas. As inscrições podem ser feitas nas unidades onde acontecerão as atividades – Potilândia (Natal), Caicó, Mossoró e Macaíba, das 7h às 11h,
“Zé Lezin” será a ótima atração de humor no Boulevard Central em Mossoró no próximo dia 13, um sábado, a partir das 20h. O humorista deverá levar um público numeroso à noitada, em promoção do Restaurante Balu. Vamos, sim!
A Editora Sarau das Letras convida para o lançamento do livro Pétalas, de Florina da Escóssia. Será nesse dia 03 de dezembro de 2014 (quarta-feira), às 18h. Local: Pinacoteca Potiguar (Palácio Pontegi), praça Sete de Setembro, Cidade Alta, Natal-RN.
UM VENCEDOR – Há tempos eu não via Isaías Oliveira, agora na plenitude da atividade advocatícia. Minha admiração por sua luta, tenacidade e destemor. Somos amigos das antigas, primórdios do jornalismo, quando ele ganhou gradual projeção como repórter policial. Àquela época, encarnava o epíteto de “Shaolin“. Sucesso, doutor. Você merece DEMAIS, amigo.
A Confraria Copão reúne seus confrades para se despedir do ano já quase velho e festejar o que está chegando no dia 13 de dezembro, na casa do casal Marcelo Duarte e Daniela Amaral. (Paulo Pinto, O Mossoroense).
Às 14h dessa quarta-feira (3), o escritório L. Gomes Advogados Associados promoverá palestra que será ministrada pela doutora Camilla Mendonça, com o tema “Recuperação Tributária para empresas optantes pelo Simples Nacional”. Em razão do limite de vagas, a sua presença deverá ser confirmada até hoje, através do e-mail rn.kennedyteixeira@studiofiscal.com.br , devendo ser fornecido o nome da empresa e de seu representante com um número de telefone. Palestra será no Eco Auditorium, em Lagoa Nova, Natal.
Nosso amigo Lívio Maia passou por recente cirurgia em Mossoró. Bastante delicada, que se diga. Está a salvo, mas a merecer cuidados especiais e o afago dos amigos. Aguarde-me.
O West Flat, empreendimento da Embraco (empresa paraibana), deverá ter o pleno funcionamento de sua estrutura até março de 2015, com abertura até do restaurante em seu piso térreo. A cobertura com área de lazer está praticamente pronta. Fica à Avenida João da Escóssia, próximo ao campus da Universidade Potiguar (UnP), em Mossoró.
A Polícia Militar do Rio Grande do Norte (PM/RN) completa 180 anos hoje. O epíteto de “gloriosa” tem tudo a ver com sua missão e enormes dificuldades para cumprir seu papel delicado de “escudo” da sociedade.
Policiais militares enfrentam situações muito adversas como "escudo" da sociedade (Foto: Governo do Estado)
O Blog Burro Elétrico (Carnatal) faz entrega de seus abadás a partir de hoje, de 9h às 19h, e das 9h às 16h – na quinta-feira. O local da entrega é o Felicitá Recepções, ao lado do Shopping Seaway. As vendas do último lote dos abadás continuam nesse local, ao preço de R$ 150,00. Das 9h às 19h. O terceiro tomo de “Getúlio“, do jornalista e escritor Lira Neto, foi escolhido pela prestigiada Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) como melhor biografia do ano. Livraço, sim! Aplausos para esse cearense arretado! Obrigado a leitura deste Blog a
Será nessa quarta-feira (3), o lançamento do livro “Entre dedos…“, em Natal. A publicação reúne uma série de contos eróticos, de autores diversos como Eliade Pimentel, João Andrade, Cristiano Félix, José Correia Torres Neto, Dora Cruz, Kaline Sampaio, Jeanne Araújo, Cefas Carvalho, Aparecida Fernandes, Jania Sousa, Lola Santos, Maria Marcela Freire, Maria Maria Gomes, Fábio DeSilva e Sheyla Azevedo. O evento vai acontecer no Café-Salão Nalva Melo (bairro Ribeira), às 19 horas. O livro é editado pela Caravela Selo Cultura.
Nossa Senhora da Conceição, padroeira de Areia Branca, tem programação religiosa que vai ser concluída no próximo dia 8 de dezembro (segunda-feira). A programação sócio-religiosa teve início no último dia 27.
Paulo Coelho, geólogo, engenheiro do petróleo e especialista em segurança do trabalho, fixou residência novamente em Fortaleza-CE, sua terra natal. Mas segue trabalho vitorioso com a Progel (conheça AQUI) e outras iniciativas empresariais de sucesso, também com olhar para Sudeste e Sul do país. Botamos parte da prosa em dia. Mas depois esbarro por aí para fecharmos o leque, caríssimo.
Obrigado a leitura deste Blog ao advogado Carlos Sérvulo (Natal), enfermeira Luciana Assis (Natal) e advogado Vinícius Victor (Mossoró).
A Net “Acabo” está sofrível em Mossoró desde a semana passada. Hoje, além dela, a energia elétrica também começou a aprontar. Operadoras de telefonia móvel parecem acima e fora da lei, determinando como deve funcionar ou não o serviço. Assim é “flórida!”
O Partage Shopping Mossoró divulga os horários de funcionamento neste mês de dezembro e 1o de Janeiro de 2015 para clientes e lojistas. De 19 a 23 de dezembro as lojas do shopping fecharão uma hora mais tarde, ou seja, 23h. No dia 21 (domingo) o funcionamento será até às 22h. Nos dias 13 (Dia da padroeira de Mossoró – Santa Luzia) e 25 (Natal), as lojas não abrem, mas o shopping funciona com a Praça da Alimentação, West Bowling e Multicine Cinemas. Somente no dia 1o de janeiro de 2015 o shopping não abrirá suas portas para o funcionamento.
Nesta terça-feira (21), às 19h30m, na Praça Cívica do Campus da Universidade Federal do RN (UFRN), tem a abertura da IV Feira do Livro e Quadrinhos de Natal.
Na ocasião, o jornalista e escritor Lira Neto vai falar sobre a biografia de Getúlio Vargas, participando, em seguida, de um bate-papo com os jornalistas Vicente Serejo e Ticiano Duarte.
Lira Neto é autor da trilogia de Getúlio e conquistou, na semana passada, o Prêmio Jabuti na categoria biografia.
Ele também é autor das biografias de Maísa e Padre Cícero.
A 10ª edição da Feira do Livro de Mossoró começa nessa quarta-feirta (3), às 9h, indo até o dia 7 (domingo). O evento acontecerá no Centro de Exposições e Eventos Enéas Negreiros (Expocenter), com homenagem especial ao escritor recentemente falecido Ariano Suassuna.
Escritores como Xico Sá, Bráulio Tavares, Lira Neto (autor da biografia de Padre Cícero, Maysa e da trilogia sobre Getúlio Vargas), e o cordelista paraibano Chico Pedrosa são algumas das atrações confirmadas no encontro com os leitores.
Antônio Francisco, Aldo Lopes, Carlos Fialho, Kydelmir Dantas, Mário Gerson e Artur Soares, além do empresário Durval Dantas, do Grupo Maré Mansa, estarão em evidência no elenco de autores potiguares.
Pela primeira vez, a Feira do Livro de Mossoró contará com a presença de sebos, que movimentarão o evento trazendo edições raras de livros, vinis e objetos de antiguidades.
O espaço Café com Letras está de volta. Além de degustar um delicioso café e aproveitar o local para a leitura, o Café Santa Clara distribuirá livros entre os visitantes, e convida a todos a doarem qualquer material de leitura. Assim, os participantes poderão não só ganhar um livro, como também ajudar alguma instituição social da cidade.
A programação conta também com apresentações musicais e de danças, oficinas, e expositores que trazem uma diversidade de materiais didáticos e literários.
Passados quase 60 anos, o fantasma de Getúlio Vargas continua rondando o País. Morto em 25 de agosto de 1954 após dar um tiro no peito, Getúlio saiu da vida para entrar para a história como uma das figuras mais polêmicas e contraditórias da política brasileira, capaz de inspirar paixões e ódios igualmente extremados Brasil afora. Prova de sua força é a crítica causada pelo lançamento da biografia Getúlio, escrita pelo jornalista cearense Lira Neto e publicada pela Cia. das Letras.
Para o autor de "Getúlio", ele continua sendo um personagem controvertido até hoje (Foto: reprodução)
O escritor, que tanto na escola quanto na universidade teve contato com versões negativas do ex-presidente, tomou para si a missão de produzir uma biografia moderna, exaustiva e tão isenta quanto possível de Getúlio Vargas.
Imaginada em três volumes, dois dos quais já chegaram às livrarias, Getúlio é fruto de cinco anos de pesquisas, em que o autor examinou cartas pessoais, memorandos oficiais, diários íntimos, autos judiciais, notícias de jornal, além de fazer entrevistas e colher depoimentos. O primeiro livro, Getúlio: 1882-1930 – Dos anos de formação à conquista do poder, narra a infância no interior do Rio Grande do Sul, os primeiros contatos com a política brasileira e sua chegada ao poder em 1930.
Já o segundo volume, 1930-1945 – Do governo provisório à ditadura do Estado Novo, dá conta dos 15 anos em que Vargas esteve no Palácio do Catete como chefe do governo provisório, constitucional e, por fim, como ditador.
O último livro, previsto para ser lançado em 2014, trata da volta de Getúlio ao poder em 1950 e de seus derradeiros anos. Lira Neto, para quem o livro pode ser útil aos professores de História por apresentar uma visão polifônica da história do político, concedeu entrevista a Carta na Escola por e-mail.
Carta na Escola – Getúlio Vargas ainda é uma das mais importantes e controversas figuras da história do Brasil. Como nasceu seu interesse em biografá-lo?
Lira Neto – Sempre me inquietou o fato de Getúlio Vargas, esse nome fundamental da história brasileira, não ter sido, até então, alvo de uma biografia moderna e exaustiva. Certa feita, li um texto assinado pela cientista política Maria Celina Soares D’Araújo que tratava exatamente dessa questão. Ela sublinhava que a maior parte dos escritos a respeito da trajetória pessoal de Getúlio situava-se na esfera da ficção, e não da narrativa historiográfica ou jornalística.
CE – Parte dos livros didáticos de História adota um viés marxista de valorizar as estruturas e conjunturas da época em detrimento do indivíduo. Nos seus livros, o indivíduo, o ator, fica em evidência. Por quê? Houve resistência às obras por conta dessa característica?
LN – Uma biografia, por essência, busca compreender como as ações de determinado indivíduo e, ao mesmo tempo, o contexto no qual ele viveu se impactaram mutuamente. Da mesma forma que não faz sentido imaginar a história de um personagem desvinculada da estrutura social, econômica e histórica de sua época, também é empobrecedor compreender a vida desse mesmo indivíduo circunscrita aos limites de determinismos de qualquer espécie. Os dois primeiros volumes da biografia de Getúlio foram recebidos de forma bastante generosa pela crítica especializada, inclusive acadêmica. Um dos maiores historiadores brasileiros da atualidade, Boris Fausto, assina a quarta capa do primeiro tomo. A doutora Maria Celina D’Araújo, a orelha do segundo. O terceiro terá na quarta capa uma recomendação do historiador Kenneth Maxwell, da Universidade de Harvard.
CE – De que maneira os livros podem ser aproveitados, na escola, por professores e alunos nas aulas de História? E quais contribuições a obra pode trazer para o ambiente de sala de aula?
Lira Neto – Penso que o livro pode ser útil na medida em que expõe, digamos, uma visão polifônica da trajetória de Getúlio, fugindo ao maniqueísmo típico que ronda o personagem. A utilização de um conjunto plural de fontes – incluindo charges de época, canções e obras literárias – também pode contribuir para a compreensão da história como algo vivo e pulsante.
CE – De que forma sua formação como jornalista o ajudou na feitura da biografia?
LN – Sempre digo que sou, essencialmente, um repórter. Escrevo longas reportagens históricas. Nesse sentido, valorizo a narrativa e a obrigação de escrever para um público heterogêneo, decodificando conteúdos complexos para um público não necessariamente especializado. O grande desafio para um jornalista é saber transmitir informações e ideias de forma legível e atraente, sem que isso signifique a simplificação do tema e, nesse caso, afrouxar mão no necessário rigor no trato com as fontes históricas.
CE – Existe certo preconceito ou desconfiança por parte de historiadores quando um jornalista se propõe a tarefa de realizar uma biografia histórica?
LN – Certa tensão aqui e acolá ainda existe entre historiadores e jornalistas que trabalham com temas históricos, e não passa disso: preconceito mútuo. Os jornalistas precisam aprender muito com os historiadores sobre o trabalho com as fontes documentais. E os historiadores, talvez, precisem compreender as especificidades do trabalho jornalístico, que sustenta uma preocupação básica com a questão da recepção, isto é, com o leitor. São trabalhos de naturezas distintas, com motivações e alvos diferentes, mas não necessariamente antagônicos.
CE – Apesar de ser, de certa forma, um mito, a busca pela imparcialidade é pilar forte do jornalismo. Diante de uma figura tão controversa e alvo de tantas paixões e ódios como Getúlio, de quais ferramentas o senhor lançou mão para buscar essa imparcialidade?
LN – Obviamente, a objetividade é um mito, uma falácia. Porém, isso não exime o jornalista do dever prioritário de buscar incessantemente a isenção possível. Na prática, isso se estabelece no confronto e na exposição das várias narrativas disponíveis a respeito do que se considera um “fato”. Isso, é claro, pressupõe buscar entender os mecanismos da própria construção social e histórica dos chamados “fatos”.
CE – Na visão de alguns historiadores, mais do que deixar um legado, Getúlio Vargas mora em nossa alma, isto é, contribuiu para a própria criação de nossa identidade como povo e país. E por isso Fernando Henrique Cardoso fracassou em tentar desmontar a Era Vargas. O que o senhor pensa sobre isso?
LN – Como bem escreveu Boris Fausto na quarta capa do primeiro volume da biografia, Getúlio Vargas é, “para o bem e para o mal”, o personagem mais importante da história republicana brasileira. Na quarta capa do segundo volume, o próprio Fernando Henrique Cardoso reconheceu Getúlio como um “estadista”, a despeito do que se pense sobre ele a sua forma de governar e fazer política.
CE – A figura de Lula é muitas vezes comparada à de Getúlio. Como o senhor vê essa comparação?
LN – Não há dúvidas de que, um e outro, Lula e Getúlio, até que se prove o contrário, foram os líderes políticos de maior expressão popular na história do País. Mas é curioso notar que Lula, no período de líder sindicalista, era um antigetulista ferrenho. Então criticava, de forma veemente, a herança histórica dos sindicatos pelegos e atrelados ao Estado, típicos da Era Vargas. Mais tarde, porém, já como presidente, tentou mimetizar a figura nacionalista do Getúlio criador de Volta Redonda e da Petrobras. A foto de Lula com a mão tisnada de petróleo, na época do anúncio do pré-sal, é o melhor exemplo disso. Aquilo era um decalque de outra imagem, a de Getúlio, com a mão estendida e também suja de petróleo, na época da fundação da Petrobras.
Getúlio: personagem em três livros
CE – Que imagem o senhor carrega de Getúlio Vargas nos tempos da escola?
LN – Em meus tempos de escola, vivíamos uma ditadura militar, que buscava desconstruir por completo a imagem de Getúlio e de seu principal herdeiro político, Jango. Já na universidade, nos tempos da abertura política, meus professores marxistas também procuravam reduzir a figura complexa do ex-presidente ao ditador do Estado Novo, negando-lhe qualquer virtude ou mérito.
CE – Essa imagem mudou após a produção da biografia? Em que sentido?
LN – Creio que os cinco anos de trabalho nessa biografia ajudaram-me a compreender que é inútil tentar analisar Getúlio a partir de uma visão simplista. A perspectiva ingênua e quase devocional dos getulistas mais sinceros é tão parcial e equivocada quanto a ira dos antivarguistas mais empedernidos.
CE – O que mais o surpreendeu sobre essa figura histórica durante o processo de pesquisa e produção dos volumes da biografia?
LN – Não digo que tenha sido exatamente uma surpresa, mas fascina-me a constatação de que até hoje, 60 anos após sua morte, Getúlio continue gerando tanta paixão, tantos amores e ódios extremados.
CE – Seus livros também se tornaram um grande sucesso comercial, inclusive figurando na lista dos mais vendidos em livrarias. Em sua opinião, por que Vargas e sua biografia ainda chamam tanta atenção do público brasileiro?
LN – Exatamente pelo fato de continuar dividindo opiniões de forma tão apaixonada. A controvérsia a respeito de Getúlio e de seu legado continua atualíssima.
CE – No site promocional dos livros, há uma enquete que pergunta “Para você, quem foi Getúlio?” Gostaria de estender essa pergunta ao senhor: quem foi, afinal, Getúlio Vargas?
LN – Uma das opções à pergunta, na enquete, diz que Getúlio, por sua complexidade, não pode ser definido em uma única frase. Se eu tivesse de responder à minha própria pergunta, cravaria esta opção.
O cantor-compositor Roberto Carlos dá um passo atrás na celeuma das biografias. Admite “conversar”, mas avisa que prepara a sua autobiografia.
Deu entrevista exibida ontem à noite ao programa “Fantástico”, da Rede Globo de Televisão.
Enfim, vem aí uma “hagiografia” (biografias de santos, excessivamente elogiosas).
Já imaginou convivermos só com “biografias autorizadas”?
Família de Al Capone o transformaria num benemérito de Chicago dos anos 20.
Veja só: se o jornalista-escritor Lira Neto não tivesse mergulhado de forma densa na vida de Getúlio Vargas, como saberíamos detalhes tão ricos da vida desse personagem controverso que faz parte da história moderna do Brasil?
Mas claro que não estamos livres de biografias “encomendadas” para satanização de quem não pode se defender, contratada por poderosos.
O tema envolve liberdade de expressão e direito à privacidade, interesses econômicos e outros aspectos.
No volume 1 do excepcional “GETÚLIO” (1882-1930), de Lira Neto, parece estar a resposta.
Borges de Medeiros, que andara às rusgas em relação aos Vargas, voltara a cortejá-los. São os idos de 1913-1915.
Faz o convite a Getúlio para ocupar o importantíssimo, na época, cargo que ele mesmo ocupara, de Chefe da Polícia Estadual. Getúlio analisa e recusa o convite.
“Mesmo rejeitando o convite”, conta-nos Lira Neto, (Getúlio) “tomou os cuidados necessários para que seu gesto não fosse interpretado por Borges de Medeiros como um acinte.”
Instado, pelos amigos, a se explicar, Getúlio Vargas o fez:
“Na luta, vencer é adaptar-se, isto é, condicionando-se ao meio, apreender as forças dominantes, para dominá-lo”, esclareceria ao amigo Telmo Monteiro.”
“Para Getúlio”, prossegue Lira Neto, “aquela frase, de clara inspiração darwinista, passara a funcionar como uma espécie de mantra. Faria questão de repassá-la aos filhos, como uma fórmula explicativa da vida e do mundo.”
“Vencer não é esmagar ou abater pela força todos os obstáculos que encontramos – vencer é adaptar-se, repetiria certo dia Getúlio ao filho mais velho, Lutero. Como o garoto ficasse em dúvida a respeito do verdadeiro significado da sentença, o pai detalharia: Adaptar-se não é o conformismo, o servilismo ou a humilhação; adaptar-se quer dizer tomar a coloração do ambiente para melhor lutar.”
Essa informação, essencial para entender Getúlio Vargas, Lira Neto colheu em seu “DIÁRIOS” (2 volumes; São Paulo: Siciliano; Rio de Janeiro: Fundação Getúlio Vargas; 1995), e soube compreender sua importância.
Quanto à importância, muito embora essa informação, por si somente, a assegure, convém observar que dada sua relação com o pensamento de Lamarck, não propriamente com o de Darwin, pode ensejar rios de tinta enquanto dissertações de mestrado e/ou teses de doutoramento.
Principalmente se a cotejarmos com as consequências epifenomênicas teórico políticas da existência de uma lei da evolução, qual seja o pensamento de Maquiavel ou de Gaetano Mosca, ou se cotejarmos com a vida de notórios manipuladores e sobreviventes de sua própria época política, por exemplo Talleyrand ou Fouché.
O certo é que Lira Neto, de forma brilhante, apreendeu a medula do aparentemente proteiforme Getúlio Vargas e a expôs no primeiro volume de sua biografia, uma obra já seminal. Nesse pequeno trecho lemos, oculto por uma vida intensa, complexa, onipresente ainda hoje, como pensava e agia o mais importante político brasileiro do século XX.
Honório de Medeiros é professor, escritor e ex-secretário da Prefeitura do Natal e do Estado do RN
A 8ª Feira do Livro de Mossoró deu-me oportunidade, ontem à noite, de mediar e conduzir bate-papo literário com o jornalista e escritor Lira Neto. Ocorreu no Expocenter, às 20h30.
Foi uma conversa leve e solta sobre as atividades do jornalista e escritor. Em seguida, um debate com a plateia.
Passeamos pelos bastidores da produção de livros biográficos, focando personagens riquíssimos como José de Alencar, Castello Branco, Maysa Matarazzo, Padre Cícero e Getúlio Vargas.
Lira Lira (à direita) fala sobre a trilogia de Getúlio Vargas durante bate-papo com o editor desta página (Foto: divulgação)
Quanto a Getúlio Vargas, a certeza de uma trilogia literária densa e reveladora. Dos três volumes, o primeiro (Getúlio: Dos anos de formação à conquista do poder) está entre os mais vendidos do país nos últimos meses. Os títulos seguintes virão nos próximos anos. Vão fechar o ciclo de vida desse vulto da história política brasileira.
– É um trabalho exaustivo – classificou o autor.
O escritor, de antemão, disse que os livros vão revelar bastidores e facetas interessantes da luta de titãs entre Getúlio Vargas e Carlos Lacerda (jornalista e político). Assinalou, por exemplo, que o leitor vai descobrir que o presidente-ditador tinha admiração pessoal por seu principal verdugo.
Lacerda era definido por Vargas como uma figura de notável inteligência, mas que infelizmente estava em lado oposto ao seu na política.
Lira informou ainda que biografias de Vargas e Padre Cícero devem se transformar em produções cinematográficas. E foi claro: não pretende exercer qualquer tipo de exigência à fidelização do que textualizou. Nenhuma ingerência.
Conformado, reconheceu que essa transposição de conteúdo do papel para as telas não costuma ser muito fiel.
Lembrou, por exemplo, que “Maysa: Só numa multidão de amores” (que se transformou numa minissérie da Rede Globo de Televisão) é uma experiência que prova muito bem essa visão. O roteiro da TV, em certos aspectos, conflitou com o dissertado no livro.
Como diria o cronista Antônio Maria… “a noite é uma criança”. A madrugada, então, foi de prosa à mesa do Bistrô Lyon, com os jornalistas Larissa Gabrielle, Carlão de Souza e Cid Augusto, além do próprio Lira.
Ninguém é de ferro. Merecíamos essa confraria sem pauta, após o compromisso na Feira do Livro.
O escritor e jornalista cearense Lira Neto, autor de biografias de nomes como a cantora Maysa, Padre Cícero, José de Alencar, Castelo Branco e trilogia já iniciada de Getúlio Vargas, é a grande atração de hoje da Feira do Livro de Mossoró.
Lira: jornalismo e literatura
O evento chega à sua oitava edição.
A iniciativa ocorre no Expocenter, com expressiva presença de público.
Lira Neto participa da Feira do Livro num quadro denominado de bate-papo com o autor, a partir das 20h.
O editor deste Blog será o mediador.
Nascido em Fortaleza, Lira Neto é um dos autores nacionais mais lidos nos últimos anos, ao mergulhar na difícil tarefa de produzir biografias.
Antes de dedicar-se ao jornalismo, trabalhou como professor de História, Redação e Literatura, em vários colégios de Fortaleza. Tem formação acadêmica em Filosofia, Letras e Jornalismo. Muito jovem, porém, já obtivera diploma de “técnico em topografia” no antigo Cefet-CE, sem nunca exercer a profissão.
O autor foi agraciado com o Prêmio Jabuti de Literatura em 2007, pelo livro O inimigo do Rei: Uma biografia de José de Alencar ou a mirabolante aventura de um romancista que colecionava desafetos, azucrinava D. Pedro II e acabou inventando o Brasil (Editora Globo) título que guarda biografia do escritor cearense José de Alencar.
Livros publicados:
Padre Cícero: Poder, Fé e Guerra no Sertão (Companhia das Letras, 2009) – Biografia do sacerdote Cícero Romão Batista, figura carismática e polêmica que foi excomungado, mas arrebatou milhões de fiéis.
Getúlio: Dos anos de formação à conquista do poder – Primeira fase de uma densa biografia de Getúlio Vargas, de uma série de três livros. É seu novo trabalho e campeão de vendas no país.
Maysa: Só numa multidão de amores (Editora Globo, 2007) – Biografia da cantora Maysa Matarazzo, um dos maiores nomes da música popular brasileira, ícone das canções de “fossa” e uma das pioneiras da bossa nova.
O Inimigo do Rei: Uma biografia de José de Alencar (Editora Globo, 2006) – Biografia do escritor, jornalista e político brasileiro José Alencar, autor de obras-primas como O Guarani, Iracema e Lucíola.
Castello: A marcha para a ditadura (Contexto, 2004) – Biografia do ex-presidente Humberto de Alencar Castello Branco, o primeiro dos generais a assumir o poder após o movimento militar deflagrado em 1964.
A herança de Sísifo: Da arte de carregar pedras como ombudsman na imprensa (EDR, 2000) – Relato da experiência do autor como ombudsman do jornal cearense O Povo. O livro discute uma série de questões éticas relacionadas ao exercício do jornalismo.
O poder e a peste: A vida de Rodolfo Teófilo (EDR, 1999) – Biografia do escritor, farmacêutico e pioneiro da saúde pública Rodolfo Teófilo, personagem histórico que, na virada do século XIX para o século XX, enfrentou a grande epidemia de varíola, que vitimou um quinto da população da capital cearense.
Começa hoje à noite no Expocenter, a 8ª edição da Feira do Livro de Mossoró. Vai funcionar com diversas atividades até o domingo (12).
O evento ocorria anteriormente na Estação das Artes Eliseu Ventania no centro da cidade. Agora aporta num pavilhão climatizado, envolvendo os mais variados públicos ligados à leitura, de jornalistas a estudantes.
Durante cinco dias, os visitantes terão oficinas temáticas, palestras, bate-papos, lançamentos de livros e quadrinhos, apresentações teatrais e musicais, exposições e comércio de livro, quadrinhos e cordéis.
A programação da 8ª Feira do Livro de Mossoró se dividirá entre quatro ambientes diferentes: os miniauditórios, setor para oficinas, palestras e discussões; o Pavilhão de Livros, espaço para negociação de títulos; Espaço do Autor, destinado ao encontro com os escritores, que lançarão e autografarão suas obras, e o Espaço Literário, dedicado às palestras.
Entre os convidados especiais deste ano, o jornalista e escritor Lira Neto. Também se registra o jornalista e escritor potiguar João Batista Machado. O músico, poeta e escritor Humberto Gessinger (da banda Enngenheiro do Hawaii) é outra atração na condição de autor-palestrante.
O editor deste Blog está todo prosa. Admito até uma certa dose de cabotinismo.
No dia 11 de agosto, na Feira do Livro de Mossoró, às 20h, na Expocenter, participo de uma noite de bate-papo literário com o escritor e jornalista Lira Neto.
Convite feito, convite aceito por este repórter provinciano dos arrabaldes da Capela de São Vicente.
Ele ganhou projeção superlativa nos últimos anos, com publicação de trabalhos de fôlego e denso conteúdo, retratando personagens míticos como Padre Cícero e Getúlio Vargas.