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Oportunismo mais do que estratégico da mídia brasileira

Por Ulisses Reis

Não é segredo para ninguém que o monopólio midiático brasileiro é propriedade das grandes famílias ligadas diretamente aos representantes políticos ou (pior ainda) dos empresários responsáveis por dar sustentação à aludida classe. Muitas vezes mal utilizados, a televisão, o rádio, o jornal e, atualmente, o meio digital, servem apenas para incitar momentaneamente a população contra determinada pessoa.

Exemplo gritante veio à tona em notícia divulgada no último sábado (12/01/2013), com o seguinte título dado pela Revista VEJA: “Henrique Eduardo Alves contrata empresa de laranja” (//veja.abril.com.br/noticia/brasil/favorito-e-enrolado).

Sendo Deputado Federal há 42 (quarenta e dois anos), era mesmo de se esperar que Henrique Alves contivesse algum tipo de mancha em seu currículo, dadas as práticas corriqueiras desta classe. Contudo, o que estranha é o oportunismo pelo qual veio à tona a informação em destaque.

Competentes como são, os repórteres da ‘Veja’ de certeza possuíam acesso a tais informações há mais tempo.

Pior ainda, mesmo que assim não fosse, tinham plenas condições de obtê-las, visto que, apesar de ser ela notícia quente, trata de fatos frios. Ou seja, o que mais me realçou a vista não foi o teor da improbidade em si, mas a conveniência de sua divulgação justamente quando Henrique Alves postula o cargo de Presidente da Câmara dos Deputados.

Isso tudo mostra, mais uma vez, como a grande maioria dos empresários da mídia trata o povo brasileiro (para bom entendedor, risco é Francisco: massa de manobra). A informação em si, no caso tratado, vale menos que o oportunismo estratégico do momento de sua divulgação.

Se fosse ela divulgada há meio ano, quando Henrique servia apenas para falar mal da cor utilizada pela coligação da oposição mossoroense ao pleito municipal, pouco impacto teria no imaginário popular. Sendo manifestada agora, quando o distinto senhor é candidato a cargo de tamanha importância, pode fazer com que afundem os navios de sua esperança.

Henrique nem de longe é santo, isso é fato. Contudo, neste momento, está sendo vítima da arma com a qual galgou toda a sua trajetória, a articulação política.

Ulisses Reis é advogado