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E pensar que um dia o povo “falou” por ele

Por Bruno Barreto

O ano é 1998. Henrique Alves enfrentava graves problemas vocais e estava impedido de falar após se submeter a um tratamento no exterior.

Como fazer um candidato ser reeleito sem proferir um único discurso? Nada que um marketing não resolva. O slogan era tão óbvio quanto o peso de uma máquina azeitada graças à venda da Cosern no final do primeiro governo Garibaldi Filho: “O povo fala por ele”.

Não deu outra!

Henrique Alves foi o deputado federal mais votado com 163.572 sufrágios, 60 mil a mais que o segundo colocado Iberê Ferreira de Souza. A força monetária fez o povo colocar no Congresso Nacional pela oitava vez um político que nunca falou por ele. Muito pelo contrário, era famoso por ser o deputado “Copa do Mundo”.

O agora detento Henrique Alves teve uma carreira política de altos e baixos. Depois de 1998 foi eleito mais três vezes se tornando um recordista de passagens pela Câmara dos Deputados com 11 mandatos.

Em 1988 e 1992 perdeu a Prefeitura de Natal. Na primeira dispunha das máquinas municipal, estadual e federal, mas acabou perdendo para Wilma que na época ainda usava o sobrenome Maia. Quatro anos depois saiu da condição de favorito pela estrutura e ausência de adversários fortes para a de derrotado por incríveis 961 votos para um desconhecido Aldo Tinôco.

Mas o sonho de Henrique era ser governador do Estado. As condições para isso só surgiram após se tornar presidente da Câmara dos Deputados, sentar interinamente na cadeira de presidente da República e juntar muita grana.

Ele já havia se engraçado com o cargo em 2002, mas deu um passo maior para ser vice na chapa de José Serra (PSDB) e terminou tombando após Mônica Azambuja emergir da condição de esposa traída para a de delatora. Uma capa de Revista escancarando uma conta secreta fez Henrique às pressas, e com voz, ser eleito deputado mais uma vez.

Para ser governador Henrique juntou gatos, cachorros e ratos (verdadeiras ratazanas) em seu palanque. O roteiro era perfeito: o único adversário, Robinson Faria, por pouco não esteve no palanque dele e montou uma frágil aliança com o PT. Aliança que provocava escárnio dos adversários, saiu das anedotas ao êxito nas urnas.

Graças ao apoio de Henrique Alves que, segundo Ministério Público e Polícia Federal, bancou várias candidaturas com doações oficiais e caixa dois, a propina abasteceu várias campanhas no violentado elefante.

Só na base henriquista foram eleitos 18 estaduais das 24 vagas em jogo e mais seis federais das oito cadeiras disponíveis ao Rio Grande do Norte.

Nunca um político uniu tantos desafetos em um palanque. Nunca um político teve tanto apoio numa campanha. Mesmo assim ele perdeu o pleito porque o povo não quis.

Henrique hoje está preso para vergonha do um Estado que ele diz ter representado, mas na verdade nunca deu a mínima.

Pensar que um dia o povo “falou” por ele…

Bruno Barreto é jornalista

Justiça ouve duas ex-mulheres de Henrique Alves

Por Lauro Jardim (O Globo)

Depoimentos de Priscila de Souza e Mônica Azambuja foram pedidos pelo Ministério Público Federal (MPF) à Justiça (Foto: André Coelho)

Henrique Eduardo Alves pode ter fortes dores de cabeça pela frente. O MPF pediu à Justiça Federal em Brasília para colher os depoimentos das duas ex-mulheres do ex-ministro, Priscila de Souza e Mônica Azambuja, no inquérito que investiga sua participação no esquema de propinas para autorizar liberação de recursos do FI-FGTS.

Em sua defesa, Alves afirmou que abriu uma conta na Suíça para proteger o dinheiro do espólio de seu pai em meio a uma separação turbulenta.

O MPF suspeita que o dinheiro seja de propina paga pela Carioca Engenharia.

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Problemas de Henrique com ex-mulher o acertaram em 2002

Capa demolidora da IstoÉ em 2002 (Foto: Arquivo do Blog)

Nome “certo” para ser candidato a vice-presidente na chapa do tucano José Serra, em 2002, o então deputado federal Henrique Alves (PMDB) viu sua vida pública e pessoal ser dissecada pela chamada Grande Imprensa.

Terminou não vingando na chapa de Serra. A então deputada federal Rita Camara (PMDB-ES) foi ungida ao posto de vice, mas ambos derrotados por Lula (PT) e José Alencar (PR), respectivamente eleitos a presidente e vice do Brasil.

O que tornou a vida de Henrique um inferno, o ejetando da chapa de Serra e tornando sempre tensa sua vida política, foi uma série de reportagens com informações sobre o processo do divórcio litigioso de sua ex-mulher Mônica Infante de Azambuja Alves.

A revista “IstoÉ” (veja AQUI), de 22 de maio de 2002, edição 1.703, mostrou rol de documentos/informações que apontava a existência de contas milionárias do peemedebista em paraísos fiscais. A reportagem é minuciosa. Segundo denúncia da ex-mulher, seriam cifras que passariam de US$ 15 milhões não declarados à Receita Federal.

Empregos

Segundo a revista, Mônica Azambuja, no processo de divórcio, acusava o ex-marido – de quem se separara em 1998 – de ter dinheiro em Genebra, Bahamas, Ilhas Jersey, além de conta no Lloyds Bank, em Miami.

Henrique negou peremptoriamente a acusação. De lá até os tempos atuais, tem sido assim.

Apesar das desavenças pessoais, familiares, que respingaram em sua vida pública e que hoje o transforma em réu (veja AQUI), Henrique procurou esfriar essa relação conflituosa.

Mônica Azambuja foi favorecida com empregos no Governo Federal (na Infraero, por exemplo) e na Câmara Federal, por indicação do próprio Henrique. Tudo parecia aplacado e dissipado. Mas não é bem assim.

Dias antes de Henrique pedir exoneração do cargo de ministro do Turismo do Governo interino de Michel Temer (PMDB-SP), este ano, a denúncia foi exumada (veja AQUI). Em 2013, quando trabalhou sua eleição à presidência da Câmara Federal, fora “requentada”. Sempre tendo nele a negativa de veracidade dos fatos postos. Sempre.

O “cadáver no armário”, por tanto tempo, agora promete sair e causar mais estragos do que no passado.

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Henrique Alves vira réu em ação iniciada no ano de 2004

A Justiça Federal de Brasília decidiu receber ação de improbidade administrativa contra o ex-ministro do Turismo e ex-deputado federal Henrique Eduardo Alves (PMDB). A partir dessa decisão, Alves passa a responder como réu no processo que apura indícios de enriquecimento ilícito entre 1998 e 2002, período em que exerceu mandato parlamentar.

Henrique Alves problema a mais gerado há vários anos é mexido pelo MPF (Foto Marcelo Camargo - Agência Brasil - Arquivo)

Proposta pelo Ministério Público Federal (MPF) em 2004, a ação já havia sido recebida, mas o prosseguimento do processo foi interrompido depois que o acusado apresentou recurso questionando a prescrição dos fatos, bem como a legitimidade das provas apresentadas pelo MPF.

No entanto, depois de analisadas essas questões pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região, o caso prosseguiu com o juiz de primeiro grau. Nessa instância, o magistrado da 16ª Vara Federal, Marcelo Ribeiro Pinheiro, decidiu que há provas suficientes para confirmar o recebimento e dar continuidade à ação de improbidade.

Sobre os requisitos para que o caso fosse reaberto, o juiz analisou a peça inicial apresentada pelo MPF e concluiu que a ação “descreve minuciosamente as circunstâncias fáticas e jurídicas que embasam, de modo suficientemente preciso e capaz de ensejar o seu prosseguimento”.

Onze mandatos

Já em relação à prescrição, o magistrado explica que, de acordo com a lei, o prazo prescricional para ação de improbidade administrativa começa a correr após o término do último mandato do parlamentar.

No caso analisado, o acusado foi deputado federal por 11 mandatos consecutivos, de 1971 a 2014. Embora a ação de improbidade se refira a irregularidades cometidas no período de 1998 a 2002, Alves continuou no cargo de parlamentar até 2014. De modo que o juiz concluiu: enquanto não cessa o vínculo do agente com a Administração, não tem início o prazo prescricional.

Na mesma decisão, o juiz também se manifestou sobre o pedido do MPF – feito ainda em junho deste ano – para que fosse levantado o sigilo do caso. Marcelo Pinheiro decidiu pela publicidade dos autos, já que nas ações de improbidade administrativa, é evidente o interesse social, “o qual exige a publicidade justamente para que se possa dar o direito ao povo de conhecer a fundo as atitudes de seus representantes políticos”.

Irregularidades

No entanto, o processo não é totalmente público. Tendo em vista que existem documentos anexados ao processo que podem expor a privacidade do envolvido, como extratos bancários e faturas de cartão de crédito e dados fiscais, o magistrado determinou sigilo em relação a essas informações.

Mônica e Henrique: anos 90 (Foto: do Blog)

A ação de improbidade – A ação do Ministério Público, apresentada há mais de 12 anos, levou à Justiça o fato de que Henrique Eduardo Alves demonstrava sinais de riqueza incompatíveis com sua renda e seu patrimônio declarados como deputado federal e empresário. Constam das irregularidades apontadas à época: transferência patrimonial dissimulada; despesas e gastos em montante superior à receita declarada; titularidade dissimulada de sociedades comerciais, contas-correntes, investimentos, movimentação financeira e cartões de crédito em instituições financeiras com sede na Suíça, nos Estados Unidos e em paraísos fiscais, bem como por meio de empresa off-shore – sem que fossem identificadas as saídas de divisas do país.

“Riquinho”

Como exemplo de irregularidade, foi citada uma movimentação em instituição financeira sediada no exterior de mais de três centenas de milhares de dólares americanos em despesas. Isso somente em faturas de cartão de crédito emitido no exterior, e de titularidade de Henrique Eduardo Alves .Outras situações também chamaram a atenção do MPF.

Alves usufruía de um padrão de vida luxuoso, bancava os gastos de diversos cartões de crédito para os filhos e para a esposa e ainda era chamado de “riquinho” pelos demais parlamentares. O Ministério Público também revelou que a ex-esposa de Alves, Mônica Azambuja, teve durante um bom tempo suas despesas pagas pelo ex-marido, além de ter recebido a quantia de R$ 1,5 milhão entre 2002 e 2003 como indenização em divórcio.

Com a reabertura do caso, o magistrado terá de decidir se condena ou não o político por improbidade. Henrique Alves poderá ser condenado a ressarcir os cofres da União, ter os direitos políticos suspensos e ficar proibido de contratar com o poder público, entre outras sanções previstas na Lei 8.429/92.

Conheça a ação na íntegra AQUI.

Com informações do MPF.

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