Cabo Gomes é o último dos envolvidos a ganhar liberdade após mais de um ano de prisão
Do Blog Fim da Linha
O Cabo PM Edmar Gomes da Silva, (Cb Gomes) preso com outros oito colegas de farda durante a Operação “Os intocáveis, desencadeada em junho de 2016 em Mossoró, pelo Ministério Público do RN (MPRN) com apoio da Força Nacional e da Polícia Civil, foi solto nesta segunda feira 14 de agosto por determinação da justiça.
O alvará de soltura foi expedido pelos Juiz de direito Emanuel Telino Monteiro, Presidente do Colegiado, da Comarca de Mossoró, que determinou a imediata liberação do PM.
Cabo Gomes era o único que ainda estava sob custódia da justiça no Batalhão da Polícia Militar em Caicó. Os oito policiais presos durante a operação eram suspeitos de envolvimento em um suposto grupo de extermínio na região de Mossoró.
Através de áudio que circula nos grupos do WhatsApp, o Cabo Gomes comemorou a decisão judicial e disse que sempre acreditou e acredita na justiça. Ele frisou que continuará honrando a corporação PM.
Leia também: Investigação aponta policiais compondo grupo de extermínio AQUI.
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Agentes da segurança pública de Mossoró realizam às 9h de hoje (sábado, 22), mobilização no centro de Mossoró. Farão protesto contra a prisão de cinco policiais militares que estão presos desde o dia 22 de junho do ano passado.
Recai sobre os policiais a acusação de integram grupo de extermínio da região de Mossoró.
Foram presos a partir de investigação da Força Nacional, numa operação denominada de “Intocáveis” (veja AQUI).
Essa não é a primeira vez que ocorre esse tipo de movimento. Ano passado aconteceram outros protestos.
“Um grupo de extermínio composto por policiais militares que cometiam crimes de homicídio sob a alegação de ‘aplicar a justiça’”. É assim que o Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Rio Grande do Norte, define a atuação de seis policiais militares e um motorista acusados de, pelo menos, 14 assassinatos em Mossoró e outras cidades do Oeste potiguar.
Os promotores já ofereceram denúncias relativas a sete assassinatos. A defesa dos PMs diz que ainda não tem total conhecimento das acusações sobre eles.
O G1 teve acesso a essas denúncias. Os documentos se baseiam na investigação da Força Nacional que culminou com a deflagração da Operação Intocáveis, em 22 de junho passado. De acordo com as denúncias do Gaeco, o grupo justificava os crimes como “legítima defesa” e “no cumprimento do dever legal”.
As denúncias, relativas a sete assassinatos e uma tentativa de homicídio, são assinadas por cinco promotores públicos e foram remetidas a um colegiado de juízes formado na 1ª Vara Criminal da Zona Sul de Natal. Como os juízes receberam essas denúncias, os seis PMs e o motorista, que cumprem prisões preventivas, já são réus nos processos. “Essa foi apenas a primeira remessa de denúncias. Outras estão sendo concluídas e serão entregues no tempo legal”, diz o Gaeco.
"Operação Intocáveis" foi desencadeada em junho deste ano em Mossoró (Foto: Hermes Castro/Mossoró Hoje)
O advogado Gilmar Fernandes de Queiroz, que defende os policiais militares e o motorista presos, diz que ainda não tem total conhecimento das acusações. “Como somente nesta quarta-feira (10) é que fui legalmente constituído como advogado deles, ainda não tenho total conhecimento das acusações. Conversei com todos no dia da operação. O que sei é que há alguns homicídios sendo atribuídos a eles e que, pelo o que eles me disseram, esses casos têm relação a ações policiais”, disse.
O comandante-geral da Polícia Militar, informou que há a possibilidade de os policiais serem expulsos da corporação. “Se for provado que eles agiram fora da lei e forem condenados por isso, há sim a possibilidade de serem expulsos. Temos que aguardar a decisão judicial”, falou.
‘Vítima friamente executada’
O primeiro caso denunciado pelo Gaeco é relativo à morte de Rafael Faustino de Sá. O crime foi cometido por volta das 17h de 26 de janeiro de 2013, na rua Maria Segunda da Trindade, emMossoró. Os policiais militares Renixon Felício da Silva, Allan George de Menezes e Franciné Nogueira da Silva respondem por esse homicídio.
Em depoimento à Polícia Civil no dia do crime, o cabo Renixon admitiu que fazia um patrulhamento no bairro Planalto da Liberdade quando foram abordados por populares. Essas pessoas informaram que “ali próximo, em uma residência, estava ocorrendo uma bebedeira o qual estava presente a pessoa de ‘Rafael Preto’, o qual é assaltante e homicida, inclusive foragida do Ceduc [Centro Educacional para Adolescentes Infratores]”. O policial disse que ele e os policiais Allan Menezes e Franciné Nogueira foram recebidos à bala. “Em virtude das circunstâncias, a sua pessoa e demais membros de sua equipe revidaram à agressão e adentraram na residência, ocasião em que ‘Rafael Preto’ fora atingido”, diz trecho das declarações do PM. Ele ainda falou que foi apreendido um revólver calibre 30 em poder da vítima.
No dia de janeiro de 2014, em nova declaração à Polícia Civil, o cabo Renixon ratificou o que já havia dito. Ele falou que “não sabe efetivamente se acertou a vítima, no entanto, tanto o declarante [ele], quanto os seus companheiros efetuaram disparos”. Para o Gaeco, ao afirmarem que teriam revidado a disparos de arma de fogo, os três policiais alegam de se tratar de uma “situação excludente de ilicitude”.
A arma entregue pelos PMs à Polícia Civil e que teria sido apreendida com Rafael Preto foi periciada. O Laudo de Exame em Arma de Fogo obteve “resultado negativo para possíveis resíduos dos produtos da combustão da pólvora sem fumaça no interior do cano e da câmara da arma de fogo, indicando a inexistência de disparo”.
Para o Gaeco, esse laudo e depoimentos de testemunhas que estavam presentes no momento do crime “permite concluir que a vítima foi friamente executada pelos policiais denunciados”. Testemunhas disseram à Força Nacional que no momento da abordagem, Rafael estava desarmado.
‘Vítima retirada do carro, despida e atingida por três disparos’
A segunda execução denunciada pelo Gaego é a de João Carlos Andrade de Lima, ocorrida por volta das 21h de 18 de julho de 2015. Segundo os promotores, João Carlos estava em frente a um comércio no bairro Aeroporto 2, em Mossoró, quando foi surpreendido com a chegada de uma caminhonete branca com quatro homens armados. Na denúncia, o MP diz que “a vítima foi levada pelos quatro homens no referido veículo até uma estrada carroçável localizada no Sítio Santana, zona rural de Mossoró, local onde foi retirada do carro, despida e em seguida atingida por três disparos de arma de fogo calibre 12”.
Para os promotores, baseando-se em investigação policial, os PMs Alex José de Oliveira e Edimar Gomes da Silva, e outros dois homens ainda não identificados foram os autores do crime.
Ao chegarem ao local onde João Carlos estava, segundo relato de testemunhas à polícia, Alex José e Edimar Gomes “desceram do veículo, com armas longas em punho, e se dirigiram até a vítima”. De acordo com a denúncia, o PM Alex José “passou a agredir a vítima fisicamente, tendo, logo em seguida, acompanhado de Edimar Gomes, a colocado no banco de trás da caminhonete branca e partido do local, com os outros dois homens ainda não identificados”. Para o Gaego, “a vítima ficou impossibilitada de se defender, visto que foi sequestrada por quatro homens fortemente armados”.
A motivação para o crime, pelo o que foi apurado pelo MP, seria o fato de a vítima “ser usuária de droga, envolvida com a prática de delitos, e ainda por ter agredido, no mesmo dia, um idoso, pai de um policial militar”.
Na denúncia, os promotores ressaltam ainda que Alex José e Edimar Gomes, mesmo usando capuzes no dia da morte de João Carlos, “foram identificados em razão de seus olhos, sobrancelhas, compleições físicas e vozes”. Esse reconhecimento físico foi feito por três testemunhas.
‘Surpreenderam as vítimas enquanto dormiam’
Carlos Daniel Ferreira Bezerra e Francisco Fábio Bezerra de Souza foram mortos com tiros na cabeça na madrugada de 29 de novembro de 2015. Os dois, segundo as investigações da Força Nacional, estavam dormindo em um barracão na rua Flávio Jerônimo, no Alto da Pelonha, quando foram surpreendidos pelos policiais militares Edimar Gomes da Silva, Renixon Felício da Silva e Paulo Cézar da Silva. O duplo assassinato foi cometido por volta das 3h30.
Operação Intocáveis teve ação com maciça cobertura policial no dia 22 de junho (Foto: O Câmera)
Segundo Laudos de Exame Necroscópicos, Carlos Daniel foi morto com um tiro na testa. Francisco Fábio foi atingido por um tiro na nuca. Os dois tinham histórico de roubos e furtos em Mossoró.
Segundo relato de testemunhas à polícia, Carlos Daniel havia sido “jurado” pelo policial militar Edimar Gomes pelo fato de ter furtado passarinhos do pai do PM. Francisco Fábio já havia sofrido uma tentativa de homicídio em 2014. Segundo a denúncia, o autor dessa tentativa foi o PM Paulo Cézar da Silva. O crime foi motivado por um furto de uma motocicleta.
De acordo com os promotores do Gaeco, os três policiais estavam “irresignados e determinados a executar Francisco Fábio e Carlos Daniel”. Tanto que passaram a monitorar a rotina das vítimas. No dia do crime, ao confirmarem onde os dois estavam, os policiais militares “aproximaram-se do barracão onde estavam as vítimas em um veículo tipo picape, tentaram entrar pela porta da frente, mas estava trancada com cadeado”. E continua trecho da denúncia: “Assim, adentraram o barracão pela porta dos fundos e surpreenderam as vítimas enquanto dormiam. Ato contínuo, as alvejaram com disparos de arma de fogo na cabeça e empreenderam fuga para local ignorado”.
‘Ninguém viu nada!’
O quarto caso denunciado pelo Gaeco à Justiça diz respeito à morte de Leonardo Moreira de Oliveira, ocorrida dentro de um depósito de gelo na rua Dez de Dezembro, no bairro de Alto de São Manoel, também em Mossoró. O crime foi cometido por volta das 17h30 do dia 17 de dezembro de 2015. Segundo os promotores públicos, os PMs Renixon Felício de Moura, Allan George de Menezes e Franciné Nogueira da Silva Júnior foram os autores do assasinato.
Segundo inquérito policial, Leonardo Moreira havia roubado uma motocicleta momentos antes de ser morto. “Ao perceber que se aproximava uma viatura da Polícia Militar, [Leonardo] começou a correr no sentido de sair da Favela da Vagem, quando passou a ser perseguido pelos policiais militares”, diz o documento.
O inquérito relata que os Renixon Felício e Franciné Nogueira desceram do carro e passaram a perseguir Leonardo correndo. Enquanto isso, o Allan George continuou no carro da PM, na mesma direção deles. “A vítima correu até entrar em um depósito de gelo, a fim de se refugiar”.
Na denúncia, os promotores de Justiça dizem que PM Renixon Felício chegou logo após. “Ao também chegar, ele determinou que as outras pessoas que ali estavam presentes se retirassem e efetuou disparos de arma de fogo, que causaram a morte de Leonardo, impossibilitando, assim, qualquer reação de defesa por parte da vítima, que após ser perseguida, estava ali encurralada e desarmada”.
Ainda de acordo com o Gaego, “após os disparos, Renixon saiu do estabelecimento comercial e disse aos que ali se encontraram que ‘ninguém viu nada!’”. Os promotores relatam também que o “policial Allan ainda determinou que ninguém prestasse socorro à vítima”.
Para o Gaego, mesmo a ocorrência tendo sido decorrente de uma perseguição policial por causa de um roubo de motocicleta, Leonardo foi “friamente executado” pelos PMs.
“Tal constatação se deve ao fato de que a vítima estava desarmada, impossibilitada, portanto, de efetuar disparos contra os policiais”. Em depoimento à Polícia Civil, sete testemunhas asseguram que Leonardo não estava armado no momento em que chegou ao depósito de gelo. Mesmo assim, os PMs apresentaram um revólver calibre 38 alegando que a arma havia sido apreendida em poder de Leonardo. Familiares da vítima admitem que ele usava uma arma para cometer assaltos, mas era um revólver calibre 32.
A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Subseção de Mossoró, de Mossoró, continua acompanhando as investigações que resultaram na operação denominada “Os Intocáveis” (veja AQUI), que culminou com a prisão de policiais suspeitos de envolvimento com homicídios supostamente praticados por grupos de extermínio.
OAB esteve com envolvidos na Operação Intocáveis, mas defende a própria investigação (Foto: OAB)
Na tarde de hoje (28), policiais que foram conduzidos coercitivamente para depor (como testemunhas) durante a deflagração da operação, foram ouvidos na OAB/Mossoró e relataram supostos excessos. A intenção da Ordem é apurar se houve alguma irregularidade na operação e garantir a legalidade da investigação e do processo criminal, visando a aplicação da justiça.
Na sexta-feira passada (24), representantes da Diretoria e das Comissões de Segurança Pública e de Direitos Humanos da OAB estiveram na sede do II Batalhão de Polícia Militar de Mossoró, quando ouviram oficiais e praças sobre os procedimentos adotados pela Força Nacional durante o cumprimento das ordens judiciais.
Legalidade
Tanto na sexta-feira, quanto na tarde de hoje, os policiais ouvidos relataram supostos abusos, que serão verificados pela OAB no acompanhamento das investigações e caso sejam confirmados, a Ordem vai atuar para que os responsáveis sejam punidos. A intenção da Subseção de Mossoró é garantir que a legalidade seja respeitada até o fim do processo.
A decisão de acompanhar a conclusão das investigações e o processo criminal, além de verificar supostas irregularidades nos cumprimentos das ordens judiciais durante a deflagração da operação, surgiu após reunião entre a diretoria da Ordem e representantes das Comissões de Segurança Pública e de Direitos Humanos, na quinta-feira passada (23).
Na ocasião, Canindé Maia, presidente da Subseção de Mossoró, voltou a enfatizar o posicionamento da instituição na defesa dos direitos humanos, cobrando seriedade nas investigações. “Caso seja comprovada a relação dos investigados com os homicídios, devem ser punidos de acordo com a lei”, disse Canindé.
Entidades representativas de policiais militares e bombeiros do Rio Grande do Norte reagiram à prisão de policiais na última quarta-feira (22), em Mossoró, na chamada “Operação Intocáveis”. A denominada “Operação Intocáveis” teria provas de que os presos fariam parte de um grupo de extermínio.
Veja a nota de repúdio dessas entidades, na íntegra, abaixo:
Em virtude das reiteradas operações policiais deflagradas por setores da Polícia Civil que mancham o nome da gloriosa Polícia Militar do Rio Grande do Norte, as Associações Representativas de Oficiais e Praças vem a público repudiar a operação policial deflagrada no dia 22 de junho de 2016, na cidade de Mossoró/RN, com o objetivo de prender apenas cinco policiais militares que são suspeitos de cometerem crimes.
Fazemos questão de deixar claro para a sociedade e para as autoridades que não somos contra qualquer tipo de investigação que envolva policiais militares, mas não podemos admitir que, para prender cinco homens, seja utilizado um efetivo de “guerra”, helicóptero e destruam residências dessas pessoas que tem profissão definida e endereço certo.
Veículos da Força Nacional estiveram na cidade na quarta-feira, 22 (Foto: O Câmera)
Não foi a primeira vez que a Polícia Civil em suas operações contra policiais militares agiu de modo a diminuir e humilhar toda a Polícia Militar. Em 2005, A Polícia Civil abordou uma guarnição da Polícia Militar que estava regularmente de serviço no bairro do Mirassol.
Essa ação desastrada se deu por um equívoco na investigação, situação em que “pensaram” que aqueles policiais militares eram criminosos e estavam com drogas dentro da viatura. No entanto, estavam apenas trabalhando.
Em 2007, a Polícia Civil investigava policiais militares suspeitos de praticarem vários crimes. Naquela ocasião, abordaram esses policiais militares em frente à antiga Penitenciária João Chaves na zona norte.
A ação desastrosa matou um cabo da Polícia Militar, sem que o mesmo tivesse disparado um único tiro contra os policiais civis. Nessa mesma ação, um policial de folga, que apenas passava pelo local, tomou um tiro no queixo e o único suspeito preso, posteriormente, foi absolvido. Devido ao constrangimento que a Polícia Civil causou a toda PMRN, o delegado geral da época pediu desculpas por aquele transtorno.
Agora, em 2016, para prender cinco policiais militares acusados de envolvimento com crimes, se faz uma verdadeira pirotecnia para passar a impressão de que a Polícia Civil do RN é uma instituição messiânica e que nela, somente nela, está a redenção da sociedade norte-rio-grandense.
Nós, que fazemos as Associações Representativas dos Militares Estaduais do Rio Grande do Norte, reiteramos que não defendemos nenhum dos nossos militares que se envolvam em crimes, ao contrário, exigimos que a lei seja aplicada com o máximo rigor, mas não podemos permitir que setores da Polícia Civil queiram transformar a simples prisão de cinco militares, prisão essa que facilmente seria cumprida por um oficial, como sendo a ocorrência do século XXI, tendo o senhor secretário de segurança pública declarado que essas prisões devem transmitir mais segurança a população de Mossoró e região.
A cinematográfica operação em Mossoró tem o único objetivo de querer fazer crescer uma instituição, diminuindo e humilhando a outra.
Antoniel Jorge dos Santos Moreira, Cap PMRN
Presidente da ASSOFMERN
Eliabe Marques da Silva, ST PMRN
Presidente da ASSPMBM/RN
Dalchem Viana do Nascimento Ferreira – Sd BMRN
Presidente ABMRN
Roberto Clayton Campos Fernandes, Cb PMRN
Presidente da ACS/RN
Guinaldo da Costa Lira Júnior, Cb PMRN
Presidente da ASSPRA
Tony Magno Fernandes Nascimento, Sd PMRN
Presidente da APRAM
Josivan Alves Rangel, Cb PMRN
Presidente da APBMS
Nota do Blog – Na última quarta-feira, policiais também foram às ruas em protesto contra as prisões. Movimentação ocorreu no centro da cidade de Mossoró.
A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Subseção de Mossoró, acompanhará as investigações que apuram a suposta participação de policiais militares e civis em crimes de extermínio, em Mossoró. O caso pipocou no dia passado, na chamada “Operação Intocáveis” (veja AQUI).
Reunião na OAB definiu posição (Foto: Assecom/OAB)
O trabalho será realizado através das Comissões de Direitos Humanos e de Segurança Pública, que terão a finalidade de garantir a lisura do processo investigatório.
Canindé Maia
A decisão de acompanhar a continuidade das investigações que culminaram com a realização da Operação Intocáveis”, em Mossoró, surgiu após uma reunião realizada entre o presidente da OAB/Mossoró, Canindé Maia, e representantes da diretoria e das Comissões de Direitos Humanos e de Segurança Pública de Mossoró.
“Acompanharemos as investigações, visando garantir a lisura do processo criminal e o respeito ao devido processo legal”, disse o presidente, na reunião com os advogados Kallio Gameleira, Rogério Barroso, José Mário, Osivaldo Leitão e Victor Lobato.
Em coletiva realizada na tarde desta quarta-feira (22), a Operação Intocáveis foi detalhada pelo secretário de Segurança Pública e Defesa Social, Ronaldo Lundgren, o Procurador-geral de Justiça do RN, Rinaldo Reis, o delegado geral de Polícia Civil, Stenio Pimentel, e o comandante da Polícia Militar, Dancleiton Leite.
Uma investigação de noves meses, conduzida pela Força Nacional de Segurança resultou na prisão de seis integrantes da Polícia Militar do Rio Grande do Norte que são suspeitos de integrarem um grupo de extermínio que atuava na região de Mossoró, na manhã desta quarta-feira (22).
Armas e muita munição foram apreendidas na operação de hoje (Foto: Degepol)
As prisões dos policiais militares foram efetivadas, com a realização da Operação “Os Intocáveis” que contou com o trabalho de aproximadamente 180 policiais integrantes da Polícia Civil, da Polícia Militar e da Força Nacional.
A Operação também contou com o trabalho de integrantes do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) do Ministério Público do RN e das Promotorias de Justiça de Mossoró. Os policiais cumpriram mandados judicais, expedidos pelas Varas Criminais de Natal, de prisão, de busca e apreensão e de condução coercitiva contra os suspeitos.
Foram presos em cumprimento a mandados de prisão temporária, os policiais militares Alex José de Oliveira, 41 anos; Edimar Gomes da Silva, 48 anos; Paulo César da Silva, 43 anos; Allan George de Menezes, 34 anos e Renixon Felício da Silva. Também foi preso Italo Ross Soares Carvalho, 35 anos, ele foi flangranteado por porte ilegal de arma de fogo.
Suspeitas
“Quando a Força Nacional chegou à Mossoró, em setembro de 2015, nossas investigações começaram a revelar que 14 homicídios e três tentativas de homicídios, os quais já eram alvo de nove inquéritos policiais, poderiam ter sido praticados por policiais militares.
Diante do fato, buscamos dados que comprovassem tal suspeita e verificamos que alguns policiais militares realmente eram suspeitos pelos homicídios. Diante da descoberta, a Força solicitou às Varas criminais de Natal a expedição dos mandados judiciais”, detalhou o delegado da Força nacional, Marcus Vinicius Fraile.
O delegado Marcus Vinicius explicou que o nome da operação é uma alusão a comentários de cidadãos de Mossoró que se referiam a estes suspeitos como os “Intocáveis”. “Percebemos que a população se referia aos suspeitos com medo, por já era senso comum que eles jamais seriam presos, apesar de todos os indícios”, destacou o delegado. Um dos casos nos quais os suspeitos teriam agido foi uma chacina acontecida em Tibau, onde morreram quatro pessoas de uma família, o crime ocorreu em setembro de 2015.
Resultados da Operação – Durante a ação, foram apreendidas na casa dos suspeitos armas, munições, celulares, dinheiro e equipamentos eletrônicos. Na residência de Alex José de Oliveira, os policiais encontraram um rifle de repetição calibre 556, um silenciador, um equipamento para uso noturno infravermelho e R$ 6.500,00. Em certas casas dos policiais militares, havia um verdadeiro arsenal de armas e munições.
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Agentes da Força Nacional, juntamente com policiais civis e militares, cumpriram na manhã desta quarta-feira (22) seis mandados de prisão, além de outros de busca e apreensão na cidade de Mossoró.
Os alvos são pessoas investigadas por envolvimento em crimes de homicídio, entre elas alguns policiais militares da segurança pública estadual.
A Secretaria de Segurança Pública e da Defesa Social (Sesed) confirmou que alguns dos suspeitos são policiais. A ação foi batizada de ‘Operação Intocáveis’.
Ainda de acordo com a Sesed, os detalhes da operação serão repassados à imprensa ainda nesta quarta, em Natal.