O prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União Brasil), requereu ao Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF-5), com sede em Recife (PE), por meio de seus advogados, a quebra do sigilo das investigações relacionadas à Operação Mederi, da Polícia Federal, realizada no último dia 27 de janeiro.
“Tenho todo o interesse de que o processo deixe de ser sigiloso e se torne público, para que todo o Rio Grande do Norte tenha acesso na íntegra. Eu acredito na Justiça e nas instituições e estou pronto para enfrentar isso com muita altivez, olhando no olho do cidadão do nosso Estado”, afirmou.
O prefeito também criticou a forma como o caso vem sendo divulgado. “Quero ainda combater a forma como está sendo noticiado, sem compromisso com a verdade, de maneira retalhada”, acrescentou.
A estranheza principal é que a Operação Mederi trata de investigação sobre licitações na Saúde, em diversos municípios, com mais de 30 mandados de busca e apreensão. Mas noticiário com supostos “furos” são dirigidos diretamente contra sua gestão e ele, o prefeito de Mossoró.
A declaração foi dada durante entrevista à imprensa nesta quarta-feira (11), na Câmara Municipal de Mossoró, antes da leitura da mensagem anual — a última antes de sua renúncia ao cargo para disputar o Governo do Rio Grande do Norte.
Prefeito de Mossoró deu entrevista ao programa Balanço Geral (Foto:
Portal da TV Tropical
O prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (UB), foi entrevistado no Balanço Geral RN nesta quinta-feira (29), e falou sobre as investigações da Operação Mederi, deflagrada na última terça-feira (27). Na entrevista, o gestor destacou o que é a verdadeira matemática de Mossoró, o processo de transparência adotado pelo município e ainda acrescentou que pessoas têm interesse na operação realizada pela Polícia Federal e pela CGU.
“Eu acredito na Justiça, nas instituições, por isso estou me colocando ao público, para falar ao povo do estado, responder qualquer indagação sobre esse caso. Eu não tinha conhecimento dessa investigação. Todas as medidas que adotamos foram transparentes”, disse em entrevista.
Questionado sobre “Matemática de Mossoró”, citada no operação, se a matemática realmente fecha ou se há distorções em contratos e na aplicação dos recursos públicos, Bezerra apresentou documentos e ressaltou qual seria a “verdadeira matemática de Mossoró”.
“É que eu tomei medidas para impedir qualquer dano ao dinheiro público. Eu trouxe documentos que dizem que eu enviei para a SMS para que a secretaria utilizasse o sistema do governo federal para assistência farmacêutica para ter controle de tudo. Quem toma as medidas de transparência, não tem compromisso com o erro”, destacou.
Equipe
Allyson Bezerra também reforçou sua confiança na equipe. “Tenho muita convicção que a equipe que colocamos nos nossos quadros. Em Mossoró, quem faz as licitações não é o prefeito. Em 2021, aprovamos uma lei de descentralização da gestão. Eu tirei da minha caneta a condição de fazer contrato e passei para os secretários. Além dessa medida, as nossas contratações são virtuais. Não é a quatro paredes”, acrescentou.
Motivação política
O prefeito afirmou que a operação pode ter motivação política. “Uma ação como essa, como está sendo tratada, interessa a quem não quer nossa ascensão política e aqueles que ficam apavorados com a possibilidade de agente disputar o governo do RN. Eu sei muito bem a quem interessa tudo isso que está acontecendo ou que está sendo feito ilações ou até que está tendo tentativas de me acusar ou tentativa de me acuar ou até que eu pare meu procedimento, a minha gestão, a minha forma de atuar”, afirmou Bezerra.
Em outro ponto da entrevista, o prefeito foi questionado se está disposto a afastar auxiliares e rever contratos. “Na própria decisão da Justiça, nenhum servidor da prefeitura foi afastado. Não há nenhum tipo de comprometimento na minha parte, no meu vice, nos meus secretários ou de servidores. Eu quero que seja investigado. O mais interessado sou eu. Eu sei da minha dedicação ao povo de Mossoró”, apontou.
Interesses
Para Allyson Bezerra, a investigação não afeta um projeto político estadual. “Eu gostaria de aproveitar o espaço, olho no olho do cidadão, mas falar também para aqueles que se acham no direito de tramar nos bastidores para se trabalhar alguma forma de divulgação, para me associar a qualquer ato que implique em desordem de recursos públicos. Eu tenho conhecimento quem, de alguma forma, está totalmente interessado nisso. Eu falo aqui porque, em breve, o RN vai conhecer, de forma muito clara, e muito direta a quem muito interessa de alguma forma, me prejudicar”, disse.
“A gestão da prefeitura segue sendo tocada assim como estava acontecendo, continua com a mesma força e mesma intensidade. Hoje cedo pagamos todos os servidores da Prefeitura. A Prefeitura segue seu rito normal”, acrescentou.
Possível candidatura
Ele aindo respondeu até quando pretende permanecer à frente da Prefeitura de Mossoró. “Conversas com nosso partido e com partidos de um grupo que defende que o RN mude. Enquanto eu já paguei o 13º dos aniversariantes do mês de janeiro de 2026, o servidor do estado recebeu atrasado, em janeiro, o 13º de 2025. É tão fácil ver a quem não interesse que nossa gestão, que a gente consiga prosseguir. É um comparativo muito claro. No tocante à candidatura, vamos continuar discutindo e, no momento certo, vamos tomar uma posição muito clara. A discussão desse momento, de fato, se existe uma possibilidade de afastamento, é por uma possível candidatura”, encerrou.
Operação Mederi em banner da Polícia Federal em redes sociais
A distribuidora de medicamentos Dismed, envolvida na Operação Mederi, emitiu nota nesta quarta-feira (28), negando irregularidades em licitações com várias prefeituras. Sobre R$ 52 mil em espécie , encontrados pela Polícia Federal num isopor, garante: “tem origem lícita.”
PF e Controladoria-Geral da União participaram dessa operação.
A nota é assinada pelo advogado Rodrigo de Oliveira Carvalho, responsável pela defesa.
“Os valores existentes e encontrados, em montante aproximado de R$ 52.0000,00, decorrem de atividade comercial lícita, são plenamente compatíveis com o ramo farmacêutico e não configuram qualquer ilícito, sendo pacífico o entendimento de que a manutenção de numerário em residência, por si só, não constitui crime”, disse.
O caso envolve prefeituras de Natal, Mossoró, Pau dos Ferros, Upanema, São Miguel, Paraú, José da Penha e outras (veja AQUI e AQUI)
Nota
A defesa que representa a empresa Diamed e Oseas Monthalggan Fernandes Costa acompanha os fatos com responsabilidade e serenidade, confiante de que o esclarecimento técnico e documental demonstrará a inexistência de qualquer conduta criminosa.
A DISMED atua há 18 anos de forma contínua e regular no comércio atacadista de medicamentos, exercendo atividade lícita, fiscalizada e amplamente reconhecida no mercado, sem histórico de irregularidades. Esclarece-se, ainda, que não corresponde à realidade a informação publicadas de que teriam sido encontrados cifras de milionários como noticiado por alguns veículos de imprensa, seja nas dependências da empresa, seja na residência de Oseas.
Os valores existentes e encontrados, em montante aproximado de R$ 52.0000,00, decorrem de atividade comercial lícita, são plenamente compatíveis com o ramo farmacêutico e não configuram qualquer ilícito, sendo pacífico o entendimento de que a manutenção de numerário em residência, por si só, não constitui crime.
No tocante a supostos diálogos envolvendo terceiras pessoas, a defesa aguarda o acesso integral aos autos, a fim de proceder à análise técnica do conteúdo, de sua existência, contexto e legalidade, observando-se rigorosamente as garantias constitucionais.
Por fim, reafirma-se o pleno respeito às instituições, ao devido processo legal e à presunção de inocência, aguardando-se que as apurações sigam seu curso com equilíbrio, discrição e estrita observância das garantias fundamentais.