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Nos tempos do Trio Mossoró e de Oséas Lopes

LP do Trio Mossoró (Foto: reprodução)
LP do Trio Mossoró (Foto: reprodução)

Por Paulo Menezes

Sábado de preguiça, sem álcool, curtindo uma rede e um lençol “cheirando a guardado”, mexendo no controle da TV, eis que surge na telinha o nosso conterrâneo Oséas Lopes, de nome artístico Carlos André.

Como que num passe de mágica, com o HD ainda em ordem, me transportei para minha adolescência e me vi tomando banho com alguns amigos nas águas despoluídas do rio Mossoró. Ficava a admirar Oséas Lopes com seus quase 2 metros de altura, pulando da ponte e seguindo pela correnteza do rio até “descer a barragem”, com suas braçadas longas e cadenciadas.

Nossa casa era na praça do Coração de Jesus, a dele na rua detrás, esquina com o paredão do rio Mossoró. Lembrei-me também da despedida dele e de seus irmãos João e Hermelinda, que formavam o Trio Mossoró. Seguiriam carreira artística no Rio de Janeiro.

Caso não esteja enganado, a despedida dos mossoroenses ocorreu no distante ano de 1960 tendo como palco o auditório da Rádio Tapuyo de Mossoró, sendo o locutor à época o radialista Canindé Alves.

Na cidade maravilhosa, os irmãos, após algum tempo, partiram para a carreira solo. Ozéas passou a ser Carlos André. Tornou-se além de músico, cantor, compositor renomado, também produtor musical.

Produziu vários artistas famosos dentre os quais o rei do baião Luiz Gonzaga. Hermelinda, gravou grandes sucessos da música nordestina destacando-se a canção de protesto, Carcará, grande composição de João do Vale e José Cândido.

Quanto ao João Batista fez-se João Mossoró, cantando, brilhando e levando  o nome de sua cidade por esse Brasil afora e além fronteiras, chegando até Portugal com suas magníficas interpretações do fado.

Ozéas nunca esqueceu a terrinha cuja recíproca não foi verdadeira. Nunca foi prestigiado como devido pela cidade que ele sempre amou. Pelo que levou aos vários rincões do país, cantando os sertões, a terra de Santa Luzia, seu povo bravo, merecia e merece um tratamento melhor dos seus concidadãos.

Recentemente numa entrevista dada ao chargista caricaturista Túlio Ratto (veja AQUI), externou “mágoas de como é tratado em Mossoró, diferente do reconhecimento fora dos limites da cidade e divisas do Rio Grande do Norte. E avisa que não quer ser lembrado depois de morrer”.

Até a “praça dos seresteiros”, que fizeram em homenagem ao seu irmão Francisco de Almeida Lopes, o grande seresteiro, chamado carinhosamente por Cocota, foi desprezada, abandonada e hoje é só saudade. Somente. Nada mais.

Essas lembranças que vez por outra me ocorre é fruto de uma adolescência e juventude vividas com muita intensidade no querido chão mossoroense e que por isso mesmo me tornei um saudosista de plantão.

Paulo Menezes é meliponicultor e cronista

Carlos André receberá o “Oscar da Música Nordestina”

Oséas Lopes, o Carlos André (Foto: Web)

O Instituto Intercultural Brasil (INBRA) e a Prefeitura Municipal de Campina Grande-PB vão realizar  dia 21 de agosto de 2019, à noite, no Teatro Facisa, a XI Edição do Troféu Gonzagão – O Oscar da Música Nordestina. Entre os homenageados estará um mossoroense: André Almeida Lopes, o “Carlos André” (nome artístico).

Cantor, compositor, produtor musical, ele integrou o “Trio Mossoró” e há décadas segue atuando no cenário musical brasileiro de forma multifacetada.

Receberá reconhecimento no mesmo patamar de outros nomes que também serão homenageados como os cantores-compositores Raimundo Fagner e Alcymar Monteiro.

Considerada como a noite de gala do forró, o evento paraibano reúne, anualmente, mais de 800 convidados e mais de 100 artistas nacionais, no mesmo ambiente.

O Troféu Gonzagão foi idealizado pelos dentistas Ajalmar Maia e Rilávia Cardoso, amantes da música e da cultura nordestina. Gradualmente, a iniciativa ganhou dimensão muito além dos limites de Campina Grande.

Neste ano, o Troféu Gonzagão homenageará o centenário do paraibano Jackson Pandeiro (in memoriam), cantor, compositor, ator e instrumentista extraordinário considerado o maior ritmista da história da Música Popular Brasileira.

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