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Biden deve usar poder americano e repetir Reagan

Por Ney Lopes

Registro de socorro, precário, em Gaza, a adultos e crianças (Foto: Mohammed Abed/Afa)
Registro de socorro, precário, em Gaza, a adultos e crianças (Foto: Mohammed Abed/Afa)

Chega aos limites da desumanidade a situação em Gaza.

576 mil pessoas na Faixa de Gaza – um quarto da população do enclave – estão a um passo da fome, de acordo com a ONU. Gabinete de Coordenação dos Assuntos Humanitários.

Com as pessoas comendo alimentos para animais e até mesmo cactos para sobreviver, e com os médicos dizendo que as crianças estão morrendo em hospitais de desnutrição e desidratação, a ONU disse que enfrenta “obstáculos instransponíveis” para ajudar.

Neste mês, 97 caminhões foram capazes de entrar em Gaza todos os dias, em comparação com cerca de 150 caminhões por dia em janeiro.

O número de caminhões que entram em Gaza permanece bem abaixo da meta de 500 por dia.

Enquanto isto, Biden disse esperar que aconteça na época do mês de jejum muçulmano do Ramadã, que começa em 10 de março.

Ontem, 2, iniciaram-se lançamentos aéreos de alimentos dos EUA, o que é muito pouco.

Outros países, incluindo a Jordânia e a França, fazem isso, há dias.

Sou admirador do democrata, mas nesse caso a sua ação é tímida e já poderia ter tomado uma atitude, até militar, não contra o valoroso e respeitável povo judeu, mas contra o sanguinário primeiro ministro Benjamin Netanyahu, que, segundo pesquisas, apenas 15% dos israelenses o querem governante

Há dias, o conceituado jornalista Elio Gaspari, em artigo na Folha, lembrou história publicada no jornal britânico “The Guardian”, que não tem dono e é propriedade de um fundo sem fins lucrativos de mais de 75 anos, criado com o objetivo exclusivo de manter o jornal operando com independência editorial.

Segundo o jornal, em 12 de agosto de 1982, no que mais tarde seria apelidado de “quinta-feira negra”, jatos israelenses bombardearam Beirute por 11 horas consecutivas, matando mais de 100 pessoas. Os civis são mortos aos milhares.

Naquele mesmo dia, um Ronald Reagan, presidente dos Estados Unidos, horrorizado fez telefonema para Menachem Begin, então primeiro-ministro israelense, para “expressar a sua indignação” e condenar o derramamento de sangue. Israel tentava destruir a OLP (Organização para a Libertação da Palestina), que não conseguiu, cujos combatentes estavam submersos em esconderijos de uma rede de túneis, abaixo de Beirute.

“Isso é um holocausto”, afirmou Reagan a Begin.

O líder israelense. Begin, respondeu com sarcasmo, dizendo ao presidente Reagan, que “sabia muito bem o que é um holocausto”.

Reagan, no entanto, não recuou.

Invocou o poderio americano e insistiu no cessar fogo em Beirute.

Vinte minutos depois, Begin ligou de volta para Reagan e disse-lhe que ele havia ordenado parar o bombardeio.

Diz-se que Reagan sensibilizou-se com a imagem de uma criança ferida no combate.

Hoje, o ataque israelense a Gaza já dura o dobro do tempo que o cerco de Beirute, com mais de 30 mil mortos.

Não se discute, que Israel tenha sido criminosamente invadido pelo Hamas e exerce o seu direito de defesa, que deve, entretanto, ter limites humanitários.

Segundo relato do jornalista Guga Chacra, em Gaza mais de 20 mil crianças ficaram órfãs. Cerca de 8 em casa 10 pessoas foram forçadas a deixar suas casas. A maior do território palestino, praticamente não existe mais. Virou ruínas. Entretanto, todos os dias repetem-se bombardeios aumentando o saldo de mortos.

A mídia mostra cenas horripilantes transmitidas ao vivo para telefones celulares, computadores e telas de televisão. O primeiro genocídio na história, onde suas vítimas estão transmitindo sua própria destruição em tempo real na esperança desesperada, até agora em vão, de que o mundo possa fazer alguma coisa.

Bruce Riedel, que passou três décadas na CIA e no conselho de segurança nacional, aconselhando quatro presidentes diferentes, declarou que os Estados Unidos poderiam agir e pressionar o cessa fogo.

Foi adiante ao declara que “Todos os dias fornecemos a Israel os mísseis, com os drones, com a munição, que ele precisa para sustentar uma grande campanha militar como a campanha em Gaza”.

Biden teria que ser mais firme.

Ele experimentou tragédias pessoais devastadoras. Perdeu a esposa sua esposa de 29 anos e filha de um ano em um acidente de carro e, décadas depois, o filho faleceu de câncer no cérebro. No entanto, ele agora possui o poder, único entre os 8 bilhões de pessoas que vivem neste planeta, para pegar o telefone, discar um número para Benjamin Netanyahu, um criminoso nato (ao contrário da índole pacifista do povo judeu) e obrigá-lo a parar as operações militares, sob pena de represálias imediatas.

Afinal, estão em jogo vidas humanas e não apenas interesses de países.

Biden terá que agir em 2024, como Ronald Reagan agiu, em 1982.

A Humanidade espera isto, independentemente de ser favorável a judeu ou a palestino.

Ney Lopes é jornalista, advogado e ex-deputado federal

Israel pratica genocídio? Opinião de um rabino

Por Ney Lopes

Criança em Gaza (Foto: Jordan News Daily)
Criança em Gaza (Foto:
Jordan News Daily)

Um tema de política internacional vem dividindo opiniões atualmente no Brasil.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestou apoio à denúncia apresentada pela África do Sul contra Israel em 29 de dezembro de 2023, na Corte Internacional de Justiça (CIJ).

O país africano acusa Israel de praticar um genocídio contra o povo palestino na Faixa de Gaza.

Não se justificam impulsos emocionais ou ideológicos, nascidos do radicalismo inconsequente, para apoiar a decisão do presidente Lula, ou condená-la.

O mundo está diante de uma situação delicadíssima nesta guerra entre judeus e palestinos.

O conflito entre Israel e Palestina é um dos mais antigos e complexos do mundo.

Há irradiações de apoios e rejeição em países do Oriente Médio e a exacerbação do conflito trará consequências altamente negativas para o resto do mundo.

Uma crise de abastecimento pela interdição de canais que ligam a Ásia ao Ocidente e o absoluto descontrole das economias globais, significariam verdadeiro tsunami de destruição da humanidade.

Antes de Cristo, os palestinos, descendentes dos cananeus, habitavam a Terra de Canaã.

O judaísmo é a religião monoteísta mais antiga do mundo.

De acordo com a tradição judaica, a prática religiosa teve origem quando Abraão foi ordenado por Deus para liderar o seu povo e procurar a terra prometida

O surgimento do Estado de Israel em 1948 marcou um momento crucial na história moderna da região.

Em relação ao momento atual, o documento de 84 páginas da África do Sul acusa Israel de atos e omissões “de caráter genocida, pois são cometidos com a intenção específica necessária … de destruir os palestinos em Gaza como parte do grupo nacional, racial e étnico palestino mais amplo

Em 7 de outubro de 2023, ao menos 1.500 integrantes do grupo terrorista palestino “Hamas” romperam o bloqueio à Faixa de Gaza e infiltraram o sul de Israel, onde foram realizados massacres e sequestros.

As cenas da carnificina chocaram o mundo e provocaram uma guerra sangrenta.

Israel reagiu e partiu para o contra-ataque, que dura até hoje

Alegando excessos, a África do Sul tem sido altamente crítica da operação militar de Israel em Gaza.

A África do Sul pede ao Tribunal Internacional de Justiça, declaração que na sua guerra contra Gaza, Israel violou as suas obrigações ao abrigo da Convenção do Genocídio.

A acusação é que Israel está matando palestinos em Gaza em grande número, com mais de 21.110 palestinos mortos desde 7 de outubro; estimativa de 7.780 pessoas desaparecidas, presumivelmente mortas; e 55.243 palestinos já feridos, desde 7 de outubro, muitos com queimaduras graves, amputações e sofrendo com as armas químicas utilizadas.

A matança, segundo a denúncia, envolve execuções sumárias e o extermínio de famílias inteiras nas suas casas, em abrigos, em hospitais, escolas, igrejas, mesquitas, e mesmo quando fugiam ao longo de rotas demarcadas como seguras por Israel.

Aproximadamente foram destruídos 318 locais religiosos cristãos e muçulmanos, tribunais, edifícios parlamentares, bibliotecas, terrenos agrícolas, padarias e infraestruturas de eletricidade, água e esgotos.

Israel reagiu com indignação as acusações apresentadas, descrevendo-a como “profundamente distorcida” e dizendo que a tentativa da África do Sul de fazê-lo interromper sua ofensiva contra o movimento Hamas em Gaza deixaria o país indefeso.

O pedido da África do Sul à Corte Internacional de Justiça é para Israel ser considerado violador da Convenção do Genocídio, que obriga todos os países.

A África do Sul pede que Israel seja ordenado a cessar quaisquer atos que violem essas obrigações; punir todas as pessoas que cometem, incitam, tentam ou são cúmplices do genocídio.

Diante de fatos tão controvertidos, com milhares de pessoas morrendo diariamente, o mais grave é que, caso o Tribunal determine um “cessar fogo”, poderá não ser cumprido. As grandes potencias vetariam na ONU.

Recentemente, o mesmo Tribunal emitiu ordem dizendo à Rússia para “suspender as operações militares que começou em 24 de fevereiro de 2022 no território da Ucrânia” e que qualquer apoio militar deve tomar “nenhum passo em continuar essas operações militares”.

Mas a Rússia, até hoje, não tomou conhecimento da decisão e continua com suas incursões de destruição da Ucrânia.

Uma pena que isso aconteça!

O mundo fica entregue à sua própria sorte.

Quanto a proposta da África do Sul, que o Brasil apoiou, cada internauta forme a sua própria opinião.

A minha opinião é de apoio ao rabino judeu ortodoxo Haim Sofer, que declarou:

“Estamos falando de 23 mil homens, mulheres, crianças e idosos que foram mortos. A maioria dessas pessoas que foram mortas são pessoas inocentes. A destruição em Gaza é enorme. Isso nos lembra a destruição da cidade alemã de Dresden na Segunda Guerra Mundial”.

Meu apelo às nações do mundo para não permitir esses crimes de guerra.”

Tenho certeza de que os judeus serão recebidos de volta para viver sob a jurisdição palestino-muçulmana. Eles seriam bem-vindos para viver com eles com plenos direitos religiosos”.

Entrando na história, o rabino disse que os judeus tinham seu “melhor tempo espiritual, econômica e politicamente” quando viviam entre os muçulmanos.

O domínio muçulmano na Espanha é conhecido como uma “era de ouro” para o povo judeu, disse ele, quando eles “gosavam de direitos surpreendentes – direitos políticos, espirituais e religiosos”.

Os judeus não terão problemas coexistindo com os outros enquanto permanecerem fiéis aos ensinamentos de seu livro sagrado, a Torá, e “não tenham aspirações de assumir terras, Palestina ou outras”, disse o rabino.

Que a opinião do rabino judeu Haim Sofer seja o caminho para a Paz!

Ney Lopes é jornalista, advogado e ex-deputado federal

Relações exteriores e diplomacia em tempos de guerra

A diplomacia de Israel lembra Theodore Roosevelt, presidente dos EUA:

“Fale baixinho, mas com um porrete na mão”, disse o presidente, ainda no início do século XX.

Theodore, primo de outro presidente mais célebre, Franklin Delano Roosevelt, ajudou a construir a concepção de nação imperial dos EUA.

É dele a visão de que “A América Latina é o quintal dos EUA”. Servia para ofertar matéria-prima à fornalha industrial dos norte-americanos.

Cito Theodore, em face da celeuma em torno da posição do Estado de Israel, que emitiu comunicado tentando ridicularizar o Brasil e sua diplomacia, por defender entendimento pacífico e não a beligerância, no conflito entre israelenses e palestinos. Fomos tratados como “anão diplomático”.

Menos, menos.  Talvez o que Israel queira é um parceiro de porrete. Quem não concorda com ele, é anão.

Veja:

De acordo com o jornal “The Jerusalem Post”, o porta-voz do ministério das Relações Exteriores de Israel, Yigal Palmor, chamou o Brasil de “anão diplomático”, ao comentar a decisão brasileira de chamar o embaixador para consultas por conta da escalada de violência na Faixa de Gaza. Nos últimos 16 dias, pelo menos 644 palestinos e 31 israelenses, entre estes 29 soldados, morreram na ofensiva de Israel contra o grupo islâmico Hamas.

O porta-voz, segundo a publicação, disse que a atitude do governo brasileiro é “uma demonstração lamentável de como o Brasil, um gigante econômico e cultural, continua a ser um anão diplomático”.

Clique AQUI e acompanhe matéria mais completa.

Nota do Blog – Se o Estado de Israel não fosse um dos mais bem-armados do mundo, já teria sido varrido do mapa.

Mas é claro que seu propósito, em relação aos palestinos, é de fazê-los sumir.

São povos que se odeiam e se matam há milênios. Assim vão continuar.