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Reminiscências

Por Inácio Augusto de Almeida

Tinha o Papai Noel, isto até ter a certeza de que tudo não passava de uma tapeação cheia de boas intenções dos seus pais. Mas nem por isso esta descoberta deixou de se constituir na sua primeira decepção.

Depois foi a visita que fez a uma tia.

Deitada dentro daquele caixão, cercada de flores, ela lhe pareceu muito gorda e amarela. Seu pai tentou lhe explicar que ela tinha morrido e que todos morrem um dia. Ficou muito chocado e achou aquilo um absurdo.

Depois veio a época dos super-heróis.Tinha o Capitão Marvel, o Superman, o Capitão América. Deste não gostava. Aquela enorme estrela no peito e aquela sua roupa listrada não ficavam bem para um super-herói.

Lembrava mais um palhaço que vira num circo sem lona. Uma coisa não entendia em todos aqueles super-heróis. Sendo dotados de tantos poderes, como aceitavam submeterem-se às ordens daqueles homens engravatados, gordos e carecas.

Não, ainda não entendia todo o poder do dinheiro. Não podia compreender que entre parar trem em alta velocidade com o peito, voar mais rápido do que uma bala e ter dinheiro havia uma diferença enorme. Tudo aquilo frente às cédulas virava fichinha, como até hoje vira…

Depois veio a época que seu pai só falava numa tal de guerra. E era uma guerra muito grande, enorme mesmo. Até nas revistas em quadrinhos, da Xuxa e do Triguinho, apareciam aquelas estórias que o seu pai contava em casa.

O americano era o mocinho, o alemão o bandido. Quando seu pai lhe trouxe muitos ioiôs que o Brasil recebera dos americanos, ficou mais certo ainda de que aqueles alemães eram mesmo uns bandidos.

Só muitos anos depois soube que aqueles brinquedos foram recebidos como indenização pelas perdas de guerra. E começou a duvidar quem era o mocinho e quem era o bandido. Mas isto já é coisa de quando grande e nós ainda estamos na fase em que o nosso herói era um rapazinho imberbe.

Veio a época de servir a Pátria.

Seu pai lhe disse que agora ia aprender a ser homem. Estranhou aquela expressão do “velho”. Não entendia como alguém pudesse aprender a ser homem em algum lugar. Quando voltou à vida de antes não se sentiu nem mais nem menos homem. Continuava o mesmo.

Chegou o tempo da faculdade e se dedicou inteiramente aos estudos. Depois de formado foi vencendo, com muito sacrifício, as barreiras. Vendo colegas seus filhos de gente importante disparando na vida, lamentou não ser filho de um Ministro ou de um Senador. Se fosse, pensou, não existiriam tantas barreiras.

Já homem feito viu a instalação do governo militar e percebeu como a corrupção acontecia, mesmo que de forma acanhada.

Sentiu todo o peso da censura e por não concordar com determinados comportamentos, sofreu perseguições e teve prejuízo na sua vida profissional.

Depois, com a chamada redemocratização, viu a corrupção agigantar-se de maneira tal que sentiu saudades do que era chamada ditadura.

Conheceu muitos “amigos” e poucos amigos. Pouco-a-pouco foi se convencendo que aquela fábula da raposa e das uvas era o que de mais perfeito existe em matéria de lição de vida. Viu o quanto os homens são sensíveis aos seus interesses imediatos e abandonam facilmente os seus ideais em troca de lentilhas.

Mais uma vez se lembrou da força do dinheiro. E concordou que a burguesia tem os seus encantos.

Avô, como todo avô que se preza, sentado na sua cadeira de balanço observa o netinho lendo uma revistinha de estórias de quadrinhos. E disse só para si o quanto seria bom se os heróis realmente existissem e surgissem para combater os bandidos.

Quando fechava os, olhos pensando em sonhar com o Capitão Marvel, ouviu do seu netinho:

– Adianta não, vô. Não tá vendo que eles recebem ordens dos que têm dinheiro?

Riu, riu e procurou dormir…

Inácio Augusto de Almeida é jornalista e escritor

Acreditar em Papai Noel

Por Lya Luft

Acreditei em Papai Noel por muitos anos. Menina do interior com a fantasia sempre a mil, ele fazia parte das minhas histórias encantadas. Até uns 7 anos de idade, eu também acreditava na cegonha e no coelho da Páscoa. Quando o pôr-do-sol tingia o céu, diziam-me que os anjinhos começavam a assar aqueles biscoitos de Natal que se faziam em todas as casas da pequena cidade. Trovoadas de começo de verão eram São Pedro arrastando os móveis para a fábrica de brinquedos ter mais espaço.

Na antevéspera de Natal, um recanto da sala era ocultado por lençóis estendidos, e ali atrás ocorria o milagre: na noite de 24, com o coração saltando de ansiedade, a gente escutava sininhos como que de prata: era hora. Levada pela mão da mãe ou do pai, eu entrava na sala, de onde os lençóis tinham sido removidos, e lá estava ela: a árvore de Natal, toda luz de velas, toda cor de esferas, e embaixo os presentes. Muitíssimo menos dos que se dão hoje às crianças, mas havia presentes.

Cantávamos canções natalinas, todo mundo se abraçava, depois abríamos os pacotes e comíamos a ceia. No dia seguinte, chegavam tios, primos, alguns amigos. Era só isso, sem alarde, mas com emoção. Guardei a sensação de que Natal é fraternidade, é reconciliação, é alegria de estar junto, é a chegada de pessoas queridas, é o tempo da família. Para quem não a tem, é o tempo dos amores especiais.

Não éramos particularmente religiosos, mas uma de minhas avós, luterana convicta, na manhã seguinte me levava à igrejinha, onde eu gostava de cantar. Algo de muito bom se comemorava nesse tempo, o nascimento de Cristo e a esperança dos povos. Nem tudo seria guerra e perseguição, pobreza, crueldade, injustiça.

As pessoas se queixam muito de que o Natal hoje é só comércio. Depende de quem o comemora. Se me endivido por todo o próximo ano comprando presentes além de minhas possibilidades, pois no fundo acho que assim compro amor, estou transformando o meu Natal num comércio, e dos ruins.

Se entro nesses dias frustrado porque não pude comprar (ou trocar) carro, televisão, geladeira, estou fazendo um péssimo negócio para minha alma. E, se não consigo nem pensar em receber aquela sogra sempre crítica, aquele cunhado cínico, aquele sobrinho malcriado, abraçar o detestado chefe ou sorrir para o colega que invejo, estou transformando meu Natal num momento amargo. Então, depende de nós.

Claro que há as tragédias, as fatalidades, doença, morte, desemprego, alguma maldade – essas não faltam por aí. Um avô meu morreu de doença muito dolorosa, na véspera de Natal. Foi a primeira vez que vi um adulto, minha avó, chorando. Há poucos anos, minha mãe morreu na antevéspera de Natal, depois de longuíssimo tempo de uma enfermidade maldita. Mas foram também ocasiões de conforto e consolo, abraço, amor e entendimento.

Na medida em que não se podem dar muitos e caríssimos presentes, talvez até se apreciem mais coisas delicadas como a ceia, o brinde, o carinho, os votos, a reunião da família, o contato emotivo com os amigos, mensagens pelo correio ou e-mail, música menos barulhenta e aroma de velas acesas. Mais que tudo isso, o perfume de uma esperança ainda que realista. A crise nas finanças pode incrementar a valorização dos afetos.

Se não pudermos viajar, curtiremos mais nossa casa. Se não há como trocar velhos objetos, vamos cuidar mais dos que temos. Se não podemos comprar o primeiro carro, vamos olhar melhor nossos companheiros no metrô. Vamos curtir mais nossos ganhos em afeto.

Não é preciso ser original para escrever sobre o Natal. A gente só quer que ele seja tranqüilo e gostoso, e que nos faça acreditar: em Papai Noel, em anjos, em famílias amorosas ou amigos fiéis, em governantes mais justos e líderes mais capazes, em um povo mais respeitado – em alguma coisa a gente acaba sempre acreditando. Porque, afinal de contas, é a ocasião de ser menos amargo, menos crítico, menos lamurioso e mais aberto ao sinal deste momento singular, que tanto falta no mundo: a possível alegria, e o necessário amor.

Lya Luft é escritora e tradutora

 

‘Papai Noel’ perde paciência com Micarla e Rosalba Ciarlini

"Papai Noel" usa óleo de peroba para envernizar as "administradoras" (Dn On Line)

Diário de Natal On Line

Um cidadão natalense decidiu fazer um protesto diferente nesta sexta-feira (15) em Natal. Reginaldo Firmino, morador da Zona Norte há 14 anos, se vestiu de Papai Noel e saiu às ruas da cidade com uma placa de protesto contra as administrações da governadora Rosalba Ciarlini (DEM) e da prefeita Micarla de Sousa (DEM).

Com uma caixa de presente e um óleo de peroba em uma das mãos e uma placa na outra, o natalense ficou a manhã inteira em frente à sede da prefeitura de Natal, na rua Ulysses Caldas, centro de Natal. “Zona Norte antecipa presente de Natal – óleo de peroba para as duas caras de pau – prefeita Micarla e governadora Rosalba”, com esses dizeres Reginaldo Firmino disse fazer um protesto limpo, sem baderna, nem fechamento de ruas.

“Parei o meu trabalho hoje para fazer um protesto limpo, não tenho nenhum vínculo político, sou apenas um natalense protestando contra o abandono da Zona Norte e do restante da cidade”, explicou Firmino. O “Papai Noel” disse que tomou a iniciativa após ver divulgação em um programa de TV que a prefeita estava calçando as ruas da Zona Norte.

Faltam só Papai Noel e as renas…

A cantora de axé, Margareth Menezes, por “seus relevantes serviços prestados”, ganhou título de cidadã natalense.

Seu destacado papel, durante o Carnaval, açulando a galera a “tirar o pé do chão”, lhe proporcionou a honraria.

Agora, esperemos o mesmo tratamento para Papai Noel e suas renas, que todos os anos exaltam o Natal.

Nota do Blog – Pensei que provincianismo fosse uma condição própria do capiau interiorano. Mas é fácil perceber que contamina também gente insular, rente com o oceano.

Reforma política, Papai Noel e Mula-sem-cabeça

Cá, em Natal, ouço certas indagações no meio político, que são as mesmas em circulação no interior.

– E a reforma política sai ou não sai?

Claro que não vamos ter reforma nenhuma para as eleições de 2012. Ficará tudo como está.

Mudanças são necessárias, até para a oxigenação do sistema político-partidário-eleitoral do Brasil.

Mas você acha que essa turma que está no Congresso Nacional tem interesse em mudar as regras para ser excluída do processo, um pouco adiante?

É como esperar que alguém ganhando uma partida de futebol, por 2 x 0, use o poder para mudar as regras e inverter o placar, favorecendo o adversário.

Nâo acredito em Papai Noel ou Mula-sem-cabeça