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PRF é atacada por bolsonaristas com pedras, tiros e fogos de artifícios

A Polícia Federal identificou 18 pessoas que participaram do ataque contra equipes da PRF (Polícia Rodoviária Federal) no município de Novo Progresso, no Pará, nesta segunda-feira (7). As guarnições foram alvo de pedradas contra as viaturas, além de pedaços de pau que foram arremessados, disparos com fogos de artifício e armas de fogo.

A corporação negociava a liberação de uma rodovia que foi interditada por manifestantes bolsonaristas que não aceitam o resultado das eleições. No entanto, quando atuava no local, os suspeitos criaram a fake news de que os agentes teriam matado uma criança. A informação falsa irritou os presentes, e os grupos avançaram sobre a polícia.

A corporação afirmou que uma menina passou mal durante o confronto, mas foi levada pelos próprios policiais ao hospital. Ela recebeu medicação e passa bem. Dois agentes foram feridos, um na mão e o outro na cabeça, atingidos por disparos de fogos de artifício.

A Polícia Federal informou à Record TV e ao R7 que vai pedir as prisões nas próximas horas e que busca identificar outros envolvidos. Antes que as viaturas se retirassem do local, armas de fogo foram apreendidas. No entanto, quando os veículos dos policiais saíram por causa dos ataques, foram efetuados disparos contra eles.

A PF também tenta identificar autores de outro ataque contra a PRF, dessa vez em Rio do Sul, em Santa Catarina. A FAB (Força Aérea Brasileira) está ajudando no transporte das equipes da Polícia Federal, que precisam se deslocar para áreas mais críticas, onde os atos estão mais violentos.

Nota do Canal BCS (Blog Carlos Santos) – Esse movimento defende intervenção militar, ou seja, o uso da força estatal contra a própria população, para garantir sua “liberdade”, mas começa a se voltar contra esse mesmo Estado. Resultado de seus delírios coletivos e a própria dificuldade de entender pelo que luta. Até bem poucos dias, a PRF era exaltada e agora passou a ser alvo. Insanidade de massa.

Policial rodoviário, ferido, é apenas a ponta do iceberg de um delírio coletivo que se volta contra o próprio Estado (Foto: divulgação)
Policial rodoviário, ferido, é apenas a ponta do iceberg de um delírio coletivo que se volta contra o próprio Estado (Foto: divulgação)

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O jornaleiro

Por Inácio Augusto de Almeida 

Todos os dias o menino passava com uma ruma de jornais em frente a um quartel no centro de Belém na Praça da República.

Ali parava para apanhar algumas mangas e descansar do peso dos jornais. jornaleiro

Ficava chupando mangas sentado no chão embaixo de uma mangueira. Nem das belas estátuas se dava conta.

Aquele garoto despertou a curiosidade de um militar. E por curiosidade, quase sempre o militar atravessava a rua e ficava a conversar com o jornaleiro que mal conseguia falar, tal a maneira como comia as mangas.

O garoto era o tipo amazônico com ascendência indígena sem nenhuma miscigenação. Já o militar, um nordestino típico.

Aos poucos o militar ficou sabendo que o menino estudava e morava num bairro da periferia onde os alagamentos eram constantes. A casa era de madeira; ao invés de uma rua, tábuas servindo de ponte no alagado onde tinham feito o casebre.

Isto lembrava ao militar uma casinha de palha…

Naquele dia observou muitos jornais e resolveu perguntar quantos o menino já vendera naquela manhã que prometia ser chuvosa.

Sem levantar os olhos, sem nada falar, o jornaleiro fez o V da vitória.

Com a chuva ameaçando cair, muito certamente não venderia mais nenhum jornal naquele dia

– Você quer vender todos estes jornais bem ligeirinho?

O jornaleiro deu um pulo, levantou-se e balançou a cabeça.

– Faça o seguinte. Limpe as mãos, pegue os jornais e vá para a esquina. De lá venha gritando AUMENTO DOS MILITARES, AUMENTO DOS MILITARES.

Quando o menino saiu para a esquina o militar atravessou a rua e ficou no portão de entrada do quartel.

Logo começou a ouvir o grito do jornaleiro anunciando o aumento dos militares.

Olhou para um colega e perguntou se ele tinha escutado o jornaleiro anunciar a manchete do jornal. Um outro militar disse ter ouvido alguma coisa como AUMENTO DOS MILITARES

Antes do jornaleiro passar em frente ao portão já havia vários militares com o dinheiro na mão.

E foi um vapt-vupt. Faltou jornal para tantos compradores.

Quando o último jornal foi vendido o menino com os olhos cheios de medo e uma voz baixinha perguntou:

– E agora?

 – Agora? Agora vá embora, ligeiro, não olhe para trás e passe um tempão sem andar por aqui.

Não sabia porque estava nesta viagem de transporte de estudantes do projeto Rondon a se lembrar desta passagem da sua vida. Voava de Santarém para Parintins

Lembrava e ria da cara dos colegas procurando no jornal a notícia que não existia.

Resolveu ir ao banheiro do C-47 que os americanos, após a guerra, tinham doado ao Brasil. E na passagem para o banheiro viu entre os passageiros, universitários que estavam no projeto Rondon, um rosto que lhe pareceu familiar.

Na volta encarou aquele estudante que também o olhava com simpatia e um sorriso bem aberto.

– Gostou de ter vendido todos os jornais?

– Foi a mais rápida venda de jornais que fiz.

– Qual curso está fazendo?

– Medicina.

Em Brasília Geisel era o Presidente da República e nas universidades meninos inteligentes, através do estudo, faziam cursos que mudariam completamente as suas vidas e a dos seus familiares.

Uma enorme alegria dominou por completo aquele piloto. E um grande abraço aconteceu. Lágrimas rolaram nas faces e nos corações daqueles dois homens.

E ainda existe quem diga que a felicidade não existe.

Inácio Augusto de Almeida é escritor e Jornalista

Juíza é ‘punida’ por botar uma menor com 30 homens em cela

O caso chocou o país no final de 2007. Uma menor de 15 anos foi jogada numa cela na cidade de Abaetetuba no Pará, por decisão judicial. Por 26 dias, em meio a 30 homens, foi queimada com pontas de cigarros, espancada e estuprada incontáveis vezes.

"L" entre a madrasta e a mãe à época em Belém do Pará, após dias de violência entre homens numa cela (Foto: Folha)

Ela havia sido presa sob a acusação de furto, sem que tivesse passado por qualquer julgamento. Decisão – por incrível que possa parecer – tomada por uma mulher, a juíza Clarice Maria de Andrade.

Em Brasília, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), decidiu punir com pena de disponibilidade a magistrada. Uma punição após quase dez anos do fato.

Clarice Maria de Andrade foi punida pelo Conselho Nacional de Justiça (Foto: Marcelo Seabra/O Liberal)

Na decisão, a maioria do plenário seguiu o voto do conselheiro Arnaldo Hossepian, relator do processo administrativo disciplinar. A pena de disponibilidade é prevista na Lei Orgânica da Magistratura Nacional (Loman) e estabelece como sanções administrativas desde advertência e censura até a “remoção compulsória” (afastamento obrigatório) e aposentadoria.

FALTA de compromisso com suas obrigações

Para o relator, “não é admissível que, diante da situação noticiada no ofício –presa do sexo feminino detida no mesmo cárcere ocupado por vários presos do sexo masculino, algo ignominioso– a magistrada Dra. Clarice, no exercício da jurisdição, tenha simplesmente delegado para seu subordinado a expedição de comunicados pelas vias formais, curvando-se às justificativas que, segundo ela, foram apresentadas pelo servidor para postergar o cumprimento da determinação, o que se deu mais de dez dias após o recebimento do ofício. Evidente, portanto, a falta de compromisso da magistrada com suas obrigações funcionais.”

Além disso, o magistrado em “disponibilidade com vencimentos proporcionais”, ou seja, afastado recebendo salários, fica proibido de exercer suas funções, mas pode ser convocado a atuar, a qualquer momento, depois de pelo menos dois anos da punição, conforme critério da administração do tribunal.

A decisão sobre o caso da juíza foi tomada nessa terça (11) e divulgada por meio de nota da assessoria do CNJ nesta quarta (12). A íntegra do despacho, contudo, com os detalhes da punição, ainda não foi publicada.

MAGISTRADOS SÃO solidários à juíza

Em nota oficial, “A Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) manifesta solidariedade à magistrada Clarice Maria de Andrade diante da decisão do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que determinou à juíza a pena de disponibilidade. A AMB considera desproporcional tal decisão e, mais uma vez, tomará providências para que não recaia sobre a magistrada o equívoco da responsabilidade que cabe tão somente ao Poder Executivo.”

De acordo com a assessoria de imprensa do CNJ, o órgão havia decidido pela aposentadoria compulsória da juíza, em 2010, mas a posição acabou revista pelo STF (Supremo Tribunal Federal) dois anos depois.

Para o Supremo, faltaram provas de que a magistrada soubesse das circunstâncias em que a ordem de prisão da adolescente fora cumprida. Na oportunidade, o Supremo determinou que o CNJ analisasse o caso novamente.

Veja mais detalhes AQUI.

Nota do Blog – Esse tal de Estado Democrático de Direito é mais uma das ficções de um país chamado Brasil.

Imagine você, se a menor fosse filha de um bacana, filha da própria magistrada, como seria tratado o caso?

Será que a punição do CNJ seria considerada “desproporcional”?

Francamente.

Essa terra um dia ainda vai cumprir seu ideal.

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STF derrubou pensão vitalícia no Pará; no RN tem que pagar

Pensão vitalícia de ex-governadores no Estado do Pará foi derrubada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Decisão saiu em abril deste ano.

No Rio Grande do Norte é lei. Está escrito, é lei (veja AQUI).

O caso do Pará chegou ao STF em 2011 por provocação da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

Mas no Rio Grande do Norte, a lei é outra. Tem que pagar e pronto.

Veja decisão do STF AQUI.