Em 2013, a Prefeitura de Mossoró já direcionou mais de R$ 4 milhões de sua receita para propaganda. A informação é resultado de dados levantados junto ao Jornal Oficial do Município (JOM).

Em quase cinco anos, a propaganda para exaltar obras, serviços e sobretudo a imagem personalista do poder consumiu R$ 29.590.753,55. Isso mesmo: quase 30 milhões de reais.
Esse volume de dinheiro daria para construir/equipar cerca de seis Unidades de Pronto-Atendimento (UPA’s), como a do bairro Belo Horizonte, inaugurada dia 28 de Dezembro do ano passado, em grande festa, mas que nunca funcionou. Segundo dados divulgados à época (veja AQUI), a UPA do Belo Horizonte custou quase R$ 5 milhões.
Edições do próprio JOM atestam que além da quantia de R$ 2.568.417 prevista no orçamento deste ano, já foram realizadas duas aberturas de crédito suplementar, contando com remanejamento e investimentos oriundos de “excesso de arrecadação.”
“Rastro”
Uma no valor de R$ 1.539.000, de onde foram retirados R$ 500 mil da Subsecretaria de Trânsito e Transporte, e outra de R$ 100 mil.
Entrando no oitavo mês de gestão, o atual governo movimentou R$ 4.207.412 direcionados para três atos de remanejamento/abertura de crédito suplementar para ‘Divulgação e Publicidade de Atos Governamentais’.
Em anos anteriores, gestão da prefeita de direito Fátima Rosado (DEM), uma montanha de dinheiro sumiu nesse destino. É um serviço que praticamente não deixa “rastro”, mas rapa o “tacho” do erário.
No ano passado foram R$ 4.908.086,13. Em 2011, R$ 8.167.143, 81.
Em relação ao ano de 2010, os números atingiram R$ 4.883.597,95. Quanto a 2009, a prefeitura destinou R$ 5.182.747,66 para esse fim.
Jagunços
Nessa conta, não é possível listar algumas merrecas torradas com endereços de blogs e outras páginas na Internet, financiados para insultar e promover leviandades contra quem contrarie os donos do poder. “É dinheiro não contabilizado”, segundo a cartilha do submundo político local.
Essa anti-propaganda é paga “por fora”. Serve para manter alguns jagunços da mídia em atividade – em seu ofício diário da agressão remunerada.

Para o vereador Lahyrinho Rosado (PSB), que está no segundo mandato na Câmara Municipal de Mossoró, o poder Executivo local faz uma cruel inversão de prioridades.
Ele tem feito alerta e reprodução constante sobre os gastos de propaganda na própria Câmara e num blog pessoal. Mas tem pregado no deserto.
“Lamento a insistente prática da prefeitura de alocar recursos para propaganda em detrimento da áreas prioritárias como saúde e educação”, reprova.