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Plano de saúde ‘baratal’ é aposta perigosa num universo já sofrido

Por Breno Pires para a revista Piauí

Arte ilustrativa
Arte ilustrativa

No último dia 10, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) deu o primeiro passo do que pode ser uma mudança drástica no mercado dos planos de saúde. A autarquia aprovou a realização de uma consulta pública sobre a implementação, em caráter experimental, de um tipo de plano barato e com cobertura baixíssima. Não permite atendimentos de emergência nem internações. Não inclui tratamento para câncer, autismo ou outras condições médicas, tampouco exames essenciais para a detecção de doenças graves, como tomografias e ressonâncias.

No jargão técnico, o que a ANS pretende fazer se chama sandbox regulatório – uma medida por meio da qual as agências reguladoras flexibilizam normas e permitem que empresas privadas (no caso, as operadoras de planos de saúde) testem uma nova prática por um determinado período de tempo sem risco de serem punidas. O “plano para consultas médicas estritamente eletivas e exames”, como a ANS vem chamando a nova modalidade, atende a um pleito antigo das empresas do setor.

A decisão foi aprovada por unanimidade pela diretoria colegiada da ANS e anunciada como uma boa notícia. “O objetivo é ampliar e simplificar o acesso dos brasileiros aos planos de saúde, aumentando a oferta e a diversidade de produtos na saúde suplementar”, disse o texto de divulgação da agência. Mas médicos e especialistas no assunto temem que seja o início de um processo de precarização ainda maior do acesso à saúde suplementar no Brasil.

A tese da ANS e das grandes empresas do setor é de que é preciso oferecer planos de saúde mais baratos para brasileiros que, hoje, não são capazes de arcar com a modalidade tradicional e sofrem nas filas de hospitais públicos. Segundo eles, esse grupo consiste sobretudo de trabalhadores informais, desempregados e idosos. Por tabela, além de beneficiar essas pessoas, diz a ANS, o novo plano pode ajudar a desafogar o Sistema Único de Saúde (SUS).

Contestação

Os especialistas contestam essa tese por dois motivos. Primeiro, alegam que um plano de saúde com cobertura tão precária vai inevitavelmente empurrar seus clientes para o SUS sempre que eles ficarem doentes ou precisarem de um atendimento mais complexo. Segundo, dizem se tratar de uma proposta que fere a Lei dos Planos de Saúde. Em vigor desde 1998, ela obriga as operadoras de planos a cobrir atendimentos de urgência e emergência. Mesmo o tipo mais simplificado de plano que existe hoje, o ambulatorial, garante atendimento de urgência, emergência e internação por até doze horas. Também abarca tratamentos como quimioterapia, radioterapia e hemodiálise.

Soma-se a isso a percepção de que a ANS está tomando decisões sem o devido debate. A Diretoria de Normas e Habilitação de Produtos da agência, responsável por elaborar a proposta que foi aprovada, dispensou a realização de uma Análise de Impacto Regulatório (AIR), medida adotada quando se quer dimensionar o impacto de uma nova regra. Nenhum gerente, coordenador ou diretor adjunto dessa diretoria assinou a proposta, que foi elaborada por um único especialista e endossada pelo diretor responsável, Alexandre Fioranelli.

A criação desse novo tipo de plano também não foi discutida até agora com o Ministério da Saúde. É de se esperar que fosse, já que mudanças regulatórias na saúde privada inevitavelmente impactam o SUS.

Dois coelhos

Para as operadoras de saúde, a proposta, caso vingue, matará dois coelhos com uma única cajadada. Primeiro, derrubará uma proteção garantida por lei, abrindo um precedente que pode resultar em novas brechas na regulação da saúde suplementar. E, em segundo lugar, permitirá que essas operadoras disputem mercado com os cartões de descontos e clínicas populares, que surgiram no Brasil como alternativas de baixo custo na saúde.

“Trata-se de uma manobra administrativa da maior gravidade, com um objetivo claro: criar um mercado novo, tentando liberar planos de menor cobertura para competir com os cartões de desconto. Pauta das operadoras absorvida mais uma vez pela ANS, um desserviço aos consumidores e ao sistema de saúde”, disse à piauí Mario Scheffer, professor do Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da USP.

O outro lado

O Ministério da Saúde respondeu com uma nota curta à abordagem sobre o assunto: “O Sistema Único de Saúde (SUS) tem como princípio fundamental garantir atendimento integral, universal e gratuito a toda a população. Sobre a proposta da ANS, que ainda está em fase de análise, o Ministério da Saúde acompanha de perto debates sobre este tema e segue atento às discussões em andamento.”

A Secretaria Nacional do Consumidor (SENACON) não respondeu. Wadih Damous, indicado pelo presidente Lula (PT) para assumir a presidência da ANS, disse à Piauí que não vai se manifestar sobre questões relativas à agência antes de ser submetido à sabatina no Senado.

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Projeto protege pacientes com Transtorno do Espectro Autista (TEA)

Os deputados estaduais aprovaram nesta quarta-feira (13) projeto de lei que proíbe aos planos de saúde limitar consultas médicas e sessões de fisioterapia, fonoaudiologia, terapia ocupacional e psicoterapia aos pacientes com Transtorno do Espectro Autista (TEA).

Plenário aprovou proposição do deputado estadual Gustavo Carvalho (Foto: Eduardo Maia)
Plenário aprovou proposição do deputado estadual Gustavo Carvalho (Foto: Eduardo Maia)

A matéria foi apresentada pelo deputado Gustavo Carvalho (PSDB) e foi aprovada por unanimidade dos presentes na sessão plenária da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte.

“Esse projeto se justifica dado ao corte que planos de saúde têm feito em relação a necessidade de fonoaudiólogos e de outros exames aos portadores de autismo. Esta é uma defesa do nosso mandato para que estes pacientes tenham direito ao que devem ter. Se a questão é receitada pelo médico, o plano tem que ter cobertura. Nosso projeto recupera essa condição ao paciente com transtorno”, disse Gustavo.

A matéria agora segue para sanção ou veto da governadora Fátima Bezerra (PT).

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O drama dos usuários de plano de saúde

Por Ney Lopes

Após a recente decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) em relação aos planos de saúde, percebe-se grande reação popular contra o entendimento dado pela Corte a essa questão.

O Tribunal tratou os usuários dos Planos de Saúde como “cifras e números numa planilha contábil” e não pessoas humanas.plano de saúde

Somente serão oferecidos tratamentos e medicamentos, que estejam citados no “rol de procedimentos” da Agencia Nacional de Saúde.

Esse “rol” não é atualizado e não acompanha a evolução da Medicina, além de interferir no ato médico, ao rejeitar a prescrição, o que é inadmissível.

Atualmente, os planos estão no topo das reclamações e ações judiciais no país.

A decisão do STJ estimula o mercado dificultar ao máximo a cobertura, em busca de menos gastos.

As novas regras, decorrentes do julgado, trazem uma “pegadinha”.

Dispõe que “eventuais” procedimentos com indicação médica, comprovação científica e sem equivalentes incluídos no rol poderão ter a cobertura requisitada e acolhida pelo plano.

Mero engodo.

Como admitir-se, que decisão envolvendo a vida humana seja tomada unilateralmente pelas empresas privadas da medicina suplementar?

Simplesmente coloca o doente à mercê dos cálculos financeiros do plano de saúde.

A lógica consagrada é a de que o importante é a empresa e não o paciente.

Como exigir-se de um enfermo, em situação aflitiva, comprovar cientificamente que a solicitação do seu médico é correta?

E quem não disponha de meios para ir à justiça?

Não foram previstas multa ou sanções para as recusas indevidas do plano.

Ao contrário, o STJ definiu, que o interessado terá que contratar cobertura ampliada, ou negociar um aditivo para algum procedimento extra.

Na lista da ANS estão de fora cirurgia de tecnologia robótica, quimioterapia oral, radioterapia e diversos outros tipos de terapias e remédios decorrentes da evolução da ciência.

Haverá recurso da recente decisão do STJ para o STF, a fim de evitar que seja legalizada a morte dos usuários dos planos de saúde, quando acometidos de doenças graves, que exijam tratamentos específicos e atuais.

As empresas alegam “prejuízos financeiros”, quando os sinais externos são de prosperidade no setor, até com atração de capital externo.

Essas empresas não só continuam operando no azul, a exemplo dos últimos anos, como viram o lucro aumentar desde 2020, apesar da pandemia, crise econômica e o aumento do desemprego,

A prova são fusões, aquisições de grupos menores e compras de redes de hospitais e laboratórios.

Nos casos constatados de desequilíbrios financeiros reais poderiam ser concedidas complementações às empresas, através do SUS, ou outros mecanismos.

O que não se admite é onerar o usuário e deixá-lo à mercê do arbítrio dos planos para decidirem isoladamente sobre concessões de tratamentos e medicamentos urgentes e inadiáveis.

Isto não!

Ney Lopes é jornalista, advogado e ex-deputado federal

Fruticultura precisa de estrada para escoar produção

Por Josivan Barbosa

O prefeito de Apodi, Alan Silveira (MDB), prometeu apoio à chegada da Brazil Melon na região compreendida entre os municípios de Apodi e Severiano Melo. A empresa firmou uma parceria com a tradicional Fazenda Bela Fonte que está instalada em solos arenosos no entorno da Chapada do Apodi.

O município de Apodi precisa articular com o Governo do Estado a construção do trecho de estrada entre a comunidade de Soledade e a divisa com o CE. Essa via é conhecida como Estrada do Arenito.

Se o governo do RN fizer a sua parte, o Estado do Ceará, com certeza, fará o restante que compreende da divisa do RN até o Distrito de Olho D’água da Bica em Tabuleiro do Norte. A estrada contorna a Chapada do Apodi e passa pela região dos Campos (Campos Novos e Campos Velhos). A Estrada do Arenito beneficiará hoje cerca de 10 empresas de fruticultura que já estão instaladas na região e que precisam escoar a produção pela BR 116 via portos do Ceará (Pecém e Mucuripe).

Brazil Melon

A Empresa Brazil Melon nasceu no início da década passada após o fechamento da Maisa. O seu proprietário, engenheiro agrônomo Francisco Vieira, foi funcionário da MAISA e, a exemplo de outros profissionais do setor, instalou uma pequena empresa no Sítio Jardim (localizado na Estrada do Melão) e hoje a empresa expandiu-se para o Córrego Mossoró, Mata Fresca (Aracati), antigas áreas da Maisa e mais recentemente chegou à região de Apodi-Severiano Melo.

A Brazil Melon traça o mesmo caminho da Agrícola Famosa na busca por novas áreas com disponibilidade de água para a atividade de agricultura irrigada. A parceria com a Bela Fonte, tradicional fazenda da região com cerca de 800 hectares, representa uma boa perspectiva de ampliação da área irrigada. No entorno da Chapada do Apodi (localização da Bela Fonte) há água de boa qualidade do lençol freático Arenito-Açu à baixa profundidade, o que facilita muito a redução do custo da água. Naquela região do entorno da Chapada do Apodi, a água pode ser encontrada em vazão razoável, profundidade de até 300 m, muito diferente da região original da Brazil Melon que pode chegar a 900 m.

São Francisco

O Ministério da Integração Nacional estuda a possibilidade de instalar usinas de geração de energia solar para realizar o bombeio da água no projeto de transposição do rio São Francisco. A tecnologia permitirá a redução de gastos com energia, que respondem por cerca de 80% do custo operacional previsto da transposição, da ordem de R$ 40 milhões por mês.

O canal de integração do São Francisco tem disponível uma faixa de servidão de 200 metros ao longo dos 417 de extensão. A ideia é utilizar esse espaço para a implantação dos parques de energia solar.

Gastos públicos

Gastos públicos em educação, saúde, transporte, saneamento, segurança, etc. podem ser mais eficientes. Tomemos o caso da educação. Gastos mais eficientes em educação significam alunos egressos do sistema com mais conhecimentos e habilidades, a um custo por aluno mais baixo. Como chegar a este resultado?

Estudos de desempenho escolar, mostram ser o resultado de múltiplos fatores. Alguns estão sob o controle do sistema escolar: qualidade e motivação dos professores, qualidade do material didático, currículos, abordagens educacionais.

Mas outras são independentes do sistema escolar: atributos socioeconômicos dos alunos, nível de educação dos pais, renda das famílias, educação pré-escolar, saúde das crianças, interesse dos pais na educação dos filhos, qualidade da alimentação no lar, salubridade das moradias. É um sistema complexo cuja eficiência pode aumentar com medidas bem direcionadas, bem estruturadas (integrando ações de várias secretarias tanto dentro da escola como no meio social dos alunos) e o esforço é contínuo.

Planos de saúde

A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) definiu em 10% o limite máximo para os reajustes dos planos individuais e familiares para os próximos 12 meses. Há a possibilidade de que as operadoras apliquem os novos valores de forma retroativa, já que o reajuste autorizado do ano passado – de até 13,55% – era válido até maio deste ano.

Assim que for anunciado, o aumento poderá ser aplicado a todos os planos individuais e familiares contratados a partir de janeiro de 1999. Esses planos representam perto de 20% do mercado de saúde suplementar, algo em torno de 9 milhões de usuários.

Para os planos coletivos ou empresariais, a atualização dos preços é feita livremente, em negociação direta com as operadoras, sem intermediação da ANS.

Ciro

O candidato a presidente Ciro Gomes (PDT) tenta acordo com o DEM para ampliar as suas alianças rumo ao segundo turno. As conversas com o PDT sobre um possível apoio à candidatura presidencial de Ciro Gomes são criticadas por líderes do DEM nos bastidores, dadas as diferenças ideológicas. Três dos principais candidatos da sigla, contudo, podem repetir essa coligação nos Estados, composições que seriam facilitadas por um acordo nacional. No Rio Grande do Norte, o governadorável Carlos Eduardo Alves (PDT), tende a receber apoio do DEM do senador José Agripino Maia.

Carlos Eduardo e Ciro podem ter apoio do DEM (Foto: arquivo)

Em Goiás, o senador Ronaldo Caiado (DEM), que lidera em todas as pesquisas, convidou a deputada Flávia Morais (PDT) para vice. A pedetista disse que o partido quer montar um palanque forte para Ciro no Estado e uma eventual composição nacional facilitaria a aliança local.

No Rio de Janeiro, o ex-prefeito Eduardo Paes (DEM) mantem boa relação: deu ao PDT a vaga de vice do candidato à sua sucessão há dois anos e busca o partido para concorrer ao governo.

No Ceará, terra de Ciro, o prefeito de Fortaleza é do PDT e o vice, do DEM. Ambos negociam uma ampla aliança em torno do governador Camilo Santana (PT), aliado da família Gomes.

Tempo de TV

A relação entre as alianças prováveis e a soma do tempo de propaganda gratuita na TV de cada candidato mostra como estão longe da realidade concreta essas conversas exploratórias. Hoje as alianças são feitas buscando ampliar o tempo de tv no qual Geraldo Alckmin (PSDB) está em primeiro lugar, com 5min (aliado ao PSD, DEM, PTB, SD, PRB, PP, PSC).

Em segundo vem Fernando Haddad (PT), com 1min40s, em voo solo.

Em terceiro, Ciro Gomes (PDT), com 1min30s (aliado ao PSB e PCdoB).

Em quarto Jair Bolsonaro (PSL) com 9s em voo solo.

Em quinto Marina Silva (Rede), com 8s também em voo solo.

Josivan Barbosa é professor e ex-reitor da Universidade Federal Rural do Semiárido (UFERSA)