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Em tempos de pós-verdade

Por Francisco Edilson Leite Pinto Júnior

Em tempos de “Pós-Verdade”, onde  os fatos objetivos têm menos influência que os apelos às emoções e às crenças pessoais, nada mais atual do que ler o livro do escritor e estudioso digital Gil Giardelli:

– “Nesse mundo em rede, podemos estar solitários, mas jamais estaremos sozinhos. São dezenas de amigos em seu Inbox, Messenger, Facebook, Twitter, Foursquare, Blog, Instagram, Pinterest… Contudo, passamos a viver em uma zona de neblina entre a vida real e a virtual (…)

– “O mundo on-line parece um grande palco de teatro de espelhos, no qual o tímido se torna extrovertido, o calmo se torna visceral, o rude se torna romântico. A inconveniência da verdade é criar um alter ego digital acima da lei, viver uma vida paralela completamente diferente da real (…)

– “Quando você dá sua opinião, curte, divulga, comenta, segue, lê, escreve, redireciona, divide, fala sobre e faz mais gente saber sobre algo, usando os recursos digitais, já está compartilhando. Sua existência digital, sua reputação, é medida pelo que você COMPARTILHA, pelo quanto influencia os outros e pelo modo como faz a diferença no mundo (…)

– “Eu amo a internet, vanguardista e revolucionária, que tem como principal e mais vantajosa característica a pura e simples liberdade de expressão. A ideia de que todo progresso tem seu preço talvez seja tão velha quanto a invenção da roda e o primeiro acidente por ela provocado. E o preço da internet é que ela potencializa e amplifica tudo, inclusive a idiotice”…

Pois bem, se comecei com o livro do Gil Giardelli, vou terminar agora fazendo uma advertência do sempre atual Nelson Rodrigues:

– “Os idiotas vão tomar conta do mundo; não pela capacidade, mas pela quantidade. Eles são muitos”…E como são muitos os idiotas que passam o dia fazendo Fake News, distribuindo ódio e amargura pelo mundo, só porque não conseguem amar a si mesmo e nem amar ao próximo… “Ó tempos, ó costumes” (Cícero, orador romano).

Que o Brasil acorde, antes que seja tarde demais…

Francisco Edilson Leite Pinto Júnior é professor, médico e escritor

A “nova” fórmula da pós-verdade

Por Odemirton Filho

“Não existem fatos, apenas interpretações”.

A assertiva de Nietzsche, parece-me, encontra-se atual. No mundo contemporâneo, de informações a jato, os fatos são de somenos importância. Se interpretam os fatos ao sabor da conveniência de cada um.

Afirma-se que “o termo pós-verdade foi empregado pela primeira vez em 1992, em um artigo do dramaturgo Steve Tesich na revista “The Nation”, mas ganhou força mesmo em 2016, quando a Oxford Dictionaries, o departamento da Universidade Oxford responsável pela publicação de dicionários, elegeu “pós-verdade” como a palavra do ano da língua inglesa”.

Com efeito, a pós-verdade tenta disfarçar a objetividade dos fatos, ou torná-los menos relevantes, fazendo um apelo ao subjetivismo, mexendo com os seus sentimentos do indivíduo, criando-se um estado de espírito que favoreça o recebimento da ideia que se quer passar.

Com isso, fica fácil manipular as massas, fazendo–as submissas às pretensões, nem sempre legítimas, daqueles que assim agem.

Sem dúvida, trata-se de um viés distorcido. As redes sociais estão recheadas de pós-verdades que tentam encobrir a realidade com uma demão de verniz.

Dessa forma, a pós-verdade é baseada em discursos e textos que tentam nos emocionar para manipular ou distorcer a realidade que percebemos. É por isso que muitos políticos têm utilizado essa técnica com o objetivo de obter apoio entre a população”.

É inegável que tanto a extrema direita, como a extrema esquerda, usa essa “nova” fórmula.

Acrescente-se que não é somente durante o período eleitoral que se utiliza a pós-verdade. Durante todo o curso do mandato é preciso manter arrefecidos os ânimos da sociedade. Há sempre o perigo de se retirar o véu da mentira e que a coletividade possa entender a realidade que, nem sempre, lhe é favorável.

Assim, para alguns, o neologismo pós-verdade não é nada mais do que uma mentira, ou como se denomina atualmente, uma fake news. Conclui-se, portanto, que são as velhas práticas, com uma nova roupagem, que ganharam impulso através das redes sociais.

Odemirton Filho é bacharel em Direito e oficial de Justiça