Por François Silvestre
Meu Deus! Em que país se esconde os escombros da instrução? Aqui, neste nosso país incomparável na geografia, que qualquer país se sentirá elevado na comparação, e miseravelmente comparado na realidade política atual, cuja comparação até o Nepal rejeita?

Pois é. Somos os escombros tumulares da dignidade educacional, nos dias de hoje. Ontem, não foi tão bem. Ou melhor, foi muito ruim. Muito. Mas o hoje é de tal natureza tão escabrosamente péssima que acolhemos a mediocridade com alívio.
O novo ministro da educação (Carlos Decotelli) não é decididamente um luminar. Longe, e ponha lonjura nisso. É um doutor sem doutorado (veja AQUI). Mas isso não ofusca nossa expectativa, até porque esses doutorados universitários, na sua quase totalidade, são festivais de mediocridades acadêmicas, de orientações fajutas e outras mumunhas. Mais grave é a constatação de plágio, nos textos do doutorado inconcluso. Segundo denúncias.
Mesmo assim, ainda saudamos a mediocridade do novo ministro. E que seja bem vindo e bem sucedido. Gostei da sua franqueza ao declarar-se desarmado intelectualmente para embate ideológico. Parabéns!
Sua chegada, professor Carlos Decotelli, foi um sopro de alivio na catacumba a que fora transformado o ministério da educação pelo sacripanta Abraham Weintraub, filhote do bolsonarismo e lambe rabo do não menos execrável Olavo de Carvalho.
A mediocridade substitui a excrescência. É um avanço. Torço para que pelo menos a educação oficial seja respeitada, se não for eficiente. Menomale, como diria o italiano vendedor de gravatas falsificadas na Praça D. José Gaspar, no centro outrora elegante de São Paulo.
François Silvestre é escritor