Arquivo da tag: professor Luiz Di Souza

Primeira vítima fatal da Covid-19 terá homenagem da Uern

Luiz: homenagem da Uern (Foto: Uern)

O professor Luiz di Souza, primeira vítima fatal da Covid 19 no Rio Grande do Norte, será homenageado pela Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN) com o Título Honorífico “Doutor Honoris Causa“. A decisão foi tomada em reunião do Conselho Universitário (Consuni) de forma remota, essa semana.

Durante mais de 20 anos, o professor Luiz Di Souza dedicou-se ao ensino superior na UERN, contribuindo com a graduação, iniciação científica, extensão e pós-graduação. Entre seus projetos, destaca-se o grupo Fanáticos da Química, que utiliza a linguagem lúdica na popularização da Ciência.

Luiz Di Souza era lotado no Departamento de Química e fazia parte do corpo efetivo do Programa de Pós-graduação em Ciências Naturais (PPGCN/UERN). Tinha graduação em Engenharia Industrial Química pela Faculdade de Engenharia Química de Lorena (1987), mestrado (1992) e doutorado (1996) em Ciência e Engenharia dos Materiais pela Universidade Federal de São Carlos e pós-doutorado em catalise bioquímica pela EEL-USP.

O professor Luiz Di Souza faleceu no dia 28 de março deste ano (veja AQUI), aos 61 anos, sendo a primeira vítima de Covid-19 registrada no Rio Grande do Norte.

Leia também: Professor era um espelho para seus alunos.

* INSCREVA-SE em nosso canal no Youtube (AQUI) para avançarmos projeto jornalístico.

Acompanhe o Blog Carlos Santos pelo  TwitteAQUIInstagram AQUIFacebook AQUIYoutube AQUI.

Aos que partiram

Luiz Di Souza, Élio César Marson, Emery Costa, Antônia Gizele Aquino de Medeiros: Covid-19 (Fotomontagem BCS)

Por Caio César Muniz

Que será do amanhecer
Sem Neto da Panelada?
Do rádio sem Emery?
Ramiro sem a risada
De Gizele, a sua filha?
E de nós, perdendo a trilha
Pra esta “sódade marvada”?
.
Margareth sem Luiz,
Sem poesia pra rimar.
Luiz Alves, enfermeiro
Com tanto pra ofertar.
César Marson, Anaísa,
Indo embora, feito brisa,
Nos tirando, chão e ar.
.
São tantos nomes perdidos
Que nem conto mais de dor,
Todo dia novos sonhos
Perdidos num corredor
Sem direito à despedida
Vai de novo, outra vida
Encontrar Nosso Senhor.

Caio César Muniz é jornalista, poeta e escritor

Professor vítima do Covid-19 era um espelho para alunos

Do Folha de São Paulo

Um homem inteligente, “cientista nato”, mas, acima de tudo, bondoso, que ajudava seus alunos do próprio bolso. É assim que o professor Luiz Di Souza foi lembrado na Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), onde lecionou por mais de 20 anos.

O professor de química, que tinha 61 anos, morreu no sábado (28) em um hospital de Mossoró – veja AQUI, onde morava, uma semana depois de ter sido internado no tratamento de complicações Testes de contaminação por coronavírus. Diabético, Souza foi a primeira morte pelo novo coronavião confirmado no Rio Grande do Norte. Ele deixou uma mulher, Margareth, dois filhos, Maria Paula e Kassyo, e uma neta.

Professor universitário Luiz Di Souza, 61, que morreu em decorrência de Covid-19 (Arquivo Pessoal)

Uma filha, de 19 anos, diz que pai, que amava viajar, não fez nenhuma viagem recente e que suspeita ter sido contaminada em contato com outra professora da universidade, que deixou uma UTI na segunda ( 30) e segue em isolamento.

Segundo relatos de alunos, Souza estava sempre disposto em seu laboratório para ajudar na disciplina dele ou em outros. “No decorrer do curso, foi se tornando um pai para todos os países”, afirma o ex-aluno Ronale Azevedo, 30.

Um colega Kelânia Mesquita, também do Departamento de Química da Uern, fala de ajuda para estudantes pobres do curso, em que inventava uma bolsa, mas que, na verdade, era paga por ele, muitas vezes, secretamente . “Era um profissional competente e exigente, ao mesmo tempo, que era acolhedor”, diz.

Doutorado e Mossoró

O mineiro de 61 anos nasceu em Alagoa, mas dias depois mudou-se com a família para Aparecida, em São Paulo. Estudou engenharia química em Lorena, cidade dos arredores, fez mestrado e doutorado na Universidade Federal de São Carlos.

Cerca de 20 anos depois, passou por um processo de seleção e alteração para o Rio Grande do Norte. Coordenava um grupo de alunos há anos da faculdade, com apresentação de aulas e teatro em escolas do estado, o Fanáticos da Química, em uma forma lógica de apresentação de uma disciplina para crianças.

A UERN decretou o luto oficial com hasteamento da bandeira no meio mastro.

Acompanhe o Blog Carlos Santos pelo  TwitteAQUIInstagram AQUIFacebook AQUIYoutube AQUI.