O Ministério Público do RN (MPRN), que desencadeou a “Operação Tubérculo” no dia passado (veja AQUI), deverá provocar mais estragos no meio político caicoense.
O que vem à tona sobre os bastidores da compra de apoios para frear uma Comissão Especial de Inquérito (CEI), na Câmara Municipal do Caicó, certamente vai causar muitos abalos e novas baixas.
Ontem, quem saiu preso foi o vereador Raimundo Inácio Filho (MDB), o “Lobão”, e o prefeito Robson Araújo (PSDB), o “Batata”, além do lobista Edvaldo Pessoa de Farias.
Ouvido ao chão como bom índio Sioux, Cheyenne, Cherokee, Comanche, Navajo ou Apache.
Nota do Blog – Ainda bem que esse tipo de situação só acontece em Caicó. Em Mossoró, por exemplo, claro que não há ambiente para ocorrer nada parecido ou similar.
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A “Operação Tubérculo” (veja AQUI), que resultou na prisão nesta terça-feira (14) do prefeito Robson Araújo (PSDB), o “Batata”, e o vereador Raimundo Inácio Filho (MDB), o “Lobão”, provoca mudanças administrativas em Caicó.
Às 20 horas de hoje, o presidente da Câmara Municipal caicoense, Odair Diniz (DC), empossará como prefeito o vice-prefeito Marcos José de Araújo (PP), o “Marcos do Manhoso”.
Suplente
Também será empossada no legislativo, a servidora pública e suplente de vereador Ana Edna da Silva (Avante). Ela obteve 759 votos em 2016.
“Os dois já foram notificados”, adiantou ao Blog Carlos Santos uma porta-voz da Câmara Municipal.
Marcos e o prefeito preso e afastado Robson Batata estavam distanciados politicamente antes desse episódio de hoje.
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A Operação Tubérculo (veja AQUI) deflagrada nesta terça-feira (14) pelo Ministério Público do RN (MPRN), com prisão de dois políticos caicoenses e um lobista, também investiga o cometimento de crimes de corrupção ativa e passiva na Câmara Municipal de Caicó. Novamente aparecem em cena o prefeito caicoense Robson Araújo (PSDB), o “Batata”, e o vereador Raimundo Inácio Filho (MDB), o “Lobão”.
Vereadores produziram relatório da CEI que investiga prefeito caicoense "Batata" (Foto: 19 de janeiro deste ano, CMC)
Após a deflagração da Operação Blackout pelo MPRN, a Câmara Municipal instaurou uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) para apurar a responsabilidade de todas as gestões públicas municipais desde a criação da Contribuição para Custeio dos Serviços de Iluminação Pública (COSIP).
Em depoimento, alguns vereadores caicoenses afirmaram ao MPRN que Robson Batata ofereceu o pagamento de R$ 3 mil mensais e ainda cinco cargos na gestão municipal para que votassem a favor dele na CEI.
Propina
Em fevereiro deste ano, a Câmara Municipal recebeu uma denúncia popular que pede a cassação de Robson Batata da Prefeitura.
Agindo a mando de Robson Batata, o vereador Lobão Filho procurou colegas na Câmara e ofereceu R$ 30 mil e cargos na gestão para que votassem contra a cassação do prefeito. Alguns vereadores, em depoimento ao MPRN, confirmam que foram contatados por Lobão Filho e que ele propôs as vantagens indevidas em troca do voto.
Um dos vereadores procurados chegou a gravar conversa em que Lobão lhe faz a proposta de compra de voto por R$ 30 mil e cargos na Prefeitura.
O processo de cassação de Robson Batata na Câmara está suspenso por decisão liminar, mas já se encontra instaurado a partir dos votos de 10 dos 15 membros da Casa Legislativa.
Uma operação do Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) prendeu nesta terça-feira (14) o prefeito de Caicó, um vereador da cidade e ainda um lobista suspeitos de corrupção ativa e passiva, associação criminosa, tráfico de influência, lavagem de dinheiro e dispensa indevida de licitação.
"Lobão" e "Batata": problemas (Foto: Web)
A Operação Tubérculo cumpriu três mandados de prisão, e outros seis mandados de busca e apreensão na cidade seridoense e em Natal.
Além de presos preventivamente, o prefeito Robson de Araújo (PSDB), o “Batata”, e o vereador Raimundo Inácio Filho (MDB), o “Lobão”, foram afastados dos cargos.
O lobista Edvaldo Pessoa de Farias teve prisão temporária decretada.
A Operação Tubérculo (referência à batata) é desdobramento das operações Cidade Luz, deflagrada em julho de 2017 e que desvendou um esquema criminoso instalado na Secretaria Municipal de Serviços Urbanos de Natal através da constituição de cartel, entre empresas pernambucanas que prestavam serviços de iluminação pública na cidade; e Blackout, realizada em agosto do mesmo ano e que apurou superfaturamento e pagamento de propina para manutenção do contrato de iluminação pública em Caicó.
Ao todo, 12 promotores de Justiça, 22 servidores do MPRN e 28 policiais militares participaram da operação Tubérculo.
Os gabinetes do prefeito e do vereador foram alvos dos mandados de busca e apreensão. Pelo que foi apurado pelo MPRN, o envolvimento de Robson de Araújo com o esquema fraudulento começou antes mesmo de ser empossado prefeito de Caicó, ainda em novembro de 2016.
Operação Cidade Luz
A investigação sobre a participação do prefeito foi iniciada após os empresários Allan Emannuel Ferreira da Rocha e Felipe Gonçalves de Castro, presos na Operação Cidade Luz, firmarem termo de colaboração premiada com o MPRN. Allan Emannuel e Felipe Gonçalves admitiram e apresentaram provas que negociaram com Robson Batata a continuidade da prestação dos serviços de manutenção da iluminação pública mediante pagamento de propina.
Eles batizaram de “lâmpada” cada pagamento de R$ 1 mil que era efetuado.
Segundo decodifica o MP do RN, o padrão monetário de Batata não é o Real, mas a "Lâmpada" (Reprodução)
Os empresários apresentaram provas que mostram que foi estabelecido até mesmo um cronograma para o repasse da propina. Os empresários, a mando de Robson Batata, também negociaram com o lobista Edvaldo Pessoa de Farias.
Pelo “serviço”, Edvaldo recebia uma “mesada” de R$ 3 mil dos empresários. Para o MPRN, há indícios de que o prefeito Robson Batata recebeu aproximadamente 70 “lâmpadas” pela manutenção de contratos para execução de serviços de iluminação pública com as empresas Real Energy Ltda e Enertec Construções e Serviços Ltda.
Prisões “necessárias
Na decisão pelas prisões preventivas de Robson Batata e Lobão Filho, o desembargador Gilson Barbosa frisa que elas são necessárias por causa do “risco considerável de reiteração de ações delituosas por parte dos investigados”.
Operação Tubérculo começou cedo e cumpriu determinações judiciais até na Prefeitura de Caicó (foto) e outras cidades
Ele entendeu ainda que “caso permaneçam em liberdade, Robson de Araújo e Raimundo Inácio Filho, por se encontrarem nos cargos eletivos, tendo acesso às repartições públicas e em contato com outras pessoas envolvidas, continuarão a delinquir, no intuito de permanecer com os favorecimentos pessoais e na tentativa de obstar a cassação do prefeito”.
Por fim, o desembargador destacou que é “importante não olvidar que podem os detentores dos cargos tentar escamotear as provas dos possíveis ilícitos, com a destruição de documentos, apagando conversas em aparelhos celulares e e-mails, cooptando outras pessoas etc”.
Para decretar a prisão temporária de Edvaldo Farias, o desembargador ressalta que ele agia com o objetivo de cumprir as ordens do prefeito de Caicó, “bem como se locupletar do dinheiro público”.