O menino pequeno e negro abre a lixeira.
Revira o lixo e encontra um pedaço de pão.
Parece que contém um pouco de sujeira…
Estuda o fragmento e logo passa a mão.
Depois, espertamente, o garotinho cheira
A massa descartada e ele mordisca. Então
Descobre que seu gosto não é de primeira,
Porém não desperdiça aquela refeição.
É magro e cabeçudo, pernas bem cambadas.
Decerto o pobrezinho não tem nem dez anos.
À noite, com a mãe, dormindo nas calçadas.
Divide o pão com ela, cerca da metade.
A mãe quanto o pequeno são bolivianos,
Sozinhos e invisíveis na grande cidade.
Marcos Ferreira é escritor
