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Estudantes de medicina vão passar pelo “Revalida”

Do Portal G1

O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) publicou no Diário Oficial desta segunda-feira (15) o edital que detalha como será a aplicação do pré-teste do Revalida, exame de revalidação de diplomas de medicina estrangeiros, a estudantes brasileiros, conforme antecipado pelo G1 na última semana.

A prova vai ser aplicada no dia 25 de agosto. Segundo o Inep, a amostra de participantes brasileiros envolve 32 cursos e 3.745 concluintes do curso de medicina, representando todas as regiões do país. Desse total, 17 cursos são de instituições de ensino superiores privadas e 15 públicas – os nomes das instituições serão divulgados futuramente, de acordo com o Inep.

Amostra

Segundo o edital, os estudantes que participarão do exame são parte de uma amostra elaborada pelo Inep e pela Secretaria de Educação Superior do Ministério da Educação (SESu/MEC) além de instituições que, em 2013, utilizarão o pré-teste como instrumento de avaliação em seus processos de revalidação de diplomas médicos.

Todas elas aceitaram espontaneamente participar do estudo, informa o Inep.

O texto publicado no DO informa que a aplicação das provas tem por “finalidade exclusiva subsidiar análises sobre a avaliação aplicada na primeira etapa do Revalida, e com ele não se confunde, tendo em vista sua adequação às Diretrizes Curriculares Nacionais dos cursos de medicina”. Ou seja, o objetivo é testar em estudantes brasileiros a prova aplicada àqueles que estudaram no exterior.

Os dados do Inep sobre as provas aplicadas em 2012 indicam que os cursos de medicina de Portugal são os que melhor preparam os médicos para a aprovação no Revalida. No ano passado, dos oito diplomados no país incritos na prova, três conseguiram passar, o equivalente a 37%. Veja resultado na tabela abaixo:

ÍNDICE DE APROVAÇÃO, SEGUNDO O PAÍS DE ORIGEM DO DIPLOMA DOS CANDIDATOS INSCRITOS
País de
origem
do diploma
Nº de inscritos Nº de aprovados
2011 2012 2011 2012
Portugal 0 8 3 (37%)
Venezuela 16 15 4 (25%) 4 (26%)
Argentina 56 69 13 (23%) 14 (20%)
Espanha 16 26 0 (0%) 5 (19%)
Peru 45 33 5 (11%) 5 (15%)
Cuba 140 182 15 (11%) 20 (11%)
Colômbia 19 28 6 (32%) 3 (11%)
Paraguai 17 50 1 (6%) 2 (4%)
Bolívia 304 411 14 (5%) 15 (4%)
Outros países da Europa 18 21 2 (11%) 5 (24%)
Outros países da Am. Latina 42 37 5 (12%) 1 (3%)
Países da África 0 2 0 (0%)
Países da Ásia 2 1 0 (0%) 0 (0%)
Países da Am. do Norte 2 1 0 (0%) 0 (0%)
 

Fonte: Inep/MEC

 

 

A história que não te contaram

Por Samila Marissa

Uma carta a você que, como eu, é cidadão brasileiro.

Afinal, o que diabos era aquele monte de gente de jaleco branco gritando hoje no meio da rua? E aqueles meninos de cara pintada entoando o hino nacional? E o que você tem a ver com tudo isso?

Bom, meus amigos, o movimento de hoje tinha a intenção de esclarecer a população sobre a vinda de “médicos estrangeiros sem revalidação de diploma”. E o que é isso, afinal de contas?

Nossa presidente anunciou, em pronunciamento na TV, que a proposta para resolver os problemas da saúde brasileira é trazer de outros países milhares de médicos. Mas… isso é bom ou ruim? Ora, se eu chegar pra qualquer cristão e perguntar “você queria mais médicos para atender a população?”, uma boa maioria responderá “sim, claro”, como demonstrou pesquisa do Datafolha (ver referência 1), em que 47% dos brasileiros foram a favor.

Mas… e os 48% da população que foram contra? Será que são todos parentes de médicos e opinaram contra só pro pai/mãe/tio não ter concorrência no mercado? Ou será que eles ouviram o outro lado da história?

Permita-me, meu caro, falar sobre a história que não te contaram…

Há muitos, muitos, muitos anos, na época da Guerra Fria, numa ilha distante, chamada Cuba, a União Soviética investiu dinheiro na saúde. Formaram-se muitos médicos, e Cuba ganhou fama de ter Medicina de ponta. Todavia, o tempo foi passando… Cuba passou de suposto socialismo para ditadura, sofreu deterioração de sua infraestrutura e de seus serviços, mas persistiu a fama da boa medicina.

Fidelzinho, que não é besta nem nada, percebeu que exportar seus médicos seria um negócio e tanto. E é, de fato: rende mais de 5 bilhões de dólares ao ano para o regime cubano, segundo a BBC Brasil (ver referência 2). Isso se faz não é de hoje, e não é só para o Brasil. Há MILHARES de médicos cubanos nos países subdesenvolvidos mundo afora.

Mas afinal, como a ditadura cubana ganha este dinheiro?

Primeiro, explorando os médicos cubanos, uma vez que porcentagem maciça do salário destes volta pro governo cubano; depois, através de favores intergovernamentais, como doação de barris de petróleo e barrinhas de ouro.

Tais médicos cubanos (os “criados para exportação”) são treinados para trabalhar em situações de guerra e em locais precários. São treinados para atender em países miseráveis e recebem treinamento militar, ou seja, estão acostumados à desgraça.

E muitas vezes são obrigados a ver seus pacientes morrerem, já que, como é de se supor, campos de guerra têm situações precárias de atendimento.

E se isso tudo é verdade… por que os médicos cubanos ainda se submetem a tal situação? Primeiro, porque quem vive em uma ditadura tem poucas escolhas; depois, porque, por pior que seja o país para onde eles serão mandados, ainda será melhor do que a exploração à qual são submetidos em Cuba.

Mas já que a situação no Brasil está tão grave… será que os médicos cubanos não melhorariam “alguma coisa”? Bom, temos uma experiência semelhante no Brasil, no Estado do Tocantins. Foi uma das maiores histórias de erro médico deste país. Por quê?

Ora, minha gente… imagine você ser jogado num país estranho, do dia para a noite, para consultar pacientes em condições de trabalho precárias, sem entender o que o paciente fala, com nomes de medicamentos e doenças diferentes, com diretrizes, protocolos e realidade sanitárias COMPLETAMENTE DIFERENTES! Resultado: caos. Tanto que a justiça federal proibiu os profissionais estrangeiros de atuarem no Tocantins naquela época (ver referência 3).

Agora o senhor me diz… “Mesmo assim, ainda faltam médicos no interior deste país!”. E aí eu respondo pro senhor… “faltam, sim”. E sabe por quê?

Porque os gestores de muitas (não todas) das nossas prefeituras obrigam os médicos a trabalharem do jeito que eles querem, fazendo “falcatruas”, beneficiando familiares, atendendo 50 pacientes numa manhã, sem nem deixar o paciente sentar, só para garantir mais votos ao prefeito. E nos pagam um ou dois meses, e depois nos dão um legítimo “pé-na-bunda”… sem falar nos que passam a mão em boa parte do salário do médico.

Trazer os “meninos de Fidel” é a oportunidade perfeita pros políticos brasileiros escravizarem os médicos cubanos, e, na cabeça deles, também os brasileiros.

Eu sei que você precisa de um SUS de qualidade. Eu também preciso. Eu sei que você é um trabalhador. Eu e meus colegas também somos. Estudamos 6 anos na graduação, manhã, tarde e noite; e mais 3 a 6 anos numa residência médica (especialização) que paga 2 mil reais por uma carga horária mínima de 60 horas semanais. E ainda levamos nome de “mercenários” de algumas criaturas.

Nós merecemos, sim, bons salários. Mas não é por fortunas que lutamos. É apenas por uma carreira de estado que nos pague dignamente. E o senhor, merece, sim, ser bem atendido. Era por isso que os meninos de cara pintada gritavam hoje na rua: por uma saúde de qualidade, por uma carreira de estado para os médicos, por uma formação de qualidade e por UMA PROVA DE REVALIDAÇÃO.

Submeter os estrangeiros a uma prova é garantir que só atuará no Brasil aqueles que conseguirem falar português com desenvoltura, aqueles que dominem bem a medicina, e não simplesmente os treinados nos “criadouros de Fidel”.

No mais, saúde não se faz só de médico. É preciso investir na atenção básica, nos hospitais e nas outras profissões da saúde. E lembrem-se: médico ruim e bom tem em todo lugar: no Brasil, em Cuba, na Espanha, em Portugal (há boatos de que os espanhóis e portugueses não pretendem vir – referência 4). Não generalize. E não nos diminua só porque um médico brasileiro um dia o atendeu mal. Venha de onde vier, todo profissional tem que mostrar ser apto para exercer a profissão que escolheu.

Nós não temos a solução para todos os problemas. Mas nós temos vozes que clamam por melhorias. E sabemos que um problema não se resolve criando outro muito maior. Então, meu amigo, lembre-se: nós todos merecemos muito mais do que migalhas. Nós merecemos o banquete completo.

Um abraço.

Samila Marissa é integrante do Centro Acadêmico da Faculdade de Medicina da Uern

Se você duvidou de alguma coisa neste texto, leia as referências:

1. //noticias.terra.com.br/educacao/datafolha-pais-se-divide-sobre-vinda-de-medicos-estrangeiros,1107c79eba99f310VgnVCM3000009acceb0aRCRD.html
2. //www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2013/06/130608_cuba_medicos_pai.shtml
3. //www.cremego.cfm.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=24791&catid=3%3Aportal
4. //www.hc.ufpr.br/?q=content%2Fnão-virão-médicos-portugueses-e-espanhóis-virão-cubanos-diz-presidente-do-cfm
5. OPINIÃO DA OMS: //www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2013/05/130517_oms_brasilmedicos_fl.shtml

Carreira médica e importação de médicos são debatidas

A criação da carreira médica pode ser caminho para a correção da má distribuição dos médicos pelo país. A afirmação é do deputado Antônio Jácome (MD), propositor da audiência pública realizada na tarde desta quarta-feira (29) e que reuniu representantes do setor para debater sobre a federalização da carreira médica.

Debate ocorreu hoje na Assembleia Legislativa

Na ocasião, o parlamentar apresentou dados sobre a atuação desses profissionais, alegando que em locais mais distantes das capitais, o número de médicos é reduzido, em virtude das más condições de trabalho oferecidas e de salários defasados.

A ideia defendida pelo deputado é que com um cargo de dedicação exclusiva seria possível melhorar a situação da falta de profissionais em áreas mais carentes do Brasil.

”Hoje a carreira médica é um tema da ordem do dia. O grande problema da saúde está na distribuição do médicos. A Organização Mundial de Saúde recomenda um médico para cada mil habitantes. No Brasil existem quase dois por cada mil habitantes. São mais de 380 mil profissionais em atividade no país. Isso mostra que não há uma deficiência no número de profissionais médicos. Somos o segundo país do mundo em escolas de medicina, temos 160 faculdades. Só perdemos para a índia. Temos regiões onde a média chega a mais de três médicos por mil habitantes. E temos outras que não chega a um médico por mil habitantes”, explicou Jácome.

Outro assunto que entrou em discussão durante a audiência pública foi a importação de médicos de outros países para suprir as necessidades do sistema brasileiro de saúde. Para o presidente do Sindicato dos Médicos, Geraldo Ferreira Filho, essa atitude não irá resolver o problema do país.

“Isso tem escandalizado a sociedade, pois os índices de reprovação deles são alarmantes, nas revalidações de diplomas. O Governo não pode entregar a população nas mãos de quem não está habilitando. Isso não é corporativismo. Os médicos estão defendendo a saúde do povo brasileiro”, declarou.

O vice-presidente do Conselho Regional de Medicina, Marcos Jácome também se posicionou contra a importação de médicos.

“É muito preocupante essa tentativa. Temos a maior avalanche de escolas médicas. Somos uns dos maiores formadores desses profissionais. O que acontece é uma falha na gestão da saúde publica e no financiamento. São pontos gravíssimos que se não forem atacados de forma técnica, não se vai resolver o problema existente em nossa saúde”, afirmou.