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Paulinho e os 20 anos da Honda em Mossoró

Por William Robson

Reprodução de página veiculada em 1997 (Foto: Carlos Costa)
Reprodução de página veiculada em 1997 (Foto: Carlos Costa)

Acreditando na força do seu trabalho, o empresário Luiz Teotônio de Paula Neto (o Paulinho da Honda), 52, conseguiu fazer da Motoeste — concessionária Honda em Mossoró — uma importante empresa mossoroense. Neste ano, a Motoeste completa 20 anos. Surgiu há alguns meses após a instalação da fábrica da Honda no Brasil.

No início, em 77, poucos acreditavam no sucesso do empreendimento de Paulinho da Honda. Na época, ele vendeu dez motos, mas o crescimento foi inevitável. Em 96, comercializou 2002 motocicletas, sendo 75% delas do modelo Titan 125. Nessa entrevista para a série “Conversando Com…”, Paulinho fala de vários assuntos, enfatizando o mercado de motos – sua especialidade. Destaca o seu pai, José Pereira de Souza, que também foi um importante comerciante em meados do século e fala das pretensões da Honda para 97.

 

Paulinho da Honda, em reprodução da página da Gazeta. Clique e baixe a página completa em pdf (foto: Carlos Costa).

Você começou com seu pai, que era comerciante. Como foi isso?

PAULINHO DA HONDA – Meu pai era cearense. Veio para Mossoró com oito anos de idade. Chegando aqui, foi crescendo até montar um pequeno comércio e ser funcionário da Shell durante dez anos. Foi dispensado da firma quando começou a ter uns problemas de coluna. Recebeu uma indenização, com a qual conseguiu algumas representações. Tudo isso aconteceu em 1959. Meu pai foi representante da Shell e das Tintas Ypiranga e, com a experiência que adquiriu quando estava na empresa, teve um acentuado crescimento. Chegamos a financiar combustível para a construção da barragem de Mendubim e Pau dos Ferros. Mas, com o advento da Petrobras, o produto tinha de ser comprado a ela e o nosso trabalho de distribuição começou a declinar. Para compensar, meu pai entrou no ramo de peças, onde ficou até falecer. Naquela época, existiam umas cinco lojas de peças. Hoje, esse número tem em apenas uma rua.

E quando foi que você começou a trabalhar com seu pai?

PH – Em 64. Quem começou com ele foi meu irmão Ney, já falecido. Fiquei com ele até 86, quando me desliguei para cuidar da Honda. A gente tem a concessão da marca desde 77. O interessante é que eu era sócio do meu pai no negócio dele e ele era meu sócio no meu negócio. A gente apartou a sociedade, mas tudo dentro da amizade.

Como foi para você conseguir a concessão da Honda?

PH- Foi bem interessante. Sempre gostei de motocicleta. Foi herança do meu pai, que também era motociclista. No início de 76, adquiri uma moto de 500 cilindradas da Honda e fui a Natal fazer um passeio e uma revisão na concessionária. Naquele tempo, motos da Honda eram todas importadas. A fábrica foi montada no Brasil em outubro de 76. Conheci o importador em Natal, que veio para Mossoró à procura de representante para revender as motos Honda. Ele percorreu todas as concessionárias de automóveis da cidade, a Volkswagen, a Ford, a Chevrolet… Então, ele me explicou que estava procurando alguém para revender as motos e não tinha encontrado e me perguntou se eu conhecia alguém que pudesse assumir o negócio. Eu disse: “A pessoa indicada sou eu. Aceito agora”. Impus a condição de colocar papai como sócio e iniciamos a firma.

Então, ele me explicou que estava procurando alguém para revender as motos e não tinha encontrado e me perguntou se eu conhecia alguém que pudesse assumir o negócio. Eu disse: “A pessoa indicada sou eu. Aceito agora”.

A Honda em Mossoró começou de que maneira?

PH – Nossa cota inicial era de dez motos por mês. Muitas pessoas não acreditavam no nosso negócio e achavam que nós iríamos devolver as motocicletas. Isso porque antes, o doutor Gabriel, da Agrotec, conseguiu uma concessão da Honda em Mossoró, que não deu certo. Inclusive, houve um fato que contribuiu para a descrença das pessoas. Os meus três primeiros clientes morreram, dois de acidentes, com as motos que eu vendi a eles.

As motos eram fabricadas no Brasil?

PH – Eram porque nós montamos a concessionária um ano após a instalação da fábrica da Honda no Brasil. Na época, éramos 40 revendedoras. Hoje, somos 400. A Motoeste começou bem simples, com quatro pessoas: um mecânico, um gerente, um responsável pela contabilidade e outro no setor de peças. Eu não dava tanta assistência à empresa. Comparecia eventualmente. Quando o negócio começou a evoluir, passei a dar uma maior atenção. A coisa cresceu tanto que eu tive de decidir. Ficar com o meu pai na empresa dele ou me desligar para ficar na Honda. Preferi ficar na Honda. Fiz um acordo com papai, dividimos a sociedade, peguei minha mulher que trabalhava no Banco do Brasil há doze anos para ficarmos cuidando do que era nosso.

Explique sobre o crescimento do mercado da Honda em Mossoró?

PH – Como falei, começamos em 77, com uma cota de 10 unidades. Em 79, a Honda promoveu um concurso nacional entre as concessionárias, dividindo em regiões. Era para incentivar as vendas. Os cinco primeiros ganhariam uma viagem a Europa. Ficamos em segundo lugar, atrás apenas de uma empresa de Fortaleza (CE). Vendemos naquele ano 250 motocicletas. Mas, tivemos momentos ruins, de não comercializarmos quase nada. No governo Collor, a Honda produzia apenas 5 mil motos por mês. Estamos atualmente num bom tempo. Vendemos 2002 motos em 96, que dá uma média de 166 por mês. Mas, nos últimos três meses, a nossa média foi de 250.

A quem o senhor atribui esse grande número de vendas?

PH – Ao Plano Real. Antes, no Plano Collor, a Honda estava numa situação muito difícil. Alguns concessionários estavam optando por outras alternativas de vida, porque ninguém queria moto. No Plano Cruzado, em 86, a empresa estava numa ótima fase, até a chegada do Plano Collor. Com o Real, o preço da moto não sobe há 34 meses. Hoje, matuto não anda mais em jumento, anda de moto.Paulinho da honda em declaração ao Gazeta do Oeste em janeiro de 1997, sobre concessão da Honda - Série Acervo

O consórcio e o financiamento colaboraram muito no sucesso da Honda?

PH – É verdade. O consórcio e agora o financiamento com o Banco do Brasil estão tendo boa repercussão. A procura está muito boa e a perspectiva de vendas é cada vez melhor. Para se ter uma ideia, basta ver os números. A Honda fabricou no ano passado 245 mil motos. A previsão no inicio do ano era de faturar 210 mil. Para 97, a previsão é de 330 mil. Essa projeção está com uma antecipação de dois anos. Quer dizer, a Honda estava esperando vender isso em 99. No ano 2000, a perspectiva é de 500 mil motos.

Como você tem visto a economia de Mossoró?

PH- Eu poderia falar no contexto geral, mas prefiro falar baseado no mercado de motos. Nisso, com o advento do Plano Real, a classe baixa ficou com um melhor poder aquisitivo e a média caiu um pouco. Como a moto não sobe de preço há 34 meses, a classe baixa está podendo possuir uma moto. Para você ter uma idéia, antigamente, o salário mínimo tinha valor equivalente ao preço de uma cota de consórcio de 50 meses de uma 125 cc. Hoje, com um salário mínimo, compra-se duas cotas e ainda sobra dez reais. E nem sempre uma família vive só de um salário. Outro detalhe: no início do Plano Real, a moto custava RS 3.200 e o carro popular, RS 7.500. Hoje, a motocicleta continua com o mesmo preço e o carro subiu para R$ 12 mil.

E a chegada da concorrência?

PH – A concorrência é muito saudável para o consumidor e para as empresas. Com a concorrência, a solução é procurar sempre melhorar. É muito normal e eu aceito com a maior naturalidade. Olha, o mercado de motos no Brasil ainda é virgem. Há campo para todo mundo. Em Mossoró vai chegar a Suzuki e uma importadora. A concorrência é muito boa, não tem problema algum. Vai dar para todo mundo e ainda sobra. Quem colocar motos na cidade, venderá.

E essa estabilidade no preço da moto Honda tem trazido algum beneficio para a fábrica?

PH – Houve uma mudança de direção da Honda no Brasil. Entrou um gerente comercial muito competente e a principal meta dele é a estabilidade. Ele não quer nem ouvir falar em aumento no preço das motos. Está preocupado é com o aumento da produção. Por isso, a moto ainda pode ficar mais barata. Do início do Plano Real até hoje, a Honda aumentou as vendas de 5 mil para 24 mil unidades/mês. A fábrica não aumentou o preço e está ganhando muito dinheiro, porque ganha em cima do volume de vendas.

Fale do comércio de motos em Mossoró.

PH – A moto Titan, que é o nosso carro-chefe, representa 75% das vendas de motocicletas na Motoeste. Vendemos aproximadamente 140 unidades por mês. Não vendemos mais porque a Honda não atende o nosso pedido. A Motoeste tem mercado para comercializar 20 motos CBX 200, mas a Honda só manda dez. Vendemos dez NX, por mês. A C-100 está tendo uma boa aceitação. A nossa previsão é de vendermos 20 unidades da nova XLR.

Para terminar, o senhor pode falar dos objetivos da Motoeste para 97?

PH – Esperamos crescer igual à fábrica ou um pouco mais. Percentualmente, temos sempre crescido um pouco, ainda mais quando ampliamos para algumas cidades da região Oeste. Abri a filial em Pau dos Ferros, Apodi, Umarizal, Assu, que respondem com pouco mais de cem unidades por mês.

Empresa nos primórdios em quadro do artista Careca (Reprodução)
Empresa nos primórdios em quadro do artista Careca (Reprodução)

*Entrevista especial publicada no jornal Gazeta do Oeste em 19 de janeiro de 1997, assinada pelo jornalista William Robson, que agora em blog com seu nome reproduz matérias diferenciadas que fez ao longo de décadas de profissão. Essa série tem o nome de “Acervo”. Veja AQUI, AQUI e AQUI as matérias anteriores.

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Como a Aceu chegou ao abandono

*Por William Robson

O Clube Aceu, antes das ruínas em que se encontra atualmente, foi palco de muitas alegrias. Antes denominado Ipiranga, o clube abrigava os ricos da época em grandes festas.

Prédio está em ruínas, diferente do glamour de décadas anteriores (Reprodução)
Prédio está em ruínas, diferente do glamour de décadas anteriores (Reprodução)

O prédio foi construído nos anos 30 para auxiliar no trabalho amador do time de futebol. E foi crescendo até começar a derrocada nos anos 60/70.

Quando o Ipiranga perdeu o seu glamour de outrora, o prédio ficou praticamente abandonado. Até que dois convênios passaram o patrimônio do extinto clube de futebol para a Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN).

A sociedade mossoroense acreditava que a entidade, passando para a Uern, seria soerguida e as atividades socioculturais retomadas.

No inicio, parecia que iria dar certo. Até meados dos anos 80, atividades culturais e recreativas aconteciam com frequência, mas os anos 90 marcaram um triste capitulo na história do clube.

O prédio for abandonado e hoje serve apenas de depósito de material, arquivo e como sede do Sindicato dos Funcionários da Uern (SINDIFURRN).

O abandono é tanto que no inicio deste ano parte do pavimento superior caiu e deixou os funcionários apreensivos.

Foi feita uma inspeção e constatou que o prédio não poderia ser utilizado por não oferecer segurança Mas o atual reitor da Uern, Walter Fonseca, parece não se importar.

O clube Ipiranga é um dos mais tradicionais de Mossoró. O historiador Ra imundo Soares de Brito relembra os momentos das grandes festas e bailes pro- movidos no local onde hoje funciona a Associação Cultural e Esportiva Universitária (ACEU).

O lugar abrigava festas grandiosas e chegou a ser reduto da aristocracia mossoroense. Mas o que levou ao surgimento da Aceu foi mesmo o futebol. “Existia uma rivalidade entre dois clubes importantes na época: o Ipiranga e o Humaitá”, disse o historiador. Ambos não existem mais.

Do Ipiranga, restam apenas escombros da sede social, que estão à disposição da Uern.

Um dos sócios-fundadores, Enéas Negreiros, em entrevista à GAZETA, disse desconhecer as fórmulas de como todo o patrimônio passou para o nome da Uern, sem que os mais de 200 associados tomassem conhecimento.

Com a rivalidade no futebol, os diretores do clube resolveram, então, montar a sua sede. A principio, o futebol praticado pelo Ipiranga era considerado amador. O time não fazia parte do esquema profissional, nem seus jogadores tinham remuneração, mas o sonho de levantar uma sede social era grande, principalmente pelos dirigentes.

Houve uma certa facilidade de levantar o empreendimento. Os diretores do Ipiranga eram empresários respeitados e detentores de influência na sociedade.

Antes, o clube funcionava num prédio alugado na Praça da Redenção, mas o sonho de ver o Ipiranga um time profissional era grande. A Prefeitura apoiou a iniciativa, doando o terreno. “O padre Mota foi um dos grandes responsáveis pela construção do clube”, disse Raimundo Soares.

Enéas Negreiros explicou que a empreitada para levantar o Clube Ipiranga recebeu o apoio de pessoas como Dix-neuf Rosado, Pedro Fernandes Ribeiro e Manoel Fernandes Negreiros. “Eles se mostraram muito solícitos para apoiar a iniciativa”, comentou.

Prédio foi construído por forte patrocinador

O padre Mota doou o terreno para a construção do clube Ipiranga. Este clube, antes funcionando num prédio alugado, estava com mais de duzentos sócios cadastrados, e isso mostrava a importância que era não apenas para o futebol amador, mas para o entretenimento mossoroense.

Com a doação, seriam necessárias as campanhas para arrecadação de mate- rial de construção para levantar o prédio. Alguns abnegados começaram, então, a pedir apoio. Até mesmo os alto-falantes, muito utilizados no início do século.

Mas os apoios não eram suficientes para tocar a obra adiante. Até que o empresário Badeu Fernandes de Negreiros foi contatado.

Badeu era representante das Tintas Ipiranga em Mossoró. Ele e um grupo de abnegados do Ipiranga.

Usaram um argumento que pesou muito na hora de fechar o negócio: o clube existia em função da marca da tinta. O patrocínio foi fechado e doado uma grande quantidade.

A doação foi tão grande que apenas 20% das tintas davam para pintar todo o prédio. Os 80%, segundo Enéas Negreiros. foram vendidos e transformados em material de construção. O clube ficou pronto em meados dos anos 30.

Cessão à universidade é questionada

Um dos fundadores do Clube Ipiranga, Enéas Negreiros, em reportagem publicada na GAZETA no final do mês passado, questiona a forma como o antigo clube Ipiranga passou a ser propriedade da Uern. “Não recebi qualquer comunicação como sendo um dos sócios. Nem eu, nem ninguém”, disse.

Enéas Negreiros foi um dos fundadores (Foto: Familiar)
Enéas Negreiros foi um dos fundadores (Foto: Familiar)

Na época da transição, nos final dos anos 70, o Ipiranga contabilizava mais de 200 sócios, mas o clube vivia momentos difíceis por causa da fracassada administração.

Assim, os projetos culturais do Clube Ipiranga foram se enfraquecendo até chegar ao abandono do prédio.

Não parecia mais o Ipiranga dos anos 50 com as grandes festas e carnavais e a forte concorrência com a ACDP e AABB.

O presidente da Associação dos Docentes da Uern (ADFURRN), Carlos Filgueira, disse que a entidade vai se mobilizar para que o prédio – agora abandonado pela atual gestão da Uern – possa ser reformado. “E lamentável o estado em que se encontra o clube Aceu atualmente”, desabafou Carlos Filgueira

Segundo ele, que acompanhou o processo de cessão da estrutura do Aceu para a Uern, a sociedade local acreditava que a universidade pudesse zelar pelo patrimônio e reativar as atividades cultural e esportiva do clube. “Infelizmente isso terminou não acontecendo”, relatou.

Adfurrn protestará contra o abandono da Uern

A Adfurrn vai mobilizar a categoria para pressionar o reitor Walter Fonseca a iniciar os trabalhos de restauração do prédio da Aceu.

A última recuperação no edifício foi em 85, quando o processo de revitalização estava em andamento e o Diretório Acadêmico e outras entidades trabalhavam com atividades socio-recreativas no clube. Mas na década de 90 a Aceu não recebeu mais incentivo algum. Pelo contrário. Tornou-se um prédio abandonado, que mais serve de dispensa que para a sociedade mossoroense.

No inicio, as pessoas achavam que a Aceu serviria como antigamente, para festas e atividades culturais, mas não for isso que aconteceu. Agora, a Aceu é  tratada com desdém”, disse o presidente da entidade Carlos Filgueira.

A Adfurm prepara um documento protestando contra o abandono. “Não se pode deixar um prédio daquele cair. Deveria ser tombado como patrimônio histórico. Ele existe há mais de 60 anos e conta uma história bonita de Mossoró, relata Filgueira. “Estamos prontos para encampar a luta. Não entendo por que os dirigentes da Uem não se importam com as tradições da Aceu, se é deles a responsabilidade”.

Sociedade confiou que Uern zelaria Aceu

O Clube Ipiranga estava mal das pernas nos anos 70, e a administração do clube era considerada desastrosa. Não havia mais atividades culturais no local e, aos poucos, tudo foi ficando abandonado.

Até que um convênio entre o clube e a então FURRN for assinado pelo reitor da época, João Batista Cascudo Rodrigues, para administrar a quadra de esportes, no fundo do clube.

Alguns anos depois, o convenio se estendeu a todo o prédio. Os sócios não foram comunicados do convênio, nem houve uma assembleia para definir o destino do Ipiranga, mas mesmo assim o acordo for fechado. Segundo um dos sócios na época, o professor Carlos Filgueira, a sociedade mossoroense acreditava que o Ipiranga pudesse ser revitalizado e voltar as movimentações de outrora.

“O convenio com a universidade era considerado como algo bom para quem não queria ver as tradições do clube morrerem”. disse ele. No inicio, o Aceu foi revitalizado, mas aos poucos foi esfriando, até ser definitivamente abandonado.

Prédio está em ruínas

O prédio da Associação Cultural e Esportiva Universitária (ACEU) está em ruinas. O edifício, que não recebe manutenção desde 85, pode a qualquer momento vir abaixo.

E, com ela, toda a história da cultura local, do esporte e de atividades, como os da Luízas de Marilac – que promoviam eventos para angariar fundos para os pobres e idosos

Em maio, a parte superior caiu e o laudo constatou que o prédio não tem condições de uso. Mas isso parece não intimidar o reitor da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (Uern), Walter Fonseca.

Mesmo sabendo da ameaça da parte superior cair novamente, os funcionários do Sindicato dos Funcionários da Uern (SINDIFURRN) continuam trabalhando normalmente, e claro, apreensivos.

Vice-reitor diz que instituição espera Governo

O vice-reitor da Uern, Lúcio Ney, disse que o “abandono” do clube Aceu não é mais problema da instituição. Segundo ele, foi enviado um documento à Secretaria Estadual de Infra-estrutura relatando todos os problemas na estrutura do prédio.

Em maio, parte do andar superior do Aceu veio abaixo. Daí, o reitor da Uern, Walter Fonseca, determinou a inspeção do prédio. Foi constatado que caiu por falta de manutenção. “Pessoalmente fui a Natal entregar os laudos sobre o Aceu”, disse o vice-reitor. No laudo, ficou constatado que a parte superior não tinha as mínimas condições e que precisa de reforma urgente.

“Até o momento não há uma sinalização de quando será”, disse Lúcio Ney, acrescentando que um engenheiro fez todo levantamento dos curso da reforma, mas o valor não foi fornecido. “O prédio está sem condições”, garante. Mesmo com o perigo iminente, não houve qualquer interdição, e os funcionários da Uern continuam trabalhando normalmente.

Na Aceu, funciona o Sindicato dos Funcionários da Uern, o arquivo e o almoxarifado. “A situação é pior porque não temos recursos”, disse Lúcio Ney.

O clube Ipiranga, nas primeiras décadas do século passado (Acervo do IBGE)
O clube Ipiranga, nas primeiras décadas do século passado (Acervo do IBGE)

*Reportagem especial publicada no jornal Gazeta do Oeste em 19 de dezembro de 1999, assinada pelo jornalista William Robson, que agora em blog com seu nome reproduz matérias diferenciadas que fez ao longo de décadas de profissão. Essa série tem o nome de “Acervo” (veja AQUI).

Leia tambémA morte de Elizeu Ventania;

Leia também: A chegada da Internet a Mossoró.

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A chegada da internet em Mossoró

*Por William Robson

A Internet se tornou uma necessidade em Mossoró, de uns meses para cá. Somente em 99, três novos provedores surgiram, entre eles os dois maiores do pais. Isso mostra que o mercado local é promissor para o comércio virtual. Muitos lojistas estão de olho na idéia. A rede mundial de computadores fascina crianças, jovens e adultos.

Tela do Mirc, onde estava o Canal Mossoró (Reprodução de arquivo do Gazeta do Oeste)
Tela do Mirc, onde estava o Canal Mossoró (Reprodução de arquivo do Gazeta do Oeste)

Acredita-se que mais de dois mil computadores estão conectados à rede somente em Mossoró. Um número impressionante, que deverá aumentar, de forma considerável, nos próximos anos. A Embratel estima que, em 2003, serão oito milhões de computadores brasileiros na Internet. Hoje, são quatro milhões.

Esse meio de comunicação chegou para revolucionar o mercado e, o que é melhor, gerar mais empregos. A Internet possibilita que muitos mossoroenses trabalhem, seja na criação de sites, ou na parte técnica, ou ainda nos serviços oferecidos pelos provedores.

Internet abre inúmeras oportunidades de trabalho

Muitos mossoroenses estão fazendo da internet a sua profissão. E estão se dando bem. Além dos proprietários de provedores, a internet possibilitou a criação de mais empregos como os chamados webdesigners (aqueles que criam os sites) ou programadores, que simplesmente atualizam o conteúdo das home-pages.

Cliff Oliveira é webdesigner (Reprodução: Gazeta do Oeste)
Cliff Oliveira é webdesigner (Reprodução: Arquivo Gazeta do Oeste)

Um dos webdesigners mais requisitados em Mossoró é Cliff Oliveira (www.serv2000.com.br/cliff). Ele trabalhava na Rádio Rura, mas se desligou a fim de se dedicar à criação de sites. Chegou a receber grandes encomendas e, ao mesmo tempo, terminou contratado por muitas empresas para fazer o trabalho de atualização. Agora, foi convidado para trabalhar na Federação das Indústrias do Rio Grande do Norte (FIERN), cuidando das empresas filiadas, em Natal.

“O mercado de Internet em Mossoró é uma tendência inevitável”, comentou Cliff. O técnico em Internet, José Luís, que trabalha no provedor Netrn (www.netrn.com.br) disse que a linguagem do futuro será a Internet. “Antes, a preocupação era adaptar o computador à vida cotidiana. Agora é a rede”, disse.

Outro envolvido com Internet é o webdesigner conhecido como DJ Papa. Ele elaborou a página do concurso de moda Top Face, que recebeu mais de 1.500 visitas em menos de 15 dias. “Sou viciado em Internet”, disse.

Zé Maria, um dos coordenadores do IRC Mossoró (sala de bate-papo entre internautas mossoroenses), também faz sucesso com sua página de variedades e dedicada aos jovens locais. O endereço é www.nextway.com.br/zemaria.

Marcas nacionais tentam atrair consumidor mossoroense

Este ano foi marcado no campo da Internet com a chegada de dois dos mais importantes provedores de acesso do Brasil. O Universo On Line (UOL, www.uol.com.br) e o Zaz (www.zaz com br) se instalaram em Mossoró no segundo semestre deste ano. com a intenção de aboca- nhar uma fatia dos consumidores virtuais. O Universo On Line (UOL) é o maior provedor do Brasil e responde por 65% dos internautas do pais. O Zaz é o segundo maior, e pertence a um grupo de comunicação do Rio Grande do Sul.

Em Mossoró, o Universo On Line (UOL) aproveitou os equipamentos de um provedor já instalado, a Servpro. “Não se trata de um serviço de franquia”, deixa bem claro o diretor Hélio Duarte. “Na verdade, é uma parceria entre nós e o provedor paulista”. Com a chegada do Uol, houve um crescimento impressionante de usuários no Servpro. “Temos a perspectiva de dobrar no ano que vem”, comentou Hélio, em recente entrevista à GAZETA.

A parceria consiste na cessão dos equipamentos da Servpro para o Uol. O Uol, por sua vez, faria uma intensa campanha de divulgação e cuidaria de atrair novos assinantes Hélio explicou que o assinante paga ao Uol, que remete um percentual à Servpro.

No caso do Zaz, não se trata de uma parceria, mas de uma franquia. O Zaz no Estado é administrado pela CabugiSat, que percebeu um avanço no mercado virtual em Mossoró O provedor foi instalado há menos de um mês e já contabiliza mais de 50 usuários cadastrados A responsabilidade do Zaz em Mossoró é do comerciante Paulo Maia, que há tempos trabalha com informática.

Zaz, uma franquia de provedor, um dos primeiros a atuar em Mossoró (Reprodução: Arquivo do Gazeta do Oeste)
Zaz, uma franquia de provedor, um dos primeiros a atuar em Mossoró (Reprodução: Arquivo do Gazeta do Oeste)

Linha 321 dificulta acesso à rede

A linha 321 da Telemar vem se transformando num pandemônio para os usuários de Intemet. Os especialistas no assunto disseram que ela não e apropriada à rede mundial de computadores. Ciente disso, a Telemar já iniciou o processo de mudança do prefixo Acontece que o 321 estava provocando muitas quedas na conexão e demora no carregamento dos sites. “Isso faz com que qualquer usuário perca a paciência”, disse o diretor da Nextway, Wadih Asfora

Um dos que perderam a paciência foi o comerciante Porfírio Negreiros. Ele instalou Internet em sua empresa, mas percebeu que a conexão era constantemente interrompida. “Logo liguei para a Telemar e eles fizeram a mudança para um 316”, contou.

O 321 e uma das linhas telefônicas mais antigas de Mossoró e seu processo de funcionamento ainda é analógico. Para a Internet, as linhas apropriadas são as digitais, que oferecem mais resistência e rapidez. “A transmissão de dados na linha 321 e lenta, por isso os sites demoram a carregar (aparecer na tela do computador)”, explicou Wadih. Quanto às quedas o modem não suporta o alto nível de ruído da central 321”.

Para se ter uma ideia de como o 321 é lento para a internet, os provedores calculam a velocidade de acesso em bps Com a linha 321, a velocidade é de 28 800 bps. Com linhas digitais como o 316, 318 ou 312, passa a ser de 50 600 bps.

Internautas mossoroenses promovem festas pela net

Grande parte dos usuários de Internet gosta de Internet para trocar e-mails (correspondências eletrônicas) ou entrar nos chats (salas de bate-papo). Existe uma infinidade de salas na Internet. Mas, para o público mossoroense, existe uma que recebe uma média de 150 pessoas por dia. É o Canal Mossoró, que através da Internet promove até eventos de cultura e lazer, como aconteceu ontem à noite no Complexo Calimar

Um dos coordenadores do canal é o internauta Zé Maria. Ele organiza eventos, marca reuniões e promove uma confraternização entre os usuários do canal. “É interessante porque as pessoas acabam se identificando muito com outras através do computador”, diz. Os usuários não costumam usar seus nomes verdadeiros. Usam pseudônimos, que são chamados no mundo virtual de “nickname”. “Nas festas, muita gente fica conhecida pelos nicks”, diz Zé Maria, cujo nick é zZzZz.

Para poder acessar o canal e preciso ter o programa “The Seven Deadly Sins”, facilmente encontrado na página da Nextway. Depois de instalar, é só criar um nick, escolher o canal Mossoró (#mossoro) e conversar com as pessoas. Por esse programa e possível o bate-papo reservado em salas particulares.

Provedores oferecem vantagens a assinantes

Provedores em Mossoró em 1999 (Reprodução)
Provedores em Mossoró em 1999 (Reprodução: Arquivo Gazeta do Oeste)

Os provedores cobram uma taxa mensal para que seus assinantes possam “viajar” pela Internet. Em compensação, oferecem, além do serviço de conexão, uma série de outras vantagens exclusivas. O Universo On Line, por exemplo, disponibiliza todo o conteúdo de jornais e revistas Quem não é assinante, não tem acesso. No Uol, existe também o “discador automático”, que procura linha desocupada.

Mas o Uol é o que cobra mais caro a taxa de acesso ilimitado (sem limite de horas). Custa R$ 34 mensais, mas há planos mais baratos. No caso da Nextway, cuja tarifa de acesso ilimitado é de R$ 30, o cliente pode usufruir de alguns privilégios, como hospedagem de domínio próprio, montagem e manutenção em rede com plataforma Windows 95/NT e desenvolvimento de software personalizados e serviços on line.

“O mercado está cada vez mais competitivo e ganha o provedor que oferecer mais vantagens”, comentou José Luis, da Netrn, que coloca o usuário na Internet por R$ 29,90 (acesso ilimitado). O Zaz, que cobra em Mossoró R$ 34,00, vai sortear computadores com seus assinantes.

Empresas locais estão aderindo à nova fórmula

Algumas empresas mossoroenses estão um passo a frente dispondo seus produtos ao consumidor via Internet. Outras planejam entrar no esquema até o próximo mês. Existem muitas, como a Refimosal, lojas de informática como a Logus, locadora como a Visão Vídeo (que vai abrir um sistema de aluguel pela net) e de automóveis e motos, como é o caso da Motoeste.

“Isso mostra que muitos empresários estão com uma visão de futuro e eles sabem que isso é uma nova modalidade de venda”, diz o internauta Glauber Alves, que está estudando a criação da página da Glênio CD na Internet. “Esta página seria um catálogo do acervo da loja. O cliente pediria, nós deixaríamos em casa e discutiríamos a melhor forma de pagamento”, explicou. O empresário Glênio Soares é simpatizante da idéia e acredita que esta será uma nova fórmula de venda de discos, já que no Brasil as maiores vendas on line são do mercado fonográfico

Hoje, o comércio de Mossoró utiliza a Internet em escala impressionante Os negócios feitos a prazo levavam dias na análise do crédito do consumidor. Através da Internet, a análise é feita em dez minutos. “Isso é um avanço e mostra que temos que entrar nesta nova modalidade de venda o quanto antes”, disse Glauber.

Crescimento em 2000 deve ficar em 20%, prevê especialista

Segundo Wadih Asfora, as empresas estão sentindo a necessidade de se conectarem à Internet. “Hoje não faz sentir você possuir um computador e não ter internet”, disse. A Nextway, que foi instalada em Mossoró há três meses, é considerado um dos grandes provedores de Mossoró, mesmo diante dos maiores que chegaram recentemente.

A necessidade de Internet vem surgindo, em maioria, dos empresários locais, porque eles perceberam que através da rede poderiam divulgar seus produtos de uma forma mais completa e bem mais barata. Uma página na Internet custa em média R$ 300, variando de acordo com a qualidade gráfica apresentada.

Mas o crescimento de computadores domésticos também é grande “Temos um grande número de usuários que têm seus computadores em casa mesmo”, disse o diretor da Nextway. Ele acredita que no ano que vem haverá um aumento de novas conexões em torno de 15% a 20%. A Embratel informou que existem conectados em todo o país 4 milhões de com- putadores e que este número vai dobrar até o ano 2003.

“Os recursos que a Internet oferece são impressionantes. Tem tudo que você possa imaginar. E acaba saindo bem mais barato e cômodo para o usuário”, disse Wadih.

Provedores em Mossoró

Nextway: www.nextway.com.br

Uol: www.uol.com.br

ZAZ: www.zaz.com.br

URRN: www.urrn.com.br

NETRN: www.netrn.com.br

Em Mossoró existem aproximadamente

Dois mil computadores conectados à internet

*Reportagem especial publicada no jornal Gazeta do Oeste em 12 de dezembro de 1999, assinada pelo jornalista William Robson, que agora em blog com seu nome reproduz matérias diferenciadas que fez ao longo de décadas de profissão. Essa série tem o nome de “Acervo” (veja AQUI).

Leia também: A morte de Elizeu Ventania.

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