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Longe, as serras…

Por Honório de Medeiros

Foto do autor da crônica
Foto do autor da crônica

Longe, as serras. Acima, nuvens carregadas de chuva.

O verde da mata. A estradinha de terra vermelha rasgando o chão. A água do açude. A árvore onde araras fizeram pouso. O perfume do ar carregado de umidade.

Vou amarrar minha burra choteira aí, nesse presente de Deus. Eu e minha amada.

Numa casinha simples, alpendrada, onde a passarinhada faça pouso, e, de noite, um ou outro saci venha pitar, quando for lua cheia…

Honório de Medeiros é professor, escritor e ex-secretário do Governo do RN e da Prefeitura de Natal

A noite, os mosquitos e a lua

Por Honório de Medeiros

Foto de Honório de Medeiros, paisagem nordestina,Fui visitar Seu Antônio de Luzia, lá no Feijão, Sítio “Canto”, Serra da Conceição, rumo quebrado para a Serra do Camará.

João, seu filho, João de Antônio de Luzia, a quem eu encontrei, antes, na Pedra do Mercado, me preveniu: “tá falando muito pouco e escutando demais.”

“Por quê?”

“Sei não. Eu pergunto o que é e ele, sentado naquela cadeira de balanço, estira a mão para cima e sacode os dedos como se estivesse espantando mosca.”

Seu Antônio estava lá no mesmo lugarzinho de sempre, cadeira de balanço, na calçadinha de sua casa de tijolos crus, olhando o tempo, cumprimentando os passantes com um balançar de cabeça para cima e para baixo.

“Boa tarde, Seu Antônio, como vão as cousas?”.

“Boa tarde!”.

Mandou, com um gesto, que eu tomasse assento na outra cadeira de balanço.

Então eu me danei a falar e ele só olhando, escutando e calando.

Lá para as tantas, me fiz de atrevido e perguntei: “o Senhor perdeu o gosto de falar?”

Ele ficou calado um tempão, pigarreou e disse: “tem muita gente sabendo de tudo, falando muito; eu, quanto mais vivo, menos sei das coisas.”

Parou, pigarreou de novo, tomou um gole de café, cuspiu no chão de barro, e rematou: “O pouco que sei é o que eu faço com as mãos: cortar um capim, debulhar um feijão, pegar um balde d’água no poço…”.

Mais não disse. Mais não perguntei.

Ficamos os dois, cismarentos, enquanto a tarde ia e a noite chegava.

A noite e os mosquitos. A noite, os mosquitos e a lua, que já se atrevia.

Honório de Medeiros é professor, escritor e ex-secretário da Prefeitura do Natal e do Governo do RN

Amanhecer na Serra de João do Vale

Essa imagem foi-me passada pelo jornalista Tárcio Araújo nesse sábado (27).

É o amanhecer na Serra de João do Vale no RN, que se espraia por Jucurutu, Triunfo Potiguar e Campo Grande no Rio Grande do Norte, além de Belém do Brejo do Cruz (PB).

Seu ponto mais alto fica 700 metros acima do nível do mar e sua área é em torno de 277 km².

Visão idílica com a sonoridade harmônica do passaredo e um galo-maestro, que divido com você. Janúncio Tavares, morador do lugar, fez a filmagem.

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