Arquivo da tag: Sindicato dos Médicos do RN (Sindmed RN)

A realidade cruel que mutila e mata gente sofrida e indefesa

Por Ronaldo Fixina

Merece elogio a atuação da Diretoria do Hospital Regional Tarcisio de Vasconcelos Maia (HRTM), em Mossoró. Faz o possível. Todos os brasileiros e brasileiras, desde o nascimento, têm direito aos serviços de saúde gratuitos.

O Sistema Único de Saúde (SUS) é um direito de todos: é integral, garante equidade e é descentralizado. A população deve exigir seus direitos constitucionais.

A classe médica por um dever de consciência tem a obrigação de denunciar a omissão dos gestores da Saúde Pública. Estes, por uma questão de justiça, deveriam ser punidos pessoalmente com altas multas e prisão.

Centenas de pacientes de Mossoró são penalizados pela atual administração, em virtude da inexistência de cirurgias eletivas. Uma fratura, uma colecistite, um mioma uterino pode motivar a morte de pacientes em Mossoró pela impossibilidade de realizar uma simples cirurgia eletiva.

A Saúde Pública de Mossoró jamais foi levada a sério ou considerada prioridade nesta cidade. Prefeitas enfermeira (fracasso total – horrível ), médicas e até mesmo um almofadinha, nunca estabeleceram metas de prioridades nesta área, talvez por considerarem investimentos em saúde como gastos ou despesas desnecessárias.

Os vereadores, têm grande responsabilidade sobre diferentes aspectos no tocante às políticas de saúde, todavia permanecem silentes. Ao invés de solicitação de recapeamento asfáltico em rua de eleitor barato ou desentupimento de bueiro, legislassem no que coubesse sobre a saúde no que tange à prestação de serviço envolvendo políticas públicas de Saúde.

Omissão total.

O Decreto que estabeleceu a Calamidade Pública na rede Hospitalar do Estado por analogia é um atestado de incapacidade administrativa. E em Mossoró a situação é critica, muito crítica.

Uma “rede” de bajuladores é orientada para propagar que não existem recursos. Dinheiro tem e muito.

Por mais estranho que pareça nos deparamos em horário nobre da TV Globo,  com uma feérica propaganda do São João que diz a verdade: o São de Mossoró é “É muito mais do que você imagina”. Uma verdade.

Realmente a Saúde de Mossoró “É pior do que você pode imaginar”.

Aqui você se depara com o sofrimento de dezenas de pacientes mendigando uma cirurgia. Enquanto isso, escutamos um festival de dislates: reabrir o eternamente inútil Hospital da Policia, a Universidade do Estado do RN (UERN) vai construir um grande hospital escola (sem leitos), retomar as obras do Hospital Duarte Filho. A Universidade Federal Rural do Semiárido (UFERSA), certamente também vai construir um fenomenal hospital universitário baseado em evidências.

Apenas exemplificando a inversão de prioridades: no dia do derramamento de “cultura” de Michel Teló em Mossoró, na Estação das Artes Elizeu Ventania, um paciente aqui, sentindo intensas dores não era submetido a uma cirurgia (amputação de uma perna) por falta de uma serra de Gigli (instrumento medieval) que custa a bagatela de R$ 50,00 reais. É uma desumanidade.

Ridículo e cômico se o paciente não estivesse sentindo tanta dor

É uma estupidez uma paciente de Mossoró ser encaminhado para cirurgia em Alexandria! E mudou? Outrora as pacientes de Mossoró eram encaminhadas pela Secretaria Municipal da Doença e da Incompetência para Russas (CE).

Uma matula de jurássicos invadiu os corredores da Secretaria Municipal de Saúde. Quem é responsável pela inexistência das cirurgias eletivas dos usuários dos SUS em Mossoró? A quem interessa a judicialização de filas de pacientes? Quanto vale uma vida de um usuário do SUS para alguns gestores da saúde?

A realização de uma cirurgia eletiva aqui em Mossoró implica em percorrer um caminho extremamente difícil. Uma peregrinação dolorosa para crianças e idosos. Um massacre. Nenhum documento elucida possíveis acordos entre os hospitais privados e os gestores da saúde.

Por uma questão jurídica e, de obediência aos critérios para contratualização com o SUS, nenhum hospital em Mossoró poderia ser contratado pois eles não tem funcionários médicos.

Como realizar cirurgias sem anestesiologista, cirurgião, ortopedista, etc. etc. Sem um contrato de prestação de serviços entre especialistas e os gestores da saúde, não há nenhuma obrigação de atendimento.

Da mesma forma que o calote institucional torna o trabalho sem satisfação e sem determinados compromissos por parte do trabalhador médico. E o médico encontra-se amparado no direito irrefutável de receber seus honorários justos e possíveis. E por que médico honesto não pode ser bem remunerado??

O cidadão (contribuinte) já não suporta mais ver seus direitos constitucionais serem usurpados. As autoridades constituídas deveriam obedecer os princípios constitucionais da eficácia, eficiência e efetividade, etc. etc. etc.

Ronaldo Fixina é médico anestesiologista, delegado sindicato do Sindicato dos Médicos do RN (Sinmed/RN) e dirigente Cooperativa dos Anestesiologistas de Mossoró (CAM)