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Contextualização da geopolítica e os reflexos na América Latina

Por Gutemberg Dias

O que está acontecendo no Brasil não é um fato isolado. A grande mídia procura imprimir na consciência do cidadão brasileiro que tudo que estamos vivenciando é algo de Brasil, ou seja, para o senso comum o que acontece aqui é único e restrito ao nosso país.

Não é possível fazer uma análise do Brasil sem olhar para o contexto internacional. O mundo vem ao longo dos últimos anos passando por grandes mudanças no que tange ao reposicionamento geopolítico das grandes potenciais mundiais.

Um grande exemplo disso é o cenário com a China tomando a dianteira frente ao EUA no quesito economia. Essa transição vem alterando as relações de poder no âmbito dos continentes.

Já no contexto das pendengas belicosas a Rússia reassume um papel importante como potencia militar e recomeça a peitar os americanos e seus aliados históricos. Hoje a principal disputa nesse campo é em relação à Síria. Os americanos têm interesse na deposição do presidente daquele país e os russos vem cacifando a permanência de Bashar Al Assad.

Russos claramente se opõem à política de expansão americana no âmbito do oriente médio que começou com a guerra contra o Iraque e, posteriormente, com a manutenção da guerra contra o terrorismo.

Temos o surgimento do BRICS, acrônimo em língua inglesa de Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, formado por países emergentes que passaram a pautar temas que atacam frontalmente os interesses do Fundo Monetário Internacional (FMI). Consequentemente, os interesses americanos no âmbito das nações que compõem esse bloco e, também, na franja de países que estão atrelados por algum motivo a essas nações.

Então o deslocamento de poder começa a mexer na engrenagem da geopolítica e, principalmente, com os EUA que passam a ser a potência mais atingida com essas mudanças. Daí é fácil se perceber que colocam em movimento sua máquina de guerra, seja bélica, comercial ou diplomática para reverter suas perdas em relação à hegemonia.

Esse movimento tem grande reflexo na América Latina. Se pararmos para analisar, veremos os eventos que vêm sendo desencadeados desde o final dos anos 1990, quando se inicia uma ascensão de governos de cunho progressista à frente dos países da América Latina, notadamente, pela eleição de Hugo Chàvez na Venezuela.

Com a mudança do perfil diretivo nesses países a influência norte-americana aos poucos veio sendo solapada e novas aglutinações de interesses passaram a se sobrepor aos interesses dos EUA. A própria reestruturação do Mercosul e o sepultamento da Área de Livre Comércio das Américas (ALCA) são exemplos claros do enfrentamento desse bloco progressista em relação a política internacional norte-americana.

À medida que os países passavam a se contrapor aos interesses americanos, ocorria uma alinhamento com outros parceiros, no caso específico dos países da AL, a China começa a entrar com maior força nas relações comerciais. Não é à toa que o Brasil passa a compor esse novo bloco econômico (BRICS) numa perspectiva de romper definitivamente com a subserviência ao capital e poder norte-americano.

Essas mudanças levam os americanos a investir no processo de desestabilização política dos países que fizeram a mudança para governos progressista de linha socialista. As ações contra a Venezuela, ainda, quando Chávez estava à frente daquele país, mostra claramente essa nova investida imperialista que se iniciou por um viés militar, mas logo substituído pela associação do capital rentista, judiciário e grande mídia.

Nessa batida se inicia uma operação com foco numa bandeira de combate à corrupção, onde o estado americano passa a investir na formação de representantes do poder judiciário e policiais oriundos dos países da América Latina, bem como tem início processos de golpes contra os governos, como em Honduras (2009), Paraguai (2012) e Brasil (2016).

Todos eles possuem um viés associativo entre o poder legislativo, judiciário e à grande mídia, dando dessa forma ares de constitucionalidade às deposições dos governos legítimos eleitos pelo voto popular.

Nesse cenário são claras as movimentações das grandes potências, notadamente os EUA, que se movimentam para manter sua hegemonia internacional no campo econômico e militar ante o avanço da China e Rússia, que passam a capitanear o bloco de oposição a essa hegemonia.

Tudo isso tem impacto direto nos recentes  acontecimentos no âmbito do Brasil.

Gutemberg Dias é graduado em geografia, professor da Universidade do Estado do RN (UERN) e empresário.

Os mísseis da metrópole

Por François Silvestre

Nos últimos meses, sem exceção, todo dia a mídia divulga uma operação da PF, ou uma denúncia do MP, ou uma sentença da Lava Jato. Todo dia que deus dá. Nos últimos três dias, essa rotina mudou.

Se houve alguma operação, denúncia ou sentença ninguém tomou conhecimento.

Por quê?

Porque a metrópole foi a produtora da notícia. E as notícias da colônia são secundárias quando a metrópole produz notícia. A metrópole jogou mísseis na Síria. Pronto. Não teve outro assunto durante três dias e a Lava Jato sumiu do mapa. vai voltar?

Depende do que acontecer na metrópole. Se a metrópole aquietar-se, a colônia provinciana mostrará a cara. Caso contrário, os holofotes são da metrópole.

A síndrome das caravelas nos persegue. E o alvoroço no Quartel de Abrantes só não vai avante porque não é interesse da metrópole.

Nem mostra êxito na Rocinha.

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