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O medo que salva vidas – mais atenção e menos complacência

Por Luís Correia

Imagem ilustrativa com recursos de Inteligência Artificial para o BCS
Imagem ilustrativa com recursos de Inteligência Artificial para o BCS

O medo. Ah, o medo! Esse sentimento que, muitas vezes, nos oprime e nos paralisa, é comumente visto como um inimigo a ser combatido. No entanto, em certas situações, ele se revela um poderoso aliado, um verdadeiro guardião da nossa segurança. No complexo e dinâmico cenário do trânsito, o medo, em sua dose certa, não apenas nos salva, mas é fundamental para uma condução verdadeiramente segura e consciente.

O que é o medo e sua importância para a atenção

Do ponto de vista psicológico e biológico, o medo é uma emoção primária, uma resposta inata e vital para a sobrevivência da espécie humana. Ele funciona como um sistema de alarme interno, ativando nosso corpo e mente para identificar e reagir a ameaças potenciais. Quando sentimos medo, nosso cérebro libera uma cascata de hormônios que aguçam nossos sentidos, aumentam nossa frequência cardíaca e nos preparam para uma ação rápida – seja ela de fuga ou de enfrentamento. No contexto da direção, essa ativação se traduz em um estado de atenção elevada, onde cada detalhe da via, cada movimento dos outros veículos e cada sinal de trânsito são processados com maior intensidade e urgência. É essa capacidade do medo de direcionar nosso foco que o torna tão valioso. Ele nos força a estar presentes, a observar, a antecipar. Sem essa dose de apreensão, a mente divaga, a percepção diminui e a capacidade de reação é comprometida. Em essência, o medo nos mantém vigilantes, transformando a condução de um ato mecânico em uma atividade que exige constante engajamento mental.

As primeiras aulas de condução: o medo como professor

Lembre-se das suas primeiras aulas de direção. Aquele frio na barriga ao sentar no banco do motorista, as mãos suando no volante, a atenção milimétrica a cada instrução do instrutor. Esse medo inicial não era um obstáculo, mas sim um professor. Ele o impedia de acelerar demais, de fazer curvas bruscas, de ignorar os retrovisores. Era o medo que garantia que você prestasse atenção aos pedais, ao câmbio, aos espelhos, e que cada manobra fosse executada com a máxima cautela. Essa apreensão, embora desconfortável, era o que o mantinha seguro e o ajudava a internalizar as regras e as melhores práticas de direção.

O perigo da habituação: quando o medo se dissipa

Com o tempo e a prática, a familiaridade com o veículo e com as vias cresce. As manobras se tornam automáticas, a paisagem se torna rotineira. E, inevitavelmente, o medo inicial começa a se dissipar. Esse processo é conhecido como habituação – uma adaptação natural do nosso cérebro a estímulos repetitivos que não apresentam consequências negativas imediatas. O que antes era uma situação nova e potencialmente perigosa, agora é apenas mais um dia no trânsito. É nesse ponto que reside um dos maiores perigos para a segurança viária. A perda do medo protetivo pode levar a uma falsa sensação de invulnerabilidade e à subestimação dos riscos reais. A complacência se instala, e comportamentos que antes seriam impensáveis, tornamse parte da rotina. Aquele motorista que antes era cauteloso, agora pode se permitir distrações ou imprudências, acreditando que “nada vai acontecer”.

O medo e a consciência da segurança: exemplos práticos

Se o medo protetivo permanecesse ativo em nós, muitos dos comportamentos de risco que observamos diariamente no trânsito seriam evitados. Vejamos alguns exemplos:

Uso do Cinto de Segurança: O cinto de segurança é, comprovadamente, o dispositivo mais eficaz na prevenção de lesões graves e mortes em acidentes de trânsito. No entanto, a despeito de todas as campanhas e da obrigatoriedade legal, muitos motoristas e passageiros ainda negligenciam seu uso. Se o medo das consequências de uma colisão estivesse presente de forma vívida, a simples ação de afivelar o cinto seria um reflexo automático, uma prioridade inegociável.

Dirigir Embriagado: A combinação álcool e direção é uma das maiores causas de acidentes fatais. O álcool, além de prejudicar a coordenação motora e os reflexos, diminui drasticamente a percepção de risco e a capacidade de julgamento. A perda do medo das consequências devastadoras de dirigir sob efeito de álcool é o que leva muitos indivíduos a tomar essa decisão irresponsável, colocando em risco não apenas suas vidas, mas as de terceiros.

Uso do Celular ao Volante: A distração causada pelo uso do celular é uma epidemia moderna no trânsito. Uma rápida olhada em uma mensagem, uma ligação desatenta, e segundos preciosos de atenção são desviados da via. A habituação a essa prática, muitas vezes justificada pela urgência de uma comunicação, anula o medo do perigo iminente. Se o medo de um acidente causado pela desatenção estivesse presente, o celular permaneceria guardado enquanto o veículo estivesse em movimento.

Uso do Capacete (Motociclistas): Para os motociclistas, o capacete é a principal linha de defesa contra lesões cerebrais e faciais em caso de queda. A não utilização ou o uso incorreto do capacete é um comportamento de risco que expõe o condutor a consequências trágicas. A ausência do medo das lesões que podem ser evitadas pelo capacete é um fator determinante para essa imprudência.

O medo de perder: o elo familiar com a segurança

Se o medo de nos machucarmos diminui com a habituação, talvez o medo de perder aqueles que amamos seja o catalisador mais poderoso para a prudência. Pense nisso:

O Cinto de Segurança e o Abraço da Mãe: Antes de ligar o carro, imagine que o cinto de segurança é o abraço apertado da sua mãe, que ficou em casa, ou do seu filho, que espera por você. É a promessa de que você fará tudo para voltar em segurança para eles. Afivelar o cinto não é apenas uma regra, é um ato de amor e responsabilidade para com quem se importa com a sua vida.

O Capacete e o Sorriso do Filho: Para os motociclistas, o capacete não é apenas um equipamento de proteção. Ele é o sorriso do seu filho, a preocupação do seu pai, a alegria da sua família. É a barreira que protege a mente que pensa neles, os olhos que os veem, e a vida que é tão preciosa para eles. Usar o capacete é proteger o futuro que você constrói ao lado de quem ama.

O Celular Guardado e a Presença da Família: Aquela mensagem ou ligação pode esperar. O tempo que você dedica à direção é um tempo de foco total, um compromisso com a sua segurança e a segurança de todos na via. Pense que, ao guardar o celular, você está garantindo que estará presente de corpo e alma para sua família quando chegar em casa, sem interrupções ou tragédias.

A Sobriedade e a Confiança dos Seus Entes Queridos: Dirigir embriagado é uma traição à confiança de quem se importa com você. É colocar em risco não só a sua vida, mas a de inocentes. O medo de causar dor e sofrimento à sua família, de destruir sonhos e futuros, deve ser um freio muito mais potente do que qualquer fiscalização. Escolha a sobriedade, escolha a vida, escolha o respeito por aqueles que o amam.

Resgatando o medo protetivo

O medo, portanto, não é algo a ser eliminado por completo, mas sim compreendido e canalizado. Ele é um mecanismo de sobrevivência que nos alerta para o perigo e nos impulsiona à cautela. No trânsito, onde a vida e a segurança estão constantemente em jogo, resgatar e manter um nível saudável de medo protetivo é essencial. Isso não significa viver em pânico, mas sim cultivar uma consciência constante dos riscos, uma vigilância ativa e um respeito inabalável pelas regras e pela vida.

O medo de perder entes queridos é um sentimento universal e profundo. Ele nos impulsiona a proteger, a cuidar, a valorizar. Que esse medo, em vez de nos paralisar, nos mobilize para a ação mais segura e responsável no trânsito. Que cada atitude preventiva seja um testemunho do amor que sentimos por aqueles que nos esperam em casa.

Que o medo, esse sentimento que por vezes nos oprime, possa se tornar nosso aliado mais fiel na busca por um trânsito mais seguro e humano. Afinal, quando dirigimos com medo – o medo saudável de perder o que mais amamos – dirigimos com amor, responsabilidade e consciência. E é assim que salvamos vidas.

Luís Correia é agente de Trânsito, diretor de Mobilidade do Município de Mossoró, membro da Câmara Temática de Saúde para o Transito (CTST) do Contran e do Conselho Estadual de Trânsito

Cérebro e Celular – quando a extensão digital desafia o foco no volante

Por Luís Correia

Celular e volante, uma 'parceria' que não combina (Foto ilustrativa)
Celular e volante, uma ‘parceria’ de alto risco (Foto ilustrativa)

“Para ter o que chamamos de consciência básica é preciso ter sentimentos. Isto é, é preciso que o cérebro seja capaz de representar aquilo que se passa no corpo.”António Damásio

No cenário atual do trânsito, um dos perigos mais insidiosos e, paradoxalmente, mais aceitos, é o uso do telefone celular ao volante. Apesar das campanhas de conscientização e das penalidades legais, muitos motoristas ainda se arriscam a manusear seus aparelhos enquanto dirigem, seja para atender a uma ligação, responder a uma mensagem ou simplesmente verificar as redes sociais. As consequências são trágicas e bem documentadas: acidentes, feridos e mortes.

Mas o que leva a essa persistência em um comportamento tão arriscado? A resposta pode estar mais profunda do que imaginamos, enraizada na forma como nosso cérebro interage com essa tecnologia que se tornou uma extensão de nós mesmos. Este artigo explora a fascinante e perigosa correlação entre a neurociência e o uso do celular na condução veicular, revelando como a percepção neuronal do aparelho pode nos enganar e colocar vidas em risco.

O Cérebro e o Celular: Uma Nova Extensão Corporal?

A neuroplasticidade, ou plasticidade cerebral, é a notável capacidade do nosso sistema nervoso de se adaptar e reorganizar sua estrutura e função em resposta a novas experiências, aprendizados e até mesmo lesões [1]. É por meio dela que aprendemos novas habilidades, nos recuperamos de traumas e nos adaptamos a diferentes ambientes. No contexto da tecnologia, essa capacidade do cérebro assume um papel crucial na forma como interagimos com dispositivos como o smartphone.

Com o uso contínuo e onipresente do celular, nosso cérebro começa a incorporá-lo em nosso esquema corporal, tratando-o quase como uma parte de nós mesmos. Não é apenas uma ferramenta externa que usamos; ele se torna uma extensão de nossa mente e corpo, um repositório de memórias, contatos e informações que antes residiam exclusivamente em nosso cérebro [2]. Essa integração é tão profunda que, para muitos, a ausência do aparelho pode gerar uma sensação de desconforto ou até mesmo ansiedade, como se algo fundamental estivesse faltando. A neuroplasticidade permite que o cérebro crie novas conexões neurais que facilitam essa interação, tornando o ato de utilizar o celular um padrão comportamental “normal” e quase instintivo.

Essa percepção do celular como uma extensão do corpo não é apenas uma metáfora. Estudos e observações sugerem que o cérebro pode, de fato, recalibrar sua representação espacial para incluir ferramentas que usamos frequentemente. Pense em um músico que sente seu instrumento como parte de si, ou um cirurgião que manipula seus instrumentos com a mesma precisão e intuição com que usa as próprias mãos. O celular, para muitos, atingiu um nível semelhante de integração, tornando-se uma prótese digital que amplia nossas capacidades de comunicação e acesso à informação.

[1] Neuroplasticidade – Wikipédia, a enciclopédia livre. Disponível em: //pt.wikipedia.org/wiki/Neuroplasticidade [2] Opinião – O Telefone Celular é uma extensão do corpo humano. Disponível em: //lacosfaesa.com.br/2024/05/06/opiniao-o-celular-e-uma-extensao-do-corpo-humano/

Membro Fantasma Digital: A Síndrome da Vibração Fantasma

O conceito de “membro fantasma” é um fenômeno neurológico fascinante e, por vezes, doloroso, no qual indivíduos que sofreram a amputação de um membro continuam a sentir sua presença, dor ou outras sensações, como se ele ainda estivesse lá [3]. Isso ocorre porque o cérebro mantém uma representação neural daquele membro, e a ausência física não apaga essa representação cerebral. Essa persistência da percepção sensorial, mesmo na ausência do estímulo físico, oferece uma poderosa analogia para entender nossa relação com o celular.

No contexto do uso de smartphones, um fenômeno análogo tem sido amplamente documentado: a “Síndrome da Vibração Fantasma” ou “Síndrome do Toque Fantasma”. Quantas vezes você já sentiu seu celular vibrar ou tocar no bolso, apenas para pegá-lo e descobrir que não havia notificação alguma? [4] Essa experiência, comum entre usuários assíduos de smartphones, é um exemplo claro de como nosso cérebro se adapta e, por vezes, se confunde, com a constante expectativa de interação com o aparelho. O cérebro, acostumado a receber estímulos do celular, passa a antecipá-los, criando sensações que não correspondem à realidade física.

Essa síndrome não é uma doença, mas um indicativo da profunda integração do celular em nossa percepção corporal. Assim como o cérebro de um amputado continua a “sentir” um membro que não existe mais, o cérebro de um usuário de smartphone pode “sentir” um aparelho que não está vibrando, porque ele se tornou uma extensão tão intrínseca de nossa experiência diária. Essa “integração” pode ter implicações significativas para o comportamento e a atenção, especialmente em situações que exigem foco total, como a condução veicular.

[3] A Síndrome Do Membro Fantasma: Os Olhos Não Enxergam, Mas O Cérebro Sente. Disponível em: //www.ibnd.com.br/blog/a-sindrome-do-membro-fantasma-os-olhos-nao-enxergam-mas-o-cerebro-sente.html [4] Utilizar celular o tempo todo pode causar “síndrome da vibração fantasma”. Disponível em: //www.tecmundo.com.br/medicina/92409-utilizar-celular-tempo-causar-sindrome-vibracao-fantasma.htm

Atenção ao Volante: Um Recurso Precioso e Escasso

A condução veicular é uma atividade complexa que exige a plena atenção do motorista. Essa atenção pode ser dividida em três tipos principais: visual (manter os olhos na estrada), manual (manter as mãos no volante) e cognitiva (manter a mente focada na tarefa de dirigir) [5]. O uso do celular ao volante compromete todas essas dimensões da atenção, transformando o ato de dirigir em uma roleta russa.

Quando um motorista interage com o celular, seja para digitar uma mensagem, verificar uma notificação ou até mesmo falar no viva-voz, sua atenção é fragmentada. O olhar desvia da via, as mãos se afastam do volante e, o mais perigoso, a mente se ocupa com a tarefa secundária, perdendo o foco na condução. Essa distração cognitiva é particularmente insidiosa, pois mesmo que o motorista pareça estar olhando para a estrada, sua capacidade de processar informações e reagir a imprevistos está severamente comprometida.

Estatísticas alarmantes corroboram o perigo. O uso do celular ao dirigir aumenta o tempo de reação do motorista em até 50%, e a probabilidade de acidentes pode crescer em até 400%, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS) [6]. A perda da visão panorâmica, a dificuldade em manter a faixa e a incapacidade de reagir a situações de emergência são consequências diretas dessa distração. No Brasil, a legislação de trânsito classifica o uso do celular ao volante como infração gravíssima, justamente pelos riscos que representa à segurança de todos [7].

A ilusão da multitarefa é um dos maiores vilões. Nosso cérebro não foi projetado para realizar múltiplas tarefas complexas simultaneamente com a mesma eficiência. O que percebemos como multitarefa é, na verdade, uma rápida alternância entre tarefas, o que gera uma perda de tempo e eficiência, além de aumentar a probabilidade de erros. Ao volante, essa alternância pode ser fatal. A cada vez que o motorista desvia a atenção para o celular, ele está, na prática, dirigindo às cegas por alguns segundos cruciais.

[5] Dirigir usando celular: entenda os perigos e consequências. Disponível em: //www.allianz.com.br/Blog/2024/dirigir-usando-celular–entenda-os-perigos-e-consequencias.html [6] Celular e direção: conheça os riscos dessa prática perigosa. Disponível em: //www.sjp.pr.gov.br/celular-e-direcao-conheca-os-riscos-dessa-pratica-perigosa/ [7] Celular no trânsito: quais os riscos e o que diz a lei?. Disponível em: //www.cobli.co/blog/celular-no-transito/

O Que Fazer? Desconecte-se para Conectar-se com a Segurança

Diante da profunda integração do celular em nossas vidas e da forma como nosso cérebro o percebe, a conscientização é o primeiro passo. Entender que o uso do celular ao volante não é apenas uma distração, mas uma desconexão perigosa com a realidade da estrada, é fundamental. Não se trata de uma simples infração, mas de um risco real à vida – a sua e a de outros.

Para combater essa epidemia de distração, algumas medidas simples e eficazes podem ser adotadas:

  • Ative o Modo “Não Perturbe” ou “Modo Carro”: Muitos smartphones oferecem essa funcionalidade, que silencia notificações e chamadas enquanto você está dirigindo. Configure-o para ativar automaticamente ao detectar movimento ou ao se conectar ao Bluetooth do veículo.
  • Guarde o Aparelho Longe do Alcance: Se a tentação for grande, coloque o celular no porta-luvas, no banco de trás ou em qualquer lugar onde não seja facilmente acessível. Longe da vista, longe da mente.
  • Avise que Está Dirigindo: Se estiver esperando uma ligação ou mensagem importante, avise a pessoa que você estará dirigindo e não poderá responder imediatamente. A maioria das pessoas entenderá.
  • Use Aplicativos de Bloqueio: Existem aplicativos que bloqueiam o uso do celular enquanto o veículo está em movimento, incentivando a direção segura.
  • Peça Ajuda: Se houver um passageiro, peça para que ele gerencie suas chamadas e mensagens. Delegar essa tarefa pode salvar vidas.

Lembre-se: nenhuma mensagem, ligação ou notificação é mais importante do que a sua vida e a vida das pessoas ao seu redor. A cada vez que você resiste à tentação de pegar o celular ao volante, você está fazendo uma escolha consciente pela segurança, pela vida e pela responsabilidade.

Conclusão

O telefone celular, uma ferramenta que revolucionou a comunicação e o acesso à informação, tornou-se, para muitos, uma extensão inseparável do corpo e da mente. A neuroplasticidade do nosso cérebro, que nos permite adaptar e integrar novas ferramentas em nossa percepção corporal, explica em parte a dificuldade de nos desvencilharmos do aparelho, mesmo em situações de risco. A “Síndrome da Vibração Fantasma” é um testemunho dessa profunda integração, onde o cérebro antecipa estímulos do celular, tratando-o como um membro fantasma digital.

No entanto, essa “normalização” do uso do celular se torna mortal quando combinada com a condução veicular. A atenção, um recurso precioso e escasso, é fragmentada em suas dimensões visual, manual e cognitiva, transformando o ato de dirigir em uma atividade de alto risco. As estatísticas são claras: o celular ao volante mata.

É hora de reconhecer que, embora nosso cérebro possa percebê-lo como uma extensão, o celular não pertence ao volante. A segurança no trânsito é uma responsabilidade coletiva, e cada motorista tem o poder de fazer a diferença. Desconecte-se do celular para se conectar com a segurança. Sua vida e a vida de outros dependem disso.

Luís Correia é agente de Trânsito, diretor de Mobilidade do Município de Mossoró, membro da Câmara Temática de Saúde para o Transito (CTST) do Contran e do Conselho Estadual de Trânsito

A ciência e a cultura por trás da escolha das cores do semáforo

Por Luís Correia

Imagem ilustrativa com recursos de Inteligência Artificial para o BCS
Imagem ilustrativa com recursos de Inteligência Artificial para o BCS

Os semáforos são uma das invenções mais universais do mundo moderno, presentes em praticamente todas as cidades do planeta. Mas você já parou para pensar por que as cores escolhidas foram vermelho, amarelo e verde? A resposta envolve psicologia cognitiva, ergonomia visual, antropologia cultural e padrões técnicos internacionais. Essa padronização foi consolidada pela Convenção de Viena sobre Trânsito (1968), mas também incorporada pelo Código de Trânsito Brasileiro (Lei nº 9.503/1997). Essa dupla regulamentação – global e local – reforça a importância científica e social por trás dessa combinação cromática.

1 – Psicologia Cognitiva: Como o cérebro interpreta essas cores?

O vermelho, o amarelo e o verde não foram escolhidos por acaso. A psicologia cognitiva explica que essas cores despertam reações quase instintivas no cérebro humano:

– Vermelho: Associado ao perigo, sangue e alerta máximo, o vermelho não só chama atenção imediata como também provoca reações fisiológicas, como o aumento da pressão arterial e dos batimentos cardíacos. Estudos indicam que essa cor ativa o sistema nervoso simpático, preparando o corpo para uma resposta rápida – daí sua eficácia em sinais de parada.

– Amarelo: Além de representar precaução, o amarelo possui uma vantagem biológica: é a cor mais facilmente detectada pelo olho humano, especialmente em movimentos rápidos. Essa característica faz dele o sinal ideal para situações de transição que exigem resposta imediata.

– Verde: Posicionado próximo ao centro do espectro visual (em torno de 555 nm), o verde é naturalmente mais perceptível ao olho humano. Essa cor ainda carrega associações com a natureza e tranquilidade, transmitindo uma sensação de segurança e fluidez que combina perfeitamente com a mensagem de “siga em frente”.

2 – Ergonomia Visual: Visibilidade e Distinção Instantânea

A ergonomia visual estuda como o olho humano percebe e processa informações luminosas. No caso dos semáforos, três fatores foram decisivos:

– Contraste luminoso: O vermelho e o verde estão em extremos opostos do espectro visível, reduzindo confusões mesmo em condições de baixa luminosidade.

– Visibilidade em diferentes condições: O amarelo, além de sua fácil detecção, mantém boa visibilidade sob neblina ou luz solar intensa.

– Acessibilidade: Pessoas com daltonismo (principalmente o tipo vermelho-verde) ainda conseguem distinguir as cores pela posição (em semáforos verticais, o vermelho fica sempre no topo).

Normas técnicas, como a ABNT NBR 16199, regulam a intensidade luminosa e o posicionamento das luzes para garantir que sejam percebidas corretamente por todos.

3 – Antropologia Cultural: A Padronização Global

Apesar de algumas culturas atribuírem significados distintos às cores, o semáforo seguiu um processo de uniformização internacional. Isso ocorreu porque:

– Convenções internacionais, como a já mencionada Convenção de Viena sobre Trânsito (1968), estabeleceram o vermelho, amarelo e verde como padrão para evitar acidentes em viagens entre países.

– Historicamente, as primeiras luzes de trânsito (século XIX) usavam vermelho e verde porque eram as cores mais facilmente reproduzidas com a tecnologia da época (lâmpadas a gás). O amarelo foi adicionado posteriormente para melhorar a segurança.

Conclusão: Uma Escolha Baseada em Ciência, Segurança e Consenso

A combinação vermelho-amarelo-verde nos semáforos representa muito mais do que uma simples convenção – é um sistema cuidadosamente elaborado que salva vidas diariamente. Cada aspecto dessa tríade cromática foi meticulosamente estudado para garantir a segurança de pedestres, motoristas e todos os usuários das vias.

O respeito a essas cores não é apenas uma questão de obediência à lei, mas sim uma responsabilidade coletiva. Quando ignoramos o vermelho, colocamos em risco não apenas nós mesmos, mas todos ao nosso redor. O amarelo, frequentemente visto como um “convite à aceleração”, foi concebido justamente para dar tempo de reação segura – desrespeitá-lo é uma das principais causas de acidentes em cruzamentos. Já o verde, embora sinalize liberdade de movimento, exige igual atenção, pois a segurança no trânsito é sempre compartilhada.

Vale destacar que a eficácia desse sistema depende crucialmente do cumprimento coletivo das normas. Estatísticas de segurança viária em todo o mundo comprovam que locais com maior respeito à sinalização apresentam índices significativamente menores de acidentes. A psicologia do trânsito mostra que a previsibilidade gerada pela obediência aos semáforos é um dos fatores mais importantes para a segurança nas vias.

Além disso, a padronização internacional dessas cores facilita a compreensão universal, sendo especialmente valiosa em um mundo globalizado onde pessoas circulam entre países com diferentes línguas e culturas. Um turista em terra estrangeira pode não entender as placas, mas certamente compreenderá o significado do semáforo.

Portanto, quando nos deparamos com essas luzes coloridas, estamos diante de um dos mais bem-sucedidos exemplos de cooperação humana em prol da segurança coletiva. Cada vez que respeitamos o semáforo, estamos contribuindo para um trânsito mais harmonioso e protegendo vidas – inclusive a nossa. Afinal, no grande sistema viário que compartilhamos, a segurança de um depende do cuidado de todos.

Luís Correia é agente de Trânsito, diretor de Mobilidade do Município de Mossoró, membro da Câmara Temática de Saúde para o Transito (CTST) do Contran e do Conselho Estadual de Trânsito

O erro de Descartes

Por Luís Correia

Arte ilustrativa produzida com IA (BCS)
Arte ilustrativa produzida com IA (BCS)

René Descartes, filósofo, físico e matemático, acreditava que a mente e o corpo eram entidades separadas e que o raciocínio, o juízo moral e o sofrimento poderiam existir independentemente do corpo. Criamos um referencial: o coração representava as emoções e o cérebro, o raciocínio.

O título desta matéria, “O Erro de Descartes”, foi escrito pelo médico neurologista e neurocientista António Damásio. Em seu livro, Damásio apresenta um conjunto de argumentos fisiológicos e anatômicos sobre a formação e processamento de imagens no cérebro, os quais têm uma íntima relação na gênese e na expressão das emoções. Além disso, as tomadas de decisões tramitam por um feedback do sistema límbico (emoções) e neocórtex (“razão”), ativando alguns dos substratos neurais envolvidos na aprendizagem emocional.

A neurociência, hoje, por meio de estudos, neuroimagem, marcadores cerebrais e eletroencefalograma com mapeamento cerebral, defende que as emoções desempenham um papel crucial na tomada de decisões e no pensamento racional. Pensamentos e ações são uma fusão entre os complexos emocionais e racionais.

Fatores emocionais têm uma participação ativa na condução do veículo automotor. Ansiedade, medo, depressão, angústia, euforia e uma cascata de sentimentos criam uma atmosfera que podem levar à participação do condutor em eventos de sinistro de trânsito.

Sabemos que conduzir um veículo automotor exige atenção, controle, raciocínio e decisão, e que o sistema nervoso tem uma relação estreita sobre esses aspectos, e consequentemente, sobre a condução do veículo.

Conduzir um veículo após uma decepção amorosa, desentendimento entre os ocupantes do veículo, distúrbio gastrointestinal, cólicas ou situações que interferem no modo de agir e de conduzir pode ser perigoso.

Brigas de trânsito, manobras equivocadas, uma marcha errada, um momento que deveria frear e acelera, um pedestre atravessando a faixa somente observado muito próximo ao veículo, um avanço de preferencial, um ponto cego são situações agravadas quando o condutor está emocionalmente abalado.

E quando essas emoções vêm somadas com substâncias depressoras do sistema nervoso? Substâncias como benzodiazepínicos (diazepam, lorazepam, etc.), opiáceos ou narcóticos (morfina, heroína, codeína, meperidina, etc.) tornam a maquinaria da resposta motora, da vigilância, da atenção e do cálculo suscetível a inúmeras falhas que culminam em sinistros de trânsito.

A fala mais comum seria: “ainda bem que não consumo nenhuma dessas drogas”. No entanto, uma pesquisa encomendada pelo Instituto Brasileiro do Fígado (Ibrafig) ao Datafolha mostrou que 55% dos brasileiros com mais de 18 anos de idade consomem bebidas alcoólicas, sendo que 32%, ou seja, um em cada três indivíduos, consomem semanalmente.

Você está entre esses 55%? Então você faz uso de droga depressora do sistema nervoso central. O álcool, nos primeiros momentos logo após a ingestão, pode aparecer os efeitos estimulantes, como euforia, desinibição e maior facilidade para falar. No entanto, com o passar do tempo, começam a surgir os efeitos depressores, como falta de coordenação motora, descontrole e sono.

Quando o consumo é muito exagerado, o efeito depressor fica exacerbado, podendo até mesmo provocar o estado de coma. O tempo do efeito e as consequências têm inúmeros fatores contributivos, como alimentação, sono, quantidade, tipo de bebida, fatores associativos, fatores emocionais, entre outros.

Em função disso, a legislação do CTB expressa, em seu Art. 276, que qualquer concentração de álcool por litro de sangue ou por litro de ar alveolar sujeita o condutor às penalidades impostas no CTB.

Não nascemos em Vulcão, não somos compatriotas de Spock; suas alegrias, tristezas, decepções, anseios, tédios, regozijos e sonhos guiam seu automóvel junto com você.

Luís Correia é agente de Trânsito, diretor de Mobilidade do Município de Mossoró, membro da Câmara Temática de Saúde para o Transito (CTST) do Contran e do Conselho Estadual de Trânsito

O que é ruim, piorou muito, com acidente no Nova Betânia

O que é ruim, piorou muito, nesta manhã de quinta-feira (24) no bairro Nova Betânia, em Mossoró.

Um ônibus derrubou o semáforo no cruzamento das avenidas João da Escóssia com Antônio Vieira de Sá.

O veículo tentou fazer curva e seu motorista acabou acertando em cheio o equipamento semafórico. A partir daí, o tráfego de veículos – sobretudo no sentido do Centro e colégios na região – ficou ainda mais tumultuado.

A rotina de tensão e dificuldades nessa área, na chamada mobilidade urbana, ficou ainda mais delicada.

Leia tambémAvenida se transforma numa aventura

P.S – 8h54 – O cabo da reserva da Polícia Militar do RN Francisco Apolônio da Silva e sua esposa Francisca de Souza Soares Silva morreram num acidente à manhã de hoje, na Avenida Presidente Dutra, quando bateram na traseira de um carro que esperava um transeunte passar na faixa de pedestre (informação do Fim da Linha).

Já na Avenida Rio Branco, um outro acidente vitimou uma corredora de rua, próximo ao posto Fan.

Ela foi atropelada por uma moto.

Ainda sem detalhes sobre a gravidade, o Blog Carol Ribeiro recebeu informações de que a vítima foi encaminhada, imobilizada, ao Hospital Regional Tarcísio Maia.

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Avenida se transforma numa aventura

Avenida é um dos principais corredores viários da cidade (Foto: BCS/Julho de 2023)
Avenida é um dos principais corredores viários da cidade (Foto: BCS/Julho de 2023)

É uma aventura trafegar ocasionalmente ou todos os dias, pela Avenida João da Escóssia em Mossoró (Nova Betânia).

Se houvesse pelo menos fiscalização contra estacionamento proibido, já melhoraria alguma coisa.

A PMM precisa colocar em prática projeto para desafogar essa via.

Urgente.

Para ontem.

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Equipamentos de controle de velocidade serão substituídos

Equipamentos estão em funcionamento desde 2010, diz PMM (Foto: PMM)

Instalados em 2010, os equipamentos de controle de velocidade administrados pelo município estão sendo substituídos. O anúncio é feito pela Prefeitura Municipal de Mossoró.

Novas máquinas, mais modernas, serão instaladas após conclusão de processo licitatório, que já está em tramitação.

“Dentro desse semestre, pretendemos concluir o processo licitatório e a execução do serviço”, informa o secretário de Segurança Pública, Defesa Civil e Mobilidade Urbana, Sócrates Vieira Junior.

Enquanto a substituição não é feita, as câmeras de videomonitoramento garantirão a fiscalização do trânsito. É o que garante o secretário. “Qualquer condutor que possa causar transtorno ao trânsito ou que possa cometer um crime de trânsito será identificado. E a tecnologia do videomonitoramento, identifica todo e qualquer registro de veículo”, alerta Vieira.

Com informações da Prefeitura Municipal de Mossoró.

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MP quer regularização de ciclomotores em Mossoró

O Ministério Público emitiu recomendação à Câmara Municipal de Mossoró, para que discipline registro e licenciamento de ciclomotores em Mossoró. Há muita preocupação quanto ao seu uso.

O Código de Trânsito Brasileiro (CTB) dá essa prerrogativa ao Município.

Projeto de Lei seria uma forma de começar a fechar o certo às distorções no uso desses veículos de baixa cilindrada.

Menores de idade e gente sem qualquer habilitação legal ou conhecimento de normas de trânsito possuem essa modalidade de motocicleta. São as maiores ocupantes de espaço no Hospital Regional Tarcísio Maia (HRTM), devido acidentes

Ao mesmo tempo, elas passaram a ser peça importante à prática de crimes diversos, pois sequer possuem placa de identificação.

Em Mossoró, a estimativa é que existam mais de 30 mil ciclomotores em circulação. Praticamente estão substituindo bicicletas, devido seu baixo valor de compra, enorme facilidade de financiamento e baixíssima manutenção.

 

Trânsito vira reprodução de Nova Délhi

As autoridades de trânsito abondonaram um dos principais ramais de tráfego de Mossoró, durante o Carnaval e nesta quarta-feira de cinzas.

O cruzamento da BR-304 com prolongamento da Avenida Rio Branco, acesso ao centro da cidade e ao Conjunto Santa Delmira, virou reprodução de Nova Délhi, capital da Índia.

Milhares de veículos trafegam no cruzamento há alguns dias, sem que semáforos funcionem.

Também não aparece qualquer autoridade policial de trânsito para fazer fluir carros e motos com maior segurança.

É cada um por si e Deus por todos.

Faltam moral e pulso forte ao trânsito de Mossoró

Os problemas do trânsito de Mossoró (veja postagem abaixo) devem ser tratados de forma sistêmica. O Blog Carlos Santos – há anos apresentou ideias relacionadas ao tema, como forma de contribuição à prefeitura, mostrando que é possível se atenuar a algazarra e desorganização do setor.

O que falta é decisão política, pulso forte e moral institucional. Inexiste a priorização do público, visto que é soterrada pelos interesses eleitoreiros e de grupos.

Concessões de táxi distribuídas como moeda politiqueira, miopia diante da pulverização de mototáxis (incluindo os clandestinos), falta de estrutura e disciplina para coletivos urbanos, balbúrdia na circulação de cerca de 5 mil veículos alternativos de outros municípios, escassez de estacionamentos e ditadura dos flanelinhas compõem parte do sistema gangrenado há décadas.

Normas de trânsito que precisam ser respeitadas

Caro Carlos Santos,

Lendo a postagem de seu Blog (veja AQUI), não pude deixar de atentar para a preocupação de um leitor quando destaca a “indústria de multas” a qual estamos sujeitos.

Nesse ponto, cabe destacar a Resolução 141/2002 do CONTRAN:

Art. 2º […] § 1º a definição do local de instalação de aparelho, de equipamento ou de qualquer outro meio tecnológico, para fins do § 2º do Art. 280 do CTB, deverá ser precedida de estudos técnicos que contemplem, dentre outras variáveis, os índices de acidentes, as características da localidade, a velocidade máxima da via, a geometria da via, a densidade veicular, o potencial de risco aos usuários, e que comprovem a necessidade de fiscalização, sempre dando prioridade à educação para o trânsito e à redução e prevenção de acidentes.

§ 2º os estudos técnicos referidos no parágrafo anterior deverão estar disponíveis ao público na sede do órgão ou entidade de trânsito com circunscrição sobre a via e do Conselho de Trânsito do respectivo Estado ou do Distrito Federal, devendo ser revistos com periodicidade mínima de 12 meses ou sempre que ocorrerem alterações nas suas variáveis.

§ 3º além da aprovação, verificação e atendimento das exigências do Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial – INMETRO, o aparelho, o equipamento ou qualquer outro meio tecnológico do tipo fixo somente poderá entrar em operação depois de homologada sua instalação pela autoridade de trânsito.

Acho que essas informações podem contribuir para discutirmos melhor a instalação indiscriminada de radares em nossa cidade. Lembre-se que o Vereador Lahyre Neto (PSB) elaborou um projeto de lei obrigando a realização de audiência pública antes da instalação dos equipamentos justamente com base nessa resolução.

Erison Torres

Nota do Blog – O novo governo municipal e a nova Câmara Municipal de Mossoró têm obrigação de tratar a questão do trânsito com maior responsabilidade, respeito ao cidadão e competência.

Há uma preocupação prioritária em arrecadar, ampliando receitas com multas.

O trânsito continua ruim e com tendência a piorar, se nada realmente eficaz for feito.

Equipamentos com fotossensores são colocados em algumas vias que têm raros acidentes, obstruindo o fluxo de veículos e fabricando multas aos borbotões.

É o que observamos.

 

Projeto tenta evitar “indústria da multa” em Mossoró

A Câmara Municipal aprovou por unanimidade o Projeto de Lei 102/2011 de autoria do vereador Lairinho Rosado (PSB) que torna obrigatória a realização de audiências públicas antes da colocação de radares eletrônicos nas vias de Mossoró.

A iniciativa do parlamentar tem como finalidade coibir a chamada “indústria da multa” que consiste em pegar os motoristas de surpresa através dos redutores de velocidade instalados sem o devido aviso.

“Muitas vezes a Prefeitura de Mossoró implanta os redutores de velocidade sem consultar a população”, arguiu o vereador.

Nota do Blog – Há um agravante dessa política de implantação de radares etc.

Há situações em que o limite de velocidade é alterado e também ninguém é avisado. Daí temos uma abundância de multas, porque a expressiva maioria dos motoristas está condicionada à limitação anterior.

O caso da Avenida Lauro Monte é emblemático por dois motivos: primeiro porque houve redução de 70km para 50km sem um alerta prévio e também porque a redução não ajuda em nada o trânsito, mas o torna moroso e irritante, numa via que deveria ajudar a desafogar o tráfego.

Enquanto isso, na Avenida Leste Oeste, sabe-se lá por qual critério, o limite é de 60km.

Um apelo à melhoria do trânsito em Mossoró

Carlos Santos, boa noite!

O motivo do contato é para relatar um problema muito sério, pertinente aos constantes avanços de semáforo vermelho, dos condutores que trafegam pela BR 304 (Mososró). Mais precisamente, no cruzamento desta com a Rua Isaura Rosado/Rua Dr. João Marcelino (próximo à Usibrás).

O fato é que, depois de anos de luta, os moradores conseguiram que fosse instalado um semáforo no local. Todavia, os veículos não respeitam a sinalização, e, ao bem da verdade, parece que não existe sinal algum.

O desrespeito é, principalmente, dos veículos de grande porte, mas nenhum outro foge a regra. Desta maneira, antes de cruzar o semáforo, mesmo no verde, é necessário esperar a boa vontade dos condutores que trafegam pela BR 304, para evitar uma colisão.

Assim, acredito que um radar eletrônico deva ser instalado, COM URGÊNCIA, no local, para inibir a prática da precitada infração pelos motoristas, antes que aconteça um grave acidente.

Monaliza Trigueiro – Webleitora

Nota do Blog – Pertinente sua abordagem, Monaliza.

Mas aproveito sua intervenção neste permanente fórum de debates que é nossa página, para também fomentar discussão quanto ao horário noturno de funcionamento dos fotossensores em semáforos.

Numa cidade em crescente violência, parar em determinados horários é sempre um risco. É aguardar ser abordado por bandidos sobre motos, em violência que pode não ficar restrita apenas ao roubo.

Em algumas cidades é adotada sistemática de benevolência quanto a isso. Em mossoró, o apetite arrecadador não leve em conta a insegurança e a falta de condições mínimas de garantias do ir e vir do cidadão.